sexta-feira, março 18, 2016

Europa em 60 dias - Dublin e Irlanda do Norte - Reencontros e Descobertas

Amanhecer no Centro de Dublin
Tinha me encantado pela Irlanda quando fui um estudante em Dublin. Não só as paisagens magníficas do país, mas a amistosidade do povo, a sensação de segurança e bem-estar, e mesmo os vários dias de céu nublado e o cheiro do vento, fizeram com que eu me apaixonasse pela Ilha Esmeralda. 
No entanto, confesso que estava meio receoso de voltar ao país, pensei que esse encanto da primeira vez poderia ser perdido tão logo eu desembarcasse em solo irlandês. 
Costume House e Rio Liffey - Dublin
Mas não foi assim. Quando, no aeroporto de Budapeste, comecei a ouvir as conversas daquelas pessoas de sotaque caraterístico e sorriso largo que estavam comigo na fila da Ryanair, logo fui inundado de uma nostalgia maravilhosa. Me engajei num papo gostoso com meus companheiros de voo e até fui corrigido por uma senhora que parecia a Filomena do filme de mesmo nome quando, diante da confusãozinha que se formara em frente ao portão de embarque, lhe falei a palavra "line" para dizer que havia uma fila única para todos os voos. Ela olhou para mim com seu sorrisinho leprechaunico e me disse: "você quer dizer 'queue'. Você não quer ser diferente de nós, não é?", e me piscou o olho esquerdo para confirmar a pergunta que mais parecia uma ordem. Eu lhe sorri de volta e disse, "Não, eu sou quase um Irish, right?!", pronunciado /Óirish, róish/. Ela aplaudiu alegremente meu sotaque fake e respondeu que sim. Embora fosse diferente, já me sentia um pequeno homem de barba ruiva com trevo de quatro folhas na lapela do meu casaco verde. 
Centro de Dublin 
E essa sensação se intensificou quando saí pelos portões do Aeroporto Internacional de Dublin e senti o cheiro daquela cidade que já se havia impregnado em mim, mas estava adormecido em minha memória. Dublin tem um cheiro todo próprio, de chuva, frio e relva verde que se entranha nas narinas como o perfume de uma mãe querida.
Fui andando pelos corredores, sorvendo aquele ambiente, aquela atmosfera, o cheiro da cidade. Sabia que meus amigos já esperavam por mim na saída e que deviam estar preocupados com minha demora pensando até que havia tido algum problema no controle de passaportes, uma vez que o grande número de brasileiros no país é feito tanto por gente muito boa como por gente ruim, que leva seus costumes danosos para onde se dirigem e, por isso, os passaportes brasileiros têm sido vistos com (muito) mais precaução que antes. No entanto, minha demora se dava por eu apenas caminhar lentamente pelos corredores, lembrando todas as vezes que entrei e saí daquele aeroporto. Naquele momento, sentia o coração acelerado pela emoção de estar de volta à cidade que se tornou um dos mais queridos cantos do mundo para mim, e pela antecipação de rever meus amigos aos quais tinha encontrado em Salvador exatamente um ano antes daquele dia, quando, em férias, eles foram me visitar.
Abraços dados, saudações trocadas, sorrisos felizes, deixamos minhas malas em casa e os melhores anfitriões da Irlanda me levaram para um rango superdelicioso, à irlandesa, bem perto do lugar onde morei, mas aonde eu nunca tinha ido. O ambiente é superlegal, jovem e descontraído e a comida deliciosa. Recomendo uma visita ao Hogs & Heifers de Swords e as costelas assadas que eles fazem lá! Entre comida, bebida e música, colocamos o papo em dia e fizemos o roteiro para a minha estadia. Pois Dublin era o único lugar para o qual não tinha feito nenhum plano, apenas queria chegar lá, depois, era só seguir o vento, afinal, havia tanto o que fazer na cidade, tanto para rever, e alguns lugares fora dali para conhecer.
Happy Hour no Johnnie Fox's
Um desses lugares foi um pub supertradicional - desde 1798 - e totalmente Irish chamado Johnnie Fox's - digo "totalmente irlandês", porque na região do Temple Bar, no Centro, há muitos turistas, então, os pubs tomam uma configuração para estrangeiro ver -, com música irlandesa tradicional, muitos pints de Guiness, um delicioso Baileys coffee para esquentar, e velhinhos irlandeses conversando sobre a vida. Esse pub é chamado de o "Pub mais Alto da Irlanda" e está a uns 30 ou 40 minutos do Centro da cidade, já na região das montanhas de Wicklow. O staff é totalmente gentil - tiraram até nossas fotos e nos explicaram várias coisas sobre a cultura do lugar -, e o pub é frequentado majoritariamente por irlandeses - cerca de 98% das pessoas que estavam lá eram nativas.
Os Pubs irlandeses são lugares para onde se deve ir quando se quer realmente sentir a vida do país. Pois eles são para os irlandeses o que as praias são para nós: um lugar aonde todos vamos sem pestanejar.

Bushmills, Giants' Causeway, Carrick-a-Rede e Dark Hedges - Irlanda do Norte
Dark Hedges - Irlanda do Norte
A Irlanda do Norte é sempre um dos destinos certos para quem estuda ou visita a República da Irlanda. Geralmente as pessoas vão a esse país que, embora esteja na mesma ilha, faz parte do Reino Unido e não da República da Irlanda (por isso a moeda não é o euro, mas a libra esterlina), para visitar o Museu do Titanic, o Giant's Causeway (um conjunto impressionante de milhares de pedras de basalto que se encaixam perfeitamente como se tivessem sido postas para formar uma calçada), Carrick-a-Rede, onde há a Ponte de Corda; e agora, também, as Dark Hedges (uma avenida de faias bicentenárias enormes que se entrelaçam criando um cenário incrível), que ficaram famosas porque viraram palco para o último episódio da primeira temporada de Game of Thrones.
Eu, entretanto, não havia ido lá. Fiquei adiando a viagem até que não deu mais para ir. Por isso, assim que o sol raiou (fala-se figurativamente aqui, pois o "sol raiar" no inverno irlandês chega até a ser uma escolha sarcástica de vocabulário), nós nos arrumamos, corremos para o carro e nos mandamos a ganhar a estrada e o dia.
Torre Redonda em Bushmills
A chuva fina caía incansável sobre o teto e vidros do carro enquanto estávamos na M1, o céu cinzento contrastando com o verde vivo do mato e das plantações ao lado da estrada, música brasileira, irlandesa, pop rock, alterativa, tocando no repertório, o tempo passando a quase 100 km por hora ao passo em que gradativamente víamos o meio-fio de verde, branco e laranja mudar para azul e vermelho, e as cores das placas informativas mudarem de verde para azul, e um Union Jack (a bandeira do Reino Unido) voar tímido e solitário no mastro, nos mostrando que deixávamos a República da Irlanda e entrávamos na província de Ulster (nome irlandês da Irlanda do Norte). Quando me dei conta das transformações, meu coração começou a gelar. Me lembrei do IRA, me lembrei de protestantes e católicos, me lembrei do ódio entre irmãos, e da placa Baila Atah Cliath (nome de Dublin em irlandês) no carro. Olhei para John, ele parecia tranquilo, Olhei para Carina, ela também estava tranquila. Perguntei se estava tendo algum problema recentemente, ele disse que não havia nada sério, que as coisas estavam bem há muitos anos. Desanuviei a mente, voltei a me perder na vista e nas ruínas de casas antigas no caminho. A paisagem é tão bucólica, tão única, que mesmo nos mostrando pastos por quilômetros quadrados, torres redondas da época dos celtas e povoações tímidas despontado aqui e ali, não nos enfada nunca.
Mini Fry e chocolate quente- The Copper Kettle
Antes de chegarmos ao Giant's Causeway, precisamos parar num posto. O dono do lugar, ao nos ver chegar, levantou-se da cadeira onde estava do lado de fora da loja e meteu-se por trás balcão, seu olho reluzia, sua cara estava tesa, tensa. Nós entramos, o saudamos, ele respondeu com um aceno de cabeça rígido e quase imperceptível. Entrei no banheiro, rezando. Saí para ver a cara de John e de Carina em pânico, me pedindo para correr porque o homem tinha ido buscar uma picareta para quebrar o carro inteiro. Todos começamos a gritar como loucos, pedindo ajuda, procurando um esconderijo! Mas é claro que isto não é verdade, pelo menos não a parte dos gritos e das picaretas, falei só pra criar um climinha de expectativa.
A verdade é que, quando saí do sanitário, todos continuavam no mesmo lugar. O John e a Carina ao lado da porta me esperando, O homem teso atrás do balcão nos olhando como se fôssemos criminosos, aliás, remoendo o ódio pelo que o John representava para ele: a rebeldia irlandesa que deu um basta ao imperialismo britânico. Carina me disse que não havia lanches lá e fomos embora. Meus pelos arrepiados pelo olhar malévolo do homem que, após nós arrancarmos com o carro, saiu de dentro da loja, cuspiu no chão e disse alguma coisa inaudível. Olhei para os meus anfitriões, todos estávamos aliviados. "Ainda há gente que guarda rancores", comentou o John.
Como - graças a Deus - não encontramos rango na loja de
Menu do The Copper Kettle
conveniências, paramos numa vila próxima ao Giant's Causeway para forrar o estômago. Lá encontramos um restaurante muito ajeitadinho e confortável, com uma comida boa e barata, chamado The Copper Kettle (O Bule de Cobre) e, diferentemente do sujeito no posto, os funcionários do restaurante nos receberam hiperbem. Havia lá também um grupo de ciclistas que fazia a Rota Cênica da costa da Irlanda. Todos muito animados, comendo proteínas e gordura e bebendo café quente para enfrentar o frio e os quilômetros que os esperavam pela frente. Quando saímos do restaurante, John chamou minha atenção para a vila, me dizendo que há dois anos, quando ele esteve lá, havia várias bandeiras da Union Jack (aquela bandeira azul com uma cruz vermelha e branca) penduradas pelos postes, mas que agora não havia nenhuma. Talvez as coisas estejam mesmo ficando no passado, apesar de alguns ressentidos.
O céu começou a abrir, o sol apareceu tímido, bem tímido mesmo, mas suficiente para que aproveitássemos nosso passeio. No Giant's Causeway há uma recepção bem confortável, onde podemos aprender tanto a história quanto a mitologia envolvendo o lugar. Há também um café muito bom. Nosso guia chegou e descemos com ele para explorar a atração. O vento frio sempre presente quase quebrando nossos ossos e fazendo nossos narizes correrem rios, parecia não dizer nada ao guia que permanecia sem luvas nem proteção  para o rosto- um herói!
O sapato que Finn deixou para trás na batalha
Lá fomos nós parando aqui e ali a ouvir histórias interessantes sobre a formação geológica do Causeway; sobre a mulher que vendia cachaça dizendo que vendia água vinda de uma nascente ali mesmo para burlar as leis contra bebida alcoólica; sobre os mitos do camelo Humphrey e do gigante Finn, e as /stiuunes/ (stones, pedras), como nosso guia falava em seu sotaque nortenho, que Finn pôs ali para lutar com o gigante escocês. Mostrando que, enfim, a lenda é sempre mais interessante que a geologia para quem fez Letras.
De lá fomos à Rope Bridge, em Carrick-a-Rede. Uma ponte de madeira e cordas que liga a ilha ao um penhasco de onde, em outros tempos, os pescadores saiam para fazer suas pescas e checarem suas redes de salmão na solidão fria do mar da Irlanda.
A sensação de caminhar na ponte num dia de vento forte é única. Embaixo de você há um abismo
Rope Bridge - Carrick-a-Rede
azul e pedras escorregadias e agudas, e nas laterais só umas cordas que, apesar de seguras, parecem fios de barbante ao vento. Olhar para baixo é uma opção para os de coração forte. Manter o foco à frente, uma opção para quem quer continuar prosseguindo sem receios maiores. Eu fui andando, ignorando o vento, concentrado apenas na minha chegada. Carina do outro lado me gritava: "Olha pra baixo, Márcio!" olhei! quase me borrei todo. O vento soprando, balançando a ponte me deu vertigem. Quase parei no meio, senti o sangue correr do rosto, das mãos, meus amigos falando "vem logo", e eu lá com aquela cara de "Ai, meu Deus, o que eu vim fazer aqui!". Quando enfim cheguei ao outro lado, o alívio, a alegria de estar vivo, a sensação de quem conquistou o mundo, me possuíram. Carina bateu no meu ombro e me disse: "agora quero ver é voltar". Olhei para trás, o vento balançava a ponte, incansável. Quando saímos de lá, o sol já estava quase se pondo, fomos diretos ao Dark Hedges. Havia um grupo de turistas brasileiros com quem eu logo socializei. O cara mais falante do grupo, um paranaense que estava morando em Dublin há dois anos e parecia ser um guia turístico, começou a descrever o local para seus amigos, contando a história do lugar e do porquê tinha se tornado mundialmente famoso, eu aproveitei e fiquei só nas entocas ouvindo tudo. Valeu, colega, pela explicação gratuita.
Fotos tiradas, chuva fina começando a cair de leve, voltamos para Dublin. À noite três horas parecem infindáveis. Dormi pra só acordar em casa.

De volta a Dublin - onde está Molly Malone?!
Postes do Centro de Dublin
No dia seguinte, que foi cheio de bons reencontros e surpresas, saí de Swords, com o céu ainda escuro, em direção ao Centro naquele ônibus double-decker que há tanto tempo eu não pegava. Olhei os rostos das pessoas recém-acordadas, silentes, sentadas nas poltronas azuis confortáveis, as chácaras ao redor, o cenário bucólico na maior cidade da Irlanda, na capital do país. Um sentimento de melancolia doce me envolveu. Percebi o quanto de saudade eu sentia daquele lugar calmo, de gente tranquila e amistosa.
As coisas estavam diferentes, embora parecessem iguais. O trajeto do ônibus não era exatamente o mesmo, a ponte em frente ao Eden's Quay (/ki/) tinha sido terminada, o centro da cidade sofria várias intervenções para as novas rotas dos Luas (os trens de Dublin). O dia amanheceia lento enquanto eu saltava do double-decker e caminhava pelas ruas frias. Antes de ir reencontrar meus antigos professores, fui dar uma volta pela Grafton Street, agora sem as pedras
Passarinho no Saint Stephen's Green
vermelhas que a calçavam, delas restam apenas resquícios em algumas vielinhas e na rua onde há a estátua de Philip Lynott, da banda Thin Lizzy. O Stephen's Green, no entanto, continuava igual: os patinhos, gaivotas, galinhas d'água, fazendo festa no lago, gente sentada nos bancos comendo seu café da manhã, esquilos correndo por aqui e acolá. Eu fui caminhando lentamente, Sentei diante do lago e, por instinto, comecei a cantar João Gilberto, baixinho: "...quiet talks and quiet dreams, quiet walks by quiet streams...", me perdi na minha música e na paz do lugar. Uma senhora que passeava com seu cachorro parou diante de mim e me disse: Que bela música! Que voz suave! posso te ouvir cantar?". Eu, totalmente sem jeito, disse que sim. Ela sentou-se ao meu lado e pediu que eu repetisse a mesma música. Eu, com cara de bolacha, comecei a cantar. No final ela aplaudiu e me disse: "Eu adoro ouvir
Feira da Moore Street
as pessoas cantarem, faz a vida tão mais bonita! E numa manhã tão escura as músicas sempre fazem o dia brilhar". E aí  me perguntou qual era a língua da segunda parte da música. O resto vocês já sabem onde foi parar: Brasil isso, Bahia aquilo, Salvador aquilo outro. Ela se despediu, com um aperto de mão e um sorriso imenso, e lá se foram ela e seu cachorrinho pequeno e desengonçado, cuja raça eu não tenho ideia qual seja.
A Irlanda é assim: pessoas calorosas e gentis, dias frios e cinzentos. A Dublin de Molly Malone continuava a mesma na essência, embora algo tenha mudado aqui e ali. Aliás, a própria Molly Malone não estava mais na Grafton Street. Sua estátua de bronze havia sido retirada, devido às obras do Luas, do lugar onde repousara por algumas décadas. "In Dublin fair city I didn't first set my eyes on sweet Molly Malone" que não estava mais lá "crying cockles and
mussels alive, alive, oh!". No entanto, sua presença podia ser sentida ao cruzarmos a Grafton de volta ao Trinity College, ao Bank of Ireland, à Dame Street onde eu fui rever meus antigos professores com os quais tive uma manhã maravilhosa de lembranças e conversas calorosas. Meu Deus! como o tempo passou sem passar! Aquelas pessoas de mentes brilhantes, de doçura suave, de conversa fácil, estavam ali, muito felizes em me rever e saber notícias minhas. Tantas pessoas passaram por eles, mas ainda assim eles lembravam de detalhes de meu período de estudante. Meu dia foi maravilhoso assim - revendo a linda cidade, reencontrando amigos, voltando aos lugares aonde costumava ir, e terminando num pub no centro da cidade à noite onde fomos ver um show de música e dança irlandesas esquentadas com um Baileys coffee (fiquei viciado nele).

Adeus também foi feito pra se dizer "bye-bye, so long, farwell"
Pôr do sol em Skerries - Co. Dublin
No meu último dia na cidade, nós fomos a uma vila próxima a Swords, Co. Dublin, à beira-mar, chamada Skerries, a qual eu não conhecia, mas aonde recomendo a todos darem um pulinho. O lugar, como todas as vilas irlandesas que conheci, é muito tranquilo e convida à meditação, bonomia e paz de espírito. A vila em si é formada por duas grandes ruas e há lá também alguns monumentos bem interessantes como um forte construído pelos ingleses para sua defesa contra Napoleão Bonaparte, e torres redondas. Lá, fomos almoçar num restaurante muito bacana chamado Blue Bar Café, O ambiente é muito familiar, o lugar requintado, o staff atencioso e a comida com valor muito bom.
Com o sol que se punha, chegava a hora de arrumar as malas e alçar voo. Não sei bem o que estava sentindo ali, mas com certeza era uma sensação boa, uma alegria em saber que Dublin da primeira, da segunda, da milésima vez, continua sempre um lugar especial. Meus receios iniciais não tinham fundamento. A cidade continuava e por muito tempo ainda será, como me disse o vendedor de souvenirs em Budapeste, "uma segunda casa" para mim. Especialmente porque Dublin não é monumentos, ou parques, ou chuva e frio apenas, é emoção. Minhas memórias são afetivas, por causa de todo mundo que conheci lá, de todas as amizades que fiz, de todas as lembranças boas que fiz antes e agora.
Carina, John e eu caminhamos em direção a um playground próximo à Torre Redonda e ficamos a
Skerries - Co. Dublin
observar o mar e a ilha aonde, dependendo da maré, podemos ir caminhando. Sentamos no cais a conversar e a falar da vida enquanto o sol se punha e as estrelas começavam a despontar no céu. A noite seria longa, iríamos à festa de aniversário de Felipe, meu amigo e conterrâneo de Salvador que estava morando em Dublin de tanto que eu enchi a cabeça dele sobre o lugar. A festa seria num pub bem bacana no centro, e a conversa regada a totó, risadas, comida boa e Glucosade.
Às quatro da manhã, parti de volta a Portugal. Começaria a segunda etapa da minha viagem, aquela para a qual eu tinha voltado à Europa em primeiro lugar: a busca pelas minhas raízes e história de meus ancestrais.  Me despedi dos meus queridos anfitriões e entrei pelo saguão do aereporto internacional de Dublin, com uma sensação de saudade antecipada se apoderando de mim.

Recomendo assistir ao vídeo - The Dubliners - Molly Malone




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