quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Amar e não ter / Loving and not having

Amar é ter um vulcão incandescido explodindo louco
Sobre o monte, e ter o peito arfante de emoção;
É querer sentir o outro sobre, sob, perto, dentro,
E o coração batendo violento, convulso e o lábio sedento de paixão.

Mas amar e não ter é sentir toda a dor do mundo pesando n'alma.
É andar solitário entre a multidão e chorar de tristeza em convulsão.
É ser pastor pastoreando pedras no deserto e afogar-se em vales secos.

Amar é querer cantar e não ter voz suficiente para rasgar o peito.
É sentir-se um deus capaz de criar mundos e encher tudo de coisas celestias.
É ser anjo velando sonos inocentes e só de bons sentimentos ser cheio.

Mas amar e não ter é perder a voz num mutismo voluntário,
Na desvontade de falar ou de fazer-se ouvir.
É gritar e rasgar a alma e o coração - mas apenas por dentro,
Sem quem ninguém veja ou saiba.
É sentar-se à Ponta do Humaitá e não ver beleza no pôr-do-sol,
É não perder-se todo nas cores desvanescentes do arrebol.

Amar é transformar a escura noite em luzes de festa e em astros rutilantes.
É viver somente em dia, em harmonia, criando sóis e amanheceres de cristais.
É querer dançar quando não há som e despertar o dom mais belo
Que Deus nos concedeu jamais.

Mas amar e não ter é rezar amuado como quem perdeu a fé e a esperança.
É ficar solitário e não se emocionar com a inocência terna duma criança.
É andar arrastando correntes como a alma amaldiçoada penando sobre a terra;
É ter uma guerra sem fim destruindo todas e quaisquer ilusões.

Amar é sentir-se belo e ter toda a eternidade na palma da mão.
É estar inundado de universo, da voz do Eterno e de cânticos espirituais.
É contemplar com olhos de compaixão a feiúra da existência
E tirar lições de paz de cenas de violência.
É viver em êxtases, arrebatamentos contínuos,
Com o pensamento sempre voltando e indo até a quem amamos.

Mas amar e não ter é viver em desespero
Com cada pensamento pelo ser amado voltando vazio, tremendo no peito.
É contemplar o Paraíso sem poder tocá-lo como na antiga parábola.
Amar sem ter é enlouquecer todos os dias
E a cada hora ter no rosto um semblante soturno, sem vestígios de risos.

Amar é transformar palavras simples em poesia.
É correr em campos de rosas carmins e perder-se em alegrias
Que não se podem conter.
Amar é sentir o que sinto por você a cada segundo que passa.
Mas amar e não ter-lhe o riso ou os olhos lindos, é murchar na flor dos dias,
É ver desfigurar-se na face da morte toda beleza e toda a graça
Que uma vez foram minhas.

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Loving is having an incandescent volcano exploding unstoppably on the mount,
And having the breast heaving with emotion;
Is wanting to have the other on, under, near, inside, and the heart violently pound
And the lips thirsty of passion.

But loving and not having is to feel all the pain of the world weighing in the soul;
Is walking lonesomely amidst the throng and convulsively cry with sadness;
Is being a shepherd herding stones in the desert and drowning in valleys perched.

Loving is wanting to sing and having not the voice strong enough to tear the chest;
Is feeling like a god capable of creating worlds and fill everything with celestial things;
Is being an angel watching innocent dreams and being filled only with good feelings.

But loving and not having is losing the voice in a voluntary muteness,
In the unwillingness to speak or to make ourselves heard;
Is shouting and tearing the soul and the heart – but only in the inside,
Unbeknownst to everybody else;
Is seating on the rocks at Humaitá lighthouse and being unable to see beauty in the sunset;
Is not getting completely lost in the beautiful colors of the dusk.

Loving is turning the darkness of the night into party lights and shinning stars;
Is living in eternal days, in harmony, making suns and crystal mornings;
Is wanting to dance when there’s no music and awaken the most beautiful gift God has never bestowed men.

But loving and not having is to pray gloomily as the one who’s lost his faith and hope;
Is becoming solitary and not getting touched by the innocent tenderness of a child;
Is walking dragging chains as the cursed soul haunting the earth;
Is having an endless war destroying every single illusion.

Loving is feeling magnificent and having eternity on the palms of our hands;
Is being inundated with the universe, the voice of the Eternal and spiritual songs;
Is contemplating with passionate eyes the ugliness of existence
And being able to give lessons of peace from violence scenes;
Is living in bliss, in constant rapture, with thoughts coming and going towards the one we love.

But loving and not having is to live in despair
With every thought for the loved one coming back void, trembling in the bosom;
Is contemplating the Paradise and not being able to reach it as in the ancient parable.
Loving and not having is going mad every day
And having, at every minute, a somber face with no traces of laughter.

Loving is turning simple, ordinary words into poetry;
Is running through fields of carmine roses and being lost in unrestrained happiness.
Loving is feeling what I feel for you at every passing moment;
But loving and not having your beautiful eyes or your angelic smile, is withering in our primes;
Is seeing all the grace and all the best features that one day belonged to me fading into the face of Death.

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4 comentários:

Douglas Marques disse...

Já te dei meus conselhos :/ mas tu não ouve!

Pritcila disse...

Sem palavras...até porque.. não há o que ser dito!!
As coisas simplesmente são!
Mas nada como um dia após o outro.

Anônimo disse...

Quando eu for famoso e for defender meu doutorado na Sorbonne vou me especializar na sua obra e no seu pensamento! =D

Cryslley Alsan disse...

Simplesmente perfeito!