Planejar o roteiro em Lisboa é muito fácil, uma
vez que coisas para ver e fazer são o que não faltam. Primeiro, porque Lisboa é
uma cidade muito antiga, cheia de monumentos e ruelas estreitas e longas a
serem explorados; segundo, porque ela é vibrante de dia e de noite com seus
bares, pastelarias, shows e apresentações em restaurantes e ao ar livre. Parece
que nunca há falta do que fazer e a cidade fervilha de vida.![]() |
| Mapa de um dos meus roteiros no Google maps. Dessa forma se pode calcular as distâncias entre os pontos turísticos. |
Para começar o meu roteiro, fui ao Youtube
buscar alguns vídeos turísticos dentre os quais, me lembrei das famosas “Crônicas
do JH”. Toda a alienação da Rede Globo à parte, os correspondentes do Jornal
Hoje fazem matérias maravilhosas sobre os lugares onde eles estão (no final
deste post, porei os links para os vídeos e blogs que mais me ajudaram a
preparar meus roteiros na cidade de Fernando Pessoa). Outra ajuda que tive na
preparação do meu roteiro veio do Google maps. Não apenas pela praticidade de
andar em 3D pelo percurso desejado e previamente saber onde iremos pisar (e o
que evitar), mas também por ajudar a calcular a distância entre um ponto no
mapa e outro e, desta forma, pouparmos tempo e dinheiro com locomoção. Em
Lisboa, como disse anteriormente, os pontos turísticos mais importantes estão
todos próximos do meu hostel e de lá, pude fazer quase todos os percursos a pé.
Aliás, como vocês já sabem, eu adoro andar
pelas ruas das cidades onde estou, pois assim tenho a sensação de pertencer ao
local e a oportunidade de ver coisas que não veria de dentro de um veículo,
tais quais placas indicativas de momentos ou personalidades históricos que
ocorreram ou viveram por aquelas ruas. Outro barato das caminhadas é poder
entrar em contato com as pessoas locais ou turistas e puxar um papo, sentar num
café, ouvir/ver um artista de rua (eles estão por todos os lugares na Europa).
E em Lisboa, especialmente, caminhar pelas calçadas de pedrinhas brancas ou ruas
de paralelepípedos, subir as ladeiras centenárias e contemplar as milhares de
variedades de azulejos das fachadas das casas e casarões antigos é uma
experiência imperdível mesmo para quem vem de cidades de arquitetura
Barroca/Rococó no Brasil.
![]() |
| Um bondinho fazendo as vezes de elevador entre a parte baixa e alta de Lisboa |
Eu, particularmente, evitei pegar transporte. Na
verdade, só peguei um elétrico no dia que fomos ao castelo São Jorge (outro
roteiro IMPERDÍVEL), porque meu amigo Johann - a quem não via desde o Réveillon
2013/2014 em Paris, (http://marciowaltermachado.blogspot.ro/2015/09/reveillon-em-paris-uma-cronica-parte-i.html) tinha vindo me visitar e ia embora naquele dia, daí
precisávamos economizar tempo para explorar o centro lisboeta – o trenzinho faz
uma volta de 360 graus pelo Centro, se você estiver com pressa, vale a pena. Mas
eu continuo recomendando a andada...
| Ponte de Lisboa vista do Cristo Rei |
Durante os dias que fiquei em Lisboa, pude
conhecer gente muito simpática e cortesa e ver lugares de encher a vista. A
propósito, depois de duas meninas canadenses que estavam em meu hostel me
explicarem o que significa “uma cidade romântica”, eu pus Lisboa entre as 10
mais que já conheci. Uma andada pelas ruas e becos estreitos da Alfama, por
exemplo, ao cair da tarde, ouvindo o som do fado português cantado do mais
profundo da alma, os sobrados coloridos com roupas penduradas à janela recebendo
o frio da noite, amigos, casais, moradores sentados às portas de casa ou dos
cafés, rindo e se enamorando aos sons das notas melancólicas da música sentida
no fundo do coração, e as noites claras de lua ou de estrelas, nos dão a
sensação daqueles filmes românticos que fazem nossos olhos marearem. É como ver
Collin Firth descendo as escadarias, com a multidão a segui-lo, na noite de
Natal para pedir a mão de Lúcia Muniz em casamento enquanto a multidão,
encantada,
o ovaciona em “Love Actually”. Ou então, sentar-se no cais do Sodré nas
primeiras horas do dia ou ao pôr do sol e contemplar a luz da cidade com um
café quentinho às margens do Tejo, sobre o qual também podemos passear numa
barca de uma à outra margem do Rio (a caminho do Cristo Rei) sentindo o marolar
das águas e o vento fresco acarinhar nossas faces – indico a experiência (mas
quanto ao cais, embora seja maravilhoso, precisarei quebrar o clima de
romantismo, pois é válido um alerta: uns vendedores com vários óculos nas mãos
se aproximam de você e dizem: “óculos”, quando você diz que não os quer, eles
“dão o doce”: “haxixe, coca, marijuana?”. Se você não se interessa pelo
material, feche a cara e mande eles vazarem; se se interessa, faça o mesmo,
pois, segundo vários portugueses com quem conversei, o que eles vendem é
qualquer coisa, menos o anunciado. Razão pela qual eles só vendem aos turistas
e porque a polícia não os prende – pois, se não vendem drogas, não podem ser
presos por porte de drogas. Não existe lei em Portugal que prenda gente por
vender chá e talco. Estão querendo criar uma lei para enquadrá-los, mas ainda
estão no projeto. Então, esqueça os vendedores de ervas e vá relaxar pelo cais
e admirar a vista, sem se esquecer de ficar atento aos seus pertences, não é o
Brasil, mas a galera bate sua carteira se você vacilar.
![]() |
| Arco da Rua Augusta |
| Pastéis de Belém com um McCafé pra esquentar |
Ali próximo ao Cais você encontra outro grande
símbolo de Lisboa, uma maravilha arquitetônica e centenária que é o Arco da Rua
Augusta. De cima do Arco se tem uma
vista magnífica (aliás, de qualquer lugar da cidade se tem uma vista magnífica,
porque Lisboa é simplesmente magnífica!). Depois de contemplar a lindeza do
lugar, fotografar muito, se inspirar muito, aproveite pra fazer uma boquinha. Foi
por lá também, próximo ao Arco, que comi um dos melhores pratos com bacalhau da
minha vida! Comer o Bacalhau ao Brás é condição sine qua non para quem está em Lisboa e nessa região, cheia de
restaurantes e quiosques, você será muito bem servido – outras coisas que você
não deve deixar de experimentar são as famosas francesinhas, os pastéis de nata
e os doces de ovos da Confeitaria Nacional. Me deliciei com eles. Quando for à
Torre de Belém,
reserve tempo para os famosos pastéis de Belém, na “fábrica” de
pastéis – uma lojinha muito bem arrumada e aconchegante, porém lotada de
turistas e locais, então, entre na fila, espere um pouco e coma, coma muito,
pois é delicioso! Me lembro de Johann dizendo: “todo lugar que vou (Brasil,
Macau...) sempre procuro pelos pastéis, mas tenho que confessar que estes são
imbatíveis”, e também ajudam a nos dar a energia necessária para subir e descer
as ladeiras.
![]() |
| Torre de Belém |
![]() |
| Tuc-tuc no centro de Lisboa |
E por falar em subir, o Elevador de Santa Justa,
como ouvi um turista brasileiro falando enquanto esperávamos na fila, “é como
se fosse o Elevador Lacerda deles”. Não tiro sua razão, pois ambos ligam as
duas partes da cidade e de ambos a vista é extasiante. Prefira ir ao Elevador (português)
de manhã por volta das dez ou à tarde antes do pôr-do-sol por causa do efeito
da luz sobre o Tejo, suas fotos vão ficar incríveis! Depois disso, você tem
duas opções: ou vai dar um passeio contemplativo pela Misericórdia e Alfama, ou
vai para o Chiado e o Bairro Alto. Dependendo das suas inclinações, todas as
escolhas levam à satisfação em cem por cento.
Aqui vão os links:
http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/04/jornal-hoje-desvenda-os-segredos-dos-doces-de-ovos-portugueses.html
http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/07/rede-de-bondinhos-em-lisboa-atrai-moradores-e-turistas.html
http://www.projeto101paises.com.br/tag/lisboa
https://www.youtube.com/watch?v=Mw2t5q-4SLI
E, obviamente, você pode fazer como eu fiz: incluir no roteiro coisas e lugares inusitados que eu fui descobrindo ao passear pela cidade.
Gostou? Então divulgue ;)





Nenhum comentário:
Postar um comentário