sexta-feira, março 29, 2013

Iesus Nazarenus Rex Iudeorum

Estremeça toda a terra!
Ribombem os trovões no céu!
Ruja desde as profundezas o rei dos mares!
Raios vestais cortem os ares!
E que no templo - de alto a baixo –
Rasgue-se da separação o véu.


Desfolhai-vos oliveiras milenares!
- É de sangue o Cedron escorrente –
Chora ó portentoso Eufrates,
Derrama as copiosas lágrimas do Oriente.
Chora! Pois na cruz agora pende o teu Criador
- Deus feito homem, salvação das gentes –
É Jesus - nosso Senhor.



Por trinta moedas foi vendido
- Eis o preço de um beijo hipócrita –
Contado foi entre vis bandidos;
Cai a chuva – é a criação que chora.


No sinédrio ante a Caifás
Arrancaram-lhe as barbas co’as mãos;
Chamaram-no profeta falaz –
Ao grande Rei fizeram ladrão.
- Entre si dividiram as vestes suas -
Bradava triste o salmista nas ruas.


Ouve! Pilatos, que tua mulher foi alertada
- Viu sobre ele a glória de Deus –
Soube que não era culpado em nada,
Suplicou-te pelo rei dos hebreus.


- Quid es veritas Domine?
Foram as palavras de tua pergunta
- Por Sua glória encontravas-te confundido. -
Na presença daquela plácida figura
Eras Israel aos pés do Monte,
Eras Caim cobarde fugindo.


Trocado foi o Rabi por Barrabás –
A multidão delirante pedia por Seu sangue,
Pensavam ser Davi ante o Gigante –
Não sabiam que era Ele o príncipe da paz.


Coroaram-no com grossos espinhos
Castigaram-no com o maldito flagrum -
Ao Seu corpo todo dilaceraram,
Tornaram-no a salvação dos gentios.


Olha Israel! Pois na cruz pende o teu Redentor
- Os pulsos por cordas amarrados
Mãos e pés perfurados pelos cravos –
Soltando ao mundo o Seu urro de dor.


Pranteia Madalena! Com o brado esvaiu-se-lhe a vida
- O Mestre a cujos pés lavaste com perfume puro
Aquele que te perdoou com amor mais profundo –
Jaz morto sob aquela insígnia.


José – dai-lhe um túmulo virgem em vez de ungüento!
Tiago – chora por teu amado irmão nazareno!
Maria – sente a espada cortando teu coração!
João – eis o teu amigo sobre o madeiro cruento!


A natureza torna-se Briaréu –
A chuva cai como amargoso fel
Sobre o túmulo onde repousa o Messias.
O Filho do Homem sofrerá por mais três dias –
Sim! Era Ele o doce cantor de Israel,
Era d’Ele que falavam as profecias!


Então desponta! Aurora dominical
Pois aquele que morreu, agora ressuscita.
Trema a terra! Reluzam os anjos!
Desmaiem as sentinelas pela visão celestial!
Caia a seus pés a morte – vencida!


O sudário ao canto da câmara vazia
Nem parece que envolvia
O corpo da águia das eras.
- Havia descansado no seio da terra –
A rosa de Sarom agora ressurgia.


Vai Tomé, toca-lhe as chagas,
Lembra-te de quando acalmou o ímpeto das vagas –
Da tempestade fez calmaria.
Recebe em teu rosto o sopro da vida,
No pentecostes cumpre tua sina –
Espalha pelo mundo as novas d’alegria.

Sorriam os homens no caminho de Emaus
Cresçam os lírios nos ermos pauis
- Os vales se encham de vida –
Renove-se a criação no sopro suave da brisa.


Pedro, apascenta as ovelhas do Bom Pastor
Pois aquele que da morte ressuscitou,
É Jesus – o rei dos judeus,
É Jesus – o Deus Criador!

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