terça-feira, janeiro 20, 2009

O caminhante / The passer-by

Olho a estrada adiante sinuosa e torturante
como todas as estradas desconhecidas.
Estou na linha do trem, num caminho entre pedras e cascalhos
onde gente sempre gente passou e trilhou
e partiu e sumiu no mundo sem que ninguém soubesse delas.

Quem és tu, ó caminhante, que passas e não deixas marcas?
Quem és tu com estes olhos escuros de lágrimas secas
Que há tanto pararam de correr para fora e ficaram a jorrar rios
Por dentro?
Uma voz me pergunta no meio da noite escura.
Mas eu não tenho resposta. Ah, que amargura!
Não sei responder quem sou!
Mas digo que sou alguém que se perdeu pelo caminho,
Uma alma triste de coração partido por alguém que não soube
O que é amar e se deixar amar.

Um mocho cruza o ar, seu pio rascante é um choro por mim
- Até a natureza chora por mim, mas meu amor, onde estará?
Eu sou alguém que esqueceu os dias e as noites;
Que passou as horas torpes na meditação de um amor ingrato.
Alguém que perdeu a vida, que perdeu a aurora da existência,
Que se embrenhou na mata escura e quem não conseguiu sair de lá.

Quem és tu, caminhante, que cruzas deserto esta estrada erma?
Que passas e falas com esta voz lânguida, cortada, de coisas que acabaram?
Eu não sei responder à voz que me pergunta, eu não sei dizer
Quem sou: quem sou?
Eu sou um par de pernas que andam trôpegas,
Pés desnudos e feridos cambaleando pelo trilho
Nessa estrada que não acaba, essa estrada triste, fria, sinuosa.

E essa voz que fala a mim quem é? de onde vem?
Essa voz tão rascante, tão terrível, tão cheia de uma dor que esmaga?
Essa voz sou eu gritando em mim na solidão da estrada escura
Na solidão dos trilhos do trem que não passa;
Essa voz é o eco da sozinhez, o espectro de quem não tem um outro;
As palavaras que servem de consolo àquele que existe e ninguém vê.

ENGLISH VERSION:

I stare at the road ahead steep and torturing
Like every road unknown.
I am on the railroad, on a way of pebles and stones
Where people always people have passed and trod
And were gone and vanished unbeknownst to the world.

Who art thou that passest without leaving marks?
Who art thou with the sulky eyes and drenched tears,
Which so long ago have stopped pouring out and started to pour within
Like rivers on the inside?
A voice asks me in the middle of the dark night.
But I don't have an answer. Oh, how anguishing!
I don't know to answer who I am!
Nonetheless, I say I'm somebody who's got lost on his way,
A downcast soul with a heart broken by someone who didn't know
What to love and to be loved means.

An owl crosses the sky, its gloomy squeal is a cry for me
- Even nature weeps for me, but where should my lover be?
I am someone who has forgotten the days and the nights;
Who has passed the forlorn hours brooding over an ungrateful love.
Somebody who has lost his life, who has lost his primes,
Someone who has plunged into the woods and couldn't find his way back.

Who art thou, passer-by, who desertly crossest this solitary road?
Who passest and speakest with this drawling, grieving voice of things over?
I don't know to answer the voice that asks me,
I don't know to say who I am: who am I?
I am a pair of legs which walks unsteadily,
Bare and hurt feet wheeling through the rails
Of this endless road, this forsaken, cold and steep road.

And this voice talking to me, who must it be? where does it come from?
This so terrible, somber voice, so full of a squashing pain?
This voice is me screaming within in the loliness of this dark road,
In the solitude of the rails of a train that never passes by;
This voice is the echo of the aloneness, the ghost of he who has no one else;
And these words serve as a solace to him who exists and nobody cares.


visite: http://www.marciowaltermachado.com.br/

2 comentários:

Pritcila disse...

Ta demais Marcio...estavas inspirado heim...espero tirar mais fotos que te inspirem a mais poemas... um forte abraço amigo

Rose Estrella disse...

Oi,Poeta!
Amei seu texto !
Como sempre profundo e acalentador!
Vc tem o dom de escrever com o coração e expressar com êxito seus sentimentos .
Aqui é um lugar onde se ensina e se aprende, um espaço de transformação. Uma gota de significado no oceano da existência...

Bjos

Rose Estrella
(Portugal)

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