Mostrando postagens com marcador Grande Sinagoga. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Grande Sinagoga. Mostrar todas as postagens

domingo, março 06, 2016

Europa em 60 dias - Budapeste, Hungria - A Cidade dos Monumentos

A parte Peste da cidade vista de Buda com o prédio do Parlamento à esquerda e o Danúbio cortando a cidade
O nome Budapeste sempre me causou estranheza e curiosidade.Quando eu era criança pensava que uma grande praga havia assolado o lugar e que algum ser mítico oriental resolvera o problema. Depois fui descobrir que duas cidades haviam se unido para integrar o que hoje é a capital da Hungria. Budapeste, na verdade, são nomes que designavam lugares diferentes.

Buda vem de uma palavra eslava que significa "água" e Pest significa "fornos ardentes". As cidades foram unificadas em 1873 para formar a bela capital magiar, que hoje é uma das mais bonitas capitais europeias.

Adicionar legenda
Cheguei lá numa noite fria e de vento forte, vindo do calorzinho bom de Atenas, e fui recebido no aeroporto por um amigo mineiro que tinha conhecido durante a Missa do Galo, no Vaticano.

Ele estava fazendo parte de seu mestrado na cidade e voltava ao Brasil alguns dias após minha visita. O Luiz é desses caras que são agradáveis por natureza e que te deixam super à vontade pelo seu jeitão mineiro e tranquilo de ser.

Pode-se ver o tipo de pessoa pela gentileza: quantos de nós é capaz de ter tanta consideração por alguém pra sair numa noite de graus abaixo de zero a fim de pegar um recém-conhecido no aeroporto e levá-lo até seu alojamento?

Apesar dos meus protestos iniciais, devo confessar que fiquei superfeliz com a calorosa recepção por dois motivos: primeiro, por rever o meu camarada; segundo, porque com certeza não me perderia pela cidade à noite.

É como o próprio Luiz me disse: "Receber as pessoas na sua primeira vez em algum lugar é algo que devemos fazer, não é? Torna a chegada muito mais tranquila e agradável", e também saborosa! Ao
Rua de Budapeste
desembarcamos na estação Déak Ferenc, meu amigo me apresentou uma das típicas delícias da culinária budapestina, o kürtokalács.

Apesar do nome parecer um palavrão, nada mais é que um "pão" enrolado e coberto com açúcar e canela, servido quente e custando apenas 1 euro -  a moeda do país é o forinte húngaro (lembre de trocar o dinheiro antes de viajar para a Hungria), mas nesse stand da estação eles abriram exceção e aceitaram o euro.

Depois de provar o kürtokalács, pois não se pode comer dentro do trem, caminhamos em direção à linha amarela que era a linha para o meu hostel.

No percurso fiquei sabendo que não só aquele era o metrô mais antigo do continente, como também que ele tinha sido feito pela elite da cidade que queria ir ao parque sem ter de passar pelas ruas e ter contato com a plebe.

Daí eles cavaram um buraco no meio da rua, de cima para baixo, e fizeram a linha amarela (hoje tem mais três linhas e os trens têm as cores das linhas) a qual permanece praticamente da mesma forma desde 1896, o que torna a viagem uma volta no tempo, especialmente pelo barulho do vagão passando pelos trilhos e parando nas estações nos dando a impressão de que vai quebrar a qualquer momento.
Dentro do Castelo de Buda
Ao comprar o bilhete, lembre-se de validá-lo na máquina, pois nos trens e nas estações há fiscais que irão te multar se não virem o bilhetinho furado.

O bilhete único - que me levou da estação de ônibus do aeroporto à estação de metrô Oktogon - custa 350 HUF , mas se você for passar mais de um dia na cidade e não desejar fazer caminhadas, vale a pena comprar outros tipos de bilhetes como o de 24 horas, o de 72 horas ou o de 10 dias, este último custa 3000 HUFs).


Dentro do castelo de Buda
Pegamos o trem e alguns minutos depois, lá saíamos nós na praça Oktogon, despontando no frio gelado, a caminho do Friends Hostel.

As ruas são extremamente organizadas, as pessoas caminham como se tivessem uma linha imaginária a qual elas seguem, ordeiramente; os carros param antes mesmo de você pôr o pé na faixa - tão diferente do caos de Roma onde, mesmo com o sinal verde para os pedestres, os carros continuam passando ininterruptamente até que algum herói mete o pé e vai atravessando quase sendo atropelado.

Menos de cinco minutos depois, estávamos subindo o elevador antigo daquele prédio antigo, enorme, parecendo clássico dos anos 20 ou 30. Quem nos recebeu foi um dos sócios do hostel, o Jack.

Muito cordial e preciso nas suas frases, antes de me mostrar o quarto, pediu que tirasse os sapatos - isso mesmo! em Budapeste não se anda de sapatos de rua nas casas! Me deu as instruções, as senhas da porta de entrada, do wifi, e me desejou uma ótima estadia na cidade. Entrei naquele quarto enorme, com janelas que iam do topo até o chão, com vista para a rua.

Pus minha mala naquele lindo guarda-roupa de madeira antigo e antes de me jogar naquela camona, também de madeira maciça, fui com o Luiz comer alguma coisa no Starbucks do outro lado da rua. Está aí um hostel que recomendo.

O Friends Hostel é no centro da cidade, você pode ir a todos os lugares em poucos minutos de caminhada (eu só peguei o metrô para ir ao hostel e voltar ao aeroporto), os quartos são individuais; como é num prédio residencial, não se faz barulho e os caras lá, que também são os donos, são muito gentis e prestativos, o preço também é muito em conta. Portanto, se você quiser se hospedar num lugar bacana, organizado e limpo, ter certeza que dormirá otimamente à noite e que estará perto de tudo e pagar  um bom preço, eis o seu hostel.
Parte da cidade de Budapeste vista do topo da Basílica de Santo Estevão
Os monumentos 
Budapeste não é uma cidade de belezas naturais, apesar do Danúbio cortá-la ao meio, mas, sim, uma cidade de monumentos fascinantes. Eu já tinha feito todos os meus roteiros pelo Google maps antes de sair do Brasil, então sabia exatamente aonde ir e como chegar caminhando.

No entanto, decidi não seguir a ordem na qual o tinha feito. Apenas aproveitei o dia de sol e fui caminhando pelas ruas e visitando os lugares selecionados ou descobrindo outros que não estavam no script.
Terror Háza - Casa do terror
Quando estiver caminhando por Budapeste, preste atenção às placas postas nas calçadas, elas têm informações históricas sobre os prédios e ruas e você pode descobrir muito sobre a cidade com elas.

Meu primeiro destino foi a Casa do Terror (Terror Háza), a apenas três minutos do Friends Hostel. O lugar já assusta antes de entrarmos no prédio. Em frente ao museu, entre a calçada e a rua, há uma parede de ferro e correntes que servia como objeto de tortura durante a ocupação socialista da Hungria.

Dentro do prédio você é levado por vários andares e salas que recontam a história e a vida cotidiana dentro desses lugares e pelas ruas e cidades do país. Há também vídeos com o depoimento de sobreviventes do nazismo e do socialismo - deveria também ter vários lenços pra você enxugar os olhos por causa da comoção que o lugar te causa.

Eu passei minha manhã lá aprendendo sobre aquele país e aquele povo outrora tão guerreiro e que havia caído nas garras do fascismo alemão e soviético por tanto tempo. Me lembrei do prédio do DOPS e pensei que seria interessante que preservássemos a história da ditadura no Brasil como eles fizeram no museu do terror - obviamente ouvindo os dois lados do conflito.

Não sei o que aconteceu com esse nosso prédio, mas ter um museu em suas instalações seria muito bom para preservar a nossa história e recontá-la todos os dias a quem o vistasse.

A ida à Casa do Terror é para aqueles de coração forte, especialmente de manhã cedo quando as taxas de testosterona estão baixas e a gente se emociona com tudo. Mas é um destino sine qua non para quem quer conhecer a história política relativamente recente da Hungria, do ponto de vista dos húngaros. O ingresso geral (há outros tipos) custa 2000 HUFs e você pode tomar informações aqui: www.houseofterror.hu

Basílica de Santo Estevão - Budapeste

De volta às ruas, à luz brilhante do sol e ao frio do vento de inverno, fui descobrindo os lugares lindos daquela cidade. Entre eles, a Basílica de Santo Estevão, um prédio imponente construído em meados do século 19, tornou-se o edifício mais alto e a maior igreja da Hungria.

É um prédio de arquitetura magnífica e majestosa em estilo neoclássico e dentro do qual você deseja passar horas a fim contemplando seu interior. Dentro da igreja há também a Capela da Mão Direita onde se encontra a mão mumificada do rei Santo Estevão I, eu achei o passeio meio bizarro, mas muito interessante.

 No entanto, a minha parte favorita da Basílica foi o topo. De lá temos um mirante de onde se pode ver a cidade em 360º. Super recomendo a subida (à qual se tem acesso pagando uma pequeníssima taxa). Mas se prepare, são 364 degraus. Há um elevador, mas pra chegar a ele, há que se subir muito as escadinhas estreitas.

Me lembro de um trio de meninas irlandesas que encontrei na subida e que, depois de várias vezes dizerem durante o trajeto "What a
Basílica de Santo Estevão - Budapeste
fecking climb! Jayzus!", deram um grito imenso de alegria quando enfim chegamos ao elevador. Daí já se percebe o que enfrentamos. Porém, garanto que o esforço será recompensado.

Eu, particularmente, fiquei boquiaberto com a vista. Se dentro da igreja não dá vontade de sair, de cima dela então a vontade é de passar horas infindáveis.

Diante da igreja há uma praça onde encontramos gente de todos os lugares e de todos os tipos. Foi lá, por exemplo, que encontrei um monge Hare Krishna pedindo doações para sua comunidade - havia vários deles.

Ele me interpelou em Húngaro e eu lhe respondi em inglês que não estava interessado. Ao ouvir minha resposta, ele sorriu largamente e me disse afoito: "Eu também sou americano, de Boston. E você, Califórnia?". Eu respondi que de fato eu era americano, mas do sul, da América do Sul, mais especificamente de Salvador, Bahia, Brasil.
Budapeste - Hungria

Eu geralmente não dou atenção a esse pessoal que supostamente trabalha com agências ou ONGs, ou qualquer coisa semelhante, porque sei que muitos deles estão ali usando indevidamente o nome dessas instituições.

Em Lisboa, por exemplo, onde várias vezes eu era parado por alguém, desenvolvi uma frase que na hora afasta esse povo de mim. Quando uma dessas mulheres com a plaquetinha na mão veio me pedir dinheiro pra uma suposta UNICEF, eu olhei pra ela e disse, carregando nos "r" e "x" "Doroshki Nin Portugashka".

Ela se assustou com o dialeto e disse " O quê?", eu repeti, ela me olhou com raiva e saiu. Comecei a fazer isso em todo lugar apenas trocando Portugashka por Spanishka, Germanika, Greshka, Hungarishka, etc. É tiro e queda. Quer se ver livre da insistência desses meliantes? manda ver no dialeto.

Mão de Santo Estevão
Com o monge foi diferente. Achei que ele era sincero. Daí continuamos a conversar sobre mim e sobre ele, mais sobre ele, a quem eu enchia de perguntas.

A história de Andrew me intrigou muito. Um jovem de vinte e poucos anos, estadunidense, que tinha deixado a faculdade de direito, uma confortável vida de classe média e a igreja presbiteriana para viajar o mundo e se tornar um monge Hare Krishna, de cabeça rapada, pedindo esmola nas ruas de Budapeste.

Perguntei a ele o motivo dessa mudança tão radical e a resposta foi muito parecida com a de Judith (a senhora que conheci em Barcelona) e de outras pessoas que encontrei pelo caminho: "cansado de minha vida vazia". Jovens, velhos, homens e mulheres, muita gente cansada de suas vidas "vazias" por aí. Dei uma graninha a ele continuei meu caminho rumo ao castelo de Buda (Budai Var).
Ponte das Correntes vista de dentro do teleférico

Para chegar lá, partindo da basílica de Santo Estevão, é só atravessar a rua e depois a ponte das correntes - sobre a qual eu parei para vários flashes. Depois, é pagar, pegar o teleférico (Budavari Siklo) e subir a pequena colina que te deixa às portas do castelo de onde você tem outra visão maravilhosa da cidade e do rio.

Encontrei um grupo de brasileiros lá que estavam fazendo intercâmbio em Dublin  Mas não me demorei muito com eles. Apenas troquei algumas palavras, pedi que tirassem umas fotos minhas e segui meu caminho pelo lindo lugar até a Igreja de Matias e o Bastião dos Pescadores.
.
Igreja de Matias - Budapeste
Bastião dos Pescadores - Budapeste














Igreja de Matias - Budapeste
A igreja de Matias foi originalmente construída no século 13, mas passou por várias reformas até chegar, no século 20, à estrutura que tem hoje. O que mais me chamou a atenção na parte exterior dela foi a cor do telhado, pintado de forma a lembrar um tapete.

Não conseguia parar de admirá-la de todos os ângulos. As cores se tornaram ainda mais vibrantes e bonitas por causa da luz de ocaso. Ao lado da igreja há uma estátua do rei Santo Estevão I e ao redor dela o monumento chamado o Bastião dos Pescadores com suas sete torres representando os povos magiares.
 Este monumento foi, de todos, o meu favorito. O lugar chama à contemplação e é de uma beleza arquitetônica ímpar.

Pode-se sentar e de lá contemplar toda a parte Peste da capital húngara e ainda ter uma visão maravilhosa do Danúbio. Pode-se também sentar no jardim de frente à igreja e ao Bastião e contemplar a ambos enquanto se faz uma boquinha. Este se tornou o meu lugar favorito de Budapeste. A sensação de paz e a beleza arrebatadora do lugar te fazem ter chumbo nos pés na hora de partir.

Lembro de ter me sentado lá num dos bancos do Bastião a escutar a música vinda de dentro de um dos corredores do monumento. Era música de violino tocada por um músico de rua húngaro inundando a tarde e tornando o pôr-do-sol mais mágico e belo do que ele já era. Me lembro de um turista chinês ter me dito "Meu lugar favorito do mundo". Naquele momento, eu podia concordar com ele.
Ponte Szabadság vista da praça do Mercado Central
Grande Sinagoga, Mercado Central, Gruta de Santo Ivan e o típico Goulash
Prédio do Mercado Central
Dentro do Mercado Central - Budapeste
No dia seguinte, me custou muito levantar daquela cama quentinha e confortável para enfrentar o frio de 5º que fazia pela cidade. Mas era meu último dia na capital húngara e o sangue do desbravador falou mais alto do que o do Zé Preguiça. Fui direto ao Mercado Central conhecer
os produtos e comidas típicas da Hungria.

Os mercados centrais são sempre lugares que turistas em busca do sabor e dos souvenirs ou roupas e artigos típicos precisam de ir. O de Budapeste, então, é um lugar amplíssimo e muito bem organizado. As barracas de frutas e verduras e carnes ficam na parte inferior do prédio, e os  restaurantes, stands de roupas, bolsas e souvenirs ficam na parte superior. Entretanto, antes de chegar lá, fui caminhando pelas ruas e descobrindo novos lugares e novos sabores. Há lanchonetes baratíssimas onde se pode comer kebab ou sanduíches e café quentinho, barracas que vendem vários tipos de chocolates trufados, e praças para sentar e saborear o rango, no frio mesmo.

Grande Sinagoga de Budapeste
O bairro judaico, por exemplo, fica no caminho para o Museu Nacional Húngaro e o Mercado Central, e também é onde encontramos a Grande Sinagoga de Budapeste. Vale a pena pagar a entrada e visitar o prédio para conhecer mais a fundo sua história.

Lá, estavam pondo em pé um memorial ao povo judeu escrito em três línguas .
Mas se o dia estiver muito frio, como estava, faça como eu e corra para os sabores e aromas do mercado central.





Depois de caminhar muito pelo local, sentei-me num dos quiosques e fui forrar o estômago. Há vários stands com todo o tipo de comida, eu preferi o que servia uns cones recheados de carne e legumes muito saborosos. Devo ter comido uns três.

A comida é típica e se chama Kolbice, o que, segundo a explicação da atendente, significa "calabresa no sorvete", porque o cone onde a comida é posta lembra a casquinha de sorvete. Fora o sabor - há de vários tipos, como se pode ver na foto -, o preço também é muito em conta. Bem melhor do que comer num desses fast-foods estadunidenses.

Além disso, vale muito a pena conversar com as pessoas desses stands, elas são muito cortezas e felizes em ajudar na escolha. Me lembro que a moça que me atendeu me recomendou um outro kolbice em vez do que eu tinha escolhido, dizendo sinceramente que eu não me iludisse com as fotos, elas eram ilustrativas. O melhor mesmo era o outro, que tinha mais recheio e era bem mais saboroso. Depois de experimentar a ambos, vi que ela tinha razão.

Gellert Hill vista da Ponte Szabadság
Estátua da Liberdade - Budapeste
Ao sair do Mercado Central de Budapeste, virando à esquerda, vamos dar na ponte Szabadság, atravessando a qual chegamos ao lado Buda da cidade para ir à Citadela, à Gruta de Santo Ivan, etc. 

Essa ponte, para mim, é uma atração à parte. Fiquei no pier sobre o Danúbio apenas observando-a por vários minutos. O vento frio batendo no rosto, as luminárias embelezando as calçadas, o verde da ponte contrastando com o céu cinzento de chuva, tudo era tão romântico. Eu como sempre, após observar um monte de tempo, fui fazer minhas centenas de fotos.  

Uma das que mais gostei é a que pega a ponte, a colina da Gruta de Santo Ivan (Gellert Hill Cave), o Danúbio e a Estátua da Liberdade ao fundo.

Fiquei lá pensando sobre todas as histórias que tinha escutado sobre o povo húngaro e a Hungria. Aquele povo que, segundo Bruno Bethelheim em seu livro A Psicanálise dos Contos de Fadas, tinha dado origem aos "Ogros".

De Ogros eles não tinham nada, pelo contrário, todos os húngaros que encontrei foram supergentis comigo. Ao contrário do que vários dos meus amigos e blogues que li na Internet me haviam advertido, não vi um povo rude nem sem paciência.

As pessoas com quem conversei desde o Jack até os atendentes de lojas e supermercado, às pessoas na rua, todos me trataram muito cordialmente. Mas, de repente, foram os meus lindos olhos castanhos e minha pele morena que fizeram a mágica, né?! Vai saber.
Gruta de Santo Ivan
Atravessar a ponte de ferro é outra atração genial, pois quando os bondes passam, a ponte treme.

Dá pra ficar parado, encostado à balaustrada e sentir a vibração dos bondes e dos carros. Mesmo caminhando sentimos o tremelicar das estruturas, nada que assuste, no entanto.

Do outro lado da Ponte Szabadság,  está a colina que nos leva à Gruta de Santo Ivan e à Citadela. A visita é interessante e dentro da gruta, por uma pequena taxa, pode-se entrar com áudio-guia. A história é muito interessante.

Diz-se que Santo Ivan curava as pessoas com a água que brotava do que hoje é uma das termas de Budapeste e que fica muito próxima dali.
Belvárosi Plénábiatemplom 
De lá, fui andando até a outra parte da colina onde, num bosque, há a estátua em homenagem a São Geraldo (Gellert), que foi jogado colina abaixo pelos pagãos resistentes à cristianização do país.

O monumento é magnífico e pode ser visto até da outra banda do rio para onde eu fui comer um delicioso goulash húngaro num restaurante bem pitoresco chamado "The Imperator" - há uma limusine branca à porta do restaurante que é o marco do lugar.

Mas nem precisava tanta ostentação, a comida deliciosa, o preço acessível e o ambiente muito charmoso, já dariam pra tornar o lugar conhecido por todos. Quando cheguei para o almoço estava tocando Julio Iglesias e o garçom, pensando que eu era espanhol, disse serem aquelas músicas em homenagem a mim, pois a Espanha é um país admirável e eles estavam felizes em ter um cliente espanhol! (?).

Bom, fiquei lá curtindo Julio e comendo meu pãozinho até que o famoso goulash chegou. Descobri que esse
Goulash no The Imperator
nome estranho nada mais era do que um bom e quente cozido, o qual eu devorei com a fome de leão feita pela andada longa e fria daquele dia. Perto do The Imperator há uma praça muito bacana que lembrou uma das Praças Matrizes de alguma cidadezinha do interior do Brasil, e, na mesma região, a famosa Praça Vörösmarty se abre com seus cafés, stands de comidas e bebidas típicas e lojas de grife.

A caminhada vale a pena e o almoço também. À noite há apresentação ao vivo de música à voz e piano no restaurante e a Praça Vörösmarty e arredores fervilha de gente interessante.

O Danúbio não era azul
A gente passa a vida escutando O Danúbio Azul, de Strauss, e fica com a imagem do nome na cabeça. Porém, em Budapeste, assim como Chico Buarque, descobrimos que ele não é azul.

Pelo menos não nessa parte onde ele corre. Mas, de qualquer forma, continua bonito e inspirador. Especialmente se pegamos um desses passeios de balsa e rumamos até à Ilha Margarida (Margrit) ou simplesmente caminhamos pelo cais em um ou outro lado da capital húngara.

O que importa mesmo é que ele é o Danúbio e corre lindo e romântico pela cidade enquanto a gente ouve ressoar nos ouvidos a valsa do compositor alemão "tan tan tan tan tan... tan tan... tan tan" ou o verso do Red Hot Chilly Peppers "Sing along just like they do in Budapest" ao caminhar pelas ruas.
Parlamento visto do Castelo de Buda



Por isso, despedir-se dessa cidade charmosa, não foi tarefa fácil. Será preciso voltar lá algumas vezes mais, saborear mais um pouco os gostos, os aromas, as vistas, a vida fluindo e o vento frio dessa cidade encantadora, com sua gente de frases precisas e diretas, mas sempre cordiais (na minha experiência).

Tinha deixado para ir a uma das termas no meu último dia à noite, mas estava tão frio que preferi o calor dos bares ao calor das águas e fui com o Luiz a um dos muitos estabelecimentos próximos ao Friends Hostel a conhecer gente jovem e interessante enquanto tomava um, dois, três cafés e a galera me perguntava: "você vem pra um bar pra tomar café?" Fazer o quê, né? cada um com o que gosta. Alguns gostam de cerveja, eu gosto de café e assim a vida segue com as termas ficando para a próxima vez.

Igreja de Matias e Bastião dos Pescadores
Por volta da meia-noite voltei para o hostel, pois de manhã cedo estaria de partida para Dublin. Comprei meu bilhete na mão de um dos fiscais do metrô, peguei o vagão até a estação internacional de ônibus, e pude ver a vida despertando na cidade.

Vários trabalhadores e estudantes com cara de sono, dormindo nos bancos enquanto o barulhinho já comum pra eles de trem quebrando ao meio e seu tremelicar os ninavam.

Pôr-do-sol de dentro do Palácio real
Cheguei ao aeroporto com o sol despontando no horizonte por trás dos vidros da sala de embarque.

Me pus na fila da Ryanair a escutar aquele lindo sotaque de dezenas de dublinenses contando suas aventuras pela cidade, pelas termas, bares e casa de massagens e me lembrei de que estava indo para a minha "segunda casa" - como me disse o rapaz da loja de souvenir quando fui comprar meu imã de geladeira: Dublin é a segunda capital do Brasil, não é? Todo brasileiro que vem aqui  (e vem um monte deles) diz que está morando em Dublin".

O quanto de verdade há nisso! e agora eu iria lá, rever amigos, rever a cidade do Rio Escuro e conhecer coisas que não tinha conhecido quando morei lá. Agora eu ia fazer coisas de turista, não de estudante.

Olhei mais uma vez a minha passagem, confirmei o portão e me mandei em direção a ele. Dublin já me sorria de longe.

Vörösmarty Ter - Praça Vorosmarty

Atrações imperdíveis em Budapeste:
Hungarian State Opera;
Basílica de Santo Estevão;
Ponte das Correntes;
Memorial dos Sapatos;
Palácio Real;
Igreja de Matias,
Bastião dos Pescadores;
Budavari Labirintus;
Citadela;
Casa do terror;
Grande Sinagoga de Budapeste;
Mercado Central;
Gruta de Santo Ivan (Nagyasszonya Sziklatemplom);
Ilha Margarida (Margrit Island);
Belvárosi Plébáriatemplom (A igreja mais antiga de Budapeste) - nessa mesma região, na Rua Martius (pronúncia /március/) há ruínas de uma antiga adega e um museu;
Termas.

Veja nas rotas do Google maps como chegar a esses lugares partindo do seu alojamento. Lembre-se de que em Budapeste se pode fazer tudo andando.

Gostou? Então divulgue :)








segunda-feira, fevereiro 15, 2016

Europa em 60 dias - Berlim, Alemanha

Berlim
Berlim
Do alto a Alemanha parecia uma daquelas cidadezinhas que a gente vê nos filmes de época natalina: toda branquinha, campos e fazendas cobertos pela neve, rios congelados, ruas que se confundiam, pela cor, com as casas e pastos. Apesar de todo esse frio que fazia lá fora, eu sentia meu coração queimar de alegria em ver tanta neve pela frente! Eram mesmo rios de neve em "lava" convertidos dentro de mim - se Gregório me permite a paráfrase. Já tinha estado na neve em Dublin e em Bucareste, mas nunca tinha visto aquele espetáculo diante dos olhos, parecia, do alto, meu congelador sem o frost-free - um espetáculo que eu descobriria brevemente que poderia ser duro, muito duro pra um rapaz latino americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo de Salvador.
Catedral de Berlim - Berliner Dom
Desembarquei empolgado com a vista de dentro do avião e corri ao saguão do aeroporto Berlin-Schöenefeld a comprar os bilhetes de metrô para caminhar pelas ruas do centro o quanto antes - o balcão fica do lado direito de quem sai do desembarque, no final do saguão. Pode-se comprar o bilhete para horas ou dias. Eu comprei o ticket para três dias, que era o tempo de minha estadia na capital Alemã.
A senhora que vendia os bilhetes - uma graça! - falava comigo num samba do crioulo doido linguístico misturando inglês, espanhol e alemão.  De toda aquela verborreia que me fez lembrar um personagem de Umberto Ecco, eu consegui capitar que meu bilhete valia por 3 dias, que eu deveria validá-lo antes de entrar no metrô (para não pagar multa); que deveria sair do saguão e correr em direção ao terminal que fica à esquerda da entrada porque o trem partiria em cinco minutos e me deixaria na FriedrichStr. 
Berlim
Saí correndo puxando minha malinha padrão Ryanair cujas rodinhas se prendiam na neve, enquanto o vento gelado queimava minhas bochechas e minhas mãos. Ia na pressa, rezando que as portas do trem se abrissem para me esquentar, sorrindo com um riso congelado na cara pela graça de ver que a neve tão desejada podia ser bem escrotinha com os tropicálias aqui. Mas é como dizia minha avó: Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe. Dentro do trem, em direção ao centro de Berlim, meus pensamentos se acalmavam, minha face voltava a ter sangue e minhas mãos, dentro do bolso, começavam a se esquentar, lentamente. Olhava pela janela e tudo o que via era a neve e o gelo e as pessoas cobertas e eu pensando que a roupa que eu vestia não ia dar conta do recado. Fiquei tão noiado naquilo que não percebi o agente do metrô, com cara de paisagem, me pedindo para ver meu ticket. Ele, talvez percebendo meus devaneios, disse qualquer coisa em alemão, com aquele som brabo típico da língua, parecendo que me xingava - talvez o fizesse -, me trouxe de volta ao trem. Mostrei o bilhete, ele disse "danke", eu disse "bitte" e voltei a contemplar o mundo frio pela minha janela. 
Rua próxima à estação Friedrichst.
Bom, Berlim era uma cidade onde eu não teria amigos para me receberem na estação, me darem um abraço apertado e me convidarem para um café quente e cuja língua eu conhecia apenas de passagem por um mês aos meus quinze anos. Mas era bela e me esperava com uns braços meio-abertos pelo frio que fazia. Eu já conhecia meu caminho pelo roteiro no Google maps, mas ao desembarcar, fiquei um tempinho tomando coragem pra sair da estação onde aproveitei pra tomar um chocolate quente, depois outro, depois outro e sentir meu corpo revigorado naquela estação pequenina, mas que tinha umas lojinhas, um mercado, uns fast-foods para os viajantes solitários e muita gente para cima e para baixo com quem eu poderia puxar conversa. Encontrei um grupo de chineses que estava no mesmo "barco" que eu e começamos a falar de nossas viagens. Um deles me surpreendeu falando da novela A Escrava Isaura. A versão da década de 70 com Lucélia Santos fez um sucesso monstruoso por lá e aparentemente até hoje a doce Lucélia é um hit entre eles. 
Portão de Brandemburgo
E daí a conversa durou por quase uma hora. Mas, alguns chocolates quentes depois, Lucélia Santos se tornou uma lembrança querida enquanto eu caminhava novamente no frio e no gelo, puxando minha malinha com as rodas que se prendiam na neve fofa e minhas mãos iam ficando queimadas pelo tempo - queimadas mesmo! Nesse ínterim me surpreendi com um rapaz que estava sentado sobre a ponte pedindo esmolas. Um frio lascado e ele lá a mendigar umas moedinhas. Parei diante dele e perguntei em inglês como ele conseguia aquela façanha. Ele me olhou e me disse pronta e simplesmente: "Quando a gente precisa, nada é tão difícil". Olhei pra ele, olhei pra minha mala, minhas mãos, dei umas moedas que estavam no bolso e fui andando ao som do seu "danke sehr". Essa frase, por sinal - especialmente a outra versão, "danke schön" - foi muito ouvida por mim pelas ruas de Berlim.Os alemães me pareceram extremamente gentis e atenciosos, sempre querendo ajudar, mesmo quando eu não pedia por ajuda - e eu preocupado por não ter amigos na cidade! - bah!
Grande Sinagoga - Berlim

O tempo passa, o tempo voa
O que se faz quando se chega no hostel antes da hora do check-in e não se pode ir para o quarto numa cidade desconhecida e gelada? Eu fui para a área de jantar e fiquei lá na Internet lendo meu roteiro para o dia. No calorzinho de um café quente. Porém, do Generator Berlin Mitte para as principais atrações da cidade é apenas um pulo. Daí, resolvi fazer valer o tempo de espera e fui passear. Afinal, só ficaria na cidade por três dias. O primeiro lugar a visitar seria a Grande Sinagoga Judaica que estava a apenas dois ou três minutos de caminhada, e de lá fui andando até onde o sol me permitiu - o sol estava se pondo antes das 17. 

Andar por aquelas calçadas me fez pensar em todas as aulas de história das guerras mundiais. Pensar na ofensiva britânica por aquelas ruas, nas forças de Hitler prendendo e matando todos os que não eram "arianos", na tomada da cidade e em sua divisão em dois blocos políticos, e agora ali, estar naquela cidade pacífica, de gente corteza e amistosa parecendo cumprir a palavra que Helmut Kohl empenhara quando da
Marco do Muro de Berlim
Marco do Muro de Berlim

queda do Muro de Berlim, foi um dos belos momentos que nos são dados quando viajamos pelo mundo. Especialmente, no caso da Alemanha, quando pensamos que a cidade de Berlim como a conhecemos hoje, reunificada, embora tendo sido pisada por vários reis, imperadores, e afins por tantos séculos era mais nova do que eu. Ao chegar no marco onde começava o Muro, me lembrei da cena da época em que Pedro Bial era um jornalista sério e correspondente da Globo na Europa, transmitindo para o Brasil a queda do paredão que tinha despedaçado uma nação e separado tantas famílias. Parei ali adiante, fiz minha reverência aos que se perderam e continuei por minha busca turística. No caminho, passei pelo Monumento à Memória dos Judeus Assassinados da Europa  durante o Terceiro Reich. Parar ali
Monumento à Memória dos Judeus Assassinados da Europa 
, naquele monumento que toma um quarteirão inteiro, ao lado daquelas lápides de pedras de tamanhos variados é ter ao mesmo tempo raiva e compaixão, dor e alívio, guerra e paz. O concreto que se ergue como se fossem jazigos nos traz de volta uma parte da história que dói por dentro por pensarmos no mal tão grandioso que o ódio, o racismo, os pré-conceitos podem causar e nos leva a refletir sobre ele e ter a esperança de que a bestialidade humana talvez tenha solução. Pois ali próximo desse monumento - que pode ser visto até do céu - está o bunker onde Hitler supostamente morreu. O bunker jaz enterrado sob um estacionamento, escondendo a vergonha que o país tem daquele que foi seu líder e é falado apenas pelos guias turísticos e historiadores. 


Porque caminhar abre o apetite
Árvores abandonadas em frente ao Mall of Berlin
Sempre me disseram que para a falta de fome tem-se o caminhar. Minhas andanças por Berlim me provaram que o ditado estava certo. Para minha sorte, como as outras capitais que visitei, no centro de Berlim tudo está próximo: monumentos, lojas, restaurantes e parques. Continuei a andar pelas ruas, passei por uma chamada Hannah Arendt e pelo caminho fui vendo as árvores de natal jogadas como entulho na esquina. Me disseram que a razão das pessoas se livrarem dos pinheiros é que eles podem, se juntos a uma fonte de calor, causar incêndios nas casas. Cortam-se os pinheiros, usam-nos por 20 dias e depois os jogam fora - e assim as árvores morrem, solitárias e esquecidas nas ruas alemãs. 
No shopping ali perto comi um falafel tão bom quanto o do Às do Falafel, em Paris. Num restaurante
Boussi Falafel
simples, gerenciado por um rapaz muito gente boa e supercurioso sobre o Brasil e nossas tradições, sobre minhas viagens e sobre minhas impressões dos países que visitei. Conversamos tanto que quase esqueci minha fome. Sorte que ele me lembrou e eu caí matando naquele wrap delicioso de trigo, legumes, verduras e molho. Está aí um lugar que recomendo a todos, tanto pela simpatia do atendente quanto pelo valor e sabor da comida. O Boussi Falafel fica na área de alimentação do Mall of Berlin e vale muito a pena visitar. 
Mall of Berlin
Enquanto estava no shopping, também aproveitei para fazer umas compras na C&A e comprei umas roupas superbaratas e com tecido melhor do que as que temos por aqui - pelo menos eu espero que seja. Sério isso, né?! No Berlim Mall há todas as lojas de grife com valores (pelo menos em janeiro) super em conta - Uma camisa da Levi's me custou 15 euros (aqui no shopping perto de casa ela custa 90 e poucos reais) e ainda me rendeu uma conversa com uma vendedora alemã de origem caribenha muito gente boa - pele morena dourada, olhos azulíssimos e cabelos encaracolados! Linda! 

De volta ao Generator Berlin Mitte
Alte Nationalgalerie
Depois de tanto andar e satisfazer meu estômago com o delicioso rango do Boussi Falafel eu finalmente pude voltar ao hostel - detalhe é que fiz tudo andando, não precisei do metrô nem dos ônibus pra passear o dia todo por Berlim. Meu quarto era misto, mas só tinha eu de homem e mais cinco garotas, uma de Manaus que estava com o Ciência Sem Fronteiras estudando na França, e quatro inglesas de Manchester. Quando essa mulherada me viu entrar foi um Deus-nos-acuda. Eu, todo feliz por ser o centro de suas atenções, mantive o sorrisão ensimesmado até a primeira pergunta: onde você comprou essa camisa linda? Sentei na cama e fui mostrando minhas aquisições aos sons de "oh", "ah" "that's BEAUTIFUL" com o sotaque de Manchester.  

Um dia no museu
Escultura em frente ao museu Bode 
Perto do hostel está o Museum Island. Uma verdadeira ilha com prédios de estilo gótico e clássico abrigando quatro dos principais museus da Alemanha: o Bode, O Pergamon, o Neues, o Altes e a Galeria Nacional de Arte. Essa é uma atração imperdível para quem gosta de um tour cultural e histórico. Obviamente as peças mais importantes do
Chapéu de ouro de Berlim
Peças da Idade do Bronze - Bode Museum
mundo antigo são encontradas no Louvre, no Museu do Vaticano e no British Museum, mas mesmo assim, a visita pela Ilha dos Museus vale a pena. No Pergamon, por exemplo, pode-se ver as reconstruções do Portão de Ishtar (sec. 6 a.C.), Da Fachada do palácio do Califa Mshatta (743-44 A.D.) e Portão do Mercado de Mileto (100AD). Obras de tirar o fôlego! Outra peça interessantíssima é o busto da rainha Nefertite que se encontra na Galeria Nacional Alte (dela não se pode tirar fotos) e o chapéu de ouro maciço, no Neues, que era usado apenas pelos sacerdotes em ocasiões festivas na Europa Antiga e era de uso astronômico, cunhado de vários motivos celestes como o sol, a lua, raios, talvez até prevendo eclipses lunares. Apenas três desses chapéus foram encontrados na Europa, um na Alemanha e dois na França. O chapéu de ouro de Berlim data de 1000 a.C. Impressiona! Peças exclusivas desses museus. Sem contar com os inúmeros quadros de pintores alemães e peças encontradas pelas terras germânicas. Objetos da Idade do Bronze e anterior; moedas desde a primeira cunhagem até o Euro, etc. Eu precisei do dia inteiro para ver tudo, e posso garantir que é um programa mais que legal, especialmente num
Portão do Mercado de Mileto - Pergamonmuseum
dia de frio e neve. 
Comprando o bilhete completo - 18 euros -, pode-se visitar todos os prédios. A visita dá direito ao áudio. Lembre-se de pedir a gravação, pois algum funcionário pode pensar que você não a quer. 
Para mais informações, visite: www.smb.museum 

Bye-bye, Berlim
A Berlim do novo e do velho, da neve e do sol, estava indo ficar nas lembranças, nas fotos, no post do blog e nas músicas de Lou Reed e David Bowe da minha coleção. Deixei Berlim numa madrugada fria e de céu lindamente estrelado. Agradecido porque a neve havia derretido e as rodinhas da minha mala não estavam se prendendo no caminho. As ruas não estavam tão agitadas como as de Madrid, mas entre o hostel e a estação havia algumas pessoas festivas e faladoras passando apressadas pelo frio e me dizendo "Auf Wiedersehen" ao que eu respondia "Tschüss" e ia andando, os olhos sempre no céu, lembrando da música de Bowe: "Had to get the train from Potsdamer Platz (...) a man lost in time". Enquanto a beleza do céu noturno no inverno do hemisfério norte me fascinava - na verdade o céu e as estrelas lá ou cá me fascinam! mas numa noite fria de inverno ele parece muito especial, sobretudo quando se vai andando e lembrando de boas canções. 
Cheguei à estação à uma hora, pois eu sabia que os trens rodavam a noite toda no fim de semana. No entanto, para minha surpresa, o trem para o aeroporto passaria apenas às 4:30 (fiquem atentos). Pronto, serviu pra me deixar agoniado, pois tinha de estar no Berlin-Schönefeld às 3. Tive de tirar o
Deutscher Dom - Gendarmenmarkt - Berlim
escorpião do bolso e ir pegar um táxi, deixando de usar o meu ticket já comprado para os 3 dias e pagando 50 pilas na corrida de táxi - fica a experiência e o bolso doendo. Mas, pra todo ônus tem-se um bônus.  Ao sair da estação, dei de cara com o Billy Mack de "Simplesmente Amor", pensei que ele ia sair cantando "I feel it in my fingers, I feel it in my toes, Christmas is all around me, and so the feeling grows...". Obviamente não era o Bill Nighy, era um taxista, mas totalmente igual, até na risada roncante. Um coroa alemão superdivertido, que foi da FriedrichStr. até o Berlin-Schönefeld me contando a história de sua vida e da sua cadela Doris. Vale dizer que ele viveu dez anos em Portugal e agora estava de volta a Berlim para ganhar dinheiro, pois, segundo ele, a vida em terras lusitanas não estava para grana. Lá em Portugal ele trabalhava como taxista e estava construindo uma casa no campo, cercado de árvores e quase sem vizinhos onde ele queria ir para passar os últimos dias de sua vida. 
Chegamos ao aeroporto, Billy Mack me desejou felicidades e em bom português me disse: nos vemos em Portugal qualquer dia. E foi-se, pelas ruas escuras e frias de sua velha Alemanha, ganhar dinheiro pra ir morar nos campos verdes portugueses até o fim de sua vida, com sua cachorrinha Doris ao lado. Viel Glück!

Entrei no aeroporto, pus minhas malas de lado e fui esperar a Ryanair abrir o check-in para Atenas. Lá fora o vento soprava, frio e solitário, tirando as últimas folhas que insistiam em ficar nas árvores quase nuas. 

O que Visitar em Berlim - roteiro de três dias

Portão de Brandemburgo: Cartão postal de Berlim, tem importância histórica, artística e política. Fica bem no centro de Berlim e é próximo a vários pontos de interesse turístico .

Checkpoint Charlie: Um dos postos militares que dividiam as
Mural no Reischtag
duas Alemanhas. Fica bem no centro da cidade e é interessante para quem gosta de história.

Gendarmenmarkt: Considerada uma das praças mais bonitas da cidade, encontramos aí a Casa dos Concertos e duas catedrais

Memorial do Holocausto e Museu (o museu fica no subterrâneo. Tem-se de pegar o elevador para descer):

Reischtag: o prédio do Parlamento Alemão, é um edifício monumental e aberto à visitação.

Ilha dos Museus: já falamos sobre ela

Alexander Platz e Torre de TV: Um dos lugares mais movimentados de Berlim, há vários lugares para compra e uma das mais frequentadas estações da cidade. Da torre, têm-se uma visão de 360 graus da capital

Gelo no rio Spree
Muro de Berlim: A chamada East Side Gallery é um dos lugares onde ainda se pode ver parte do muro em pé. É uma galeria de arte a céu aberto (vá também ao memorial do Muro de Berlim).

Catedral de Berlim: belíssimo prédio em frente ao rio, tem uma praça maravilhosa ao redor. 

Kulturforum e Potsdamer Platz: Área de grande beleza

arquitetônica e histórica, abriga alguns dos mais interessantes prédios modernos da cidade tais quais a Biblioteca de Berlim, a Filarmônica e a Chamber Music Hall, e o Neue Nationalgalerie.

Martin-Gropius-Baun: Um museu em estilo renascentista que sempre tem exposições, concertos e eventos culturais de diversas vertentes

Gostou? então divulgue.
Beijos e até a Grécia! 





Criança sequestrada em 1988 procura família biológica

OLHA ATENTAMENTE PARA ESSAS FOTOS Se essa criança te parece familiar, talvez ela seja . Se seus traços te lembram algum parent...