sexta-feira, fevereiro 03, 2012

02 de fevereiro: dia de festa no mar e pânico na terra


Enquanto a praia do Rio Vermelho acolhia os devotos do candomblé com suas oferendas e seus atabaques na festa de Iemanjá, o Centro de Salvador parecia querer alargar suas ruas estreitas para dar vazão à corrida desesperada de pessoas procurando, nas lojas e prédios da região, abrigo contra os arrastões que, segundo se ouvia, estavam acontecendo nos shoppings, pontos de ônibus e em diversos bairros da cidade.

Esses saques e roubos, ao que parece, começaram no bairro da Liberdade por volta das 10 da manhã e se alastraram rapidamente pelo Centro, continuando por toda a cidade até chegarem ao shopping Salvador Norte, já no município de Lauro de Freitas.

A razão para o terror que se instaurou na capital baiana e em outros municípios do estado foi a greve da PM iniciada no dia 31/01/2012 numa assembléia que se decidiu pela paralisação por tempo indeterminado da Polícia Militar, paralisação à qual apenas parte do efetivo aderiu. No entanto, essa adesão em parte à suspensão das atividades policiais foi motivo de sobra para permitir que viessem à tona todo o medo e stress que, já faz muito tempo, se instalaram na alma da população - por causa da insegurança e aumento assustador da violência na cidade - e gerar a ansiedade cheia de pavor que víamos no andar corrido dos transeuntes, nos pontos de ônibus lotados, nas casas trancadas a sete chaves por todos os lugares onde passamos ontem.

O temor que se abateu sobre nós, no entanto, parece ter sido “injustificado”. Pois, os crimes veiculados em sites da Internet e programas de rádio das notícias durante todo o dia, tais como os arrastões que fizeram a população entrar em polvorosa, os assaltos que fizeram os comerciantes da Avenida Sete de Setembro, dos bairros populares e até mesmo de grandes Shopping Centers como o Itaigara e o Barra fecharem as portas mais cedo, não passaram de episódios comuns da rotina da cidade.

O que a bandidagem fez foi simplesmente agir com mais liberdade. Daí está claro que pudemos ver marginais desfilando pelas ruas como se fossem os senhores do mundo! E, é claro também, que os arrombamentos, arrastões e todo o resto – em Salvador e em outros municípios – aconteceram de forma mais concentrada. Mas será que ontem o diabo foi mesmo tão feio quanto o estão pintando por aí?

Não estou querendo minorar os episódios de ontem, foram tenebrosos! Apenas creio que, a maneira como a população respondeu a eles, foi simplesmente a explosão do acúmulo de medo e ansiedade pelos quais somos acometidos todos os dias. Para comprovar isso, basta respondermos a essas perguntas: Quem de nós anda nas ruas de Salvador e não tem medo de ser assaltado? Quem tem coragem de caminhar na Orla distraidamente? Quem pega ônibus sem estar em estado de suspensão por acreditar que a qualquer minuto ladrões se levantarão e roubarão cobrador e passageiros? Quem pára em semáforos em determinados pontos da cidade e deixa as janelas do carro abertas ou, ainda, quem respeita o sinal após as 21:00 horas?  Quem não conhece alguém que foi assaltado, seqüestrado ou morto por bandidos?

Talvez,  o nosso  secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa, desconheça esses fatos, pois foi ele quem disse à imprensa: "A situação é sensível e não podemos desconsiderar isso. Mas vamos restabelecer essa sensação de segurança o mais rápido possível". Eu, soteropolitano, residente em Salvador por quase toda a minha vida, há vários anos não sei o que significa “essa sensação de segurança”. Na verdade, a única sensação que tenho é a mesma que me ocorreu quando li o Pequeno Príncipe, mais especificamente o momento em que ele está sobre uma duna e lança um grito ao ar que lhe retorna em forma de eco. Ao ouvir sua própria voz ele diz: “você quer ser meu amigo? Eu estou só” e o eco lhe responde: “estou só, estou só, estou só”.

Em Salvador, estamos sobre as dunas gritando aos poderes públicos com pulmões cheios e a única coisa que ouvimos é o eco de nossas próprias vozes ao vento repetindo incansavelmente “eu estou só, eu estou só, eu estou só”, numa solidão tenebrosa.

Tudo bem, o governo federal liberou 2600 homens da Força de Segurança Nacional para restaurar a ordem e “essa sensação de segurança” na Bahia. Esses homens poderão ficar aqui até o carnaval – para proteger os quase um milhão de turistas que virão derramar seu dinheiro em nossos cofres - caso a PM não volte ao trabalho imediatamente conforme ordenou o juiz Ruy Eduardo Almeida Brito. Mas e depois ou, quem sabe até mesmo, “e durante”?

2600 homens com fuzis, metralhadoras e todo o arsenal que lhes cabe irão proteger pontos específicos da cidade, darão segurança, especialmente, ao turista e, a reboque, à população em geral. Mas será que esses homens patrulharão os bairros populares? Será que estarão presentes nos ônibus municipais? Será que terão a capacidade de apagar das mentes das pessoas o terror, o stress que elas viveram, lhes tirar do coração o sentimento de impotência apavorada como a que eu vi nos olhos do meu aluno pré-adolescente quando ele, entrando em sala, me perguntou: “professor, e se eles (os criminosos) vierem aqui matar a gente”? Me preocupa pensar na resposta.

Me preocupa também saber que “essa sensação de segurança” só pode nos ser dada através das Armas e de seu arsenal bélico. Da transformação da vida cotidiana urbana em cenário de guerra, da exposição de nossas crianças às mesmas imagens a que a população de países como Iraque, Afeganistão, Israel, estão se acostumando. O problema não está na greve da polícia militar! O problema não está na chegada dos combatentes de guerra! O problema está no descaso diário, no abandono – por parte da sociedade e dos poderes públicos que ela elege – e na marginalização do povo, nas Gotham Cities que se formam todos os dias ao redor dos condomínios de luxo de pequeníssima parcela da população. O problema, senhoras e senhores, está na falta do cuidado para com o nosso povo!

E é por pensar assim que não tiro a razão daqueles que estavam no Rio Vermelho ontem, alheios ao caos que pouco a pouco se apoderava de nossa cidade inteira. Afinal, talvez a única coisa que lhes resta seja mesmo apelar aos seus deuses, às forças míticas, aos elementos da natureza transformados em poderes sobrenaturais para que dessa forma consigam se alienar da terrível realidade que nos cerca.

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segunda-feira, janeiro 02, 2012

COMO PERDER PESO

Antes de você ler o texto abaixo, é necessário ter em mente algumas dicas:
  1. DECIDA QUE VAI EMAGRECER
  2. CONSULTE O MÉDICO E FAÇA EXAMES DE ROTINA
  3. PROCURE UMA BOA ACADEMIA COM PROFISSIONAIS HABILITADOS
  4. FAÇA SEMANALMENTE UM CARDÁPIO COM TODAS AS REFEIÇÕES DIÁRIAS
  5. LEMBRE-SE DE QUE VOCÊ QUER EMAGRACER
  6. NÃO FALTE AOS EXERCÍCIOS DA ACADEMIA
  7. QUANDO A FOME APERTAR COMA FRUTAS OU SALADAS
  8. PESE SUAS ESCOLHAS! O QUE É MELHOR PARA SUA SAÚDE: 3 BISCOITOS RECHEADOS OU 3 BANANAS DA PRATA? SE A RESPOSTA FOI O BISCOITO, RELEIA AS DICAS 1 E 5
  9. DEIXE À SUA VISTA AQUELA FOTO QUE O/A FAZ LEMBRAR DO MOTIVO DA DIETA OU AQUELA ROUPA QUE NÃO CABE MAIS - SÃO BONS REFORÇADORES
  10. LEMBRE-SE QUE A DIETA É PARA VOCÊ E SUA SAÚDE, VOCÊ NÃO PRECISA ENGANAR A NINGUÉM COMENDO ESCONDIDO
  11. VOCÊ PODE COMER DE TUDO, SÓ TENHA EM MENTE QUE TUDO TEM CALORIAS E QUE AS CALORIAS NÃO CONSUMIDAS SE TORNAM BANHA EM SEU CORPO
  12. VOCÊ NÃO PRECISA DE REMÉDIO - A NÃO SER EM CASOS GRAVES - SÓ PRECISA DE DISCIPLINA
  13. SE NÃO CONSEGUE RESISTIR ÀS TENTAÇÕES, PEÇA AJUDA EM CASA, NO TRABALHO, ONDE QUER QUE VOCÊ VÁ COMER
  14. LEMBRE-SE QUE NO FINAL DAS CONTAS VOCÊ FICARÁ MUITO FELIZ EM SE SENTIR LEVE, EM CABER NAS ROUPAS, EM SUBIR ESCADAS SEM BOTAR OS BOFES PRA FORA, EM COMER UM POUCO MAIS DE TUDO, EM CHAMAR A ATENÇÃO DE FUTUROS/AS PRETENDENTES, E QUE VOCÊ DIMINUIRÁ OS RISCOS DE DIABETES, DOENÇAS CARDÍACAS, AVCs E AFINS
  15. NÃO PERCA DE VISTA O PORQUÊ DE SUA DECISÃO INICIAL  
  16. NÃO DESANIME! NA PRIMEIRA SEMANA VOCÊ VAI SENTIR MUITA FOME - É NORMAL! SEU CORPO ESTAVA ACOSTUMADO A CONSUMIR MUITO. RESISTA! A SENSAÇÃO DE FOME DESCONTROLADA VAI PASSAR. ENQUANTO NÃO PASSA, OPTE POR SALADA VERDE - ALFACE, PEPINO E TOMATE - OU UMA FRUTA DE BAIXA CALORIA - 1 BANANA DA PRATA, 1 MAÇÃ, 1 PERA, 1 FATIA MÉDIA DE MELÃO -, POIS TÊM POUCAS CALORIAS. COMO SEU CORPO VAI COMEÇAR A PERDER MUITO PESO, DURANTE O PROCESSO VOCÊ IRÁ ESTAGNAR. NÃO ENTRE EM NEURA! ESSA PARADA NO EMAGRECIMENTO É UM MECANISMO DO SEU CÉREBRO PARA PRESERVAR SUA VIDA - EU FIQUEI UMA SEMANA E MEIA SEM PERDER UM ÚNICO GRAMA, TEM GENTE QUE FICA DUAS OU TRÊS; DEPOIS VOCÊ VOLTA A EMAGRECER. PERSEVERE!
  17. ALIMENTE-SE A CADA 2 OU 3 HORAS - ISSO VAI AJUDAR SEU METABOLISMO A FICAR MAIS RÁPIDO E NÃO DEIXARÁ QUE VOCÊ SAIA DEVORANDO TUDO QUE ENCONTRAR PELA FRENTE.

COMO PERDER PESO

27/05/2011
Bem, eu demorei bastante para começar a escrever alguma coisa sobre meu emagrecimento - que as pessoas estão chamando de “a jato” – e quase desisti de falar qualquer coisa aqui agora. Mas, como tem um monte de gente perguntando e me cobrando a receita, depois de muito relutar – porque não quero ser um novo guru do “medida certa” nem levantar bandeiras para neuróticos anoréxicos, mas ajudar aqueles que querem emagrecer por uma simples questão de saúde - resolvi fazer um textinho.

01/01/2012
Quero, porém, lembrar que, antes de qualquer dieta, é necessário fazer exames de rotina e consultar seu médico clínico, cardiologista e profissionais competentes de educação física sem os quais seu regime e sua atividade física, em vez de te ajudarem, podem te mandar pro beleléu sem passagem de volta. Vou avisando logo pra ninguém querer vir puxar meus pés depois.

Ocorreu que depois de mais de um ano e meio sem praticar nenhuma atividade física - antes de parar praticava capoeira e musculação – e cair numa vida sedentária regada a Big Mac combo (todo sábado e domingo), pão de queijo (a cada dois dias) e MacFlurry (de sobremesa a semana inteira), além de comer muito no café da manhã, almoço, jantar e merendas, aconteceu o óbvio: ganhei muita gordura corporal.

A minha estrutura, que “sempre” comportou um peso oscilante entre 60 e 61 kg, passou a carregar 76 kg de peso gordo. Tá bom, algumas pessoas vão dizer que isso não é muito, que eu me tornei o neurótico anoréxico que eu critiquei lá em cima, já sei. Mas, preste atenção, para um cara de 1.70 cm, acreditem, 76 kg fazem muita diferença! No entanto, a ficha só caiu de verdade por acaso. É claro que eu já havia percebido que minhas roupas estavam apertadas, algumas delas eu não conseguia mais usar; que já tinha ouvido meus alunos me chamarem de “fofo”, “barriguinha sexy”, e outras pessoas me dizerem que eu estava “forte” – esse adjetivo na Bahia pode ser um eufemismo para “quase obeso” -. Só que você vai deixando o barco ir à deriva, vai se empanturrando, vai se deixando levar pelas papilas gustativas e pelo sódio dos alimentos industrializados e acaba saindo da silhueta de Zé Bonitinho para a do porquinho Rabicó como se fosse o processo natural da vida até que um evento desses extra-ordinários descem como uma centelha de luz divino sobre nosso cérebro entorpecido.

Para mim ela veio no dia 27 de maio de 2011, quando fizemos o lançamento do meu livro DE DOR E DE SONHOS na livraria Saraiva do shopping Salvador. Lá, como em toda noite de autógrafos, houve fotos, poses, caras e bocas o tempo todo. Quando cheguei em casa e comecei a fazer o upload das fotografias e a ver as que já estavam nos álbuns do FACEBOOK dos amigos, tomei o primeiro choque. Nas fotos comigo tudo o que se via eram minha bochecha e papada. Aí eu fiquei deprê, achando todas as fotos feias, procurando ver no programa da máquina se um pouco mais ou menos de iluminação poderia ajudar a minorar o problema. Não adiantou muito, então aproveitei apenas uma dúzia dos inúmeros retratos tirados.

SALADAS AJUDAM!!!
No dia seguinte - outra centelha de luz! -, tivemos um almoço em família após o qual fomos dar um passeio. Neste, entramos em uma farmácia e minha sobrinha resolveu se pesar e todos nós seguimos seu gesto. Lá caiu a bomba: 76 quilos e 57 gramas. Eu pensei: Meu Deus, mais quatro quilos e eu estarei obeso! Ô drama dos dramas, eu sei, mas não estava longe de ser verdade. O churrasco do almoço começou a pesar lá dentro da consciência, assim como a salada de maionese, o feijão tropeiro, as várias colheradas de arroz branco e as três latas de Coca Cola. Decidi então chegar em casa e a partir daquela tarde cortar todo o açúcar de uma só vez, eliminar o arroz e o pão e expurgar a manteiga e o óleo da minha vida para todo o sempre.

O que aconteceu? Já na primeira manhã bateu o mau humor, a dor de cabeça, a fraqueza. Passei um dia inteiro praticamente sem falar nada, prostrado e com uma cara que faria o diabo correr de medo. No dia seguinte eu não agüentei mais e voltei a comer tudo, com ganas de quem havia passado dois anos num campo de concentração nazista. Alívio dos alívios! A dor de cabeça sumiu levando consigo o mau humor e a prostração para a alegria de quem convive comigo.

Daí eu me propus a voltar ao exercício como solução para não ter de abandonar a comida. Fui andar na praça perto daqui de casa, dei duas voltas e cansei. No dia seguinte fiz a mesma coisa e na segunda volta resolvi correr. Com dois minutos estava botando o coração pela boca e sentindo a perna endurecer. Resultado: parei. Cheguei então a uma outra solução: diminuir a quantidade de comida à noite e o número de pães durante o dia. E fui assim, sem mudanças dramáticas de maio ao final de julho quando em fim encontrei uma academia perto de casa e resolvi me inscrever.

Já na academia e com os resultados dos exames médicos - clínicos e cardiológicos – em mãos, e o conhecimento de que o colesterol e o GGT estavam altos, marquei, pelo plano de saúde, o endocrinologista – o qual, se fosse o caso, me indicaria a um nutricionista cujos custos o plano cobriria. Mas adivinhem! A data mais próxima para a consulta era 17 de outubro! Pasmem! E viva o PLANSERV!

Bem, meu consolo então foi que, como toda a academia que se preze, a minha tem uma avaliação física - aqueles pequenos testes que professores habilitados fazem para irem acompanhando seu progresso durante seu tempo de treino e poderem te guiar, no que se refere ao exercício físico, em como perder peso. O professor me pesou, mediu abdômen e cintura, etc. Resultado, risco coronariano: moderado; IMC: excesso de peso (nível 1 - tão vendo que a obesidade não estava longe?!); ICQ: moderado; gordura corporal: 25%; peso gordo: 18%.

Baseados nisso, começamos os exercícios, moderadamente para ir re-acostumando o corpo, fortalecendo a musculatura, os tendões. Todavia, ainda me restava a questão alimentar que eu mantinha da mesma forma. Então, outra centelha de luz divina veio para mim em forma de controle remoto!

Almoçando sozinho em casa, resolvi sentar no sofá para ver TV. Como não tinha nada interessante passando, fui trocando o canal até parar no GNT onde estavam exibindo um programa chamado “Perdas e Ganhos”, com Cynthia Howlett - http://gnt.globo.com/perdaseganhos/. O programa é uma espécie de Reality Show – um que realmente vale a pena acompanhar - em que pessoas se inscrevem a fim de terem ajuda de especialistas para emagrecer. O episódio em questão foi este: http://gnt.globo.com/perdaseganhos/videos/_1542299.shtml. Em que o Dr. Guilherme de Azevedo apresenta sua “dieta das notas” – uma simplificação da “dieta dos pontos - para um dos participantes.

Seguindo a proposta do “PERDAS E GANHOS”, que é perder 10 kg em 10 semanas, e conhecendo os outros tipos de dietas propostas pelos endocrinologistas e nutricionistas do programa, resolvi ficar com a DIETA DOS PONTOS e incorporar a ela dicas de outros regimes – cortei açúcar e farinha branca, por exemplo. Procurei tabelas com valores calóricos dos alimentos em vários sites diferentes para poder compará-las e montei meu cardápio semanal.
O resultado foram não 10, mas 17 quilos em 10 semanas após as quais eu precisei de aumentar o consumo calórico porque continuava a emagrecer.

Agora - depois de ver o tamanho desse post!! - a recompensa para os bravos que conseguiram lê-lo até aqui. O cardápio dos dois primeiros dias:

Sugestão:
Café da manhã = 80 notas
Lanche 1 = 50 notas
Lanche 2 = 50 notas
Almoço = 120 notas
Lanche 1 = 50 notas
Lanche 2 = 50 notas
Jantar = 120 notas

Total = 520 notas = 1.040 Kcal

OBS: as notas correspondem às calorias divididas por dois. Assim, um alimento de 80 kcal = 40 notas.

JULHO 2011
DOMINGO

Café da manhã:
1 fatia de pão integral = 35 notas
1 copo de leite c/ choco = 40 notas
Total = 75 notas

Lanche:
1 fatia de mamão = 25 notas
1 banana da prata média = 25 notas
Total = 50 notas

Almoço:
Salada verde = 0 nota
2 col. de sopa de macarrão = 35 notas
½ peito médio de frango = 108.5 notas
2 col. de salada de bacalhau = 64.8
1 colher de sopa de gelatina = 20.3
Total = 225.8 notas

Lanche:
1 banana média = 25 notas
Total = 25 notas

Jantar:
Salada verde = 0 nota
Total = 0 nota

Lanche:
1 banana média = 25 notas
2 colheres de Aveia = 52 notas
Total: 77 notas

OUTUBRO 2011
SEGUNDA-FEIRA

Café da manhã:
1 iogurte corpus light= 30 notas
6 bolachas Vitarella light = 62.5
Total = 92.5 notas

Lanche:
1 banana da prata média = 25 notas
Total = 25 notas

Almoço:
Salada verde = 0 nota
2 col. de sopa de arroz = 35 notas
1 ovo cozido = 40 notas
2 col de sopa de feijão = 35 notas
4 col. de sopa de beterraba = 15 notas
Total = 125 notas

Lanche 1:
1 banana média = 25 notas
Total = 25 notas

Lanche 2:
1 maçã = 25 notas
1 iogurt light = 30 notas
Total = 55 notas

Jantar:
Salada verde = 0 nota
4 col de beterraba = 15 notas
1 fruta = 25 notas
Total = 40 notas


É bom lembrar que devemos nos alimentar a cada três horas, quando demoramos muito de uma refeição a outra, nosso metabolismo fica mais lento e isso dificulta a queima calórica. Também, é importante ter em mente que não devemos comer muito de uma só vez, isso aumenta o trabalho das hemácias e pode acarretar doenças como cânceres. O ideal é comer pouco várias vezes ao dia.Lembrem-se que a gente engorda por consumir mais calorias do que consegue gastar e emagrece por consumir menos calorias e conseguir gastá-las. 

Se alguém quiser meu cardápio das 10 semanas, é só deixar o email.

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domingo, dezembro 25, 2011

Cristo versus Noel ou o Amor versus o Cosumismo


Eu me lembro, em criança, de no segundo final de semana de dezembro, quando chegávamos para visitá-la, minha avó nos chamando para ajudar na montagem e arrumação da árvore de Natal. Depois de tudo pronto, era a hora de escolher onde pôr o presépio - geralmente optávamos em colocá-lo no hall de entrada da casa, para que todos vissem na chegada - e na saída - a Sagrada Família reverenciada pelos três reis-magos e os animais na manjedoura a fim de que não esquecessem do significado da festa que se aproximava.

Lembro também de como esperávamos por esse dia tão especial para nós: dia de uma solenidade divertida, entusiástica, aguardada o ano inteiro! De como ríamos com a colocação desajeitada dos enfeites na árvore e pela casa e, depois, dos rostos solenes quando a arrumação terminava. Ficávamos olhando a árvore e o presépio por um longo minuto que em nossas mentes de crianças durava uma eternidade da qual éramos retirados apenas pela voz de minha avó perguntando por que a estrela estava sobre a árvore, ou o menino Jesus, o Filho de Deus, ter nascido numa manjedoura, ou quem eram os reis-magos e o que cada um de seus três presentes - ouro, incenso e mirra - significavam. Já sabíamos, àquela altura, da história de cor e salteado, por isso, todos respondíamos quase que em uníssono, atropelando-nos uns aos outros no falar: “o ouro representa que Jesus é o Rei; o incenso que ele é divino; e a mirra é o perfume do seu futuro embalsamamento (confesso que demoramos muito a dizer esta última palavra corretamente)”.

Então, ela nos mandava pegar as caixas, vazias, mas embrulhadas em papéis de presente, e pô-las em redor da árvore. E quando perguntávamos: “nosso presente está aqui voinha?” Ela respondia: “só vai aparecer na noite de Natal” e nos dava um sorriso enigmático. Para nós, então, o presente viria de forma mágica, apenas não sabíamos como. Nunca nos disseram nem nos desdisseram que Papai Noel os traria ou que eles apareceriam ali por um pirlimpimpim recitado. Sabíamos apenas que estariam lá e que a magia do Natal estava bem além do ganhar presentes.

Nesta noite de Natal, tantos anos após o fim de minha infância, vendo o nosso presépio observado pelos olhos curiosos dos pequenos familiares, me pergunto como as outras famílias estão comunicando a data para as novas gerações; me pergunto o que essas novas gerações entenderão do Natal.

Embora a palavra por si só já diga tudo – Natal (do latim “natalis”, derivado de “natus”, passado particípio de “nasci”, nascer) significa nascimento -, parece que fica no ar a pergunta: nascimento de quê ou de quem? Para mim, a quem a história era contada todos os anos na arrumação da árvore e do presépio, é óbvio de que se trata do nascimento do Salvador, que pregou o amor ao próximo e a fraternidade como condições sine qua non para se entrar no reino dos Céus, para que deixássemos de ser simplesmente humanos e nos alçássemos às alturas da divindade. Mas hoje, assistindo a filmes e especiais de Natal na TV, caminhando pela cidade, passeando pelos shopping centers, lendo cartões natalinos e aceitando convites para ceias, a certeza da minha infância me aparece sob uma densa nuvem de névoas escuras sob a qual eu fico procurando uma resposta, mas tudo que vejo me confunde.

A troca de presentes despretensiosa que me foi transmitida como forma de demonstrar carinho pelo outro, se tornou uma imposição mercadológica cada vez mais cara; o “Noite Feliz” que nos dava a idéia de amor e fraternidade, deu lugar ao “Botei meu sapatinho na janela” apenas para lembrar de que é preciso ganhar presentes; os presépios nos shoppings já não se vêem mais, em seu lugar se tem fábricas de Papai Noel cada vez mais sofisticadas, o que numa leitura mais aprofundada significa dizer: para trás todo sentimento que não evoque o consumo! – a este propósito pode-se ler um texto que fiz há mais de um ano: http://marciowaltermachado.blogspot.com/2010/12/nem-uma-fita-nem-um-cartao-nem-uma-vela.html; as ceias em família e entre amigos, antes utilizadas para, pelo menos uma vez ao ano, nessa vida corrida que temos, reunir a todos numa alegria comum, se tornou apenas um motivo de embriaguês onde pais e filhos mal parecem se conhecer; nos especiais de TV e nos filmes o que nos dizem é que sem o Papai Noel, vestido com as roupas criadas pelos capitalistas e assumidas pela THE COCA COLA COMPANY, não existiria Natal ou este não teria sentido. Trocaram-se os anjos anunciadores da paz universal e da boa vontade entre os homens, pelos duendes da cultura nórdica, histericamente dedicados ao modo de produção fordista, ávidos por entregarem presentes às crianças em todo mundo na hora certa – ato desprovido de quaisquer significados espirituais, apenas mergulhado na idéia de produção e consumo. Nenhuma ou pouquíssima referência aos nobres sentimentos inspirados pela Natividade se fazem fora das igrejas e mesmo assim - talvez o que ainda seja mais chocante é saber que - há igrejas que, imbuídas do sentimento de anticristo (I João 4:2-3), fazem de tudo para demonizar a data natalina sob a alegação de que a Bíblia não diz quando nasceu o Salvador.

Por certo Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro, historicamente sabemos que esse era o dia dedicado ao Solis Invictus Natalis – Nacimento do Sol Invicto -; sabemos também que os ortodoxos comemoram o Natal em 06 de janeiro, assim como que as pesquisas históricas e da arqueologia bíblica põem o nascimento de Cristo no dia 04 de outubro. Mas nada disso importa! Jesus poderia ter nascido no dia 30 de fevereiro, desde que se comemorasse a idéia que está por trás do seu nascimento, desde que se trouxesse à humanidade a mensagem que a data transmite. Há mais de 1500 anos comemoramos o Natal como a data que celebra a vitória do divino sobre o animalesco, do amor sobre a indiferença, da espiritualidade sobre o materialismo; comemoramos a fraternidade e o amor entre os povos de todas as nações e pessoas de todas as idades representados pela imagem dos reis-magos adorando ao menino Jesus. De maneira que o Natal se transformou no símbolo da reflexão, da observação interior, da transformação de atitudes, da renovação da vida que nos é transmitido apenas pela observação do nascimento de Jesus, o Rei dos reis, o Filho de Deus, numa manjedoura simples em Belém, coisa que um velho engordado pelo ideal consumista, montado num trenó voador e louco por jogar presentes pelas chaminés cobertas de neve de maneira alguma pode nos inspirar.

Deveríamos era mesmo aproveitar o 25 de Dezembro, o 06 de Janeiro, o 04 de outubro, ou qualquer data que celebre esse nascimento divinamente humano para permitir que mais uma vez a transformação resultante de nossa reflexão nos falasse das coisas inefáveis do amor antes que essa idéia se perca nos sacos de presentes e na neve artificial dos shopping centers.

Feliz Natal! Feliz Navidad! Felice Natale! Joyeux Noel! Happy Christmas! Hyvää Joulua! Veselé Vanoce!

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quarta-feira, outubro 12, 2011

Frango cozido ao molho de cenoura e beterraba

Ainda na dieta, resolvi mudar um pouquinho a cara do frango e fiz a receita a seguir, espero que vocês gostem ;).




Igredientes:

4 coxas e/ou sobrecoxas de frango
1 beterraba média
1 cenoura grande
6 colheres de extrato de tomate
2 sachês de Sazón
1/2 colher de chá de cominho
1 colher de chá de orégano
4 limões
1/2 copo de água


Modo de preparo:

Deixe o frango imerso no suco de 4 limões por pelo menos 2 horas  (adicione um pouco de água se preciso). Rale a cenoura e a beterraba e bata no liquidificador com um pouco de água até obter uma mistura homogênea.
Numa panela, ponha o extrato de tomate, o Sazón, o cominho e o orégano e misture (se preciso, coloque a água aos poucos para que o molho não fique muito grosso). Adicione a beterraba com a cenoura batidas, misture bem. Após isso, faça pequenos furos na carne e a cubra com o molho. Deixe descansar por alguns minutos (não precisa ser mais que 10 minutos).
Leve ao fogo e espere levantar fervura, então, cozinhe em fogo brando por aproximademente 40 minutos.
Sirva o frango com as folhas de rúcula e o coentro - as folhas dão um sabor extremamente bom quando mastigadas junto com a carne e o molho - e arroz branco. Não se esqueça que para começar o almoço uma salada  é sempre bem-vinda!
Bom apetite!

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domingo, setembro 18, 2011

Filé de merluza assado - receita diet

3 Postas de merluza (cada posta tem + ou - 90 Kcal)
2 colheres de sopa de cream cheese light Philadelphia (62 Kcal)
1 cebola
1 punhado de cebolinha
1 pimentão
6 limões grandes
4 tomates
1 punhado de salsa
1 punhado de hortelã
1 colher de extrato de tomate (6 Kcal)
Sal à gosto
1 colher de sopa de uvas passas (30 Kcal)
1 colher de sopa de sazón (aprx 3,5 Kcal)


(total aprx. = 190 Kcal)

Modo de preparo:
Deixe o peixe em suco de 4 limões por 2 horas. Após isso, ponha um pouco de sal sobre as postas, em ambos os lados. Corte algumas rodelas de cebola, tomate e pimentão e coloque-as na assadeira. Depois, cubra-as com as postas de peixe e acrescente mais cebola, pimentão e tomate em rodelas sobre o peixe (assim você evita que o peixe queime ou, dependendo da assadeira, que ele se grude nela). Cubra as postas com um fio leve de azeite de oliva, cubra a assadeira com papel laminado e leve ao forno por aproximadamente 20 minutos.


Molho:
Bata no liquidificador cebola,cebolinha, pimentão, tomate, salsa, hortelã, extrato de tomate, sal à gosto, cream cheese light Philadelphia e o sazón. Após ter obtido uma mistura uniforme, acrescente um pouco de água e leve ao fogo até esquentar o suficiente para ser servido com o peixe. antes de servir, acrescente as uvas passas ao molho.

O peixe pode ser servido com salada verde e arroz branco. Para beber, o suco de limão é uma boa opção.



Obs: Eu não coloco o molho verde diretamente sobre o peixe, prefiro pô-lo no prato e ir molhando o peixe nele.
Se você quiser, em vez do azeite de oliva, pode também pincelar o peixe com manteiga. 


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sexta-feira, agosto 19, 2011

Para Eunice Dias Brandão, com amor. / To Eunice Dias Brandão, with love.


(Scroll down the page for the English version)

Se meu coração tivesse asas, ele voaria
Apressado até onde os anjos moram
Para bater à sua porta, de manhazinha,
E ver de novo aqueles olhos de céu de meio-dia.

Ah! como eu queria novamente ouvir sua voz,
Seu carinho esquentando minha alma!
Sentar ao seu lado, calado, sentir de novo
Sua ternura, seu amor, sua calma.

Hoje acendi uma vela, fechei meus olhos e lembrei
De quando, afligido pelo medo da noite, em menino,
Sua mão macia segurando a minha maozinha
Era o conforto, a paz, o sono tranquilo.

As cantigas de ninar, o leite morno ao entardecer,
Os passeios à Beira-mar, tudo o que se quer ter!
Mas o tempo, ah o tempo!, com pés apressados,
Cruéis, corre feito loucos desvairados!

Foi outro dia mesmo que eu a vi sentada na sala vazia
A mente voando, tão longe, tão longe você ia
O tempo a levava, corria, na sua fronte eu via
Pedidindo a Deus que não fosse verdade que você partia.

Que saudade, titia, que eu tenho, que eu tinha!
De sentar com você e ouvir histórias de tempos passados,
Perdidos no tempo, de saber você ali, tão querida, tão minha,
Sem pensar que o tempo, que o tempo corria.

Essa solidão que a falta de você me traz
Essa vontade de voltar correndo lá atrás
No tempo que eu era menino
E que você me tomava pela mão, sorrindo,
E me dizia "meu anjo, meu lindo, nunca se esqueça de mim".

Se meu coração tivesse asas, ele voaria correndo
Para onde os anjos moram e bateria à sua porta
Devagarzinho pra não te assustar.
E lhe diria, lágrimas nos olhos, como agora, escorrendo,
"Parabéns, meu anjo, vamos festejar!"

Se meu coração tivesse asas, ele voaria
Lá pra onde os anjos moram
Voaria pra onde pudesse te encontrar.

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If my heart had wings, it would fly,
Hastily, to where the angels dwell
To knock on your door, at dawn,
And see those mid-day eyes once more.

Oh! How I wish I could again hear your voice
Your care warming my soul!
Sit beside you, in silence, just to feel
Your tenderness, your love, your lull.

Today I lit a candle, closed my eyes and remembered
When, in my childhood, haunted by the fear of the night,
Your soft hand holding my tiny little hand
Was the comfort, the peace, the sleeping tight.

The lullabies, the warm milk at dusk,
The strolls in Beira-mar, were all I could wish for!
But time, oh time!, with quick feet,
Cruel, always goes on a rampage at the door!

Just the other day I saw you sitting in the empty room
Your mind straying, you're going so far, so far away.
Time was taking you, flying by, I saw on your face
You were leaving! I prayed God it wasn't true.

How much, auntie, I missed and miss you!
I miss the time I sat by your side to listen to stories of yester years,
Of time lost in time; I miss knowing you there, so dear
Never thinking that time, time just ran by.

This solitude your absence causes me,
This desire to rush back to the time
I was a little boy
When you took me by the hand, with a smile,
And said: "my angel, my darling, forget me not".

If my heart had wings it would fly in a haste
To where the angels dwell and would knock on your door
Sweetly not to startle you.
And it would tell you, tears rivering from the eyes, like now,
"Happy birthday, my angel, let's celebrate!"

If my heart had wings, it would fly to where
The angels dwell,
It would fly where it would meet you.

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sexta-feira, junho 24, 2011

Obrigado, Jesus, por tudo. Kiitos, Jeesus, kaikesta.

(Scroll down the page for the English version)

Esses dias eu voltei aos meus estudos de finlandês os quais havia deixado de lado há alguns anos. Decidi retomar uma antiga prática minha - que se tornou conselhos que dou para os meus alunos todos os dias no final das aulas de línguas - e escutar música, muita música, na língua estudada a fim de expor o cérebro ao sistema fonético do idioma, memorizar palavras e estruturas mais rapidamente e aprender frases sem correr o risco de interferência forte da língua materna ou de absorver sotaques regionais dos falantes nativos - você já reparou que - salvos os casos de reafirmação cultural - não há sotaques em música, por mais "carregado" que o idioleto seja quando o sujeito fala? Até mesmo os gagos cantam sem gaguejar! Enfim, querendo aprender um idioma, ouça, memorize e cante música!

Me lembro que minha professora de italiano, Professoressa Marta, costumava pedir que os alunos dessem exemplos de palavras em determinadas funções (adjetivo, verbo, substantivo) para que ela as pusesse no quadro seguindo o alfabeto de A a Z. Toda vez que chegava minha vez de falar, ela dizia: e tu, cantore, puoi dire la parola adesso? (e vc, cantor, pode dizer a palavra agora?). Isso acontecia porque toda vez que eu chegava em sala, tinha estruturas ou palavras novas tiradas de músicas - e ela sabia.

Bem, esses dias fiquei pensando que tipo de música eu podia escutar em finlandês para memorizar mais rapidamente essas palavras cheias de vogais duplas, consoantes duplas, casos flexionais (15 deles!!! o Latim antigo só tinha 6...) Não sabia de nenhuma! Além do Nightwish, que canta em inglês, o que você conhece da música finlandesa? Não precisa pensar muito não, estamos no mesmo barco! NADA! NINGUÉM! COISA NENHUMA! Aí fiquei frustrado, porque não basta apenas escutar música, é melhor escutar uma música conhecida, apelar para a memória afetiva, reconhecer melodias. Mas nada de nada me lembra nada em finlandês.

Então fiquei pensando, pensando, pensando e me lembrei de uma música que o mundo inteiro conhece. Já a ouvi em diversos idiomas mundo afora e com certeza eu a encontraria em finlandês!!! Longa vida à Internet! Fui pesquisar e não encontrei. Pus no tradutor Google transformando do inglês (língua original da música) para o finlandês, do português para o finlandês, do italiano, espanhol... troquei adjetivos, substantivos, verbos de ligação e nada. Até que no último minuto, lá estava ela, tão fácil, tão acessivel! Era só não ser tão esnobe usando palavras do vocabulário clássico "Thou", "Tu", "Vous", um simples "Ele é grande" bastava. É claro que tive de mudar Tu para Ele, mas no final tudo foram melodias... equivocadas! Não encontrei a música que procurava, mesmo tendo encontrado o refrão! (se alguém conhecer, me avise!)

A música "Quão grande és tu" - se você já foi a alguma igreja cristã, se já leu o hinário cristão algum dia, se já assistiu a programas religiosos de TV  num desses dias aziagos e lentos, com certeza já escutou essa musiquinha bonita que diz: "Senhor meu Deus, quando eu maravilhado paro a pensar em Teu grandioso ser (...) com refrão "Quão grande és Tu, quão grande és Tu...". Tão simples, tão fácil, tão pequena, tão bonita! em Português! Porque as versões em finlandês, meu Deus, sem comentários.

Mas eu continuei procurando. Do Google passei para o Youtube. Ah maravilha das maravilhas! vídeos do mundo inteiro! Clipes, violões, shows! fiquei procurando músicas cristãs e esbarrei com um rapazinho de cabelos bagunçados tocando violão. Resolvi arriscar. Vamos lá, música finlandesa, pouco mais de um minuto, deve dar. Na hora que ele começou a cantar eu lembrei do som!! RAPAZ! essa música eu conheço, cantávamos na Igreja Batista no meu tempo de menino e agora aquele rapazinho finlandês estava cantando ela também. De imediato me identifiquei com ele, já era praticamente de casa. Aquele som, aquela reverência que ele faz ao cantar, o coração cheio de adoração - esta é a palavra mais apropriada ao contemplarmos sua expressão -, me lembrava de mim mesmo há alguns anos. Fiquei até de madrugada aprendendo a cantar, com o som nas alturas e o vizinho do lado batendo na parede.

Claro, a música é a mesma, mas a letra difere um pouco. Nossa versão diz "Vamos adorar a Deus", a deles diz "Obrigado, Jesus, por tudo". Mas adorar e agradecer  tem tudo a ver com Graça, com louvor, com alegria do coração. Eu agradeci por ter a oportunidade de ouvir essa música me trazer tão boas lembranças e por me ajudar a memorizar mais alguns sons e palavras finlandeses.

Afinal, poder agradecer a Deus por tantas coisas boas que nos chegam, e até mesmo pelas ruins que nos fazem mais fortes, mais esperançosos, é algo que deveríamos fazer todos os dias em português, finlandês ou qualquer idioma que vc queira falar, né não? - é, é sim!

Aqui vai a letra original em finlandês e a tradução livre que eu fiz:

Kiitos, Jeesus, kaikesta (2x)
Obrigado, Jesus, por tudo (2x)
Uudelleen mä toistan tunteen sydämen
Repito de todo coração
Kiitos, Jeesus, kaikesta.
Obrigado, Jesus, por tudo.
Sä saavuit elämään toit valon sisimpään
Chegaste em minha vida trazendo luz ao meu ser
Niin rikkaan elämän mä tunsin löytyvän
(E) Uma vida cheia de riquezas eu encontrei
En hiljaa olla voi kun sielussani soi
Não consigo me calar de tanta alegria na minha alma
Kiitos Jeesus kaikesta.
Obrigado, Jesus, por tudo.

E a versão original em português, sem tradução para o finandês (descullppeem, anteeksi):

Vamos adorar a Deus (2x),
Vamos invocar o Seu nome,
Vamos adorar a Deus.
Ele veio em minha vida num dia especial,
Trocou meu coração por outro sem igual,
E esta é a razão porque eu canto assim:
Vamos adorar a Deus.

Um dia cheio de paz e graça pra todo mundo (nossa, ficou apostólico isso aqui)

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Obs: escutem-no cantar, é bem legal.

THANK YOU, JESUS, FOR EVERYTHING. KIITOS, JEESUS, KAIKESTA.

These days I decided to restart my studies of the Finnish language, which I had abandoned some time ago. I decided to take back an old practice of mine – which became some sort of advice I give my students at the end of each of our languages classes – and listen to music, much music, in the language we’re studying so that we can expose the brain to the phonetic system of the language, memorize words and structures more quickly and learn sentences without the risk of a strong interference from our mother language or of absorbing the regional accents of native speakers – have you noticed that – except for the cases of cultural reaffirmation – there’s no accent in music, however thick the idiolect is when the person speaks? Even those who stammer or stutter have a perfect command of their uttering when singing! In a nutshell, if you want to learn a language, listen to, memorize and sing music!

I now remember that my old Italian teacher, Professoressa Marta, used to ask her students to give examples of words in a given function in the sentence (adjective, verb, noun) for her to put them on the board in the A to Z order. Every time it was my turn to speak, she would say: e tu cantore, puoi dire la parola adesso? (and you, singer, can you say the word now?). That happened because every time I got to class, I had new words and structures I’d gotten from new songs – and she knew that.

Well, these days I kept thinking about what kind of music I could listen to in Finnish to memorize more quickly those words full of Double vowels, Double consonants, flexion cases (15 of them!! Old Latin had only 6…) I didn’t know any! Besides “Nightwish”, who sing in English, what do you know about Finnish music? C’mon, no need to think much, we’re in the same boat! NOTHING! NOBODY! NADA! So, I got frustrated, because it’s not enough to listen to music, it’s better to resort to known music, to appeal to the emotional memory, recognize melody. But nothing from nothing brings back anything to my mind in Finnish.

Thus, I thought, thought, thought a little more and remembered a song that’s known world wide. I have heard it in various languages around the world and I was sure to find it in Finnish! Long live the Internet! I started researching, but didn’t find it. Tried the Google translator from English (the original language of the song) to Finn, from Portuguese to Finn, from Italian, from Spanish... changed adjectives, nouns, copula verbs and nothing worked. When, in the last minute, there it was, so easy, so accessible! I just needed to have used simple, plain words instead of classical snobbish vernacular like “Thou”, “Tu”, “Vous”, a simple “He is great” would have done it. Of course I had to change “You” for “He”, but in the end everything was melodies… mistaken ones at that! I didn’t find the song I was looking for, even having found the chorus of it! (If anybody knows it, please tell me!)

The song ‘How great Thou art” – If you have ever been to a Christian church, If you have read Christian hymn books, or watched one of those gospel TV shows on one of those lazy and slow days, you have surely heard this cute little song which says: “Oh Lord my God when I in awesome wonder (…)” and the chorus “How great Thou art, how great Thou art…”. So simple, so easy, so short, so cute! In English! Because the Finnish versions I found, my God, were too big to comment.

But I kept on looking for the real one. From Google I went to Youtube. Oh! Wonder of wonders! Videos from all over the world. Clips, guitars, concerts! I kept on searching for gospel songs and stumbled across a young man with disheveled hair playing his guitar. I took my chances. Let’s see, Finnish music, a little more than one minute long, that’ll do, I thought. As he started to sing I instantly recalled that sound to mind! MAN! That song I was sure to know, we used to sing it at the Baptist church I attended when I was little, and now that young Finnish man was singing it too. I immediately related to him, we were practically akin. That sound, that reverence of his in his singing, that heart full of adoration, - that’s the most appropriate word to say as we watch his face -, reminded me of myself some years ago. I stayed up until 1 or 2 a.m. learning to sing that song, loud speakers speaking really loudly and my neighbor hitting the wall.    

Of course, the song is the same, but the lyric differ a little bit. The Portuguese version says “Let’s worship the Lord”, whereas theirs says “Thank you, Jesus, for everything”. But worshipping and thanking have everything to do with Grace, praising, heart bliss. I thanked for having had the opportunity to listen to this song bring back so many good memories and help me memorize some more Finnish sounds and words.

After all, being able to thank God for so many good things that come to us, and even for the bad ones that make us stronger, more full of hope, is something that we should do every single day in Portuguese, English, Finnish or whatever language you want to speak, isn’t it? – yep, it is!

Here  you’ll have the original lyric in Finnish and a free translation I did:

Kiitos, Jeesus, kaikesta (2x)Thank you, Jesus, for everything (2x)
Uudelleen mä toistan tunteen sydämen
I repeat from all my heart
Kiitos, Jeesus, kaikesta.
Thank you, Jesus, for everything
Sä saavuit elämään toit valon sisimpään

You came into my life bringing light to my being
Niin rikkaan elämän mä tunsin löytyvän
And my life became full of richness
En hiljaa olla voi kun sielussani soi
I can’t be silent because my soul is ringing with happiness

Kiitos Jeesus kaikesta.
Thank you, Jesus, for everything

Watch his singing and have a great day full of grace and peace! (oh My! we're getting so apostolical here)

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P.S: DO YOU KNOW THE ORIGINAL ENGLISH VERSION FOR THIS SONG? PLEASE TELL ME ;)

sexta-feira, maio 27, 2011

Noite de autógrafos DE DOR E DE SONHOS

A Saraiva MegaStore do Shopping Salvador nos traz em 27/05/2011, às 19h, o coquetel de lançamento do livro DE DOR E DE SONHOS do professor, poeta e contista Márcio Walter Machado. O autor, que já nos emocionou com outras obras literárias, nos brinda agora com histórias cotidianas contemporâneas vividas por personagens que, embora fictícias, têm muito a ver com o dia-a-dia de nossa sociedade, da qual, aliás, o autor retira sua inspiração.

O livro, que tem selo independente e será vendido pelo valor de R$20,00, é narrado de tal forma a nos fazer, através de seus 23 contos, mergulhar num universo em que a nossa própria imagem parece ser refletida no espelho ao passo em que as personagens vivem histórias em tramas nas quais sonhos, incertezas, violência, angústias espirituais e primeiros amores saltam para fora das páginas e nos encantam, nos levando a refletir sobre e em nós mesmos, num convite a irmos além das dores que assolam nossa contemporaneidade e a resgatar os sonhos lá do fundo de cada um de nós.

DE DOR E DE SONHOS é um livro de cabeceira, daqueles que nos dão a sensação de que suas cento e doze páginas poderiam ser triplicadas antes que pudéssemos guardá-lo.


quinta-feira, fevereiro 17, 2011

A beleza está lá fora

Não me lembro em qual de seus livros eu li, mas me lembro nitidamente da sensação de choque e frustração que Nietzsche me causou ao dizer que ler um livro de manhã cedo, enquanto a vida rebrotava lá fora, era obsceno.


Eu, professor de literatura, metido a escritor nas horas vagas, aspirante a filósofo fiquei aturdido com o grande F.N. propor que se largasse de lado a literatura e mesmo a chamasse de obscenidade! É claro que minha reação foi dizer para mim mesmo: que Nietzsche era louco varrido todo mundo sabe, deixa ele pra lá e vamos continuar lendo!


No entanto, esses dias, voltando da formatura de um ex-aluno, as palavras do bigodudo do F.N. voltaram à minha mente como fantasmas errantes que não querem sair de onde estão e arrastam correntes, e fazem "bu", e empurram corpos pelo chão.


Eu lia um livro de contos de Rubem Alves, com a cortininha da janela ao lado fechada enquanto meu ônibus cortava a estrada ladeada por mata atlântica e fazendas de cacau. Eu lá, concentrado nas letras do boníssimo professor enquanto a natureza passava ao meu lado, sem que eu me desse conta; a Mata Atlântica, talvez em seus últimos resquícios, passando despercebida por meus olhos que teimavam em não se deslocar do papel amarelado impresso em tipografia preta, tinta cinza, nas páginas que passavam e que só pararam de dançar nas minhas retinas autômatas quando a voz de uma criança, excitadamente maravilhada, ecoou dizendo, "mainha, olha lá um monte de miquinhos na árvore".


Há tanto tempo não via um miquinho! há tanto tempo não via um pé de cacau ou de café! há tanto tempo não via um ipê amarelo! há tanto tempo não via a natureza verde de verdade juntinho de mim, que eu pus o meu Rubem Alves de lado, abri a cortininha do ônibus e olhei! Mas olhei com olhos extasiados, como aquela criança que chamara a atenção de sua mãe e de todo o ônibus pela alegria, pela surpresa enorme de ter visto um miquinho na árvore verde no meio da estrada - por certo ela, como eu, estava com os olhos carregados do concreto de Salvador, dos prédios crescendo em todos os lugares, já nem lembrava do verde da Paralela ou do Cabula, que vem sendo destruído impiedosamente para abrigar os condomínios de luxo, ou melhor, as Gottham City modernosas. Gottham Cities que levantam seus muros-fortalezas para manterem ao longe a leva de favelados que cresce a cada dia em seu entorno...


E os miquinhos foram ficando para trás, perdidos no meio da mata verde e densa, de onde eu ousei inspirar profundamente aquele ar puro, aquele cheiro de terra e orvalho e vento puro que todo o meu corpo sentia até ouvir a voz de minha consciência me pedindo que olhasse para o outro lado, onde jazia solitário o meu livrinho de palavras tão sábias, de contos tão gostosos de se ler.


Eu tomei meu Rubem Alves na mão e disse: "Professor, o senhor me perdoe, suas 'Estórias de quem gosta de ensinar' são maravilhosas, mas agora, vou deixar minha alma ser preenchida pelo livro da natureza, pela 'aura mediocrita' e pelos ecos do 'fugere urbem' que a contemplação da vida me traz. Vou ficar aqui, contemplando as árvores que passam, as antigas fazendas de cacau, um bichinho no mato, o vendedor de água em algum desses postos perto de uma cidade, a cidadezinha ficando para trás, os rios e córregos que seguem seu curso eterno, e mesmo a nuvem que nunca mais será formada igual. Mas prometo, à noite, no silêncio sonolento das paredes brancas do meu quarto, eu volto a lê-lo com prazer. Porque agora o que vale mesmo é trocar o cinza pelo colorido da Costa do Cacau, da Costa do Dendê e da vida, rebrotando ao redor, porque de manhã chega a ser obsceno ler um livro quando tudo está nascendo.



segunda-feira, dezembro 13, 2010

E foi assim...

Nem uma fita, nem um cartão, nem uma vela acesa, nem uma pétala de rosa. Nada que lembrasse a morte prematura e estúpida de Luis Henrique Silva Sacramento na semana passada num shopping center de Salvador.

O menino, de apenas quinze anos, brincava com seus amigos na escadaria do shopping quando perdeu o equilíbrio e caiu do terceiro piso direto para a morte entre neve artificial e renas de Papai Noel.

Lá no chão frio e solitário ele agonizava já inconsciente enquanto, por um lado, os seguranças tentavam afastar a multidão de curiosos ávida por ver o infortúnio do garoto; e do outro, funcionários do shopping corriam para arrumar a decoração que foi destruída pela queda de Luis Henrique, essa que, segundo nota no site de uma emissora de TV local, “já havia sido refeita antes da chegada dos policiais à cena do acidente”.

O menino agonizava no chão, sendo assistido pelos seguranças e curiosos, enquanto os funcionários do shopping se preocupavam em REFAZER A DECORAÇÃO, ELIMINAR imediatamente os sinais da tristeza que um acidente como aquele poderia causar nos cidadãos que circulavam pelo centro de compras.

Afinal, que pais comprariam presentes para seus filhos vendo diante de si a cena trágica em que um garoto de apenas quinze anos deixou de existir; em pensar que às vésperas do Natal uma família estaria mergulhada na dor, na tristeza, na melancolia? Quem, em sua condição de humanidade, pensaria em gastar seu dinheiro naquele exato momento em que um rapazinho, cujos sonhos, alegrias, esperanças, enfim, cuja vida lhe fora ceifada de forma tão sem porquê, estava morto a alguns metros, ou centímetros de distância?

Quem em sua humanidade não se sentiria triste, coração pesaroso, olhos mareados por ver qualquer vida, especialmente a de um menino, se extinguindo no chão após uma queda tão absurda? Quem em sua humanidade não acharia desprezível a pressa dos funcionários em recolocar as decorações nos seus devidos lugares, em re-enfeitar a praça central desse shopping ao lado da qual jazia o corpo já sem vida de Luis Henrique? Muito mais numa época como o Natal em que há mais de 1800 anos celebramos - ou deveríamos celebrar - o nascimento da Misericórdia, da Paz, da Salvação, da Harmonia, da Compaixão entre os homens e, especialmente, do Amor.

No entanto, apenas alguns minutos após a retirada do corpo, a única coisa que ainda pudesse lembrar, mesmo que sutilmente, qualquer resquício dessa compaixão era o rosto de uma ou outra senhora de mais idade condoída pelo acidente porque, talvez, lembrasse de seus próprios filhos e netos, ou os olhinhos esbugalhados de uma criancinha que não entendia o que ocorrera enquanto os pais tentavam fazê-la esquecer aquele incidentezinho em que um garoto deixara de existir.

Hoje, oito dias depois, não há nada que nos faça pensar no fato. Desde o começo da semana, em frente ao locus mortis de Luis Henrique, as pessoas continuam andando para lá e para cá cheias de compras nas mãos, rindo, fazendo graça, ouvindo o coral que continua cantando suas músicas ditas natalinas, mas que em nada lembram o Amor, a Misericórdia, a Compaixão.

Músicas “natalinas” que celebram não o nascimento do Salvador, mas que incentivam ao consumo, às compras, através de refrãos como “papai Noel chegou com presentes de Natal”; músicas que nos lembram de que precisamos ser salvos de nós mesmos, de olharmos para dentro e especialmente para fora de nós e vermos essa reificação, essa coisificação que estão fazendo conosco.

É preciso abrir os olhos para não deixarmos nossa humanidade se transformar em coisa sem sentido originária dos cultos ao individualismo e a Mamon. É preciso olhar para Franz Kafka e entender o sentido de “A metamorfose”, lembrar dessa história em que Gregor Samsa “acorda pela manhã, depois de sonhos conturbados, metamorfoseado em um inseto” do qual a família quererá livrar-se em breve. É preciso não permitir que nos roubem a moral e nos lancem de volta à animalidade.

É preciso entender o que significa ter nas praças centrais dos shopping centers – local de afluência de gente de todas as classes e faixas etárias – Uma enorme árvore de Natal, fábricas de Papai Noel, renas na neve enquanto o Jesusinho e sua familiazinha são representados por um presepiozinho num cantinho qualquer – quando o há.

É preciso ir além do conceito de religião do qual o natal está imbuído e entendermos o conceito de humanidade, de moral humana, amor ao próximo, respeito à vida que a idéia do nascimento de Cristo traz ou, ao contrário, talvez seja mesmo preciso recorrer ao conceito antigo de religião – re-ligar, re-fazer, re-atar – e nos ligarmos a um tempo em que se chorava com aqueles que choravam e alegrava-se com aqueles que se alegravam, um tempo em que o nosso coração não estava cegado pelas escamas do consumismo desenfreado, da competitividade capitalista que nos faz ver o próximo como concorrente em vez de um companheiro, de um ser que tem como parte integrante sua a divindade; um tempo em que se acreditava que o ser humano trazia em si mais do que a possibilidade de satisfazer o desejo, as necessidades do outro, sem a brutalidade que programas sensacionalistas de TV, de um jornalismo horrorizante, cada vez mais usam para bestializar nosso espírito e banalizar o sentido da existência em sociedade.

É preciso lembrar que, mesmo com tragédias pessoais tão grandes quanto a morte de Luis Henrique, a vida continua, mas sem se esquecer que não estamos sós no mundo; sem acreditar que o outro seja apenas uma coisa que não faz falta porque “eu não o conheço”, ou que os homens são simples peças na engrenagem do mundo e que, quando demande a ocasião, serão imediatamente substituídas, redecoradas, refeitas para que não haja resquícios que atrapalhem o bom funcionamento das vendas.

Assim, quando o coral cantar suas músicas de Noel – nem uma vela, nem uma rosa, nem um cartão para Luis Henrique –, quando os pais incentivarem os filhos a ressoarem que “o bom velhinho não se esquece de ninguém” – nem uma vela, nem uma fita, nem uma flor para Luis Henrique-, quando os apelos das compras cegarem nossos olhos – nem uma lágrima, nem uma vela, nem uma pétala de rosa por Luis Henrique -, nos lembremos daquela mensagem antiga que a ocasião natalina nos traz; mensagem simples e profunda, capaz de mudar todo o curso da humanidade. Lembremo-nos tão somente de que ser humano e não animal não está no poder de compra que se tem, mas sim no poder demasiadamente humano de amar ao próximo e sentir a sua perda.

Criança sequestrada em 1988 procura família biológica

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