sábado, dezembro 26, 2015

Europa em 60 dias - Lisboa, Portugal - Parte II

Planejar o roteiro em Lisboa é muito fácil, uma vez que coisas para ver e fazer são o que não faltam. Primeiro, porque Lisboa é uma cidade muito antiga, cheia de monumentos e ruelas estreitas e longas a serem explorados; segundo, porque ela é vibrante de dia e de noite com seus bares, pastelarias, shows e apresentações em restaurantes e ao ar livre. Parece que nunca há falta do que fazer e a cidade fervilha de vida.

Mapa de um dos meus roteiros no Google maps. Dessa forma
se pode calcular as distâncias entre os pontos turísticos.
 Para começar o meu roteiro, fui ao Youtube buscar alguns vídeos turísticos dentre os quais, me lembrei das famosas “Crônicas do JH”. Toda a alienação da Rede Globo à parte, os correspondentes do Jornal Hoje fazem matérias maravilhosas sobre os lugares onde eles estão (no final deste post, porei os links para os vídeos e blogs que mais me ajudaram a preparar meus roteiros na cidade de Fernando Pessoa). Outra ajuda que tive na preparação do meu roteiro veio do Google maps. Não apenas pela praticidade de andar em 3D pelo percurso desejado e previamente saber onde iremos pisar (e o que evitar), mas também por ajudar a calcular a distância entre um ponto no mapa e outro e, desta forma, pouparmos tempo e dinheiro com locomoção. Em Lisboa, como disse anteriormente, os pontos turísticos mais importantes estão todos próximos do meu hostel e de lá, pude fazer quase todos os percursos a pé.

Aliás, como vocês já sabem, eu adoro andar pelas ruas das cidades onde estou, pois assim tenho a sensação de pertencer ao local e a oportunidade de ver coisas que não veria de dentro de um veículo, tais quais placas indicativas de momentos ou personalidades históricos que ocorreram ou viveram por aquelas ruas. Outro barato das caminhadas é poder entrar em contato com as pessoas locais ou turistas e puxar um papo, sentar num café, ouvir/ver um artista de rua (eles estão por todos os lugares na Europa). E em Lisboa, especialmente, caminhar pelas calçadas de pedrinhas brancas ou ruas de paralelepípedos, subir as ladeiras centenárias e contemplar as milhares de variedades de azulejos das fachadas das casas e casarões antigos é uma experiência imperdível mesmo para quem vem de cidades de arquitetura Barroca/Rococó no Brasil.
Um bondinho fazendo as vezes de elevador entre
a parte baixa e alta de Lisboa
Eu, que toda semana faço minhas caminhadas pelo centro histórico de Salvador, não consegui perder a experiência. Mas, se você é do tipo personagens humanos de Wall-y, não se preocupe, o sistema de transporte integrado é muito bom e com um cartão para o dia (ou dias) você pode usar quase todos os meios de transporte, e o valor será debitado apenas da primeira vez que você o validar a cada dia. Assim, pode-se ir de metro (metrô), comboio (trem), autocarro (ônibus), elétricos (bondes), e... tuc-tuc! Sim, Lisboa está cheia deles por todos os cantos turísticos! Motoristas muito simpáticos e divertidos te levam a passear pelos cantos importantes da cidade enquanto te divertem com histórias - mas atenção, não se pode dar umas voltas de tuc-tuc com o mesmo cartão do metrô, você tem de pagar em dinheiro.

Eu, particularmente, evitei pegar transporte. Na verdade, só peguei um elétrico no dia que fomos ao castelo São Jorge (outro roteiro IMPERDÍVEL), porque meu amigo Johann - a quem não via desde o Réveillon 2013/2014 em  Paris, (http://marciowaltermachado.blogspot.ro/2015/09/reveillon-em-paris-uma-cronica-parte-i.html) tinha vindo me visitar e ia embora naquele dia, daí precisávamos economizar tempo para explorar o centro lisboeta – o trenzinho faz uma volta de 360 graus pelo Centro, se você estiver com pressa, vale a pena. Mas eu continuo recomendando a andada...

Ponte de Lisboa vista do Cristo Rei
Durante os dias que fiquei em Lisboa, pude conhecer gente muito simpática e cortesa e ver lugares de encher a vista. A propósito, depois de duas meninas canadenses que estavam em meu hostel me explicarem o que significa “uma cidade romântica”, eu pus Lisboa entre as 10 mais que já conheci. Uma andada pelas ruas e becos estreitos da Alfama, por exemplo, ao cair da tarde, ouvindo o som do fado português cantado do mais profundo da alma, os sobrados coloridos com roupas penduradas à janela recebendo o frio da noite, amigos, casais, moradores sentados às portas de casa ou dos cafés, rindo e se enamorando aos sons das notas melancólicas da música sentida no fundo do coração, e as noites claras de lua ou de estrelas, nos dão a sensação daqueles filmes românticos que fazem nossos olhos marearem. É como ver Collin Firth descendo as escadarias, com a multidão a segui-lo, na noite de Natal para pedir a mão de Lúcia Muniz em casamento enquanto a multidão,
Arco da Rua Augusta
encantada, o ovaciona em “Love Actually”. Ou então, sentar-se no cais do Sodré nas primeiras horas do dia ou ao pôr do sol e contemplar a luz da cidade com um café quentinho às margens do Tejo, sobre o qual também podemos passear numa barca de uma à outra margem do Rio (a caminho do Cristo Rei) sentindo o marolar das águas e o vento fresco acarinhar nossas faces – indico a experiência (mas quanto ao cais, embora seja maravilhoso, precisarei quebrar o clima de romantismo, pois é válido um alerta: uns vendedores com vários óculos nas mãos se aproximam de você e dizem: “óculos”, quando você diz que não os quer, eles “dão o doce”: “haxixe, coca, marijuana?”. Se você não se interessa pelo material, feche a cara e mande eles vazarem; se se interessa, faça o mesmo, pois, segundo vários portugueses com quem conversei, o que eles vendem é qualquer coisa, menos o anunciado. Razão pela qual eles só vendem aos turistas e porque a polícia não os prende – pois, se não vendem drogas, não podem ser presos por porte de drogas. Não existe lei em Portugal que prenda gente por vender chá e talco. Estão querendo criar uma lei para enquadrá-los, mas ainda estão no projeto. Então, esqueça os vendedores de ervas e vá relaxar pelo cais e admirar a vista, sem se esquecer de ficar atento aos seus pertences, não é o Brasil, mas a galera bate sua carteira se você vacilar.

Pastéis de Belém com um McCafé pra esquentar
Ali próximo ao Cais você encontra outro grande símbolo de Lisboa, uma maravilha arquitetônica e centenária que é o Arco da Rua Augusta.  De cima do Arco se tem uma vista magnífica (aliás, de qualquer lugar da cidade se tem uma vista magnífica, porque Lisboa é simplesmente magnífica!). Depois de contemplar a lindeza do lugar, fotografar muito, se inspirar muito, aproveite pra fazer uma boquinha. Foi por lá também, próximo ao Arco, que comi um dos melhores pratos com bacalhau da minha vida! Comer o Bacalhau ao Brás é condição sine qua non para quem está em Lisboa e nessa região, cheia de restaurantes e quiosques, você será muito bem servido – outras coisas que você não deve deixar de experimentar são as famosas francesinhas, os pastéis de nata e os doces de ovos da Confeitaria Nacional. Me deliciei com eles. Quando for à Torre de Belém,
Torre de Belém
reserve tempo para os famosos pastéis de Belém, na “fábrica” de pastéis – uma lojinha muito bem arrumada e aconchegante, porém lotada de turistas e locais, então, entre na fila, espere um pouco e coma, coma muito, pois é delicioso! Me lembro de Johann dizendo: “todo lugar que vou (Brasil, Macau...) sempre procuro pelos pastéis, mas tenho que confessar que estes são imbatíveis”, e também ajudam a nos dar a energia necessária para subir e descer as ladeiras.
 
Tuc-tuc no centro de Lisboa
E por falar em subir, o Elevador de Santa Justa, como ouvi um turista brasileiro falando enquanto esperávamos na fila, “é como se fosse o Elevador Lacerda deles”. Não tiro sua razão, pois ambos ligam as duas partes da cidade e de ambos a vista é extasiante. Prefira ir ao Elevador (português) de manhã por volta das dez ou à tarde antes do pôr-do-sol por causa do efeito da luz sobre o Tejo, suas fotos vão ficar incríveis! Depois disso, você tem duas opções: ou vai dar um passeio contemplativo pela Misericórdia e Alfama, ou vai para o Chiado e o Bairro Alto. Dependendo das suas inclinações, todas as escolhas levam à satisfação em cem por cento.

Talvez seja mesmo esta a expressão certa para terminar o post: Lisboa, para quem gosta de turistar, é a satisfação em 100%. Pois, por cá, “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.














Aqui vão os links: 
http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/04/jornal-hoje-desvenda-os-segredos-dos-doces-de-ovos-portugueses.html

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/07/rede-de-bondinhos-em-lisboa-atrai-moradores-e-turistas.html

http://www.projeto101paises.com.br/tag/lisboa

https://www.youtube.com/watch?v=Mw2t5q-4SLI

E, obviamente, você pode fazer como eu fiz: incluir no roteiro coisas e lugares inusitados que eu fui descobrindo ao passear pela cidade. 

Gostou? Então divulgue ;) 

segunda-feira, dezembro 21, 2015

Europa em 60 dias - Lisboa, Portugal - Parte I

Vista do Castelo de São Jorge, Lisboa - (foto: Johann Morriseau)
Desta vez eu comecei a planejar a viagem com dois meses de antecedência. Procurando no decolar.com por voos baratos para a Europa, pois já havia cansado de buscar por voos nacionais e encontrado valores absurdos como SSa-SLZ R$1245,00 a ida ou R900 SSa-Goiânia também só a ida. Queria viajar pelos dois meses de férias que tenho a partir do final do ano e relaxar a cabeça dos concursos para os quais tenho estudado, e, viajar no Brasil, infelizmente, é impossível para mim devido aos preços absurdos de passagens, hospedagens e alimentação – por incrível que pareça, os
 ricos viajam no Brasil e os pobres pela Europa! Bom, deixando as queixas de lado, na mesma ocasião que comecei a comprar os voos e fazer os roteiros, iniciei as reservas dos hostels (pelo booking.com http://www.projeto101paises.com.br/) e dos quartos pela airbnb – a antecedência, especialmente nos períodos de férias, faz os preços melhores e garante um lugar ao sol pra vc.


Passagens nas mãos, reservas feitas, era jogar os panos dentro da mala e aguardar o dia. Mas eu sou eu, né?! Como de costume, deixei pra arrumar a mala faltando apenas 3 horas para o embarque enquanto o pessoal no Whatsapp me chamava de maluco e minha mãe me dizia que eu “ia acabar largando o passaporte em casa”. Mas não é bem assim. Embora eu seja daqueles nossos que deixam tudo para a última hora, durante a(s) semana(s) que antecede(m) a viagem, eu vou fazendo uma lista, bem organizada, com todos os itens que preciso levar. Aí, na hora de pôr a mala em ordem, é só ler o que escrevi e tudo fica prontinho em menos de 20 minutos.

Uma última conferida na lista, tudo estando ticadinho, era meter o cadeado e partir rumo ao aeroporto Internacional de Salvador, rever aquela avenida única coberta de bambus dos dois lados lembrando os dias da IIa Guerra Mundial. Mas ninguém lembra de guerra quando está com a família no carro de olhos mareados e conversas agradáveis. Dalí pra frente era só beijar e abraçar todo mundo e cair fora em direção ao balcão da TAP – Lisboa, cá estou, pois pois!

As 8 horas de viagem de Salvador a Lisboa foram longas. Não consigo dormir quando estou em viagem, e ver filmes na telinha de bordo não faz a minha cabeça. No entanto, neste voo, eles estavam
Jantar TAP
passando vários capítulos da série “Divã”, com Lilia Cabral, uma de minha atrizes favoritas. Fui distraindo até dormir – mais ou menos dormir, porque a o voo foi muito turbulento, com direito a relâmpagos e muito, muito waka-waka. Os comissários de bordo tiveram de suspender o serviço de refeição por duas vezes. Agora pensem em vocês no meio do Atlântico, chacoalhando feito a Shakira e com a barriga roncando como o rosnar de um cachorro feroz – pânico no céu, mas no fim, sempre no fim, tudo dá certo e poucas horas depois, estávamos todos sãos e salvos em solo português com o piloto recebendo aplausos dos passageiros em êxtase de alívio por não terem ficado boiando sobre as águas negras do Atlântico.

Na saída do desembarque internacional, terminal 1 – que é onde os voos da TAP chegam -, diante do portão, vá para a direita. Ali haverá um balcão de informação, em frente dele uma casa de câmbio (sugiro que não troque dinheiro em casas de câmbio nos aeroportos), do lado desta um café bem agradável. Se não quiser informação, grana ou café com pastéis (que são bolinhos como nossas empadas ou quiches – mais ou menos), saia, siga sempre à direita e, em frente às escadas rolantes, verá três portas automáticas que te levarão ao metrô.

Mapa das Linhas do Metro de Lisboa
O acesso ao centro de Lisboa pelo metrô é muito bom, você tem linhas e conexões para todos os lugares, só precisa ficar de olho nos horários. São quatro as linhas: azul, vermelha, amarela e verde. Há também autocarros (ônibus), comboios (trens) e balsas que complementam o serviço e os quais você pode pagar com o mesmo tíquete que você comprou no metrô – uma tarifa é válida por 24 h. a partir do momento que você usou o cartão pela primeira vez – trocando em miúdos, com a tarifa de um dia, você pode andar em quase todos os meios de transporte por 24 horas, basta apenas tocar o cartão nos validadores. Eu comprei um cartão para sete dias por 42,50 euros – lembrando que você pode fazer quantas viagens quiser utilizando os serviços de transporte público integrados por 24 horas a partir da primeira validação (o cartão é recarregável em caixas eletrônicos espalhados pelos terminais do metrô (aqui pronunciado “metro”) e outros terminais.

Johann conversando com o canário
Isso feito, hora de me perder na estação. Não, não é difícil, é minha inteligência espacial que é lenta mesmo. Sempre me perco mesmo com o mapa na mão. Mas vai lá, minha avó sempre me disse que quem tem boca vai a Roma, ir ao centro de Lisboa, estando em Lisboa deve ser bem mais fácil. O problema é o receio de receber as respostas das pessoas às suas perguntas com sotaque estrangeiro nessa época tumultuada de imigrações e ocupações ilegais. No entanto, para minha surpresa, as pessoas foram SEMPRE extremamente gentis comigo, algumas delas até se importaram em me levar diretamente aos lugares onde eu queria ir, chegando a caminhar por 10-15 minutos! Bravo, Portugal!!!

Praça Camões - Lisboa
Digressões à parte, uma das pessoas que me ajudaram a encontrar meu caminho, inclusive ligando para meu hostel, foi uma soteropolitana chamada Ana, cujo filho chegou da Bahia no mesmo dia que eu. Ela está morando aqui há 8 meses já e seu menino – um rapazinho de 15, 16 anos - veio ficar com ela. Foi lindo ver a felicidade explodindo entre os dois, e mais lindo ainda ouvir as palavras de carinho em baianês “oh, neguinho de mainha, foi tudo bem?”. Mais dois brasileiros fugindo da violência que nos assola – lembro que ela me disse: “o que me faz gostar de Lisboa, entre outras coisas, é poder andar com meu celular na rua a qualquer hora do dia ou da noite sem
precisar de escondê-lo na minha roupa”. Triste verdade! Mas fiquem de olho! Há roubos em Portugal. Especialmente praticados por imigrantes do leste europeu. Eles te cercam e levam suas coisas sem você perceber, daí haver vários anúncios espalhados nas linhas de trem, metrô e elétricos te alertando sobre os “carteiristas” – a diferença é que ninguém vai te esfaquear ou te dar um tiro pra levar as suas coisas - (obs. aos seguidores de Pasquale Neto antes que me corrijam o uso de pronomes e possessivos no parágrafo em questão: eu sei a diferença entre tu/você, teu/seu J ).

Lisboa - me lembrando as ruas
de São Salvador da Bahia
A minha estação final é a Baixa-Chiado, na qual eu cheguei com um alívio maravilhado, pois, ao despontar no Largo do Chiado, me senti em casa. Era como se andasse em Santo Antônio Além do Carmo, no Pelourinho, na Ribeira... aquelas casas lindas, sobrados de 200, 300, anos, com fachadas em azulejo, as calçadas cobertas de pedras portuguesas como várias ruas em Salvador TINHAM (até um idiota de um engenheiro resolver tirá-las na restauração de alguns pontos turísticos importantes e trocá-la por cimento com pedacitos de mármore – sorte que a idiotice dele ainda não afetou o centro histórico e algumas ruas antigas) e, sobretudo, aquelas ladeiras enormes que nos levam a todos os lugares, eram simplesmente como Salvador. Aliás, o projeto de SSa (São Salvador, por isso dois “S”) era criar uma Lisboa fora de Lisboa, igualzinha, por isso tanta semelhança entre essas duas cidades. Ao encontrarem tantas colinas, tantos altos e baixos, eles devem ter tido a mesma sensação que eu, a diferença é que eles tinham quem carregasse suas malas, eu, por minha vez, tive de ir arrastando minha mala ladeira acima, nas calçadas de pedras portuguesas que eu tanto amo, fazendo um barulho enorme das rodinhas contra a brancura das pedras.

Miradouro de São Pedro de Alcântara
Meu hostel fica de frente ao Miradouro de São Pedro de Alcântara. Lugar maravilhoso, com uma vista que te deixa sem ar, e convenientemente a pouca caminhada de quase todos os pontos turísticos imperdíveis, estações de metrô e os bondinhos que levam as pessoas pelas ladeiras enormes. Mas mesmo que não fosse perto, teria valido a hospedagem só pela arquitetura do hostel e pela caminhada pelas ruazinhas da vizinhança.

Pombos tomando banho no
Largo de São pedro de Alcântara
Agora era só registrar e partir em busca das aventuras que a terrinha lusitana tem a oferecer – sobre isso falaremos em outros posts, pois este aqui já está grande o suficiente.

Gostou? Então divulgue!


Beijo e até a próxima. 

Paris é uma festa - Parte III - Monumentos e Lugares imperdíveis

Em breve posto aqui o texto.

Aguardem


sexta-feira, dezembro 18, 2015

Paris é uma festa - Parte II - um pouco sobre a comida

Mesa posra no Pallais du Versailles
A gastronomia francesa é uma das mais celebradas do mundo. Seus pratos variam desde os exóticos aos mais ordinários, aos fast-foods americanos. Daí ela ser boa para todos os gostos e todos os bolsos.

Mesmo quando viajando com a grana curta, como eu, sempre tem espaço pra comer bem e, estando com amigos, dividir a conta de queijos, vinhos, baguettes, croissants, etc. sempre é uma boa ideia.


pão, por exemplo, é uma parte indispensável da gastronomia francesa. Qualquer refeição que se preze na França tem de ter pão de entrada. Foi isso que descobri na casa de Johann nos dias que estive lá. Por isso, logo que saímos dos arredores da Torre Eiffel em direção à casa do meu amigo, Johann me disse que era necessário passarmos antes numa boulangerie (padaria) para comprarmos pão para o almoço. E lá fomos nós, dirigindo pela bela cidade até chegarmos a um lugarzinho pequeno, com gente supersimpática e sorridente que mal ouviu meu sotaque, me perguntou: "Tu viens d'oú?", quando eu disse que vinha do Brasil, os sorrisos se alargaram, os olhinhos brilharam e a atendente, que também era caixa, me disse: "Riô!", a que eu logo bradei na mesma empolgação: "Salvador de Bahiá!", ela, percebendo uma disputa territorial, jogou mais lenha na fogueira: "Corcovadô" ao que eu respondi sorridente: "Elevador Lacerdá", e assim ficamos falando de monumentos e atrações das duas cidades por mais uns dois minutos, até que seu estoque de palavras cariocas acabaram e ela me disse: então, quantas baguettes? Eu, doido pra continuar falando da Bahia, olhei pra ela e respondi meio que mordendo a boca: duas, por favor", ela sorriu, pegou o dinheiro, registrou e, com a mesma maozinha, foi à prateleira e pegou os meus pães, sem cerimônia nenhuma. segurou meu ranguinho com as mãos de uma manhã toda de dinheiro, coçadinha de cabeça, apertos de mãos e sabe-lá-Deus-o-que-mais. Ela me entregou o pão, com um sorriso tão meigo e eu, sorrindo amarelo, agradeci, olhei pra o meu amigo como que perguntando: "vamos assar esse pão, bem assado, né?". Mas ele, não entendendo minha cara, me disse enquanto ajeitava as baguettes em meu sovaco: "debaixo do braço, Marciô, põe debaixo do braço". E lá fomos nós almoçar um delicioso guisado francês com o paozinho cheiroso de entrada. 
 
Sempre antes de comermos, arrumava-se a mesa com pratos, garfos, geleia e manteiga, e conversávamos enquanto nos deliciávamos no pão francês. Os restaurantes também são a mesma coisa. Neles, quando o pão acaba, os garçons servem mais, e mais, e mais até você ir embora. Você pode ir almoçar num restaurante e garantir seu café da manhã por uns três ou quatro dias (brincadeira!). 

No dia seguinte, eu encontrei meus amigos Fabrício e Gabi para uma aventura à la Woody Allen em Paris. Gabi tinha feito um roteiro de passeio baseado, na maior parte, no filme "Meia-noite em Paris", sem esquecer de incluir algumas peculiaridades como a visita à rua mais charmosa do mundo (porque a mais bonita fica em Porto Alegre!), às catacumbas (mas isso fica pra um outro post) e a quatro pontos que muito nos interessam aqui: L'as du Fallafel (o melhor Fallafel de Paris"), L'artisan Boulanger (a melhor baguette do ano), Ladurée (os melhores macarrons da cidade) - chequem aqui: http://www.projeto101paises.com.br/2014/07/paris-5-lugares-para-sair-um-pouco-do.html -, e McDonald's (porque era na Champs Elysées e nós estávamos com pressa e vontade de tomar um café quente com batatas fritas, e eu estava afim de fazer uma graça com vocês, leitores). 

Pois bem, fomos os três ao Fallafel, que fica num bairro judeu em Paris, e lá, por causa da fama do local, tivemos de esperar algum tempo na fila, no frio e na chuva para comer. Foi uma espera longa, uma espera roncadoura, mas valeu a pena. Os garçons sempre muito cordiais, servindo pão pra gente o tempo todo. Um dos garçons, David, ao saber que éramos brasileiros, ficou todo prosa, puxando assunto sempre que conseguia chegar à nossa mesa. Foi ele, por sinal, que me informou que a base da refeição francesa era o pão, depois que eu, acostumado com os restaurantes brasileiros, perguntei se a gente ia ter de pagar por aquela padaria toda. Ele me disse que ficasse despreocupado porque na França, o pão e água nos restaurantes são de "graça" (as aspas são minhas). Bom, ele trouxe o menu e aí, o papai aqui, seguido por Fabrício, foi inventar de pedir o Fallafel no prato - Gabi pediu um cone tipo Mcwrap por metade do preço. Quando os pratos chegaram, a gente, morrendo de fome, caiu matando, mas não conseguiu comer nem a metade! O prato era tão bem servido que não aguentamos terminar. Bem fez Gabi: comprou uma porção menor, pagou metade do preço e não deixou nem um tiquinho pra contar história. Avisados, brazucas do olho maior que a barriga, só comprem o prato de Fallafel se vocês aguentarem comer até o fim!

Saímos felizes e pesados do restaurante para caminhar pelas ruas de Paris – sim, mais uma caminhada! Paris é linda, um lugar onde se caminha sem perceber o tempo passar e se queima calorias com gosto de vanguarda. Caminhamos tanto, tiramos tantas fotos, vimos tantos monumentos e tudo o que a Cidade Luz tem a nos oferecer que quando demos por nós, já era ora de comer novamente. Caí na ponga dos Globe Trotters e partimos para uma ruazinha normal como qualquer outra, em busca de uma padaria cuja baguette tinha sido eleita a melhor do ano. A incumbência de comprar o tão desejado pão coube a mim. E eu, de olho na vendedora, fiquei prestando atenção se ela
pegaria o dinheiro e depois a baguette! Mais non, Monsieur! Oh là là! Quem trazia o rango era uma outra pessoa. E eu, sorri aliviado!

Saí com meu pãozinho debaixo do braço para encontrar meus amigos que já me esperavam com o queijo que havíamos comprado no caminho. E lá fomos nós, eu com minha mão de dinheiro, de poste, do cachorrinho bichon frisée que eu tinha acarinhado mais cedo, pegando o queijo, abrindo a baguette e fazendo nosso sanduiche! Viva Paris! Bravo, Marciô! Sem nojentices! E o incrível é que ninguém pegou verme nem ficou doente. Paris é mesmo uma festa, uma mágica.

No dia seguinte, fizemos tudo o que um turista faz quando tem um roteiro bem organizado nas mãos. Almoçamos carneiro assado na vertical num restaurante turco – uma delícia! Mas não me lembro do nome. E ao cair da noite, encontramos o Johann para fazermos o trajeto de Owen Wilson no filme de Allen, vimos a universidade de Direito, andamos até a igreja onde o carro psicodélico-sessão-espírita pega ele, e fomos comer debaixo daquela névoa fria que tocava nossa cara como um beijo de ice-kiss. Nosso destino era o Ladurée, um restaurante especializado em macarrons.

Diante da entrada, me lembrei de uma cena do filme “Splash – uma sereia em minha vida”. Tom Hanks dá um presente para Deryl Hanna, todo embrulhadinho, e ela diz que é lindo, com a maior cara de felicidade, até que ele lhe pede que abra o presente e a sereia pergunta: “tem mais?!”. É bem essa a sensação. Você entra no Ladurée e se sente transportado a algum lugar do passado, do chic, do delicioso gosto de macorrons de todos os sabores tocando seus beiços vorazes, enchendo sua boca faminta, descendo saborosíssimo por sua goela enquanto um café delicioso, quase brasileiro, esquenta a noite. Mas, além disso tudo e da companhia dos meus amigos, estar naquele lugar pomposo à noite, ouvindo as risadas vindas das conversas alegres e animadas lá dentro, olhando aquela avenida histórica lá fora reluzindo com as luzes do Natal, me fazia sentir especial, contente e de barriga cheia.

Quanto ao McDonalds, ele estava lá, em todo o canto que nós íamos, todos os dias, oferecendo suas gordices às pessoas que por lá passavam. Mas eram umas gordices com valor menor que outros lugares e com café e leite num copão de quentura bem-vinda contra o frio. Eu, particularmente, me esbanjava no café barato deles. Sentindo aquele calorzinho gostoso nas minhas mãos por debaixo das luvas, mas, geralmente, apesar de às vezes comer uma porção de batatas fritas, eu preferia ir com meu cafezinho comprar uma salsicha alemã ou polonesa que estavam sendo vendidas ali bem ao longo da Champs. Ou então, provar uns croissants em alguma boulangerie, sentado no passeio, conversando sobre nossas aventuras, ou comer um crepe gigante cheio de Nutela, me fazendo lembrar o beiju de chocolate amargo com banana que eu faço quando estou em casa.





                                                 


segunda-feira, setembro 14, 2015

Paris é uma festa - Parte I - Réveillon

Quando eu cheguei a Paris não sabia exatamente o que esperar. Tinha apenas as referências dos livros que havia lido – especialmente os de Balzac –, dos filmes que tinha visto, e, obviamente, dos relatos de parentes e amigos que voltavam de lá encantados e apaixonados, com os olhinhos brilhando e cheios de graça como se tivessem tido uma experiência religiosa. Para mim, no entanto, Paris era uma colcha de retalhos que se amontoavam entre Louis XIV, Os Três Mosqueteiros, Revoluções, cabeças decapitadas, Marias Antonietas, manifestos comunistas, Corcundas de Notre Dame, Rimbauds, Renoirs, escargots, baguetes com frois-gras, e Charles Aznavour comendo macarrons com Edith Piaf em algum café. Um lugar onde as pessoas andavam “bras dessus, bras dessous en chantant des chansons” com as caras felizes, vendo pintores de boinas e bigodinhos finos levando tapas das mulheres com cabelos no sovaco. Pondo em palavras agora, vejo que minha visão era meio conturbada e quimérica, algo entre o esotérico e o psicodélico. Mas Paris não é nada disso, ou talvez seja tudo isso e muito mais. Talvez seja uma festa aonde todos nós somos convidados a entrar e de onde saímos com o coração pesaroso por deixá-la para trás.

E se Paris é uma festa, para mim foi uma festa de Réveillon. Cheguei lá para as celebrações de final

de ano e para reencontrar meus amigos Globe Trotters Fabrício e Gabi (http://www.projeto101paises.com.br/), que não via há mais de um ano, e visitar um amigo francês que tinha conhecido no avião num voo da Bahia a Amsterdam alguns meses antes. Nessa união do útil ao agradável fui surpreendido de formas diferentes e cheio de sentimentos ambivalentes em relação à Cidade Luz.

Ao descer no aeroporto de Beauvais fui recebido com um sorriso esfuziante do agente da imigração que segurava meu passaporte e dizia “Brésil, hein!!! Neymar!!!”, e eu, com cara de quem tinha passado a madrugada acordado no aeroporto e não dormido no voo, respondia com um sorriso amarelo “oui, oui! Neymar, Pelé, Ronaldô, Carnaval” e pensava “bate esse carimbo logo, seu moço!”. Meu amigo Johann já deveria estar me esperando no saguão enquanto o agente conversava comigo sobre sua ida a Bahia e como a “Chapadá” era bonita. Mas apesar do cansaço, é sempre bom ser tão bem recebido por pessoas que têm uma visão tão alto astral da sua terra, especialmente em tempos nebulosos.

Saído da imigração, minha mochila nas costas, o ar frio da França nos pulmões foi me revigorando lentamente. Encontrei meu amigo e fomos a caminho de Paris. Como estava cedo, fomos dar uma volta pela cidade. Não sei bem o que eu senti naquele momento, mas me recordo de pensar “meu Deus! Eu estou em Paris!”. Não sei por que pensei assim, nunca fui do tipo deslumbrado, mas a emoção quando chega às vezes nos mostra faces nossas ainda desconhecidas. E o Johann começou a me contar as coisas interessantes sobre os franceses. Me lembro que a primeira coisa que me disse foi: Márcio, escute bem, nós franceses acreditamos que somos os melhores, não somos, mas acreditamos que somos. Nossa comida é a melhor, nosso país é o melhor, nossa língua é a melhor. Por isso, quando você for sair, se lembre de sempre falar em francês com as pessoas, caso precise de alguma coisa”. E eu pensei: Ai, mô Pai, com esse meu francês enferrujado... to lascado!”. Mas aí ele mudou de assunto e começou a contar as histórias das ruas por onde passávamos, entre elas, uma que me deixou meio sem jeito. Ao passarmos por um parque nas proximidades da Torre Eiffel ele disse, aqui é perigoso você andar à noite, há muitos michés chamados “Brésiliens”, em busca de programa e muitas vezes ocorrem episódios de violência”. Isso era dizer que os putos da França eram brasileiros e que eram violentos. Fazer o quê, né? Cada um se vira como quer.

A arquitetura de Paris, a organização de ruas e avenidas, a disposição dos prédios, as alamedas de
árvores desnudas pelos ventos do inverno, o sol brilhando frio no céu azul, logo tiraram minha mente dos “Brésiliens” decadentes. O som do francês bem articulado de Johann, a Bossa Nova na voz de Henri Salvador na rádio, e a percepção de estar trafegando pelas ruas sobre as quais lia nos livros de história trouxeram um sentimento de conquista, de Neil Armstrong na Lua. Mas a bandeira cravada era a brasileira, do Brasil de Catarina Paraguaçu, de Santos Dummont que voou sobre ali no 14 Bis, da música inventada por João Gilberto e Tom Jobim que havia conquistado os franceses desde a década de 60. Era o Brasil na França de forma torta ou direita, mas o Brasil.

E aí, chegamos à Torre. Quando estávamos estacionando, porém, a surpresa. Me transportei de volta às ruas de Salvador ou do Rio – as lembranças da terrinha nunca saem de nós. Nem havíamos saído do carro quando um grupo de 30 a 40 imigrantes (provavelmente) senegaleses, com mochilas nas costas e sacolas pesadas nas mãos, corriam desbandeirados pela rua, gritando “Allez! Allez! e fugindo do RAPA. Sim, tem RAPA em Paris! Os imigrantes ficam pelos pontos turísticos vendendo souvenirs da França sem pagar impostos. Então, vez ou outra, como acontece por aqui, a polícia chega e leva tudo embora e prende os vendedores, boa parte dos quais está ilegal no país. A maioria deles é africana, há alguns do oriente médio também. Quando eu vi aquele monte de homens correndo em nossa direção, pensei que estivesse acontecendo algum atentado a bomba. Meu amigo viu minha cara de pânico e logo tratou de me acalmar, me explicando a situação. A Paris dos meus romances e filmes piegas já não estava tão deslumbrante assim. Na verdade, estava muito semelhante às cidades brasileiras que eu conheço. Mas vá lá, a Torre Eiffel continua linda! E dali a alguns dias eu estaria de volta a ela. Esperando ver um show de fogos de artifícios e música eletrônica pra esquentar a noite.

Esperei ansiosamente pela noite do réveillon sem comentar com meus amigos sobre minhas expectativas. Apenas aguardava enquanto fazia meus passeios, desbravava a cidade, desenferrujava meu francês e viajava pela terra do Homem da Máscara de Ferro – falarei sobre tudo em outros posts.
 
O dia 31 veio cheio de novas aventuras. Eu estava hospedado na casa de meu amigo, mas no dia 31 e 1º resolvi ir para um hostel mais ao centro da cidade sob os protestos de Johann e sua família que me diziam “on ne peut pas croire, Marciô. Tu dois rester chez nous! Un hostel!”. Mas eu fui, afinal, se a noite é uma criança, em Paris é ela é um feto em formação. Especialmente no último dia do ano. Queria andar pelas ruas até de manhã, chegar em casa bêbado de café com chocolate e dormir até o pé fazer bico sem incomodar a rotina de uma família tão gente boa e acolhedora.

Me lembrei que se estivesse em Salvador, teria ido à praia de manhã, visto o pôr-do-sol na Ponta de Humaitá e depois me reunido com a família para agradecermos ao Eterno pelo ano que passou. Depois, era cada um pra um lado à procura de festas e muvuca. Em Paris, passamos o dia rodando, encapotados, caminhando no frio sob a deliciosa garoa fina que ia e vinha abençoando nossa caminhada. Visitamos catacumbas e museus. Comemos baguetes, falafels e crepes imensos com Nutella. Batemos perna o dia inteiro. Vimos a cidade viva, sentimos o cansaço morto e fomos para o hotel onde meus amigos estavam hospedados.

Por volta das 22 Gabi resolveu fazer uma pequena ceia de Ano Novo com coisas que havíamos comprado no mercado no caminho de volta ao hotel deles. Uma macarronada deliciosa para restaurar as forças dos andarilhos! Nos deliciamos com o banquete, brindamos, fotografamos, e saímos para ver a despedida do ano junto à Torre Eiffel, onde Johann e alguns amigos seus iam nos esperar.

Não é necessário dizer que metade da população teve a mesma ideia e as estações de metrô se empanturraram de residentes e turistas felizes. Mas tudo de forma ordeira, sem tumulto, sem agonia. Alguns dos que seguiam conosco levavam garrafas de champanhe nas mãos, outros iam com elas dentro da sacola. Localizamos nosso anfitrião e ficamos conversando, conhecendo gente e contando o tempo para a agonia começar. Paris é uma festa!  Mas não uma festa cheia de fogos de artifício, luzes coloridas no céu, shows musicais e champanhes explodindo, conforme descobrimos alguns minutos antes da meia-noite. É isso mesmo: nem fogos, nem vela, só uma torre amarela, sem música, sem bombas, sem barulheira. Se é o oposto  disso o que você procura, na véspera de ano novo não vá à Paris porque será uma imensa decepção. O governo parisiense não se dá ao desfrute de queimar milhares de euros num show pirotécnico de 15-30 minutos como se faz no Brasil e em outras partes do mundo, nem gasta verba pública pagando artista para cantar pro povo; o máximo que fazem é acender as luzes da Torre Eiffel à meia-noite como piscas-piscas de Natal – por isso, é melhor estar por lá do que no Arco do Triunfo onde o único sinal da virada do ano é o grito da populaça ensandecida, mas muitos desavisados vão para lá e voltam com cara de tacho.


A festa propriamente dita está no simples fato de nos encontrarmos na Cidade Luz, nas largas ruas cinzentas e frias sustentando seus vetustos prédios de cimento e mármore que contrastam com a decoração de luzes coloridas, desde as proximidades do Louvre ao Arco do Triunfo, e que estão cheias de stands de comidas típicas do mundo inteiro, inclusive churrasco brasileiro. A alegria se dá por estarmos cercados por estranhos que te abraçam ao “badalar dos sinos” (utilizo a expressão apenas ilustrativamente, uma vez que a crescente comunidade muçulmana francesa reivindicou do governo que proibisse o repicar dos sinos das igrejas cristãs por se sentirem ofendidos; mesma razão pela qual você não verá ou ouvirá pelas ruas ou lojas nenhuma das bandeirinhas ou musiquinhas de Joyeux Noël - Feliz Natal), e gritam, pulando com você “Bonne Année! Bonne Année!” ou qualquer expressão semelhante em suas próprias línguas maternas.

Outra curiosidade é que essa folia toda se dá sem que as pessoas estejam bebendo, pois é proibido ter garrafas de bebida alcoólica nas ruas. Portanto, não leve sua bebidinha para celebrar o Ano Novo como muita gente estava fazendo. Se você for sair do hotel e precisar de álcool para se locomover, beba antes e vá porque a polícia, infiltrada na multidão, te rende e leva sua cachaça embora. Vi


beberrinhos e beberrões com cara de cachorro que quebrou o prato olhando as mãos vazias depois que os canas levaram sua manguaça embora. Alguns imigrantes te oferecem bebida na rua, não compre! É contra a lei. Se quiser beber, vá para um bar ou café nas proximidades da Torre ou do Arco, lá as pessoas estão bebendo seus vinhos, seus champanhes, chás, cafés, e compartilhando da doce companhia de estranhos e amigos instantâneos nas ruas abarrotadas, enquanto esperam a multidão ir aos poucos desocupando as estações de metrô – que até ao meio-dia do dia 1º não cobram tarifas – e sentem o vento gelado da noite francesa na calçada em frente aos bares, restaurantes e cafés sendo esquentados pelo calor humano aceso ao redor nos olhos daqueles que nessa data tão emblemática estão buscando novos começos, novos caminhos, novas amizades. Pessoas que serão capazes de te parar na rua e cantar pra você como se saídas de um filme desses que se viam até os anos 60 – como aconteceu conosco quando subíamos a rua de madrugada em direção à gare e um francês regado a vinho pulou na nossa frente e começou a cantar “I wanna love you”, de Bob Marley, segurou um de nós pela mão e começou a dançar em plena rua, cantando a plenos pulmões e parando a multidão que vibrava com aplausos e assobios ao nosso redor. Trazendo ao nosso íntimo a questão: pra que fogos, pra que shows caríssimos, pra que explodir champanhes?


O importante mesmo era celebrar o ano que passou, agradecer as conquistas e as dificuldades que nos fortaleceram, lançar vibrações positivas para os próximos 365 dias e seis horas, pensar em nossos entes queridos, todos eles, e lhes enviar nosso amor, olhar ao redor e ver tantos rostos estranhos felizes, tanta gente desconhecida conversando como se te conhecesse há anos e nossos amigos ainda mais amigos do que há alguns dias. Essa é Paris do Réveillon: a cidade das novas descobertas, sem fogos de artifícios. 


segunda-feira, julho 06, 2015

TRAVELING LONDON AND WESTMINSTER - VIAJANDO POR LONDRES E WESTMINSTER

(SCROLL DOWN THE PAGE FOR THE ENGLISH VERSION)

Traffalgar Square
“Ora, senhor, não se encontra homem algum, entre os intelectuais, que deseje abandonar Londres. Não, senhor, quando um homem está cansado de Londres, ele está cansado da vida; porque em Londres há tudo o que a vida pode proporcionar”.

Ao andar pelas históricas ruas de Londres, com seus prédios robustos, sua arquitetura imponente, suas igrejas esplendorosas, seu cais ao longo do Tâmisa, seus monumentos, praças e parques é que conseguimos compreender em sua totalidade as palavras do escritor Samuel Johnson que encabeçam este texto.

Londres reúne tudo o que residentes e turistas desejam ver, apreciar e aproveitar. Lá se tem tudo à mão e não há, jamais, falta do que fazer. O lugar parece ter sido desenhado para atender aos diferentes tipos de pessoas com suas diferentes necessidades. 

Assim, poderemos nos deparar com opções que variam desde a visita a lugares que exalam paz, contemplação, convite a um mergulho em si mesmo à vida fervilhante, à agitação artística e cultural que se derrama por todos os lugares por onde passamos num convite à diversão por caminhos iluminados com luzes brilhantes de todas as cores, quase epilépticas, que, se não tornam a capital inglesa a Cidade Luz, pelo menos a deixam em pé de igualdade com ela. 

Londres e Westminster (o que chamamos comumente de "Londres" são na verdade duas cidades!) são lugares com os quais todo mundo que já leu alguns clássicos da literatura mundial como "O Retrato de Dorian Grey",
Big Ben and Parliament House
"Dracula", "Nunca Te Vi, Sempre Te Amei", etc. ou assistiu a filmes como "Tinha Que Ser Você", "Closer - Perto Demais", "Um Lugar Chamado Notting Hill", "Sherlock Holmes", "Simplesmente Amor", "Harry Potter", entre outros, se sente familiarizado. 


Quem não se lembra (mesmo nunca tendo estado por lá) dos ônibus vermelhos de dois andares ou das cabines telefônicas; quem não reconhece o Big Ben ou Picadilly Circus? - poucos, acredito. O sentimento de familiaridade que nos envolve quando caminhamos pelas ruas e vemos os famosos táxis pretos, quando observamos os guardas da rainha, com seus imensos chapéus, concentrados a ponto de sequer piscar os olhos, ou os homens e mulheres em longos sobretudos com seus guarda-chuvas na mão, nos faz praticamente sentir transportados para alguma ou várias das histórias que lemos, assistimos e idealizamos. 

Londres e Westminster, para mim, são lugares românticos (bem mais que Paris!), sofisticados e cheio de uma energia única, capaz de nos tornarem perdidamente apaixonados e com a sensação de que todos, pelo menos uma vez na vida, deveriam fazer uma peregrinação até lá. 

Quando estava estudando em Dublin, aproveitei a oportunidade de me encontrar a menos de uma hora da Inglaterra e os ótimos preços da Ryanair (você compra passagens por incríveis 5.00 euros! As mais caras que vi estavam por 19.99) e fui conhecer essa linda cidade. Outro fato importantíssimo de saber é que voos que partem da Irlanda para Stansted não passam pela imigração, ou seja, você sai do avião diretamente para as ruas de Londres sem precisar de visto no seu passaporte e sem passar por aquelas intermináveis listas de perguntas!

Abaixo segue uma pequeníssima lista sobre o que fazer e ver - de graça! - em Londres e Westminster:

The British Museum: Um dos museus mais antigos do mundo, tem uma imensa coleção de objetos e artefatos, muitos dos quais nós estudamos e vimos nas aulas e livros de história universal tais quais a Pedra de Roseta, as múmias egípcias, esculturas e estátuas dos reinos antigos, etc. Uma das coisas que mais me impressionaram foi uma sala enorme cujas paredes eram feitas com os muros de um templo persa contando a história da caçada de um rei antigo. É impressionante!

The Natural History Museum: Lá você encontrará uma vasta coleção com mais de 70 milhões de itens relacionados às ciências da vida e da terra e uma exposição permanente de esqueletos de dinossauros além de um jardim com várias espécies vegetais de todo o mundo. Há também uma biblioteca que inclui livros, jornais e manuscritos, além de coleções de arte, pedras preciosas e joias do mundo inteiro. Tudo lá me impressionou, mas o que eu achei o maior barato foi ver aulas de História e Biologia (assim como no British Museum) acontecendo in loquo.

Módulo Lunar - by Lucas Berto
The Science Museum: Tem, espalhada pelos seus sete andares, uma coleção de mais de 300,000 itens de valor histórico e científico que vão te deixar fascinado. Lá, por exemplo, você poderá ver a locomotiva Rocket, o primeiro motor a jato, o primeiro torno mecânico moderno, o módulo lunar, além de vários manuscritos médicos e científicos, entre outras coisas interessantíssimas.

Tate Modern: Situa-se na antiga central elétrica de Bankside, por isso não tem aquele aspecto clássico dos prédios dos outros museus. Lá você verá arte moderna de grandes pintores e escultores do mundo inteiro. Quando tiver terminado a excursão pelos andares do museu, dê um passeio ao redor do prédio. Tem umas ruas com pubs e restaurantes populares bem legais.

National Gallery: Situada na Traffalgar Square, aqui você verá quadros clássicos dos maiores artistas da Europa e do mundo expostos por várias salas. A arquitetura do local é uma atração a parte. O lugar é um daqueles que imediatamente convidam você à contemplação. Eu passei horas lá sem me cansar.

Imperial War Museum: Foi fundado durante a Primeira Guerra Mundial em homenagem aos britânicos que haviam perdido a vida na guerra. Hoje tem várias exposições de armas, aparelhagem e imagens das várias guerras ocorridas no mundo desde então. Quando estive lá havia uma
exposição sobre os judeus mortos durante a Segunda Grande Guerra na qual, além de podermos ver objetos (como sapatos e roupas dos mortos pelo regime nazista nos campos de concentração), ainda podíamos assistir a vídeos com depoimentos e cenas jornalísticas da guerra – cenas extremamente emocionantes.

Hyde Park: Um dos mais belos parques do mundo, corta o centro de Londres e tem, durante o ano inteiro, várias atrações culturais como shows de grandes artistas mundiais. Há também a opção de alugar pedalinhos para passear no lago, sentar-se num café para admirar a vista, etc. é adjacente ao Kensington Gardens (aqui foi filmado “Em busca da Terra do Nunca”), junto com o qual se tem uma área verde que vai de Queen’s Bay até o Castelo de Buckingham. No período de férias há até um parque de diversões e feira artesanal montados lá.

Palácio de Buckingham: O barato aqui, além do jardim florido e da arquitetura, é assistir à troca da guarda. No entanto, é preciso ficar de olho no calendário, pois esta acontece apenas uma vez na semana em hora definida. Você encontra a tabela com os dias e horários aqui: http://www.changing-the-guard.com/dates-times.html

Traffalgar Square: A praça mais famosa de Londres fica no centro da cidade e tem esse nome por conta da vitória dos ingleses na Batalha de Traffalgar. De lá se pode ir para diversos dos pontos turísticos mais famosos de Londres e Westminster caminhando por poucos minutos (aliás, pode-se fazer tudo no Centro de Londres apenas caminhando).

Abadia de Westminster - by Lucas Berto
Abadia de Westminster, Big Ben, Parliament House: Partindo de Traffalgar Square, sentido sul, chega-se a Westminster, onde você encontra de uma só vez, os três monumentos mais famosos da Inglaterra. Em frente ao Big Ben tem um mercadinho onde se pode comprar lanches baratos.

Picadilly Circus, Leicester Square, China Town: Subindo a Traffalgar Square pela direita da National Gallery, chega-se ao Picadilly Circus em menos de cinco minutos. O lugar é rodeado por bares, restaurantes e teatros. É o centro fervilhante da cidade. No meio do caminho, você encontrará a Leicester Square (próximo à Leicester Square, há uma churrascaria brasileira chamada Preto. Rodízio muito bom e com preço legal), e, subindo mais um pouquinho o Noel Coward Theatre (onde você poderá ver peças com grandes atores britânicos como Jude Law de graça! Basta apenas enfrentar a fila para os ingressos gratuitos) e a China Town de Londres.

St James Park 
Charing Cross Road: Próxima à Leicester Square, aqui você encontra uma rua inteira especializada em livros usados. São livrarias e livrarias de tesouros literários com valores maravilhosos! Meu interesse aqui começou por conta do livro/filme “Nunca Te Vi, Sempre Te Amei” – “84 Charing Cross Road”, em inglês. A história de Rua Charing Cross (Road) é muito interessante também.

Quando a mulher do Rei Eduardo I, Leonor de Castela, morreu em 1290, seu corpo foi transportado para a capital do país. A jornada demorou mais ou menos três semanas e o rei enlutado erigiu 12 cruzes ao longo do caminho em memória dela. A última parada do caixão foi a vila de Charing, onde hoje é a Traffalgar Square e que ficava exatamente entre as cidades de Londres e Westminster. Os monumentos de Charing Cross, no entanto, foram demolidos pelos puritanos no século 17.

The London Eye, The London Bridge, The Shakespeare Theatre: Todos no Centro de Londres, são atrações que todo turista tem de ver. O London Eye é uma imensa roda gigante inaugurada no ano 2000 para as celebrações do milênio. De lá tem-se uma visão magnífica de toda a cidade. Fica à beira do rio Tâmisa, ao lado oposto do Big Ben, entre a Ponte de Londres e o Teatro de Shakespeare. (Paga-se uma taxa para o London Eye).

Notting Hill: O lugar é um dos mais charmosos de Londres. Fica na região centro-oeste da cidade, próximo ao “final” do Hyde Park. A maioria das casas são no estilo vitoriano e aos sábados acontece a feira de antiguidades, artesanato e alimentação. Durante o verão, lá acontece o carnaval de Londres. Vale a pena conferir.

Durante todo o ano acontecem exposições e atrações em Londres. Consulte aqui para mais informações: http://www.timeout.com/london

ENGLISH VERSION

"Why, Sir, you find no man, at all intellectual, who is willing to leave London. No, Sir, when a man is tired of London, he is tired of life; for there is in London all that life can afford." 

Only by walking the historic streets of London, with its sturdy buildings, its imposing architecture, its magnificent churches, its pier by the Thames, it's monuments, squares and parks can we fully understand the words which start this text by writer Samuel Johnson. London has it all residents and tourists seek to see, experience and enjoy. There you have everything at hand and there's no lack of things to do. The place seems to have been designed to cater to different kinds of people and their individual needs.
Plataforma 9 3/4 - By Lucas Berto

Thus, we can take advantage of a dazzling array of things to do, which go from visiting places that exude peace, the desire for contemplation, the calling for self-knowledge, to the hectic, thriving cultural and artistic scene, which pervades everywhere one goes as an invitation to fun and entertainment through paths lit by colorful, almost epileptic, shining lights, which make the English capital city be on a par with the City of Lights, or perhaps be itself the City of Lights.
London and Westminster (what we commonly call "London" are actually two cities!) are places which everyone who has read some of the world’s classical books such as "The Picture of Dorian Gray", "Dracula", "84 Charing Cross Road", etc., or watched movies like "Last Chance, Harvey", "Closer", "Notting Hill", "Sherlock Holmes", "Love Actually", "Harry Potter", among others, are familiar with. 

Who doesn't remember (even if you have never been there) the red double-deckers, or the red telephone booths; who doesn't recognize the Big Ben or Piccadilly Circus? - a handful of people, I suppose. The feeling of familiarity that wraps us while we walk through the streets and see the famous black cabs, when we observe the Queen's Guards, in their huge tall hats, so concentrated to the point of not even blinking, or the men and women in long overcoats holding their umbrellas, make us practically be transported to some or several stories that we've read, seen, and idealized. 

Traffalgar Square
London and Westminster, to me, are romantic places (much more than Paris!), which are sophisticated and full of a unique energy, so peculiar that it's capable of making us fall head-over-heels in love with it, and giving us the feeling that everyone, at least once in their lifetime, should peregrinate there. 

When I was studying in Dublin, I took advantage of being less than an hour from England and the amazing fares of Ryanair (you can find tickets for only 5.00 euros! The most expensive fares that I saw were in the neighborhood of incredible 19.99) and took a trip to that lovely country. 

Another piece of very important information is that travelers on flights from Ireland don’t go through immigration, in other words, you leave the airplane right to the streets of London without the need of a visa or of spending countless hours answering those horrible immigration questions!

Below you'll have a very short list for what to do and see - for free! - in London and Westminster:

The British Museum: One of the oldest museums in the world, it has a vast collection of objects and crafts, many of which we saw and studied in books and our history classes such as the Rosetta Stone, Egyptian mummies, sculptures and statues of ancient kingdoms, etc. One of the most impressive things to me was an immense room whose walls were made with the actual walls of a Persian temple telling the story of a king’s hunt for lions. It’s amazing!

The Natural History Museum: There you’ll see a vast collection of more than 70 million items related to the sciences of Life and the Earth, and a permanent exhibit on dinosaur skeletons, as well as a Garden with various species of plants from around the world. There’s also a library where you’ll find books, newspapers and manuscripts, besides art, precious stones and gems from around the world. Everything was impressive there, but the coolest thing to me was see the kids having History and Biology classes (just as I saw at the British Museum) there, seeing the actual thing.

The Science Museum: It has, throughout its seven floors, a collection of more than 300,000 items with great historic and scientific importance that will amaze you. For instance, you’ll be able to see the first locomotive Rocket, the first jet engine, the first modern lathe, the lunar lander, besides a number of medical and scientific manuscripts, among other very interesting things.

Tate Modern: Located at the former Bankside Power Station, hence it doesn’t have that classical aspect of the museums and galleries. There you’ll find modern art by great painters and sculptors from around the world. When you’ve done with the excursion through the many floors of the gallery, take a walk around the outside part of the building, there are streets where you’ll find pubs and neat popular restaurants.

National Gallery: Situated at Traffalgar Square, here you’ll have exhibits of classical art from Europe and all the planet. The architecture of the building is an attraction apart. The premises are one of those that invite you to immediate contemplation. I spent unweary hours there.

Imperial War Museum: It was founded during the World War I as a tribute to the British who died in the war. There are many exhibits of weaponry, war equipment such as tanks, planes and cars, and images/videos of thewars which have taken place since then. When I was there, they were showing an exhibit on the Jews killed by the Nazi during WW2. Not only can we see objects (as shoes and clothing worn by the prisoners killed in concentration camps), but we can also watch actual footage of survivors and reports from the time – it was extremely moving.

Hyde Park: One of the most beautiful parks in the world, it cuts the central part of London, and holds, throughout the year, various cultural shows and concerts of a range of world-known musicians.

There’s also the option of renting a paddle boat during the summer and spring to go around the lake, or sit at one of the cafés to just unwind and watch the view. It’s adjacent to another park, Kensington Gardens (where “Finding Neverland” was shot). Both of them together comprehend the area from Queensbay to Buckingham Palace. During vacation time there is a carnival there with many rides and crafts/food stands.

Buckingham Palace: The cool thing about it, besides the flowered Garden and the architecture, is to watch the change of the guard. However, it’s necessary to pay attention to time and dates, as it happens only once a week and at scheduled time. Find more about it here: http://www.changing-the-guard.com/dates-times.html.

Traffalgar Square: This is the most famous square in London, it’s at the city Center and has that name because of the English victory at the Traffalgar Battle. From there you can walk to many other tourist attractions and sights in London and Westminster in just a few minutes (You can actually go everywhere in the City Center just walking).  

London Eye - By Lucas Berto
Westminster Abbey, Big Ben, Parliament House: From Traffalgar Square, southward, you get to Westminster, where, at once, you find the three most famous monuments in England. Opposite the Big Ben there’s a minimarket where you can buy snacks for reasonable price.

China Town - By Lucas Berto
Picadilly Circus, Leicester Square, China Town: Going up the right-hand side of the National Gallery, one can get to Picadilly Circus in less than five minutes. 

The place is surrounded by cafés, restaurants and theaters. It’s the high-key part of town. On the way, you’ll also find Leicester Square (next to Leicester Square there is a Brazilian steak house called Preto. They have reasonable price) If you go up a little more, you get to Noel Coward Theatre (where you can see plays with great British actors, such as Jude Law, for free! You just need to line for the free tickets), and the China Town of London.

Charing Cross Road: Next to Leicester Square, here you find a whole street specialized in second-hand and antiquarian bookshops. There are a lot of bookstores full of literary treasure for very good price! My interest in the place began with the movie/book “84 Charing Cross Road”. 

But the story of Charing Cross Road is in itself very interesting. When King Edward I’s wife, Eleanor of Castile, died in 1290, her body was carried to the capital. The journey took nearly three weeks and the grieving King erected 12 crosses along the way in memory of his wife. The last stopping point was between the cities of London and Westminster, at the village of Charing, where now Traffalgar Square is located, the Charing Cross monuments were destroyed by the puritans in the 17th century.  

Shakespeare Theater - By Lucas Berto
The London Eye, The London Bridge, The Shakespeare Theatre: All of them at London City Center, are must-see attractions. The London Eye is a huge Ferris Wheel opened to the public in the year 2000 to celebrate the millennium. From there you can have a wonderful view of the city. It is located on the south bank of the River Thames, opposite the Big Ben, between the London Bridge and the Shakespeare Theater. (You have to pay an admittance fee for the London Eye experience)

Notting Hill: One of the most charming places in London, it’s situated in the center-west region of the city. Next to Hyde Park. Most of the houses there are Victorian Style and on Saturdays the place holds the famous Porto Bello Road Market. It also hosts the annual Notting Hill Carnival in the summer.  

Many exhibits and cultural events are held in London throughout the year. For further information, check this site: http://www.timeout.com/london

Londres ao pôr do sol

Devo confessar que nesta altura do campeonato não vi sequer um jogo da Copa do Mundo na Rússia. Eu sei, o Brasil está em polvorosa, ca...