quinta-feira, março 27, 2014

O que fazer em Dublin - Irlanda / What to do in Dublin - Ireland

 (VIDEO SUBS IN ENGLISH)
 

Vista de Dublin ao entardecer - outono 2014
Embora seja a capital da República da Irlanda e uma cidade totalmente cosmopolita - andando pelas ruas, em três minutos, você consegue ouvir uma variedade incrível de línguas de todos os continentes -, Dublin tem uma população de pouco mais de 500 mil habitantes e é um lugar onde as pessoas ainda são cordiais, atenciosas e onde o antigo e o moderno dividem espaço, harmoniosamente, entre si.
 
Daí, não haver falta do que fazer quando você estiver pela cidade. De restaurantes a cassinos (eles são legais na Irlanda); de parques a cinemas; de museus gratuitos a teatros de importância histórica, a praias; de castelos a igrejas; de ruinas antiquíssimas a galerias de Arte Moderna; de cafés à beira do Liffey a pubs no Temple Bar, a montanhas e colinas de tirar o fôlego. Basta apenas fazer sua escolha: Dublin (e a Irlanda) tem tudo isso e muito mais.
 
Fundada pelos Vikings - que lhe batizaram Duibh Linnia, significando piscina negra, por conta da encontro dos rios Liffey e Podle -, invadida pelos normandos, conquistada pelos ingleses, Baile Átha Cliath, ou a Cidade de Dublin, é um caldeirão cultural cheio de diversão e entretenimento onde moradores e turistas se encontram para compartilhar a vida de forma inesquecível.

Listo, abaixo, lugares obrigatórios para quem visita Átha Cliath, Dublin:
 

Vista da O'Connell Street com Spire ao fundo
City Center /Sity Sentâr/: No centro de Dublin, o visitante encontrará tudo. Uma vez que você estiver na O'Connell Street, que é a rua principal do Centro, os lugares para ir e coisas para fazer abundarão. Como referência, você pode ter o Spire, que é uma grande agulha encravada no centro da O'Connell e que se tornou o ponto de encontro para turistas, jovens e traficantes (fique ligado/a no pessoal de moletom com cara de zumbi). Daí, fica mais fácil se nortear e encontrar seus amigos para iniciar o passeio.
 
Se você se posicionar de frente ao Spire , com a estátua de O'Connell às suas costas, você terá à direita a Talbot street, onde há uma estátua de James Joyce, lojas, restaurantes e mercados; e à esquerda a Henry Street, onde você encontrará lojas de roupas a bom preço - mesmo as de renome internacional, como GAP -, flores, camelôs e shopping centers (Illac, Jervis).
A O'Connell é uma rua larga com um canteiro central pavimentado e com bancos e bancadas para sentar, comer e conversar. Em ambos os lados da rua você encontrará Fast-Foods, restaurantes, lojas de roupas e calçados, farmácias, bancos, casas de câmbio, Informação Turística e um cinema.

Pátio da Trinity College
Trinity College: Partindo da O'Connell St., com as costas na direção do Spire, é só você atravessar a Ponte O'Connell (atração histórica construída em 1880) e seguir sempre em frente pela Westmoreland Street até a College Green St. O que há de tão interessante para visitar numa universidade?

Livro de Kells - Abertura do Evangelho de S. João
Bem, primeiro é a universidade mais antiga da Irlanda, fundada em 1592, e, por isso, importantíssima tanto por razões históricas quanto arquitetônicas. Lá também você encontra o livro de Kells - considerado a peça principal do cristianismo irlandês, é um dos mais suntuosos manuscritos ilustrados da antiguidade, feito por monges no ano 800 depois de Cristo. Escrito em Latim Antigo contém os quatro evangelhos canônicos, ilustrações e iluminuras coloridas.
Além disso, a biblioteca da Trinity College com seu riquíssimo acervo, também serviu de cenário para ambientar algumas cenas do filme Harry Potter.
Ainda no Trinity College, os interessados em arte encontrarão uma galeria cujo acervo é maravilhoso.

Saindo da Trinity, você pode seguir pela Grafton Street, onde encontrará várias lojas de grifes internacionais e locais, assim como restaurantes e fast-foods. No entanto, a atração principal dessa rua são os chamados Buskers. Artistas extremamente talentosos que passam o dia e a noite regalando os transeuntes com sua arte que varia desde shows de música até street dance, passando por esculturas de areia. Vale a pena gastar algum tempo caminhando pela Grafton, não só pelos Buskers, restaurantes e lojas, mas também pelas faixadas dos prédios antigos.

Entrada do Saint Stephen's na saída
da Grafton Street
Saint Stephen's em dia de sol
Parques: Seguindo direto pela Grafton, você sai de frente ao Saint Stephen's Green. Um parque criado em 1663 por ordem real e que hoje existe como um dos locais favoritos para quem está no centro da cidade e quer relaxar, almoçar ao ar livre, estudar, ou apenas tomar um sol quando o tempo abre. O Saint Stephen's tem imenso valor histórico, uma vez que foi tomado pelos rebeldes durante a Revolta da Páscoa como reduto da resistência irlandesa contra os ingleses, em 1916. Outra grande atração deste parque é a enorme variedade de aves aquáticas que se encontram lá. Desde patos e gaivotas até cisnes e galinhas
St Stephen's Green no outono
d'água, dentre outros. Uma observação a esse respeito deve ser feita, no entanto: se você for ao parque para um lanche na relva ou nos bancos, tome cuidado com os pássaros - pombos e gaivotas se acercarão de você e muitos deles tentarão roubar sua comida. Eu mesmo vi uma gaivota roubando o sanduiche de um rapaz que estava distraído sentado no banco ao meu lado. Aproveite, ao sair do St Stephen's, para olhar os prédios ao redor. As faixadas vitorianas, embora não sejam originais, são muito interessantes de observar. Entre os prédios, embora de arquitetura moderna, está o Saint Stephen's Green's Shopping Centre. É uma boa opção também.

Outro parque maravilhoso é o Phoenix. Ele está um pouco distante do centro, mas ainda assim você pode ir andando - e aproveitar para caminhar pelas ruas tranquilas da cidade e observar as várias pontes e faixadas das casas e edifícios ao redor. Se você preferir não ir a pé, volte à O'Connell Street e pegue o ônibus número 66 (ou então vá aqui: http://www.dublinbus.ie/en/Route-Planner/Route-Planner/ ) e planeje sua rota.
O Phoenix é o maior parque urbano da Europa, um lugar para você andar, sentar, fazer piquenique, jogar futebol, correr, pedalar (você pode alugar uma bicicleta) e visitar o zoológico que fica no centro do parque. Se você preferir, pode sentar-se num dos bancos e esperar que os cervos se aproximem. Eles andam livres por lá.

Esses são os dois mais importantes. Mas você pode ir a outros parques também, há inúmeros deles espalhados por toda a cidade.


National Museum - Archeology
National Museum - Archeology
Museus e Galerias de Arte: Todos os museus e galerias em Dublin são gratuitos. Isso significa que você pode ter um dia de descobertas e cultura clássica. Eu visitei a maioria deles e recomendo todos. O Museu de História Natural, por exemplo, tem mais espécies de animais empalhados do que o de Londres. O acervo é riquíssimo. E não só isso, é agradável andar pelas salas, onde o material está disposto com toda a informação a respeito do objeto observado em inglês e gaélico. Para chegar lá é fácil. Estando no Saint Stephens', é só você pegar a direita e ir andando.  Se estiver no Trinity College, é só sair pelo portão de acesso à Kilkenny Street e pegar a rua em frente (as ruas são bem sinalizadas com indicação de lugares importantes a visitar). No museu de Arqueologia, há múmias de milhares de anos antes de Cristo, torcs, sapatos de madeira, canoas, jóias, relicários, e tantos outros artigos de curiosidade para quem gosta de história.


National Museum - História e Artes Decorativas
Mas o melhor de tudo é que todos eles estão no centro a uma distância relativamente pequena um do outro. Quando estiver em Dublin, faça questão de visitar: O National Museum of Ireland: Arqueologia; Artes Decorativas e História; História Natural; Arte Moderna. Vá também ao Wax Museum (museu de cera) - que fica próximo ao Trinity College, ao lado do Bank of Ireland. Vale a pena também conferir o Writers' Museum (subindo a O'Connel com a Parnell), o Veleiro Jeanie Johnston e o Museu da Fome, a Galeria Nacional da Irlanda, Dublinia, e tantos outros (veja mais opções de museus aqui: http://www.tripadvisor.com.br/Attractions-g186605-Activities-c49-Dublin_County_Dublin.html#TtD).
 

Região do Temple Bar
Pubs e Dance Clubs: Visitar Dublin e não ir a um pub irlandês é a mesma coisa de visitar Salvador sem subir o Elevador Lacerda. Por todos os lugares aonde você passar haverá um pub aberto especialmente para você. Seja ao longo dos Quays como The Bachelors Inn e The Workman's Club, ou na região do Temple Bar como o Fitzsimons, O'Neil, The Quays Bar, ou The Temple Bar  (há inúmeras outras opções, mas eu pessoalmente recomendo esses), o ambiente é alegre, descontraído e as pessoas extremamente respeitadoras. Nesses lugares você vai ouvir música ao vivo - irlandesa tradicional e algumas vezes músicas pop ou rock conhecidas - enquanto toma um pint de Guiness ou outra marca de cerveja irlandesa - você também pode tomar água (que é gratuita), refrigerante ou algum cooler, como Smirnoff ice, etc. O pint de Guiness vai variar de 2.5 a 6 euros dependendo do dia e local.
Já os dance clubs estão espalhados pela cidade. Próximo a região do Temple Bar, na George Street, há o The George (para o público LGBT - e geralmente frequentado por homens acima dos 45) e o The Dragon (também para o público LGBT - embora pessoas de todas as orientações sexuais se juntem lá para curtir o som e a
noite). Próximo ao Saint Stephen's Green, seguindo direto pela lateral do parque, você encontra o D2 e, ao lado oposto, o Dicey's. Este último é o reduto de estudantes brasileiros às terças à noite - também conhecidas como Brazilian Night -, nesse dia o pint de Guiness custa 2.5 euros e se ouve música brasileira mixada junto com músicas internacionais. Se você preferir, pode ir ao Dicey's no sábado, há pouquíssimos brasileiros nesse dia, mas um pint custa 6 euros. Um pouco mais afastado do centro, há um dance club chamado The Village, também muito bem frequentado e com música bacana.

SLANTÉ - "SAÚDE"
Há uma observação a ser feita, porém: os seguranças, chamados bouncers, podem não permitir sua entrada se você não estiver vestido/a apropriadamente (geralmente a entrada de pessoas vestindo jeans e camiseta e calçando tênis e sandálias (femininas) não é permitida) ou se eles acharem que você está bêbado/a. Não adianta insistir, os caras não permitirão sua entrada e pronto. Outra coisa a se chamar a atenção é que os menores de 19 anos geralmente não podem entrar em dance clubs. Às vezes eles permitem, às vezes não. Mas eles sempre irão pedir um documento de identificação - que pode ser seu passaporte, sua carteira de motorista, ou RG brasileiro. Sem problema.

Mas o melhor de tudo isso na noite de Dublin é fazer amigos!

Se vocês tiverem alguma dica legal, me avisem ;)

VISITEM: www.marciowaltermachado.com.br
 

quarta-feira, março 12, 2014

Conheça São Bento do Sapucaí na Serra da Mantiqueira Paulista

 
São Bento do Sapucaí é uma pequena cidade localizada no coração da Serra da Mantiqueira, uma região montanhosa com muitos atrativos naturais como cachoeiras e mirantes, além de um cultura bem peculiar com destaque para a gastronomia da roça com influência da cozinha mineira de fogão. 

O principal ponto turístico em São Bento do Sapucaí é justamente um complexo de formações rochosas chamado Pedra do Baú, situado bem na divisa com Campos do Jordão. Além da Pedra do Baú, no local ainda estão situados outros mirantes chamados de Ana Chata e Bauzinho. Do topo deste mirante é possível ter uma vista panorâmica belíssima da região, incluindo outras cidades e até regiões distantes como o Vale do Paraíba.

O setor gastronômico de São Bento do Sapucaí conta com restaurantes de alta qualidade como é o caso do Taipa, que serve comida mineira da roça em fogão a lenha. O Taipa além de oferecer comida saborosa, ainda conta com ótimo atendimento. Outra ótima opção de restaurante é o Sabor Mineiro, situado no centro de São Bento, que abre pro almoço em sistema de self service e à noite atende como pizzaria. Outra boa opção é o restaurante Sabor e Arte que é especializado em pratos à base de truta e fica localizado bem abaixo da Pedra do Baú

O artesanato em São Bento do Sapucaí é outro importante ponto que vale a pena conferir. O bairro do Quilombo é um foco de grandes artistas que trabalham com matéria prima natural da região para desenvolver suas peças de extrema beleza e originalidade. Destaque para o artesão Ditinho Joana que esculpe suas obras em madeira representando diversas atividades de trabalho dos moradores da região.

As pousadas em São Bento do Sapucaí contam com ótima estrutura de acomodações e são quase sempre chalés independentes com varanda e vista panorâmica, e equipados com lareira, hidro e confortáveis camas box. Elas estão espalhadas pelos principais bairros de São Bento como o Quilombo, Paiol Grande, Centro e Serrano.

Para chegar até São Bento do Sapucaí vindo do Rio de Janeiro ou São Paulo, basta seguir pela rodovia Dutra até a altura da cidade de Taubaté, depois subir a serra pela rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro (SP-123) em sentido a Campos do Jordão. Depois tomar a entrada para Santo Antonio do Pinhal, atravessar a cidade e seguir sentido sul de Minas Gerais pela SP 50 até chegar em São bento do Sapucaí.

Informação sobre outros destinos no sudeste do Brasil acesse Roteiro de Turismo, site original desta matéria.
 
 

sábado, março 01, 2014

'TIS TIME TO LEAVE


(Versão em Português abaixo)

'Tis time to leave, my love,
While the drizzle still kisses the grass
And ravens caw, hoarsely, above
And seagulls fly over the Liffey
And lovers, ah the lovers!, exchange
Promises of eternity at the quays.

Many a day did I roam the streets, lonesome and wishful,
With the heart enrapt by the faces of strangers and their voices,
By the façades of ancient buildings, and the charriots with the horses
At Saint Stephen's and Merrion Square,
Unware of the brevity of time.

How painful it is to remember the brightness of summer
Or the rusty leaves in November blanketing the ground,
And know that in a few hours "farewell" will be the words last and final.
However, let's not forget the cold wind blow, the people going high and low
In their fast steps, or the chiming bells of old churches at sunset.
Let's not forget the tin whistles cries, or the bagpipes sound, or the music of the violin
Echoing around the pubs at Temple Bar, or the buskers and the parks and the mounts and the gardens.

'Tis time to leave, my darling,
While the gentle drizzle kisses the grass and the tears caress
Our faces, and our souls are young and full of faith
In the better days to come.
Let's us leave now with the spirit heavy with longing,
And yearning and bonding and everything we are going to miss,
Every dear kiss and hug and the memories that we've made.

'Tis now time to leave and pray that we meet at the quays again.


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É hora de partir, meu amor,
Enquanto a garoa ainda beija a relva
E os corvos grasnam, roucos, sobre as árvores
E as gaivotas voam sobre o Liffey
E os enamorados, ah! os enamorados,
Trocam juras de amor eterno sobre o cais.

Tantos foram os dias em que vaguei pelas ruas, só e melancólico,
Com o coração arrebatado pelos rostos de estranhos e suas vozes,
Pelas faixadas dos prédios antigos e pelas carruagens
Do Saint Stephens e de Marion Square,
Sem perceber quão rápido é o tempo.

Como dói lembrar dos céus de verão
E das folhas enferrujadas caindo ao chão em novembro
E saber que em poucas horas "adeus" será a última palavra dita.
Não esqueçamos, porém, do vento frio soprando contra as faces,
Das pessoas correndo daqui para ali em passos apressados,
E das igrejas antigas badalando seus sinos ao cair da noite.
Não esqueçamos do choro dos apitos de latão, as gaitas de foles a música dos violinos
Ecoando pelos pubs em Temple Bar; ou dos artistas de rua, dos parques dos montes e dos jardins.

É hora de partir, meu bem,
Enquanto a garoa suave beija a relva e as lágrimas nos afagam os rostos,
E nossas almas estão jovens e cheias de fé nos dias melhores que estão por vir.
Partamos agora com o espírito pesaroso, e cheio de desejo e apego pelas coisas
Das quais teremos saudades - todos os beijos ternos, e abraços, e lembranças que tivemos.

É hora de partir, agora, e desejar que nos encontremos pelo píer novamente.

VISITE: www.marciowaltermachado.com.br









domingo, novembro 24, 2013

Era mesmo do teu sorriso que eu precisava

Céu cinzento de tarde escura
Vento frio gelando a alma
De outono quase inverno a penumbra
E o deserto de caminhar por entre estranhos.

Nada é meu, nada me toma ou me arrebata
Nenhuma folha caída dança sobre a água
Nenhuma pétala esquecida, calada,
De uma árvore desnuda pelo vento.

A brisa gélida quase mata de tristeza, de saudade
E de mais todas essas metáforas que se escrevem em poemas.
Dias taciturnos, noites pálidas de estrelas cansadas
Cintilando tímidas na imensidade.

Eu ando só e paro quieto entre a multidão distante
Meus passos quais astros errantes buscando pelo que eu não sabia.
Eu paro quieto observando o vem e vai dos que andam por perto
Que partem sem saber ou sem ouvir ou sem ver o que de repente eu via.

Em meio aos estranhos de rostos duros, tácitos,
O teu sorriso plácido incendeia, ilumina, me conforta.
A pele clara, os dentes alvos, os lábios finos, tímidos,
Sorrindo para mim enquanto caminhavas, devagar, passando por mim, olhando para mim.
Era mesmo do teu sorriso que eu precisava.

Visite: www.marciowaltermachado.com.br





quinta-feira, novembro 07, 2013

Dublin, Irlanda, Intercâmbio - Texto 3 - alimentação

O filósofo Irlandês George Bernard Shaw uma vez disse que "não existe amor maior que o amor à comida". Se isso for verdade, então eu encontrei a resposta para os vários e-mails e mensagens no Facebook pedindo que eu abordasse o tema "comida e restaurantes" em Dublin. Então, hoje a gente vai falar sobre esse assunto tão importante e sem o qual (já disse Mr. Shaw) fica difícil ser feliz. 

Café da manhã tradicional - salsicha, calabresa, feijão,
ovo frito, bacon, presunto, champignon Irish muffin
(restaurante O'connel's - ambiente ótimo!)

Posso dizer que o centro de Dublin (e não só ele) é o lugar perfeito para os comilões e para os nem tão comilões assim. Aqui podemos encontrar restaurantes, lanchonetes e delicatassens para todos os gostos e para todos os gastos. É possível encontrar um bom café da manhã irlandês tradicional (e supercalórico) por 9 euros, o ubíquo Maccafé por 5 euros ou um simples café com leite + croissant por 2 euros.  Há também a opção de frutas (3 por 2 euros) e sucos ou chá para começar o dia e, quem sabe, encontrar alguém para uma boa conversa enquanto nos esquentamos do vento frio das manhãs locais. Dublin, aliás, não é uma cidade apenas para comer, mas também para encontrar gente do mundo inteiro, boa parte dela com um desejo enorme por conexão humana, de estabelecer contatos e amizades - basta puxar conversa.

Para quem não tem tempo de sentar e apreciar o café num restaurante, há também a opção de ir a um mercado (Tesco, Spar, Dunnes, Superquinn etc.) e comprar o que deseje já prontinho e comer no trabalho ou na escola, ou fazer seu próprio lanche em casa, o que, aliás, pode ser muito mais em conta. Por exemplo, esses dias eu comprei uma vara de pão francês (um metro de pão) por 1 euro + caixinha com 10 fatias de salame por 1 euro + mortadela de presunto
Tudo isso custou 16.71 euros
com 20 fatias por 2 euros. Resultado, o pão serviu de merenda por 5 dias. Para acompanhar o sanduiche eu fiz chocolate (3.99 a lata de 500 gr. no Dunnes) com leite em pó Ninho (8 euros a lata de 900 gr. no mercado asiático). No fim das contas, sai bem melhor você comprar os ingredientes e preparar sua própria merenda. Se você for do tipo que tem vergonha de comer na rua, que prefere gastar mais $ em vez de economizar fazendo seu próprio lanche em casa com as coisas que você já comprou para a semana/mês, não se preocupe, em breve você descobrirá que todo mundo aqui NÃO tem vergonha de comer em qualquer lugar (inclusive sentado na calçada ou aos pés dos monumentos e estátuas), e entenderá a importância de economizar dinheiro uma vez que hoje, neste exato momento em que eu lhe escrevo,  1 euro está custando 3.076 reais (segundo pesquisa que acabei de fazer no Google). 
 
Feijoada no Taste of Brazil

Mas nem só de pão o homem viverá. Viveremos também de feijão, arroz, carne, fritas e todo tipo de comida que já inventaram e, graças a Deus, trouxeram para Dublin com as levas de imigrantes de todas as partes do mundo que aqui resolveram aportar. Assim, você encontra na cidade restaurantes asiáticos, europeus, estadunidenses e, obrigado-meu-Pai-por-isso, brasileiros. O almoço tradicional irlandês é sopa com pão - é, isso mesmo, a sopinha que sua mãe faz toda a noite e você com sua cara de bolacha não quer comer -, a diferença é que a sopa é mais grossa que a brasileira regular, se aproximando mais do "caldo", na verdade. É boa, mas "não nos representa!", depois de uma hora sua barriga está roncando de novo.
 
Eu visitei quatro restaurantes brasileiros (o endereço está no final do post) e recomendo todos os quatro. A maioria dos funcionários é brazuca, extremamente atenciosa e a comida lembra o sabor reconfortante da comida de nossa casa  - por mais que estejamos aqui em intercâmbio, não tem brasileiro que se acostume a tomar sopinha com pão no almoço. Os restaurantes, apesar de todos terem comida boa, tem ambientes diversos.


Dessa forma, poderíamos dizer que o Samba, por exemplo, é um restaurante mais simples, com cara de um botequinho confortável e limpo num bairro popular. As pessoas estão mais descontraídas, não há música ambiente, a comida é servida ao modo self-service, (salada (3 ou 4 tipos) e acompanhamentos (feijão, arroz, farofa), exceto a carne que você escolhe e eles preparam na hora e trazem à mesa. Esse acompanhamento pode ser bife, frango, sempre fritos, strogonoff, etc. ) para estudante o prato custa 5 euros. Você serve o quanto quiser, mas não pode repetir.
 
O THE MEZZ funciona junto com um Pub irlandês e é um ambiente mais descolado. Embora não haja bêbados ou coisa parecida, e seja um lugar bem organizado e cujos funcionários são bastante atenciosos, porque funciona com um Pub talvez não seja um ambiente para crianças. A comida também é no estilo self-service para o básico (salada (há apenas dois ou três tipos), arroz, feijão, farofa) - você serve apenas uma vez o quanto você queira comer - e o funcionário serve o acompanhamento especial (strogonoff, lasanha, arrumadinho, carne, peixe, etc. dependendo do dia). Há música brasileira ambiente e o valor do prato para estudantes é 5 euros e as bebidas são servidas no bar do Pub.
 
O Boteco Brasil, apesar do nome, é muito refinado.  São quatro ambientes confortabilíssimos e de muito bom padrão. Os funcionários são muito atenciosos e a comida é muito boa. Funciona no mesmo esquema dos outros restaurantes: o buffet é aberto para a boa variedade de saladas (a maior entre todos), feijão, arroz, farofa e os acompanhamentos especiais são servidos por um funcionário. O valor para estudantes é 5 euros. Há música brasileira ambiente e eles também oferecem sobremesa - pudim, torta, creme, etc.
 
 
O Taste of Brazil tem um ambiente confortável e a comida é à la carte, por isso é o mais caro entre os quatro. Mas o ambiente é ótimo, o local confortável, e, não fugindo do padrão brasileiro em Dublin, os funcionários são atenciosíssimos. Eles, além de refrigerantes, café e cerveja, têm um menu de drinks. Não há desconto para estudantes, mas vale a pena gastar um pouco mais se você puder.
 
Todos as restaurantes citados funcionam a partir das 12:00 (o The Mezz às 12:30) para almoço e às 18:00 para janta. Aos domingos eles oferecem rodízio de carne (não tenho certeza quanto ao Taste of Brazil) e feijoada (o The Mezz tem feijoada aos sábados - é 8 euros mas você se serve quantas vezes quiser). Para ter o desconto de estudante é necessário apresentar a carteira provisória do seu curso ou a carteira de estudante feita pela Trinity College.


cozido de cordeiro no O'connell
Bem, isto dito, fica a janta. O prato típico da Irlanda é o cozido com carne de cordeiro que parece uma sopa brasileira, e é uma delícia, mas, se você não gosta de cozido, pode comer nos restaurantes brasileiros, fazer um lanche num fast-food ou cozinhar qualquer outra coisa. Pode aproveitar, inclusive, e dar uma passadinha no mercado e comprar comida congelada. Eu particularmente não janto à noite, apenas tomo uma sopa ou como umas frutas, mingau, ou o que der vontade. Geralmente não vou ao restaurante para isso, passo no supermercado.
Vi alguns vídeos na Internet em que as pessoas aconselham ir ao Tesco comprar comida, pois, segundo eles, é o lugar mais barato. Não é verdade. Os valores são muito variáveis, então é bom que você procure antes de sair comprando. Para frutas e verduras, eu prefiro ir à feira que fica entre a Parnel e a Henry Street. Lá você encontra bananas, por exemplo, sendo vendidas entre 8  e 15 por 1 euro (no mercado, a não ser que estejam quase podres, você encontra 5 por 2.5 euros ou mais). Então depende mesmo de você procurar. Eu sempre compro no Lidl, Dunnes ou Tesco e acho grandes variações entre os três. Às vezes é melhor comprar um produto em um, outro produto em outro pra economizar euro. Uma outra coisa barata aqui é água. Você encontra 2 litros variando entre 0.49 e 2 euros. Still Water significa que não tem gás. Você pode economizar em água bebendo da torneira da cozinha, a água é tratada, mas tem muito cloro e flúor, então o gosto é ruim, mas se você se acostumar, fica boa. Eu não consegui. Então comecei a comprar Dunnes Still cuja garrafa de 2 litros custa 0.69.
 
Vou deixando vocês agora, mas continuem mandando perguntas para o meu e-mail ou para a caixa de mensagens do Facebook.
 
Seguem os links dos restaurantes brasileiros: https://www.facebook.com/BotecoBrazildublin?fref=ts 
 
 
Se vocês gostaram das informações, compartilhem o blog. Valeu!!

 
 

domingo, outubro 13, 2013

Dublin, Irlanda, Intercâmbio estudantil (texto 2)

Tudo resolvido: desembarque em Dublin, malas na mão, fila de imigração, entrevista. Vejamos o que fazer agora.

 
Uma vez tendo passado pela imigração, é só sair em direção ao ventinho frio dos ares de Dublin. O aeroporto é razoavelmente grande, mas simples. Assim que você sai do desembarque os terminais de ônibus/táxi sorriem pra você. Se você sair no terminal 1, siga direto pelos portões, e na saída, desça à direita pela escada rolante. No terminal 2, siga em frente até sair de dentro do salão de desembarque. A tarifa de ônibus varia de acordo com o ponto onde você descerá. Para o Centro é geralmente 2.80 euros - portanto, é necessário que você diga ao motorista em que lugar da cidade você vai ficar e lhe pergunte quanto custa até lá (a pergunta é fácil: "how much to ...?" /ráu match tchu .../ - memorize os números em inglês -, eles, na grande maioria, são geralmente muito gentis e terão paciência para lhe dizer o valor número por número (alguns, no entanto, são muito impacientes). OBSERVE QUE NÃO HÁ A PROFISSÃO DE COBRADOR DE ÔNIBUS, daí você ter de depositar o valor exato em moedas no coletor eletrônico que fica ao lado do motorista. Depois disso, retire o tíquete à sua esquerda - se você depositar 3 euros em moeda quando a passagem for 2.80, por exemplo, no seu tíquete constará "refund due E20", significando que depois você poderá recolher o reembolso num lugar específico indicado no final do papelzinho.

É interessante notar que todos os ônibus têm painel eletrônico com o nome dos destinos passando em letras amarelas. Os pontos de ônibus também têm esses painéis indicando (em inglês e gaélico) o número do ônibus que passa por ali e em quanto tempo ele chegará - as palavras DUE/ANN significam que o ônibus já está no horário. Apesar de o tempo indicado nos painéis ser só aproximado, geralmente não há atrasos.


O táxi também é variável, mas até o Centro pode custar 30 euros - eles não têm taxímetro, mas o valor é regulado. Para informação sobre que ônibus pegar, consulte este site: http://www.dublinbus.ie/Route-Planner// é só entrar e digitar no espaço em "Where are you traveling from" = Dublin airport; e no espaço "Where do you wish to go", o seu destino - por exemplo, Parnel Street. O site lhe mostrará a rota e o número da parada de ônibus. Aproveite para olhar no Google maps 3D a rua do seu hostel, hotel, casa, etc. Você pode inclusive "sair passeando" pelas ruas e vizinhança para se acostumar ao ambiente, se familiarizar com os lugares por onde você passará, inclusive criando para si mesmo pontos de referência - foi só porque eu estava familiarizado com a área da casa onde ia ficar que consegui indicar ao taxista como chegar ao meu endereço, pois ele não sabia a rua onde a casa ficava.


Pelo Centro há cabines de informação espalhadas. Caso você necessite se localizar, é só chegar até lá, pedir um mapa (map /mép/) e dizer o nome da rua aonde você deseja ir. Os agentes são muito gentis e alguns até tentarão falar português com você - o número de brasileiros aqui é enorme! Eu costumo dizer que Dublin é nossa segunda casa, pois se escuta mais português na rua que inglês!

O Centro de Dublin é relativamente pequeno e você pode sempre se situar a partir de um monumento chamado Spire - é uma agulha gigantesca. Ela pode ser vista de várias partes da cidade.



Bem, agora que você já está acomodado, é começar a tratar da documentação. Os brasileiros não precisamos de visto para entrar na Irlanda ou outros países signatários do Acordo de Schengen. No entanto, se você vem estudar na Irlanda por mais de três meses, é necessário obter um visto de estudante e o número do GNIB (que é um documento obrigatório para todos os cidadãos que não fazem parte da UE). Seguem os detalhes abaixo:

Visto de estudante na Irlanda: Só quem precisa de visto é o estudante que ficará no país por mais de 3 meses - para um tempo inferior, só a autorização que é concedida por três meses ou pelo tempo exato do curso basta. Os estudantes que vêm no programa de 25 semanas (6 meses estudando, 6 meses trabalhando) necessitam do visto. Nos primeiros 6 meses você só pode trabalhar por 20 h semanais; nos 6 meses restantes você pode trabalhar até 40 h semanais (o salário aqui é pago por hora de trabalho, essa h geralmente varia entre 8 e 10 euros para trabalhos não especializados (kitchen porter, serviços gerais, arrumadeira, garçom, bartender...). Para obter o visto você vai passar por um processo de mais ou menos três semanas.

1o. É necessário (para estudantes que ficarão por mais de 3 meses) trazer consigo uma quantia mínima de 3.000 euros a fim de obter o visto e o n. do GNIB. Mas antes disso, você abrirá uma conta no Banco da Irlanda (vai chegar ao caixa, apresentar seu passaporte e carta da escola na qual conste  seu endereço - se você não estiver na residência estudantil d
a sua escola ou em homestay, pode pedir à escola que lhe dê uma carta onde conste o endereço para correspondência - e esperar entre 5 e 6 dias úteis para receber uma carta com o número da sua conta e no dia seguinte outra carta com seu cartão e senha).

2o. Após isso, você deve ir a uma agência do Banco da Irlanda e depositar seus 3 mil euros. No dia seguinte, você vai ao banco e pede um extrato de sua conta (Bank Statement) para provar que você tem os 3 mil disponíveis no banco. Esse extrato só chegará à sua casa após 5 dias úteis do pedido. Note que você só conseguirá o visto e o GNIB tendo em mãos: the letter of enrollment (carta de matrícula da escola), passaporte, Bank Statement (extrato bancário) e seguro médico obrigatório.

3o. Então, com tudo em mãos, você vai ao departamento de imigração e resolve sua vida. Você tem de chegar lá cedo, por volta das 7:00 da manhã, entrar na fila e esperar a senha. Eles lhe dizem que você dê um passeada e volte em duas horas - dependendo da época do ano em que você for, pode ser que fique na espera por 8 horas ou mais - eu cheguei às 6:50 e saí às 15:30 em outubro. Mas há os afortunados que chegaram lá à tarde e foram atendidos em 30 minutos em julho (dois, entre meus milhares de conhecidos).

4o. Você será chamado pelo número do seu tíquete. Vai para uma cabine onde apresentará ao agente da imigração os documentos necessários e um formulário com informações pessoais que você tem de preencher. Eles vão tirar uma foto sua e pedir que você aguarde ser chamado novamente. Após mais alguns minutos, vão te chamar numa sala onde tomarão suas impressões digitais (primeiro todos os dedos depois dedo por dedo) e coletarão sua assinatura. Você esperará por mais alguns minutos e recolherá seu passaporte e seu n. GNIB. Pronto, (quase) virou cidadão irlandês por um ano!

5o. Mas calma, ainda tem mais uma coisa para quem vai trabalhar: o PPS (Public Personal Service) que é tipo o nosso CPF e você só pode trabalhar (legalmente) tendo este número, a conta do banco e a autorização da imigração em mãos. Esse aqui é mais fácil de conseguir. No dia que você chegar, é só ir ao prédio do seguro social, retirar um formulário no serviço de informações, mostrar seu passaporte e endereço e esperar ser chamado pelo número que lhe darão. Lá, tirarão uma foto sua, lhe pedirão que preencha um documento com informações pessoais e duas perguntas de segurança, lhe mandarão pra casa e lhe dirão que espere por cinco dias úteis para receber o documento. (Atenção, você não precisa de falar inglês fluente para obter nenhum das coisas, mas, é bom que venha com pelo menos o básico para poder entender as informações).


Vou ficando por aqui hoje. Mais dúvidas, é só continuar enviando e-mail ou mensagem no Facebook.  Abaixo há uns links para serem visitados: http://www.garda.ie/controller.aspx?page=31   http://www.citizensinformation.ie/en/social_welfare/irish_social_welfare_system/personal_public_service_number.html
http://www.youtube.com/watch?v=xKTD31yOxeo&list=WL0huapFGpAnw7pgOPwc0oIvq3M03ZrbBE

E, é claro, visite: www.marciowaltermachado.com.br

Espero ter esclarecido as dúvidas. Até semana que vem.

terça-feira, setembro 24, 2013

INTERCÂMBIO NO EXTERIOR - PRIMEIROS PASSOS

Fiquei de começar a escrever sobre meu intercâmbio em Dublin, mas vou preferir começar do início, uma vez que muita gente que me pediu o post não sabe o que precisa para, como participar de, onde encontrar bons preços de intercâmbios.

O primeiro de todos os passos é tirar seu passaporte junto à Polícia Federal (entre no site da PF e veja onde, quanto, como e quando) FAÇA-O O QUANTO ANTES. Procure uma agência confiável, com referência no mercado e com experiência na área. Negócios particulares sempre estão no risco de quebrar, sair do mercado, etc. Mas sempre vale a pena procurar as agências conhecidas e/ou com referências - você pode, inclusive, pedir a seu agente o contato de algumas pessoas que participaram com eles de intercâmbios ou procurar o site da agência ou sua página no Facebook para ver o que as pessoas estão falando. Também é uma boa ideia visitar sites de reclamação para ver se agência não está na lista negra das queixas.

As agências vão te oferecer um leque de opções de países para estudar e de escolas ou cursos onde estudar (seja língua, arte, esportes, etc.). Depois disso eles irão te oferecer os pacotes que variam de uma semana a 1 ou 2 anos dependendo do que você queira estudar e de quanto dinheiro tenha para gastar.

As agências de intercâmbio (pelo menos as que eu procurei) cobram, por toda essa informação, um "valor módico" de aproximadamente $200 (algumas cobram em euro, outras em dólar - é, ninguém cobra em real), que você obrigatoriamente paga sem dividir. O resto do curso pode ser dividido entre 5 e 13 vezes dependendo da agência e de quando você irá viajar. É necessário lembrar que tudo tem de estar pago pelo menos 45 dias antes de sua viagem.

Esse "tudo" se refere à matrícula na escola/curso e seu respectivo valor total, o seguro obrigatório de viagem que a agência vai te oferecer ou que você pode adquirir por conta própria, o homestay (ficar em casa de família) ou acomodação estudantil - note que sai muito mais barato se você fizer reserva em albergue da juventude ou semelhante por pelo menos uma semana e depois procurar em sites especializados, páginas de Facebook e classificados, por apartamentos, pensionatos e quartos para alugar ou dividir. É uma economia muito grande, pelo menos de 1,000 reais.

Há também a opção de você negociar diretamente com a escola/curso - o valor será o mesmo, excetuando-se a taxa de consultoria, mas você não contará com o suporte de uma agência com pessoal especializado para te atender caso algo aconteça. Então, vá por uma agência e ajude a galera a ganhar comissão.

As agências te oferecerão passagens aéreas que poderão ter um desconto se tua idade for no máximo 30 anos, mas que - via de regra - só poderão ser divididas em 5 vezes. Eu preferi comprar na submarino.com, dividi de 10 vezes e economizei 2,500 reais. É obrigatório comprar as passagens de ida e volta. Geralmente os sites das empresas aéreas não oferecem a opção de mais de seis meses para retorno, ou seja, temos de comprar o retorno para seis meses (se formos estudar mais que esse tempo) e depois trocar a data da passagem no site (faça isso com no máximo 20 dias antes da data marcada no ticket.

Se você vier para a Europa, para algum país que não seja no Reino Unido, evite fazer escala em Londres. Eles são extremamente exigentes e você será submetido à mesma entrevista de alguém que vai ficar por lá. Amsterdam é sempre a melhor opção, ninguém vai te perguntar nada - geralmente - e você só passará pela checagem da bagagem de mão antes de ingressar no saguão de embarque, e outra antes de entrar no avião - uma vez que estiver no aeroporto para tomar o voo de escala, não perca tempo, parta direto ao portão escrito no seu ticket, pois os aeroportos são gigantescos. Eu gastei uns 15min andando até o portão de embarque no aeroporto de Amsterdam.

Bem, intercâmbio pago, passagens compradas, é hora de arrumar a mala. Lembre que você tem direito a uma franquia de duas malas de 32 quilos - se ultrapassar esse limite, você paga taxas - mais mala de mão (até 5 kg). Atente também que para voos domésticos a franquia muda, ou seja, talvez você precise se informar com a cia aérea do peso máximo em suas malas caso estas não sejam despachadas diretamente para o destino final.

O que levar então? depende do tempo que você ficará no país, mas mesmo que seja mais de seis meses, leve o mínimo possível, especialmente se você for numa época fria. Nesse caso, é super mais aconselhável comprar roupas no lugar onde você estará, uma vez que as roupas de inverno compradas no Brasil são para o inverno do Brasil e as mais quentes, térmicas, etc. custam o olho da cara.

Opte por levar o básico como:

MALA: 2 pares de sapato (um social e um tênis), um par de sandálias, 5 pares de meias, 7 roupas íntimas, 2 pijamas, 3 calças, 5 bermudas/shorts, dois pares de roupa de banho, 5 camisetas, 5 camisas (entre manga comprida e curta), dois moletons, 1 ou 2 casacos (que vc pode pôr em volta da cintura para usar no superfrio do avião), 1 ou 2 toalhas de banho e de rosto, perfume, xampu, condicionador, creme de barbear, remédios (leve os remédios que você pode utilizar dentro de suas embalagens originais e com a receita de seu médico. Se forem remédios controlados ou cuja substância não seja permitida no país aonde você vai, peça uma carta do seu médico em inglês ou na língua do país em que você fará seu intercâmbio, atestando sua condição médica. NÃO DEIXE DE LEVAR REMÉDIOS pra gripe, infecção intestinal, dores e alergias, pois só poderá comprá-los com receita e para obtê-la, só se consultando) - no aeroporto você pode embalar a mala para evitar danos a ela. Fotografe-a quando estiver despachando a mala, pois caso haja algum dano, arrombamento, etc. você poderá requisitar ressarcimento por isso. Ponha também, dentro da bagagem, em cima da roupa para ser logo vista caso a mala seja aberta, uma cópia de seu passaporte com endereço no Brasil e no exterior para onde sua mala poderá ser enviada em caso de extravio.

NECESSAIRE TRANSPARENTE: escova e creme dental, pente/escova, perfume (menos de 60 ml), desodorante (menos de 60 ml), absorvente (dentro da mala de mão - a viagem é longa).

MALA DE MÃO: câmera, filmadora, laptop, Ipod, etc. e seus respectivos cabos - se vier para a Europa, compre um adaptador universal, especialmente para a Irlanda e Reino Unido onde as tomadas são totalmente diferentes (eu tive de comprar um cabo novo pro meu laptop e um adaptador para minha câmera), uma muda de roupa, documentos de valor, guarda-chuva pequeno e não pontiagudo. Você também pode levar instrumento musical, desde que possa passar pelo  raio X e ser acomodado no compartimento em cima do assento ou embaixo da poltrona.

LEMBRE: líquido até 1 litro tem de ser embalado e despachado na mala. Não é possível levar objetos cortantes ou perfurantes, inflamáveis e produtos com pelo animal, nem sementes ou plantas nativas - a não ser que você seja um cientista e tenha a permissão da polícia federal e do IBAMA -, nem frutas, carnes e/ou laticínios. Não viaje com drogas - barbitúricos, maconha, haxixe, álcool, cocaína, craque, etc. vão te causar o maior vexame e ainda te mandar para a cadeia por tráfico internacional de substâncias ilegais - o álcool está fora, mas há países em que você não poderá entrar com ele, e todos os países perguntam se você está transportando álcool.

Tudo pronto e arrumado, não se esqueça de fazer um check list com tudo o que você precisa de levar. Só feche as malas depois de conferir se está tudo em ordem. Não esqueça de comprar uma pochete para dinheiro - é bem fininha, você encontra até em lojas de esportes como a Centauro, onde eu comprei a minha por 30 pilas - há mais baratas, no entanto. Nessa pochete, que você prenderá ao corpo, ponha seu dinheiro, cartão de crédito e passaporte. Na hora de passar pelo raio X, ponha dentro da mala de mão e volte a prendê-la ao corpo.

Na Polícia Federal: você vai pegar uma fila na PF antes de entrar no saguão de embarque. O policial vai pedir seu passaporte e suas passagens e te liberar, apenas isso.

Na Imigração: não ouça o que as pessoas dizem a respeito da checagem na imigração. Às vezes eles invocam, às vezes agem como seus melhores amigos. Você só precisa se manter calmo, com todos os documentos em mão e apresentá-los à medida que forem requisitados. NÃO FALE NADA QUE NÃO FOR PERGUNTADO, ATENHA-SE A RESPONDER O QUE TE PERGUNTAREM.

Você precisa ter em mãos: passaporte, passagens de ida e volta (seu itinerário detalhado que a cia aérea vai mandar pro seu e-mail), comprovante de acomodação, carta de matrícula na escola, carta do seguro médico - se necessário: extrato do cartão de viagem ou o traveler's cheques, cartão internacional, holerite - geralmente não é necessário. Lembre-se que para a maioria dos países europeus não é necessário visto - cheque a necessidade de vistos com a embaixada do país.

As perguntas que te farão provavelmente serão: why are you here? (por que você está aqui?)/ what's the reason for your visit? (qual o motivo de sua visita?); how long are you staying? (quanto tempo você vai ficar?); where are you studying? (onde você vai estudar?); where are you staying? (onde você vai se acomodar?) - geralmente eles só perguntam se "você está aqui pra estudar" (are you here to study?) e pedem para você apresentar a carta de matrícula na escola. Passando daí, é tchau e bênção.

Abaixo seguem uns links que eu julgo podem ajudar a esclarecer mais:
http://www.ci.com.br/
http://www.egali.com.br/ 
https://www.facebook.com/edublinblog?fref=ts
http://www.reclameaqui.com.br/

Para viagens em geral: www.gabimoniz.blogspot.com.br

E é claro, visite: www.marciowaltermachado.com.br para literatura




sexta-feira, março 29, 2013

Iesus Nazarenus Rex Iudeorum

Estremeça toda a terra!
Ribombem os trovões no céu!
Ruja desde as profundezas o rei dos mares!
Raios vestais cortem os ares!
E que no templo - de alto a baixo –
Rasgue-se da separação o véu.


Desfolhai-vos oliveiras milenares!
- É de sangue o Cedron escorrente –
Chora ó portentoso Eufrates,
Derrama as copiosas lágrimas do Oriente.
Chora! Pois na cruz agora pende o teu Criador
- Deus feito homem, salvação das gentes –
É Jesus - nosso Senhor.



Por trinta moedas foi vendido
- Eis o preço de um beijo hipócrita –
Contado foi entre vis bandidos;
Cai a chuva – é a criação que chora.


No sinédrio ante a Caifás
Arrancaram-lhe as barbas co’as mãos;
Chamaram-no profeta falaz –
Ao grande Rei fizeram ladrão.
- Entre si dividiram as vestes suas -
Bradava triste o salmista nas ruas.


Ouve! Pilatos, que tua mulher foi alertada
- Viu sobre ele a glória de Deus –
Soube que não era culpado em nada,
Suplicou-te pelo rei dos hebreus.


- Quid es veritas Domine?
Foram as palavras de tua pergunta
- Por Sua glória encontravas-te confundido. -
Na presença daquela plácida figura
Eras Israel aos pés do Monte,
Eras Caim cobarde fugindo.


Trocado foi o Rabi por Barrabás –
A multidão delirante pedia por Seu sangue,
Pensavam ser Davi ante o Gigante –
Não sabiam que era Ele o príncipe da paz.


Coroaram-no com grossos espinhos
Castigaram-no com o maldito flagrum -
Ao Seu corpo todo dilaceraram,
Tornaram-no a salvação dos gentios.


Olha Israel! Pois na cruz pende o teu Redentor
- Os pulsos por cordas amarrados
Mãos e pés perfurados pelos cravos –
Soltando ao mundo o Seu urro de dor.


Pranteia Madalena! Com o brado esvaiu-se-lhe a vida
- O Mestre a cujos pés lavaste com perfume puro
Aquele que te perdoou com amor mais profundo –
Jaz morto sob aquela insígnia.


José – dai-lhe um túmulo virgem em vez de ungüento!
Tiago – chora por teu amado irmão nazareno!
Maria – sente a espada cortando teu coração!
João – eis o teu amigo sobre o madeiro cruento!


A natureza torna-se Briaréu –
A chuva cai como amargoso fel
Sobre o túmulo onde repousa o Messias.
O Filho do Homem sofrerá por mais três dias –
Sim! Era Ele o doce cantor de Israel,
Era d’Ele que falavam as profecias!


Então desponta! Aurora dominical
Pois aquele que morreu, agora ressuscita.
Trema a terra! Reluzam os anjos!
Desmaiem as sentinelas pela visão celestial!
Caia a seus pés a morte – vencida!


O sudário ao canto da câmara vazia
Nem parece que envolvia
O corpo da águia das eras.
- Havia descansado no seio da terra –
A rosa de Sarom agora ressurgia.


Vai Tomé, toca-lhe as chagas,
Lembra-te de quando acalmou o ímpeto das vagas –
Da tempestade fez calmaria.
Recebe em teu rosto o sopro da vida,
No pentecostes cumpre tua sina –
Espalha pelo mundo as novas d’alegria.

Sorriam os homens no caminho de Emaus
Cresçam os lírios nos ermos pauis
- Os vales se encham de vida –
Renove-se a criação no sopro suave da brisa.


Pedro, apascenta as ovelhas do Bom Pastor
Pois aquele que da morte ressuscitou,
É Jesus – o rei dos judeus,
É Jesus – o Deus Criador!

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Salada Caesar à moda Márcio Walter Machado






A salada Caesar é muito fácil, há vários blogs e vídeos na Net que você pode consultar. Eu usei a receita básica e incrementei com ingredientes que eu gosto. Ficou assim:






Ingredientes (quantidade ao seu gosto):
Alface (eu usei dois pés) devidamente lavados e higienizados;
Crouton que você pode comprar já pronto (eu preferi fazê-lo usando os pães que tinha em casa - inclusive panetone, pra dar um gosto diferenciado) - a quantidade é ao seu gosto, apenas tenha cuidado para não ficar desproporcional ao restante dos ingredientes;
Queijo (usei parmesão) cortado em cubos, dois punhados;
Champignon (usei meio pacote) cortados ao longo;
Azeitonas (usei meio pacote) lavadas em água filtrada para tirar o excesso de sal;
Uvas passas (pus um punhado);
Chester (usei dois punhados) cortados em cubo; (a receita original leva frango)
Meia manga rosa cortada em cubos;
Tomates cereja (pus um punhado) devidamente lavados e higienizados;
Cenoura (usei uma pequena) ralada;
Beterraba (usei uma pequena) ralada;
Molho para salada (usei mostarda, mel e vinagre balsâmico) - há o molho "Caesar" vendido nos supermercados;
Azeite de oliva.

Modo de preparo:
Corte as folhas de alface à mão, de forma irregular.
Corte o pão (é indicado o pão de forma. Eu, no entanto, usei de forma, de leite e Panetone) em pequenos cubos antes de levá-lo ao forno para assar (após assado o pão se despedaça). Não deixe torrar demais. Você também pode optar por comprar o crouton já pronto.
Ponha todos os ingredientes (exceto o crouton) numa saladeira funda e misture. Adicione o molho e o azeite de oliva necessários para dar gosto e umedecer a salada - cuidado com os exageros.
Adicione o crouton apenas na hora de servir para que não fique muito mole.Misture-o aos outros ingredientes. se necessário, adicione um pouco mais de molho e azeite.
Sirva e bon apetit.
A quantidade ds ingredientes que usei deu pra 4 (quatro) porções.

 
 

domingo, agosto 26, 2012

IN MEMORIAM - um desabafo

Podemos crer no que for do leque de opções que as várias religiões e filosofias nos oferecem; podem nos dizer o que quer que seja a fim de nos consolarem: as palavras mais maviosas e ternas, as mais racionais e concisas; podemos saber todo e cada detalhe das leis da biologia, da química e da física; podemos ser médicos, sacerdotes, filósofos ou qualquer que seja a ocupação que a sociedade nos ofereça para nos tornar capazes de compreender a vida e a morte. Mas o fato é: nada do que cremos, nada do que nos digam, nada do que saibamos, consegue aplacar a dor tão atroz que é perder um ente querido. 

Eu, particularmente, acredito na vida após a morte, na ressurreição dos mortos, na volta de Jesus e no Arrebatamento. No entanto, embora tenha o consolo de saber que aqueles que partem, partem para uma vida muito melhor, uma realidade "inefável" - nas palavras que João Ferreira de Almeida traduziu a São Paulo -; que aqueles que partem na verdade "não estão mortos, mas dormem no Senhor", não consigo deixar de ter essa sensação de que algo está em falta e que essa falta é permeada de dor; dum sentimento que comprime as entranhas e faz o peito arder numa aflição tão forte que às vezes é preciso gritar e fazer a pergunta retórica "por quê, meu Deus?". É claro que Deus não precisa de responder, pois sua resposta está na natureza. Desde a escola primária a gente aprende que "todo o ser vivo nasce, cresce, reproduz e morre" - foi o que minha professora Rita de Cássia Santana me ensinou na 1a série. Mas, face a partida de nossos amados, essa constatação natural é apenas esquecida e jogada no fundo do baú de nossas mentes. 

É de lá - do baú de nossas mentes - também que brotam as lembranças as quais nos fazem pensar que "ontem mesmo estava tudo bem, ontem mesmo conversamos, demos gargalhadas, trocamos confidências. Ainda ontem eu te ouvi rindo, ainda ontem eu te ouvi dizer que tudo estava nas mãos de Deus. Foi ontem mesmo que nos vimos, que sentamos juntos, que vimos o dia passar. Foi ontem".  Agora só resta o silêncio. Aliás, não o silêncio, mas as vozes de ontem - seja esse ontem o dia anterior ou o mês anterior ou ano anterior - que não calam e não nos deixam esquecer e que ecoam somente no recôndito de nossos pensamentos.

A velha lição de Ciências fica esquecida na nossa estúpida crença do super-homem, na negação diária da morte, na  ideia equivocada de nossa eternidade física, na protelação das visitas que devemos fazer porque um dia sucede o outro e tudo parece tão igual, tão imutável, ocorrendo bem conforme nossos planos, que nos esquecemos da premência, da urgência que é a vida, e temos o arrogante sentimento de que estamos no controle de tudo. Esquecemos a antiga lição do salmista que nos diz que a vida é como a flor soprada pelo vento, logo se desfaz. E é assim mesmo que vemos e sentimos ante a morte: a vida se desfaz no rosto marmóreo, nas feições inexpressivas, no rosto sereno de quem parece estar dormindo, mas que não acordará com nosso toque ou com nossa voz chamando o seu nome. 

Eu bem sei que nada é para sempre, que as pessoas podem nunca mais voltar - aprendi bem cedo, aos seis anos. Mas somos teimosos, não é? queremos a todo tempo nos prender com unhas e dentes na esperança de mais uns dias, mais uns minutos, de mais algum sopro de vida, de mais qualquer coisa que nos dê um tempo - o mínimo que seja - com aqueles do nosso convívio. No entanto ontem, quando a chuva caía forte, torrencial lá fora, ali dentro daquela capela mais uma vez eu pude ver o quanto nos iludimos com nossos quereres de eternidade, com a negação do óbvio, com a insensatez dos nossos sentimentos infantis. 

Ver minha avó, minha "voinha", coberta de flores dentro de um esquife de alças douradas, seu rostinho tão sereno como se dormisse e logo logo fosse acordar e dizer "Bate Báter" - conforme ela gostava de lembrar o modo de minha prima Michelle chamar meu nome (Márcio Walter) quando éramos crianças - e rir sua gargalhada gostosa como só ela tinha mesmo diante da tristeza; ver os rostos ali presentes, os semblantes de claro pasmo, de dúvida e descrença; ouvir dizerem "mas ontem mesmo ela estava tão feliz, conversando", foi uma das sensações mais tristes, desconsoladas, inconsoláveis que já tive. Afinal, a morte, a despeito de nossas crenças e do óbvio que é morrermos todos os dias, dói demais - e essa dor é tão física quanto metermos a mão com força no peito e arrancarmos de lá o coração com tudo o que há lá dentro: planos futuros, projetos presentes, recordações passadas. 

E essa sensação, persistente e insistente, parece que nunca vai passar. Eu sei que ela gostaria que esquecêssemos o luto, seu desejo seria que gargalhássemos e prosseguíssemos em vez de nos entristecermos e gastarmos tempo escrevendo textos catárticos. Mas como rir de verdade com a ferida recalcitrante no peito, como dizer "é só por um instante, em breve nos veremos" quando ainda a vida pode alongar-se por cinquenta, sessenta anos mais? Quem parte com Deus, parte feliz, diz o povo, mas nos deixa a saudade, a  constatação terrível de que nada está em nosso controle, de que a vida é um sopro e que os risos podem emudecer-se numa fração de segundos, que as alegrias podem desvanecer rapidamente e assim também que as mágoas, os sentimentos de poder, a arrogância recebem uma rasteira e se esfacelam no chão. 

Ontem, a partida de minha avó deixou em mim uma impressão muito forte, uma dor misturada com incertezas, com saudades, com raiva, com um quase desespero diante da impotência nossa. Mas também trouxe à tona a sensação de que é preciso fazer mais, de que é necessário e urgente rever a vida e dar valor as coisas mais importantes: o convívio dos nossos entes queridos, o repensar as prioridades, o esquecer pequenices, o doarmo-nos em todo o tempo; é preciso saber seguir. Seguir as palavras do Evangelho que nos alertam a viver "cada dia como se fosse o último" e nisso aprendermos a compartilhar mais, ouvir mais, viver mais. Pois, antes que esperemos, a vida pode contrariar nossos planos e aquilo que era para sempre se desvanecerá no vento.

Antes que isso ocorra, se lembre de agradecer. eu o faço novamente: obrigado, voinha, por me ensinar a andar de bicicleta, por me dar o gosto de tomar sorvete de chocolate misturado com sorvete de ameixa, por me forçar a comer peixe à escabeche, por me mostrar que a vida é pra ser gargalhada diante das tristezas; obrigado por me ensinar, de criança, a honestidade, obrigado pela severidade imbuída de amor, pelas correções e por deixar pequenas falhas passarem despercebidas. Obrigado pelas coisas simples e pelos ensinamentos profundos, obrigado por tudo e até àquele Dia. 


Criança sequestrada em 1988 procura família biológica

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