terça-feira, setembro 24, 2013

INTERCÂMBIO NO EXTERIOR - PRIMEIROS PASSOS

Fiquei de começar a escrever sobre meu intercâmbio em Dublin, mas vou preferir começar do início, uma vez que muita gente que me pediu o post não sabe o que precisa para, como participar de, onde encontrar bons preços de intercâmbios.

O primeiro de todos os passos é tirar seu passaporte junto à Polícia Federal (entre no site da PF e veja onde, quanto, como e quando) FAÇA-O O QUANTO ANTES. Procure uma agência confiável, com referência no mercado e com experiência na área. Negócios particulares sempre estão no risco de quebrar, sair do mercado, etc. Mas sempre vale a pena procurar as agências conhecidas e/ou com referências - você pode, inclusive, pedir a seu agente o contato de algumas pessoas que participaram com eles de intercâmbios ou procurar o site da agência ou sua página no Facebook para ver o que as pessoas estão falando. Também é uma boa ideia visitar sites de reclamação para ver se agência não está na lista negra das queixas.

As agências vão te oferecer um leque de opções de países para estudar e de escolas ou cursos onde estudar (seja língua, arte, esportes, etc.). Depois disso eles irão te oferecer os pacotes que variam de uma semana a 1 ou 2 anos dependendo do que você queira estudar e de quanto dinheiro tenha para gastar.

As agências de intercâmbio (pelo menos as que eu procurei) cobram, por toda essa informação, um "valor módico" de aproximadamente $200 (algumas cobram em euro, outras em dólar - é, ninguém cobra em real), que você obrigatoriamente paga sem dividir. O resto do curso pode ser dividido entre 5 e 13 vezes dependendo da agência e de quando você irá viajar. É necessário lembrar que tudo tem de estar pago pelo menos 45 dias antes de sua viagem.

Esse "tudo" se refere à matrícula na escola/curso e seu respectivo valor total, o seguro obrigatório de viagem que a agência vai te oferecer ou que você pode adquirir por conta própria, o homestay (ficar em casa de família) ou acomodação estudantil - note que sai muito mais barato se você fizer reserva em albergue da juventude ou semelhante por pelo menos uma semana e depois procurar em sites especializados, páginas de Facebook e classificados, por apartamentos, pensionatos e quartos para alugar ou dividir. É uma economia muito grande, pelo menos de 1,000 reais.

Há também a opção de você negociar diretamente com a escola/curso - o valor será o mesmo, excetuando-se a taxa de consultoria, mas você não contará com o suporte de uma agência com pessoal especializado para te atender caso algo aconteça. Então, vá por uma agência e ajude a galera a ganhar comissão.

As agências te oferecerão passagens aéreas que poderão ter um desconto se tua idade for no máximo 30 anos, mas que - via de regra - só poderão ser divididas em 5 vezes. Eu preferi comprar na submarino.com, dividi de 10 vezes e economizei 2,500 reais. É obrigatório comprar as passagens de ida e volta. Geralmente os sites das empresas aéreas não oferecem a opção de mais de seis meses para retorno, ou seja, temos de comprar o retorno para seis meses (se formos estudar mais que esse tempo) e depois trocar a data da passagem no site (faça isso com no máximo 20 dias antes da data marcada no ticket.

Se você vier para a Europa, para algum país que não seja no Reino Unido, evite fazer escala em Londres. Eles são extremamente exigentes e você será submetido à mesma entrevista de alguém que vai ficar por lá. Amsterdam é sempre a melhor opção, ninguém vai te perguntar nada - geralmente - e você só passará pela checagem da bagagem de mão antes de ingressar no saguão de embarque, e outra antes de entrar no avião - uma vez que estiver no aeroporto para tomar o voo de escala, não perca tempo, parta direto ao portão escrito no seu ticket, pois os aeroportos são gigantescos. Eu gastei uns 15min andando até o portão de embarque no aeroporto de Amsterdam.

Bem, intercâmbio pago, passagens compradas, é hora de arrumar a mala. Lembre que você tem direito a uma franquia de duas malas de 32 quilos - se ultrapassar esse limite, você paga taxas - mais mala de mão (até 5 kg). Atente também que para voos domésticos a franquia muda, ou seja, talvez você precise se informar com a cia aérea do peso máximo em suas malas caso estas não sejam despachadas diretamente para o destino final.

O que levar então? depende do tempo que você ficará no país, mas mesmo que seja mais de seis meses, leve o mínimo possível, especialmente se você for numa época fria. Nesse caso, é super mais aconselhável comprar roupas no lugar onde você estará, uma vez que as roupas de inverno compradas no Brasil são para o inverno do Brasil e as mais quentes, térmicas, etc. custam o olho da cara.

Opte por levar o básico como:

MALA: 2 pares de sapato (um social e um tênis), um par de sandálias, 5 pares de meias, 7 roupas íntimas, 2 pijamas, 3 calças, 5 bermudas/shorts, dois pares de roupa de banho, 5 camisetas, 5 camisas (entre manga comprida e curta), dois moletons, 1 ou 2 casacos (que vc pode pôr em volta da cintura para usar no superfrio do avião), 1 ou 2 toalhas de banho e de rosto, perfume, xampu, condicionador, creme de barbear, remédios (leve os remédios que você pode utilizar dentro de suas embalagens originais e com a receita de seu médico. Se forem remédios controlados ou cuja substância não seja permitida no país aonde você vai, peça uma carta do seu médico em inglês ou na língua do país em que você fará seu intercâmbio, atestando sua condição médica. NÃO DEIXE DE LEVAR REMÉDIOS pra gripe, infecção intestinal, dores e alergias, pois só poderá comprá-los com receita e para obtê-la, só se consultando) - no aeroporto você pode embalar a mala para evitar danos a ela. Fotografe-a quando estiver despachando a mala, pois caso haja algum dano, arrombamento, etc. você poderá requisitar ressarcimento por isso. Ponha também, dentro da bagagem, em cima da roupa para ser logo vista caso a mala seja aberta, uma cópia de seu passaporte com endereço no Brasil e no exterior para onde sua mala poderá ser enviada em caso de extravio.

NECESSAIRE TRANSPARENTE: escova e creme dental, pente/escova, perfume (menos de 60 ml), desodorante (menos de 60 ml), absorvente (dentro da mala de mão - a viagem é longa).

MALA DE MÃO: câmera, filmadora, laptop, Ipod, etc. e seus respectivos cabos - se vier para a Europa, compre um adaptador universal, especialmente para a Irlanda e Reino Unido onde as tomadas são totalmente diferentes (eu tive de comprar um cabo novo pro meu laptop e um adaptador para minha câmera), uma muda de roupa, documentos de valor, guarda-chuva pequeno e não pontiagudo. Você também pode levar instrumento musical, desde que possa passar pelo  raio X e ser acomodado no compartimento em cima do assento ou embaixo da poltrona.

LEMBRE: líquido até 1 litro tem de ser embalado e despachado na mala. Não é possível levar objetos cortantes ou perfurantes, inflamáveis e produtos com pelo animal, nem sementes ou plantas nativas - a não ser que você seja um cientista e tenha a permissão da polícia federal e do IBAMA -, nem frutas, carnes e/ou laticínios. Não viaje com drogas - barbitúricos, maconha, haxixe, álcool, cocaína, craque, etc. vão te causar o maior vexame e ainda te mandar para a cadeia por tráfico internacional de substâncias ilegais - o álcool está fora, mas há países em que você não poderá entrar com ele, e todos os países perguntam se você está transportando álcool.

Tudo pronto e arrumado, não se esqueça de fazer um check list com tudo o que você precisa de levar. Só feche as malas depois de conferir se está tudo em ordem. Não esqueça de comprar uma pochete para dinheiro - é bem fininha, você encontra até em lojas de esportes como a Centauro, onde eu comprei a minha por 30 pilas - há mais baratas, no entanto. Nessa pochete, que você prenderá ao corpo, ponha seu dinheiro, cartão de crédito e passaporte. Na hora de passar pelo raio X, ponha dentro da mala de mão e volte a prendê-la ao corpo.

Na Polícia Federal: você vai pegar uma fila na PF antes de entrar no saguão de embarque. O policial vai pedir seu passaporte e suas passagens e te liberar, apenas isso.

Na Imigração: não ouça o que as pessoas dizem a respeito da checagem na imigração. Às vezes eles invocam, às vezes agem como seus melhores amigos. Você só precisa se manter calmo, com todos os documentos em mão e apresentá-los à medida que forem requisitados. NÃO FALE NADA QUE NÃO FOR PERGUNTADO, ATENHA-SE A RESPONDER O QUE TE PERGUNTAREM.

Você precisa ter em mãos: passaporte, passagens de ida e volta (seu itinerário detalhado que a cia aérea vai mandar pro seu e-mail), comprovante de acomodação, carta de matrícula na escola, carta do seguro médico - se necessário: extrato do cartão de viagem ou o traveler's cheques, cartão internacional, holerite - geralmente não é necessário. Lembre-se que para a maioria dos países europeus não é necessário visto - cheque a necessidade de vistos com a embaixada do país.

As perguntas que te farão provavelmente serão: why are you here? (por que você está aqui?)/ what's the reason for your visit? (qual o motivo de sua visita?); how long are you staying? (quanto tempo você vai ficar?); where are you studying? (onde você vai estudar?); where are you staying? (onde você vai se acomodar?) - geralmente eles só perguntam se "você está aqui pra estudar" (are you here to study?) e pedem para você apresentar a carta de matrícula na escola. Passando daí, é tchau e bênção.

Abaixo seguem uns links que eu julgo podem ajudar a esclarecer mais:
http://www.ci.com.br/
http://www.egali.com.br/ 
https://www.facebook.com/edublinblog?fref=ts
http://www.reclameaqui.com.br/

Para viagens em geral: www.gabimoniz.blogspot.com.br

E é claro, visite: www.marciowaltermachado.com.br para literatura




sexta-feira, março 29, 2013

Iesus Nazarenus Rex Iudeorum

Estremeça toda a terra!
Ribombem os trovões no céu!
Ruja desde as profundezas o rei dos mares!
Raios vestais cortem os ares!
E que no templo - de alto a baixo –
Rasgue-se da separação o véu.


Desfolhai-vos oliveiras milenares!
- É de sangue o Cedron escorrente –
Chora ó portentoso Eufrates,
Derrama as copiosas lágrimas do Oriente.
Chora! Pois na cruz agora pende o teu Criador
- Deus feito homem, salvação das gentes –
É Jesus - nosso Senhor.



Por trinta moedas foi vendido
- Eis o preço de um beijo hipócrita –
Contado foi entre vis bandidos;
Cai a chuva – é a criação que chora.


No sinédrio ante a Caifás
Arrancaram-lhe as barbas co’as mãos;
Chamaram-no profeta falaz –
Ao grande Rei fizeram ladrão.
- Entre si dividiram as vestes suas -
Bradava triste o salmista nas ruas.


Ouve! Pilatos, que tua mulher foi alertada
- Viu sobre ele a glória de Deus –
Soube que não era culpado em nada,
Suplicou-te pelo rei dos hebreus.


- Quid es veritas Domine?
Foram as palavras de tua pergunta
- Por Sua glória encontravas-te confundido. -
Na presença daquela plácida figura
Eras Israel aos pés do Monte,
Eras Caim cobarde fugindo.


Trocado foi o Rabi por Barrabás –
A multidão delirante pedia por Seu sangue,
Pensavam ser Davi ante o Gigante –
Não sabiam que era Ele o príncipe da paz.


Coroaram-no com grossos espinhos
Castigaram-no com o maldito flagrum -
Ao Seu corpo todo dilaceraram,
Tornaram-no a salvação dos gentios.


Olha Israel! Pois na cruz pende o teu Redentor
- Os pulsos por cordas amarrados
Mãos e pés perfurados pelos cravos –
Soltando ao mundo o Seu urro de dor.


Pranteia Madalena! Com o brado esvaiu-se-lhe a vida
- O Mestre a cujos pés lavaste com perfume puro
Aquele que te perdoou com amor mais profundo –
Jaz morto sob aquela insígnia.


José – dai-lhe um túmulo virgem em vez de ungüento!
Tiago – chora por teu amado irmão nazareno!
Maria – sente a espada cortando teu coração!
João – eis o teu amigo sobre o madeiro cruento!


A natureza torna-se Briaréu –
A chuva cai como amargoso fel
Sobre o túmulo onde repousa o Messias.
O Filho do Homem sofrerá por mais três dias –
Sim! Era Ele o doce cantor de Israel,
Era d’Ele que falavam as profecias!


Então desponta! Aurora dominical
Pois aquele que morreu, agora ressuscita.
Trema a terra! Reluzam os anjos!
Desmaiem as sentinelas pela visão celestial!
Caia a seus pés a morte – vencida!


O sudário ao canto da câmara vazia
Nem parece que envolvia
O corpo da águia das eras.
- Havia descansado no seio da terra –
A rosa de Sarom agora ressurgia.


Vai Tomé, toca-lhe as chagas,
Lembra-te de quando acalmou o ímpeto das vagas –
Da tempestade fez calmaria.
Recebe em teu rosto o sopro da vida,
No pentecostes cumpre tua sina –
Espalha pelo mundo as novas d’alegria.

Sorriam os homens no caminho de Emaus
Cresçam os lírios nos ermos pauis
- Os vales se encham de vida –
Renove-se a criação no sopro suave da brisa.


Pedro, apascenta as ovelhas do Bom Pastor
Pois aquele que da morte ressuscitou,
É Jesus – o rei dos judeus,
É Jesus – o Deus Criador!

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Salada Caesar à moda Márcio Walter Machado






A salada Caesar é muito fácil, há vários blogs e vídeos na Net que você pode consultar. Eu usei a receita básica e incrementei com ingredientes que eu gosto. Ficou assim:






Ingredientes (quantidade ao seu gosto):
Alface (eu usei dois pés) devidamente lavados e higienizados;
Crouton que você pode comprar já pronto (eu preferi fazê-lo usando os pães que tinha em casa - inclusive panetone, pra dar um gosto diferenciado) - a quantidade é ao seu gosto, apenas tenha cuidado para não ficar desproporcional ao restante dos ingredientes;
Queijo (usei parmesão) cortado em cubos, dois punhados;
Champignon (usei meio pacote) cortados ao longo;
Azeitonas (usei meio pacote) lavadas em água filtrada para tirar o excesso de sal;
Uvas passas (pus um punhado);
Chester (usei dois punhados) cortados em cubo; (a receita original leva frango)
Meia manga rosa cortada em cubos;
Tomates cereja (pus um punhado) devidamente lavados e higienizados;
Cenoura (usei uma pequena) ralada;
Beterraba (usei uma pequena) ralada;
Molho para salada (usei mostarda, mel e vinagre balsâmico) - há o molho "Caesar" vendido nos supermercados;
Azeite de oliva.

Modo de preparo:
Corte as folhas de alface à mão, de forma irregular.
Corte o pão (é indicado o pão de forma. Eu, no entanto, usei de forma, de leite e Panetone) em pequenos cubos antes de levá-lo ao forno para assar (após assado o pão se despedaça). Não deixe torrar demais. Você também pode optar por comprar o crouton já pronto.
Ponha todos os ingredientes (exceto o crouton) numa saladeira funda e misture. Adicione o molho e o azeite de oliva necessários para dar gosto e umedecer a salada - cuidado com os exageros.
Adicione o crouton apenas na hora de servir para que não fique muito mole.Misture-o aos outros ingredientes. se necessário, adicione um pouco mais de molho e azeite.
Sirva e bon apetit.
A quantidade ds ingredientes que usei deu pra 4 (quatro) porções.

 
 

domingo, agosto 26, 2012

IN MEMORIAM - um desabafo

Podemos crer no que for do leque de opções que as várias religiões e filosofias nos oferecem; podem nos dizer o que quer que seja a fim de nos consolarem: as palavras mais maviosas e ternas, as mais racionais e concisas; podemos saber todo e cada detalhe das leis da biologia, da química e da física; podemos ser médicos, sacerdotes, filósofos ou qualquer que seja a ocupação que a sociedade nos ofereça para nos tornar capazes de compreender a vida e a morte. Mas o fato é: nada do que cremos, nada do que nos digam, nada do que saibamos, consegue aplacar a dor tão atroz que é perder um ente querido. 

Eu, particularmente, acredito na vida após a morte, na ressurreição dos mortos, na volta de Jesus e no Arrebatamento. No entanto, embora tenha o consolo de saber que aqueles que partem, partem para uma vida muito melhor, uma realidade "inefável" - nas palavras que João Ferreira de Almeida traduziu a São Paulo -; que aqueles que partem na verdade "não estão mortos, mas dormem no Senhor", não consigo deixar de ter essa sensação de que algo está em falta e que essa falta é permeada de dor; dum sentimento que comprime as entranhas e faz o peito arder numa aflição tão forte que às vezes é preciso gritar e fazer a pergunta retórica "por quê, meu Deus?". É claro que Deus não precisa de responder, pois sua resposta está na natureza. Desde a escola primária a gente aprende que "todo o ser vivo nasce, cresce, reproduz e morre" - foi o que minha professora Rita de Cássia Santana me ensinou na 1a série. Mas, face a partida de nossos amados, essa constatação natural é apenas esquecida e jogada no fundo do baú de nossas mentes. 

É de lá - do baú de nossas mentes - também que brotam as lembranças as quais nos fazem pensar que "ontem mesmo estava tudo bem, ontem mesmo conversamos, demos gargalhadas, trocamos confidências. Ainda ontem eu te ouvi rindo, ainda ontem eu te ouvi dizer que tudo estava nas mãos de Deus. Foi ontem mesmo que nos vimos, que sentamos juntos, que vimos o dia passar. Foi ontem".  Agora só resta o silêncio. Aliás, não o silêncio, mas as vozes de ontem - seja esse ontem o dia anterior ou o mês anterior ou ano anterior - que não calam e não nos deixam esquecer e que ecoam somente no recôndito de nossos pensamentos.

A velha lição de Ciências fica esquecida na nossa estúpida crença do super-homem, na negação diária da morte, na  ideia equivocada de nossa eternidade física, na protelação das visitas que devemos fazer porque um dia sucede o outro e tudo parece tão igual, tão imutável, ocorrendo bem conforme nossos planos, que nos esquecemos da premência, da urgência que é a vida, e temos o arrogante sentimento de que estamos no controle de tudo. Esquecemos a antiga lição do salmista que nos diz que a vida é como a flor soprada pelo vento, logo se desfaz. E é assim mesmo que vemos e sentimos ante a morte: a vida se desfaz no rosto marmóreo, nas feições inexpressivas, no rosto sereno de quem parece estar dormindo, mas que não acordará com nosso toque ou com nossa voz chamando o seu nome. 

Eu bem sei que nada é para sempre, que as pessoas podem nunca mais voltar - aprendi bem cedo, aos seis anos. Mas somos teimosos, não é? queremos a todo tempo nos prender com unhas e dentes na esperança de mais uns dias, mais uns minutos, de mais algum sopro de vida, de mais qualquer coisa que nos dê um tempo - o mínimo que seja - com aqueles do nosso convívio. No entanto ontem, quando a chuva caía forte, torrencial lá fora, ali dentro daquela capela mais uma vez eu pude ver o quanto nos iludimos com nossos quereres de eternidade, com a negação do óbvio, com a insensatez dos nossos sentimentos infantis. 

Ver minha avó, minha "voinha", coberta de flores dentro de um esquife de alças douradas, seu rostinho tão sereno como se dormisse e logo logo fosse acordar e dizer "Bate Báter" - conforme ela gostava de lembrar o modo de minha prima Michelle chamar meu nome (Márcio Walter) quando éramos crianças - e rir sua gargalhada gostosa como só ela tinha mesmo diante da tristeza; ver os rostos ali presentes, os semblantes de claro pasmo, de dúvida e descrença; ouvir dizerem "mas ontem mesmo ela estava tão feliz, conversando", foi uma das sensações mais tristes, desconsoladas, inconsoláveis que já tive. Afinal, a morte, a despeito de nossas crenças e do óbvio que é morrermos todos os dias, dói demais - e essa dor é tão física quanto metermos a mão com força no peito e arrancarmos de lá o coração com tudo o que há lá dentro: planos futuros, projetos presentes, recordações passadas. 

E essa sensação, persistente e insistente, parece que nunca vai passar. Eu sei que ela gostaria que esquecêssemos o luto, seu desejo seria que gargalhássemos e prosseguíssemos em vez de nos entristecermos e gastarmos tempo escrevendo textos catárticos. Mas como rir de verdade com a ferida recalcitrante no peito, como dizer "é só por um instante, em breve nos veremos" quando ainda a vida pode alongar-se por cinquenta, sessenta anos mais? Quem parte com Deus, parte feliz, diz o povo, mas nos deixa a saudade, a  constatação terrível de que nada está em nosso controle, de que a vida é um sopro e que os risos podem emudecer-se numa fração de segundos, que as alegrias podem desvanecer rapidamente e assim também que as mágoas, os sentimentos de poder, a arrogância recebem uma rasteira e se esfacelam no chão. 

Ontem, a partida de minha avó deixou em mim uma impressão muito forte, uma dor misturada com incertezas, com saudades, com raiva, com um quase desespero diante da impotência nossa. Mas também trouxe à tona a sensação de que é preciso fazer mais, de que é necessário e urgente rever a vida e dar valor as coisas mais importantes: o convívio dos nossos entes queridos, o repensar as prioridades, o esquecer pequenices, o doarmo-nos em todo o tempo; é preciso saber seguir. Seguir as palavras do Evangelho que nos alertam a viver "cada dia como se fosse o último" e nisso aprendermos a compartilhar mais, ouvir mais, viver mais. Pois, antes que esperemos, a vida pode contrariar nossos planos e aquilo que era para sempre se desvanecerá no vento.

Antes que isso ocorra, se lembre de agradecer. eu o faço novamente: obrigado, voinha, por me ensinar a andar de bicicleta, por me dar o gosto de tomar sorvete de chocolate misturado com sorvete de ameixa, por me forçar a comer peixe à escabeche, por me mostrar que a vida é pra ser gargalhada diante das tristezas; obrigado por me ensinar, de criança, a honestidade, obrigado pela severidade imbuída de amor, pelas correções e por deixar pequenas falhas passarem despercebidas. Obrigado pelas coisas simples e pelos ensinamentos profundos, obrigado por tudo e até àquele Dia. 


segunda-feira, julho 30, 2012

FELIZ DIA DO AMIGO PRA VOCÊ TAMBÉM! HAPPY FRIENDS' DAY TO YOU TOO!

(SCROLL DOWN THE PAGE FOR THE ENGLISH VERSION)


Ainda hoje, mais de uma semana após a data, recebo felicitações via celular e Internet pelo Dia do Amigo - celebrado no Brasil, Argentina e Uruguay no dia 20 de julho - com a ressalva "desculpe a demora, mas nossa amizade é todo dia!" ou "demorei, mas cheguei". É muito bom ser lembrado e, melhor ainda, é saber que tantas pessoas nos têm como queridos seus. Bom saber também que muitas dessas pessoas que gastaram alguns minutos do seu tempo para digitar um torpedo, enviar um e-mail elaborado, postar uma mensagem no Facebook ou Orkut (ainda tem gente que usa!) estão longe, em outros estados ou países ou, ainda, afastadas pela correria da vida, mas que sempre têm reservado em suas recordações e seus sentimentos um espaço para nós. 

Entre essas mensagens de pessoas queridas e cuja amizade sólida a gente parece ter desde sempre, há algumas de conhecidos, outras coletivas enviadas por contatos virtuais e outras de quem a gente nem sabe quem é. Isso, por um lado, é bom, pois mostra que a data está se popularizando e que as pessoas querem demonstrar alguma espécie de carinho pelo próximo; por outro, nos traz a pergunta: você realmente é amigo de alguém ou só está querendo "aparacer"?

Parece complicada a escolha de palavras no questionamento acima. Mas nessa nossa sociedade das relações passageiras, dos amigos virtuais e dos sentimentos efêmeros, ela prova ser pertinente. 

Veja bem: as palavras "amigo" em português e espanhol, "ami" em francês, "amico" em italiano, vêm do latim antigo "amicus", que deriva de "amacius" - amante -, que se origina do verbo "amare" - amar; assim também, "friend" em inglês,  "freund" em alemão, "vriend" em holandês, são derivadas do verbo teutônico "freon" - amar - que tem como base o sânscrito "pryá" - muito querido ou desejado; em hebraico ela é  "raver" - de alguma forma derivada de "orrav" - amar - e em grego "filo" - aquele que ama. Em finlandês há ainda a palavra "ystävä", que diferentemente de "kaveri" - colega, alguém com quem você tem relações sociais -, dá a idéia de alguém com quem temos laços espirituais, união para toda a vida. 

Ou seja: "amigo" é aquele que ama, que é amante de outrem e que deseja estar perto do outro e estender-lhe a mão sempre que preciso. Não é de estranhar, por exemplo, que nos clássicos da literatura de língua portuguesa, e.g., Machado de Assis, os amantes se chamem mutuamente de "meu amigo" e "minha amiga" e que haja em nossa língua as "Cantigas de Amigo" que eram, na verdade, endereçadas às amantes; ou que nas Santas Escrituras o rei Davi diga a seu amigo Jônatas "mais maravilhoso era o teu amor do que o amor de mulheres" (2 Samuel 1:26); ou ainda nosso Senhor ensine aos seus discípulos que "não há maior amor do que este: alguém dar a sua vida pelos seus amigos" (Ev. de S. João 15:13). Por isso, não deve nos chocar saber que talvez por conhecer o significado real da palavra "amizade" Stan Laurel tenha caído em depressão após a morte de Oliver Hardy (atores da dupla "O Gordo e o Magro") e  nunca mais tenha se recuperado. Afinal, "amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração" como fala a canção que todos nós já devemos ter ouvido por aí. 

Como eu disse anteriormente, a pergunta feita neste texto não é sem motivo. No Brasil é muito comum ouvirmos as pessoas dizerem que têm um milhão de amigos e até mesmo chamar de amigos pessoas a quem eles acabaram de conhecer. Mas quantos desses amigos podem realmente contar com você e com quantos deles você pode contar? 

Faça um cálculo baseado nas seguintes questões: 1) se eu ficar gravemente doente, Amigo cuida de mim? 2) se eu precisar de dinheiro ou moradia, Amigo me estende a mão? 3) se eu precisar desabafar, posso contar com Amigo? 4) se às três da manhã me bater uma crise existencial, posso ligar para Amigo? 5) Se eu realizar o maior sonho da minha vida, Amigo fica genuinamente feliz por mim? 6) se eu tiver um segredo comprometedor, posso contá-lo a Amigo na certeza de que não serei julgado, condenado e aniquilado? - OK, são todas questões hipotéticas antecedidas de "se", mas que um dia podem lhe acontecer, então, vale a pena pensar nelas. Depois de fazê-lo, inverta o sujeito e o objeto perguntando-se: "se Amigo ficar gravemente doente, eu cuidarei dele?", etc.  

Não quero com este post dizer que amizades reais não existem, ou que amigos virtuais não podem tornar-se amigos reais (eu mesmo tenho alguns amigos virtuais que são como irmãos/irmãs pra mim) ou que temos de nos tornar paranoicos exclusivistas à procura do Santo Graal das amizades. É apenas uma tentativa de nos fazer pensar um pouco em como estamos usando as palavras de nossa língua, em como em vez de usar o sagrado como tal, o estamos profanando na banalização do uso generalizado e sem cuidados. Porque "amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, dentro do coração" e no coração a gente só guarda as coisas santas, como o pulsar da vida; como o amor; portanto, como um amigo.

Neste dia do amigo - 30 de julho é o dia instituído pelas Nações Unidas como celebração universal da amizade - pense nas pessoas - presentes física ou virtualmente - que realmente fazem a diferença em sua vida e em cujas vidas você faz a diferença; pense nos amigos, aqueles a quem você ama e quer ter por perto, que podem contar com você em todo o tempo; pense também em como seria a sua vida sem eles e lhes mande aquela mensagem de carinho que tanto nos faz bem quando a lemos. 

E tenha um feliz Dia do Amigo você também.

VISITE: www.marciowaltermachado.com.br 




I have been receiving many messages via cellular and Internet texts, even one week after the actual date, congratulating me on Friends' Day - it's celebrated in Brazil, Argentina and Uruguay on the 20th of July - with the note "sorry for my delay, but ours is an every day friendship!" or "I'm late, but I'm here". It's really good to be remembered, and better still is to know that so many people have us in their deepest regards. It's also great to learn that many of those people who spent some minutes of their time to type a text or to send a carefully written e-mail, post a message on Facebook or Orkut (some people still use the latter) are faraway, in other states or countries, or even distant due to the rush of everyday life, but who always have a place for us in their thoughts and feelings.

Among the messages of those dear people whose solid friendships we seem to have had forever,  there are some from acquaintances, others sent in by the thousands from virtual friends and some others from people we never heard of. This, on one side, is good because it shows us that the date in question is catching on and people want to demonstrate some kind of "I care about you" feeling towards thier neighbors; on the other hand, it makes us ask: are you a real friend to somebody or do you just want to "show off"?"


The choice of words above seem to be complicated. However, in this society of ours where relations are fast, virtual friends are aplenty and feelings are ephemeral, it proves to be pertinent. 

Observe: the words "amigo" in Portuguese and Spanish, "ami" in French, "amico" in Italian, come from the Old Latin noun "amicus", derivative of "amacius" - lover -, which originates from the verb "amare" - to love. Also, "friend", from English, "freund" from German and "vriend" from Deutsch derive from the Teutonic verb "freon" - to love -  whose basis is the Sanscrit word "pryá" - very dear or desired; in Hebrew its "chaver" - somehow deriving from "ochav" - to love; in greek it's "philo", meaning "he who loves". In Finnish it means "ystävä", which, differently from "kaveri" - a dude, someone of your social relations -, impart an idea of soulmate, somebody with whom we have a life-long spiritual bondage.  


In other words: "friend" is the one who loves, who is a lover to someone and who desires to be nearby and give a helping hand at all times. It doesn't surprise us, thus, that in the classical literature in Portuguese language, e.g.; Machado de Assis, lovers call each other "my friend", or that the so called "Cantigas de Amigo" (Friends Chants) were in fact adressed to lovers; or that in the Holy Scriptures, king David says to his friend Jonathan "very pleasant hast thou been unto me: thy love to me was wonderful, passing the love of women"(2 Samuel 1:26); or that our Lord teaches His disciples "Greater love hath no man than this, that a man lay down his life for his friends" (The Gospel of St John 15:13). Hence, we should not be shocked to learn that maybe because of knowing the real meaning of the word "friendship", Stan Laurel  fell into depression after the death of Oliver Hardy (from the "Laurel and Hardy" slapstick double act) never being able to recover. After all, "a friend is something for us to keep in the deepest and most hidden place, within the heart" as that song that we all might have heard says. 

As I said before, the question in this text is not without a purpose. In Brazil, it's very common that we hear people say they have a million friends or even call friends people they just met. But how many of those friends can really count on you and how many of them can you really count on? 

Just calculate on the following questions: 1) If I get seriously ill, will Friend take care of me? 2) if I need money or housing, will Friend give me a hand? 3) if I need to bear my soul with someone, can I count on Friend? 4) if I am in the middle of an existence crisis at three in the morning, can I call Friend? 5) if the biggest dream of my life comes true, will Friend be genuinely happy for me? 6) if I have a compromizing secret, can I tell it to Friend being sure that I won't be judged, condemned or annihilated? - OK, I know, they're always hypothetical questions preceeded by "if", but they might as well happen to you some day, so, it's worth your while to give them some thought. After doing it, invert the subject and object positions and ask yourself: "if Friend gets seriously ill, will I take care of him?", etc.   

It's not my intention with this post to say that real friendships don't exist, or that virtual friends may not be as real friends as anyone physically present (I myself have some great friends over the Net who are like brothers/sisters to me), or even that we have to become self-aggrandizing paranoids in the search of the Holy Grail of friendship. It's just for us to think a little about how we are using the words of our languages, about how, instead of keeping pure the sacred things, we are desecrating it in the banalization of general and careless usage. Because a "friend is something we must keep on the left side of the chest, inside the heart", and in the heart we just keep the holy things, such as the pulsing of life; such as love; therefore, such as a friend. 

On this Friends' Day - the 30th of July is the date the United Nations set for the universal celebration of friendship - think about the people - physically or virtually present - who really make a difference in your life and in whose lives you  make a difference; think about the friends, the ones you really want to have around, who can count on you at all times; also, think about how your life would be without them and send them that message of fondness that does us so much good when we read them.

And have a happy Friends' Day you too!

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terça-feira, maio 01, 2012

MAN NEVER LANDED ON THE MOON (?)



Yesterday, we started a discussion that had to be cut short for time’s sake, but of which I promised to talk again.

If you guys remember well, after seeing a TV add about an astronaut carrying a duffel bag that seemed to have no weight, the question, “Do you believe man has ever gone to the moon?” was posed. Some of you guys said to never have given a thought to the matter, or to not care about it a lot – or at all. Nevertheless, here I bring some food for thought so that we can practice the language as well as acquire new vocabulary.

In 1959, under the shield of the so called Cold War, the URRS sent the Luna2, the first man-made object to reach (or to crash onto) the surface of the moon; in 1962, Unitedstatesans (meaning “a North American who lives or was born in the United States”) duplicated the feat with the Ranger 4. From that time on many spacecrafts have been sent to the moon to crash onto its surface, the last one on March 1st , 2009, in a Chinese experiment.

But it was not as late as 1962 that man could go out and orbit the planet. Yuri Gagarin, soviet cosmonaut, was the first man to see the Earth from the outer space. He became famous for both his historical feat and the quotation “I looked all around me, but I didn’t see God”.

Now, it was a matter of honor for the Statesans. If the Soviets had technology enough to send a man to travel around the Globe from outside the planet, America had to do something even more astonishing.

That’s why on the 21st of June of 1969, two Astronauts sent by the USA set foot on the moon. They were Edwin “Buzz” Aldrin and Neil Armstrong, who got down from the lunar lander proclaiming the enthusiastic remark, “Its only a small step for me, but a giant leap for mankind”.


Nonetheless, in spite of all the fuss, excitement and advances in technology  the space exploration plans and conquests (?) generated, some people, maybe billions of them, are prone to disregard every piece of evidence on the matter and deem history books and TV images as cut and dried bullshit.

Among detractors is Bill Kaysing, the former head of technical publications for Rocketdyne, the research department that was the engine contractor for the Apollo project, and writer of a book aptly titled "We Never Went To The Moon".  According to Kaysing, man never went to the moon, not on Apollo 11, nor on any of the five other subsequent missions. To him, it was a hoax to show that nobody, especially the Soviets, could hold a candle to the United States.

But come to think of it, would a country spend around 25 billion dollars on faked six moon landings? How about the hundreds of employees in the know? How could NASA shut them up? Why did the Soviets never do anything to show the world it was phony?


On the other hand, why did the astronauts never comment on the stars, nor did they ever bring any pictures of the stars? Why didn’t the lunar landing engine – which emitted roughly 10,000 pounds of thrust – throw the sand, the dust, and the rocks up in the air? Why aren’t the shadows of the astronauts, the lander and the flag parallel if NASA says no artificial lighting was used on the moon? How come they send manned flight after manned flight just two years short of a horrendous accident that killed three astronauts on the launch pad at Cape Canaveral after having stated that the feasibility of a success mission would be as good as .0017 percent? And most of all, how come the enthusiast Armstrong, who said that his setting foot on the moon was a giant leap for mankind, start refusing to talk about it as “just part of his past”?

What information do you have on it? What personal opinion do you have? Would the mighty USA be as low as to deceive the whole entire planet not to lag behind the Soviets? And, if proved right, would man’s never landing on the moon be of any consequences to life or the way we see official history? 

Here you'll have an interesting film on the subject: http://www.youtube.com/watch?v=yo5w0pm24ic&feature=related

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sábado, abril 07, 2012

Carta aberta aos cristãos sobre dízimos, ofertas e lobos

O último conto de meu livro DE DOR E DE SONHOS traz a história de Luís, um aspirante a pregador duma pequena igreja na periferia de alguma cidade do Brasil. A história se passa no dia da sua consagração como evangelista; dia este que, em vez de alegria cristã, está cheio de um sentimento desesperado de culpa, dúvidas e revolta que lhe encheu a alma alguns dias antes quando ele escutou uma conversa entre o seu pastor e o tesoureiro da igreja acerca dos dízimos e das ofertas. Revoltado com o teor do diálogo, o personagem vive momentos de intenso conflito entre razão e fé que, após uma atitude inesperada sua, culmina numa constatação que resume, na visão do personagem, todo o significado da pregação de Cristo: "De graça recebeste, irmãos, de graça dai! Estamos aqui para vivermos o amor de Deus (...) de coração aberto para um Deus que não precisa de seu dinheiro. (...) Amai-vos uns aos outros! Foi isso, e só isso, o que Jesus pediu de nós. (...)". (- in:Libertação,DE DOR E DE SONHOS, p. 111/112 - Todos os direitos reservados). 

No entanto, muitas igrejas voltam hoje, em pleno século XXI, a cobrar indulgências dos fiéis como nos tempos medievais, a vender-lhes "um pedacinho do Céu" em troca das suas doações - aliás, me lembro muito bem que foi justamente essa frase que ouvi numa visita à igreja Universal no começo da década de 90. Bordão que eles usavam como suprema verdade evangélica até que a Rede Globo de Televisão divulgou vídeos em que o Bispo Edir Macêdo e sua trupe saiam dum estádio de futebol, onde haviam feito um dia de cultos, carregando sacolas de dinheiro e depois, no hotel em que estavam hospedados, dançavam e cantavam exibindo maços de moeda corrente.

Não sou contra a doação de dinheiro para as igrejas, nem sou do tipo que contra isso vocifera. Afinal, as instituições, sejam elas seculares ou religiosas, necessitam de capital, e no que toca a esta última, há que se pagar não só salários de funcionários, aluguel de imóvel, luz, água, mas também prover ajuda aos missionários enviados por todo o mundo. No entanto, como judeu-cristão, eu defendo que os dízimos e as ofertas devem cumprir o propósito pelo qual foram instituídos na Lei de Moisés. Hoje, o que eles pregam são as frases do profeta Malaquias: "Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais e dizeis: em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. (...) Trazei os dízimos e as ofertas para que haja mantimento em minha casa (...)". Mas eles param aí e - a despeito da palavra em si já nos indicar - não nos dizem que mantimento é este de que o profeta estava falando no capítulo três de seu livro. 

Por isso, os simples de coração, os que creem que seus líderes são a trombeta de Deus, os que não têm um pensamento mais crítico - por esse ou aquele motivo -, não se perguntam se o mantimento ao qual se referiu o profeta é aquele que vai engordar as burras de pastores, bispos, apóstolos (e em breve nessa nomenclatura neoprotestante) quasecristos, ou se ele tem outro propósito. 

Se voltarmos à instituição das leis mosaicas, saberemos que Aarão e seus descendentes, chamados de levitas, por determinação divina, eram proibidos de trabalhar e que deveriam viver das ofertas trazidas ao santuário, do qual eles se ocupavam unicamente. Adiantando mais um pouquinho na cronologia legislativa também saberemos que eles, por não terem parte da herança das outras tribos, deviam ser por elas sustentados. No entanto, o que não parecemos entender é um pequeno versículo do livro que determina essas coisas, o livro de Deuteronômio.

No capítulo 14, versículo 29, Moisés diz: "Então, virão o levita (pois não tem parte nem herança contigo), o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão dentro da tua cidade, e comerão, e se fartarão, para que o Senhor, teu Deus, te abençoe em todas as obras que as tuas mãos fizerem". O mantimento na casa do Senhor de forma alguma significava a doação de moeda corrente e, muito menos ainda, sua troca por fazendas, emissoras de TV, carros importados, sítios, apartamentos, casas, viagens ao exterior e pirâmides faraônicas. O mantimento a que se refere o profeta Malaquias é a comida que deveria sustentar não só os levitas mas também os órfãos, as viúvas e os estrangeiros na terra para que eles não ficassem à míngua, desprovidos e desamparados numa sociedade que os marginalizaria. O dízimo tinha cunho social e democrático. 

Mas, va bene, as coisas mudaram dos tempos mosaicos para cá. Como eu mesmo disse anteriormente, há que se pagar luz, água, aluguel de alguns templos, funcionários e manter missionários aqui e no exterior. Tudo bem, contribuamos com a obra do Senhor. Mas contribuamos conscientemente! Não façamos como os alienados que dizem "minha obrigação é dar o dízimo, o que eles farão é problema deles e Deus". Não sejamos os idiotas que são passados para traz, enganados e que ficam na "provação" sorridentes, na "dispensação da graça" enquanto os lobos roubadores se aproveitam do fruto do trabalho alheio. 

Lembremos, por exemplo, do capítulo intitulado pela Sociedade Bíblica do Brasil, tradução de João Ferreira de Almeida, "os dízimos para os serviços do Senhor", do livro de Deuteronômio, a seguir: "Certamente, darás os dízimos de todo o fruto das tuas sementes, que ano após ano se recolher do campo. E, perante o Senhor, teu Deus, (...) comerás o dízimo do teu cereal, do teu vinho, do teu azeite e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer o Senhor, teu Deus, todos os dias. Quando o caminho (até o templo) for comprido demais (...) vende-os e leva o dinheiro na tua mão (...) ESSE DINHEIRO DÁ-LO-ÁS POR TUDO O QUE deseja a tua alma: por vacas, ou ovelhas, ou vinho, ou bebida forte, ou qualquer coisa que TE PEDIR A TUA ALMA; come-o ali perante o Senhor, teu Deus, e te alegrarás, tu e a tua casa.(...) Então, virão o levita (pois não tem parte nem herança contigo), o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão dentro da tua cidade, e comerão, e se fartarão, para que o Senhor, teu Deus, te abençoe em todas as obras que as tuas mãos fizerem". (14:22-29). 

Esse é o mantimento que deve existir na casa do Senhor! Este é o motivo de darmos 10% de tudo o que recebemos: ALEGRAR A NOSSA ALMA USUFRUINDO - NÓS MESMOS - DO FRUTO DO NOSSO TRABALHO E AJUDAR OS QUE NECESSITAM! e aí, segundo Malaquias, depois que nós nos alegrarmos com o nosso dízimo, lembrando por causa dessa alegria com o fruto do trabalho de que foi Deus quem nos deu o que temos e distribuirmos também com os que precisam, aí, Deus "abrirá as janelas dos céus e derramará um dilúvio de bênçãos; repreenderá o devorador, fertilizará a nossa terra e todas as nações nos chamarão bem-aventurados" (Ml 3:6-12).

Se nós, os da fé, entendêssemos o que lemos, não seria necessário que a Globo, nossos vizinhos ou quem quer que seja abrissem nossos olhos. Talvez, através de doações racionais, não víssemos a briga pública capitalista entre Edir Macêdo e Valdemir Santiago, um tentando derrubar o outro, tirar o cliente do outro, para ver quem fica com a maior parte de doadores; ou as enormes fazendas, jatinhos particulares, castelos e toda a sorte de ostentação de riqueza deles e de Estevam e Sônia Hernades ou de tantos outros lobos em pele de cordeiro que em seu afã pela adoração de Mamon, se esquecem que o Filho de Deus era carpinteiro e que andava a pé pregando o Evangelho com o único propósito de redimir as pessoas através da transformação da animalidade humana em essência divina. Talvez, se entendêssemos o que lemos, não veríamos nossa fé transformada em circo e nossa religião em moeda corrente cujo único propósito é enriquecer aqueles que se esquecem de que, como concluiu a personagem da história "Libertação", é só o amor o que importa, pois foi "isso, e só isso, o que Jesus pediu de nós".





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quinta-feira, março 29, 2012

Salvador!

Soterpolis

Ai! Que saudades de minha terra!
Que saudades de minha Salvador querida!
De quando me sentava ao cais de Humaitá
Cismado a ver o pôr-do-sol –
O astro rei sobre o Atlântico a brilhar
Incendiando o horizonte de arrebol.

Que vontade de beijar-te as nuas faces!
Virgem linda de homéricos contos...
E o desejo de ao cair da tarde
Na Piedade alimentar os pombos
Sentado à praça a contemplar a vida.

Que saudade de sentir a brisa
Aos pés do Cristo de marmórea vida;
De ver as ondas a beijar-te as Barras.
Do requebro tépido te tuas meninas.

Que anelo por sentir do acarajé o cheiro forte
No tabuleiro das baianas lindas.
De contemplar de São Marcelo o Forte
Na Praça à saída do Elevador
- Da cidade formosa grimpa –
E admirar-me com a tua gente banhada por Dinamene –
És Afrodite – de Praxíteles amor.

Sim! Eu quero descer a Contorno p’ra admirar a vista –
Ver o Solar, o Comércio, a Marina...
E ao fundo, lá distante, Itapagipe reluzindo –
Sorriso cativante d’um menino
A encher de graça os ares – a cobrir de grande brilho os mares-
A ti se rende Itaparica!
Minha cidade tão amada, terra de minha tenra infância!
Não me admiras seres do moribundo a tisana –
O sacrário altivo da beleza hispana.

Nos versos de Caymmi és bondosa Circes
Por quem se apaixona o solitário viajor –
És Tebas de cidério fulgor-
És de Vênus o amado Anquices
A dormir ao som do sublime flautim.

Lembro ainda do perfume das escadarias do Bonfim
A populaça em rugidora animação
Lavando as ruas desde a Conceição –
Iluminou as eiras, fez na Ribeira um grande carnaval.

Ai! Meu brasílio Taj Mahal
Tens jardins eternamente floridos
Onde libram as borboletas – onde crescem etéreos lírios.
São as Índias – de Cabral.
São os lauréis – da criação de Tupã.

Que saudades de Itapuã!
Quero rolar sobre as dunas do Abaeté
Dançar o Alegretto ao som do oboé;
Ter minhas lágrimas enxutas nas plumas duma garça.

Tens no Campo Grande d’uma Vitória a Graça.
- Um caboclo esculpido sobre um pilar –
Brilhas com a pira reluzente de Pirajá;
Tens Tritão a beijar teus pés.

A multidão borbulhando nas Galés -
Se derramando pela rua Chile.
 -Em meio ao povo negras Nefertites
Vão adorar-te na praça da Sé.

Sobem, descem ladeiras de enegrecidas pedras –
Diamantes brutos a cobrir o Pelourinho
 - Oásis plácido onde Zumbi fez seu ninho –
Terreiro sacro d’onde se ergue a Irmandade.

Seu povo heróico traz no peito a Liberdade
- São valentes guerreiros, não covardes! -
Trazem na garganta o grito Largo dos Aflitos
Que ao batuque dos tambores lindos
Reverdecem mais os bravos palmares.

Que saudade da quietude de Stela Maris!
Dos coqueiros do Jardim de Alá!
De sentar-me sobre a relva na praia de Piatã –
Ouvir entre as árvores os bandos a chilrear;
Ver das acácias as flores vermelhas, enrubescendo a verde folhagem.

Quero passear na Boa Viagem
No dia primeiro de janeiro;
Dançar na Avenida em fevereiro;
Contemplar o horizonte na praça Castro Alves.

Ah! Salvador, minha Salvador!
Nem Homero, nem Byron, nem Camões,
Nem os poetas do mundo inteiro,
Saberiam expressar as emoções
De vadiar pelos Dendezeiros -
Nem poderiam traduzir o que é te pertencer!

Quem ainda não vislumbrou a Pituba no alvorecer
Deixando-se arrebatar pelo bramido das ondas?
Quem não se sentou ao Mont Serrat
Vendo a cidade num fulvo entardecer –
Adorando-te como o Vate à Negra Dama?

Quem viu não pode esquecer-se de beleza tal!
Coberta de jóias és formosa vestal –
Para quem tocam as liras os anjos;
Por quem Caetano se derrama em cantos.

Ai! Salvador, minha Salvador querida!
Se soubesses o quanto sinto tua falta...
 - Sou como um nauta ao espaço singrando –
Pedirias a Deus que a ti me desse de volta;
Pedirias aos Céus que me enxugassem o pranto.
















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Soterpolis - English version

Ah! How I miss my land!
How I miss my dear Salvador!
The days when I sat at the pier of Humaitá
Adrift seeing the sunset –
The king star, an splendor o’er the Atlantic,
Blazing the horizon with hues of dusk.

What a crave to kiss thy nude faces,
beautiful virgin of Homeric tales
And what a desire to feed the pigeons
When night came o’er Piedade square
While I was set, contemplating life, pensive.

How I miss feeling the breeze
At the feet of the granite Christ;
Seeing the waves kissing the shores of Barra,
And the sensual walking of thy girls.
I hanker to feel the strong smell of the acarajé
At the beautiful baianas stands.
To contemplate São Marcelo fort and the fishermen tents
From the Square, at the entrance of the Elevator
- the amazing hill of the two cities -
And be astonished by thy people and their dance
bathed by Dinamenes.
Thou art Aphrodite – the love of Praxiteles.

Yes! I want to see the landscape as I walk down Contorno Avenue,
See the Solar, Comércio, the Marina, all the town
And at the background, far flung, Itapagipe shining –
Like the captivating grin of a boy
Filling the air with grace – covering with blissful light the seas and terraces –
Itaparica comes to worship thee!
My so lo'ed city, land of my sweet infancy!
It’s no surprise that thou art the tisane
The proud sacrarium of Latin beauty.

In the verses of Caymmi thou art sweet Circes
For whom the lonely voyageur falls –
Thou art Thebes of sidereal light –
Thou art of Venus the beloved Anquices
Sleeping at the music of the flute at night.

I recall the perfume at the stairs of the church of Bonfim
The throng in a reverie
Washing the streets nearby Conceição cathedral –
Lighting the houses, making in Ribeira a great carnival.

Ah! My Brazilian Taj Mahal
Thou hast eternally flowering gardens
Where the butterflies fly – where ethereal lilies grow.
They are the Indias – of Cabral.
They are the laurels – of the creation of Tupã.

How I miss Itapuã!
I want to cartwheel on the dunes of Abaeté,
Dance the allegretto at the sound of the oboe;
Have my hands caressed in the plumes of a heron.

Thou hast in Campo Grande the Grace and the Victory
- an indian sculpted o’er a pillar -
Thou shinest with the shining fire of Pirajá
Thou hast Triton kissing thy feet.

The multitude going down the Galés –
Crowding Rua Chile.
- Among the people black Nefertitis
Will worship thee at the Sé Square.

They go up and down the seared stones –
Unwrought diamonds covering Pelourinho paths
- Idyllic oasis where Zumbi made his dwelling - Sacred site where the fraternity raises.

Thine heroic people bring on the chest Liberty girded
- They’re brave warriors, not feeble!
They bring the loud shout of the Aflitos from innermost parts
Who at the sound of the beautiful drums
Make thy green pastures e'en greener.

How do I miss the calmness of Stela Maris!
The coconuts in Jardim de Allah!
I miss sitting on the meadow at Piatã beach
Listening to the birds in the trees cheering
Seeing the red flowers of the acacia, making the foliage crimson.

I want in Boa Viagem to promenade
At the dawn of January the first;
Dance on the Avenida in February;
From Castro Alves Square contemplate the horizon, the statuary .

Ah! Salvador, my Salvador!
Neither Homer, or Camões, or Byron, or
Even all the poets in the world,
Would know to word how nice
‘Tis walking freely through Dendezeiros.
They wouldn’t even translate what it is to be thine.

Who hath not seen Pituba at dawn
Being enrapted by the roaring of the waves?
Who hath not sat at Mont Serrat
To watch the sea at sunset shades –
Loving thee as the Bard the Black Lady?

Who’s seen such a beauty shall it never forsake!
Co'ered in jewels thou art the mistress of fires –
For whom the angel play lyres;
For whom Caetano maketh songs.

Ah! Salvador, Salvador my dearest!
If thou knowest I miss thee so much …
- I’m like the sailor o'er the sea -
Thou wouldest ask God to give me back unto thee;
Wouldest pray Heaven to wipe my tears from me.

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Londres ao pôr do sol

Devo confessar que nesta altura do campeonato não vi sequer um jogo da Copa do Mundo na Rússia. Eu sei, o Brasil está em polvorosa, ca...