sábado, abril 07, 2012

Carta aberta aos cristãos sobre dízimos, ofertas e lobos

O último conto de meu livro DE DOR E DE SONHOS traz a história de Luís, um aspirante a pregador duma pequena igreja na periferia de alguma cidade do Brasil. A história se passa no dia da sua consagração como evangelista; dia este que, em vez de alegria cristã, está cheio de um sentimento desesperado de culpa, dúvidas e revolta que lhe encheu a alma alguns dias antes quando ele escutou uma conversa entre o seu pastor e o tesoureiro da igreja acerca dos dízimos e das ofertas. Revoltado com o teor do diálogo, o personagem vive momentos de intenso conflito entre razão e fé que, após uma atitude inesperada sua, culmina numa constatação que resume, na visão do personagem, todo o significado da pregação de Cristo: "De graça recebeste, irmãos, de graça dai! Estamos aqui para vivermos o amor de Deus (...) de coração aberto para um Deus que não precisa de seu dinheiro. (...) Amai-vos uns aos outros! Foi isso, e só isso, o que Jesus pediu de nós. (...)". (- in:Libertação,DE DOR E DE SONHOS, p. 111/112 - Todos os direitos reservados). 

No entanto, muitas igrejas voltam hoje, em pleno século XXI, a cobrar indulgências dos fiéis como nos tempos medievais, a vender-lhes "um pedacinho do Céu" em troca das suas doações - aliás, me lembro muito bem que foi justamente essa frase que ouvi numa visita à igreja Universal no começo da década de 90. Bordão que eles usavam como suprema verdade evangélica até que a Rede Globo de Televisão divulgou vídeos em que o Bispo Edir Macêdo e sua trupe saiam dum estádio de futebol, onde haviam feito um dia de cultos, carregando sacolas de dinheiro e depois, no hotel em que estavam hospedados, dançavam e cantavam exibindo maços de moeda corrente.

Não sou contra a doação de dinheiro para as igrejas, nem sou do tipo que contra isso vocifera. Afinal, as instituições, sejam elas seculares ou religiosas, necessitam de capital, e no que toca a esta última, há que se pagar não só salários de funcionários, aluguel de imóvel, luz, água, mas também prover ajuda aos missionários enviados por todo o mundo. No entanto, como judeu-cristão, eu defendo que os dízimos e as ofertas devem cumprir o propósito pelo qual foram instituídos na Lei de Moisés. Hoje, o que eles pregam são as frases do profeta Malaquias: "Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais e dizeis: em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. (...) Trazei os dízimos e as ofertas para que haja mantimento em minha casa (...)". Mas eles param aí e - a despeito da palavra em si já nos indicar - não nos dizem que mantimento é este de que o profeta estava falando no capítulo três de seu livro. 

Por isso, os simples de coração, os que creem que seus líderes são a trombeta de Deus, os que não têm um pensamento mais crítico - por esse ou aquele motivo -, não se perguntam se o mantimento ao qual se referiu o profeta é aquele que vai engordar as burras de pastores, bispos, apóstolos (e em breve nessa nomenclatura neoprotestante) quasecristos, ou se ele tem outro propósito. 

Se voltarmos à instituição das leis mosaicas, saberemos que Aarão e seus descendentes, chamados de levitas, por determinação divina, eram proibidos de trabalhar e que deveriam viver das ofertas trazidas ao santuário, do qual eles se ocupavam unicamente. Adiantando mais um pouquinho na cronologia legislativa também saberemos que eles, por não terem parte da herança das outras tribos, deviam ser por elas sustentados. No entanto, o que não parecemos entender é um pequeno versículo do livro que determina essas coisas, o livro de Deuteronômio.

No capítulo 14, versículo 29, Moisés diz: "Então, virão o levita (pois não tem parte nem herança contigo), o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão dentro da tua cidade, e comerão, e se fartarão, para que o Senhor, teu Deus, te abençoe em todas as obras que as tuas mãos fizerem". O mantimento na casa do Senhor de forma alguma significava a doação de moeda corrente e, muito menos ainda, sua troca por fazendas, emissoras de TV, carros importados, sítios, apartamentos, casas, viagens ao exterior e pirâmides faraônicas. O mantimento a que se refere o profeta Malaquias é a comida que deveria sustentar não só os levitas mas também os órfãos, as viúvas e os estrangeiros na terra para que eles não ficassem à míngua, desprovidos e desamparados numa sociedade que os marginalizaria. O dízimo tinha cunho social e democrático. 

Mas, va bene, as coisas mudaram dos tempos mosaicos para cá. Como eu mesmo disse anteriormente, há que se pagar luz, água, aluguel de alguns templos, funcionários e manter missionários aqui e no exterior. Tudo bem, contribuamos com a obra do Senhor. Mas contribuamos conscientemente! Não façamos como os alienados que dizem "minha obrigação é dar o dízimo, o que eles farão é problema deles e Deus". Não sejamos os idiotas que são passados para traz, enganados e que ficam na "provação" sorridentes, na "dispensação da graça" enquanto os lobos roubadores se aproveitam do fruto do trabalho alheio. 

Lembremos, por exemplo, do capítulo intitulado pela Sociedade Bíblica do Brasil, tradução de João Ferreira de Almeida, "os dízimos para os serviços do Senhor", do livro de Deuteronômio, a seguir: "Certamente, darás os dízimos de todo o fruto das tuas sementes, que ano após ano se recolher do campo. E, perante o Senhor, teu Deus, (...) comerás o dízimo do teu cereal, do teu vinho, do teu azeite e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer o Senhor, teu Deus, todos os dias. Quando o caminho (até o templo) for comprido demais (...) vende-os e leva o dinheiro na tua mão (...) ESSE DINHEIRO DÁ-LO-ÁS POR TUDO O QUE deseja a tua alma: por vacas, ou ovelhas, ou vinho, ou bebida forte, ou qualquer coisa que TE PEDIR A TUA ALMA; come-o ali perante o Senhor, teu Deus, e te alegrarás, tu e a tua casa.(...) Então, virão o levita (pois não tem parte nem herança contigo), o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão dentro da tua cidade, e comerão, e se fartarão, para que o Senhor, teu Deus, te abençoe em todas as obras que as tuas mãos fizerem". (14:22-29). 

Esse é o mantimento que deve existir na casa do Senhor! Este é o motivo de darmos 10% de tudo o que recebemos: ALEGRAR A NOSSA ALMA USUFRUINDO - NÓS MESMOS - DO FRUTO DO NOSSO TRABALHO E AJUDAR OS QUE NECESSITAM! e aí, segundo Malaquias, depois que nós nos alegrarmos com o nosso dízimo, lembrando por causa dessa alegria com o fruto do trabalho de que foi Deus quem nos deu o que temos e distribuirmos também com os que precisam, aí, Deus "abrirá as janelas dos céus e derramará um dilúvio de bênçãos; repreenderá o devorador, fertilizará a nossa terra e todas as nações nos chamarão bem-aventurados" (Ml 3:6-12).

Se nós, os da fé, entendêssemos o que lemos, não seria necessário que a Globo, nossos vizinhos ou quem quer que seja abrissem nossos olhos. Talvez, através de doações racionais, não víssemos a briga pública capitalista entre Edir Macêdo e Valdemir Santiago, um tentando derrubar o outro, tirar o cliente do outro, para ver quem fica com a maior parte de doadores; ou as enormes fazendas, jatinhos particulares, castelos e toda a sorte de ostentação de riqueza deles e de Estevam e Sônia Hernades ou de tantos outros lobos em pele de cordeiro que em seu afã pela adoração de Mamon, se esquecem que o Filho de Deus era carpinteiro e que andava a pé pregando o Evangelho com o único propósito de redimir as pessoas através da transformação da animalidade humana em essência divina. Talvez, se entendêssemos o que lemos, não veríamos nossa fé transformada em circo e nossa religião em moeda corrente cujo único propósito é enriquecer aqueles que se esquecem de que, como concluiu a personagem da história "Libertação", é só o amor o que importa, pois foi "isso, e só isso, o que Jesus pediu de nós".





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quinta-feira, março 29, 2012

Salvador!

Soterpolis

Ai! Que saudades de minha terra!
Que saudades de minha Salvador querida!
De quando me sentava ao cais de Humaitá
Cismado a ver o pôr-do-sol –
O astro rei sobre o Atlântico a brilhar
Incendiando o horizonte de arrebol.

Que vontade de beijar-te as nuas faces!
Virgem linda de homéricos contos...
E o desejo de ao cair da tarde
Na Piedade alimentar os pombos
Sentado à praça a contemplar a vida.

Que saudade de sentir a brisa
Aos pés do Cristo de marmórea vida;
De ver as ondas a beijar-te as Barras.
Do requebro tépido te tuas meninas.

Que anelo por sentir do acarajé o cheiro forte
No tabuleiro das baianas lindas.
De contemplar de São Marcelo o Forte
Na Praça à saída do Elevador
- Da cidade formosa grimpa –
E admirar-me com a tua gente banhada por Dinamene –
És Afrodite – de Praxíteles amor.

Sim! Eu quero descer a Contorno p’ra admirar a vista –
Ver o Solar, o Comércio, a Marina...
E ao fundo, lá distante, Itapagipe reluzindo –
Sorriso cativante d’um menino
A encher de graça os ares – a cobrir de grande brilho os mares-
A ti se rende Itaparica!
Minha cidade tão amada, terra de minha tenra infância!
Não me admiras seres do moribundo a tisana –
O sacrário altivo da beleza hispana.

Nos versos de Caymmi és bondosa Circes
Por quem se apaixona o solitário viajor –
És Tebas de cidério fulgor-
És de Vênus o amado Anquices
A dormir ao som do sublime flautim.

Lembro ainda do perfume das escadarias do Bonfim
A populaça em rugidora animação
Lavando as ruas desde a Conceição –
Iluminou as eiras, fez na Ribeira um grande carnaval.

Ai! Meu brasílio Taj Mahal
Tens jardins eternamente floridos
Onde libram as borboletas – onde crescem etéreos lírios.
São as Índias – de Cabral.
São os lauréis – da criação de Tupã.

Que saudades de Itapuã!
Quero rolar sobre as dunas do Abaeté
Dançar o Alegretto ao som do oboé;
Ter minhas lágrimas enxutas nas plumas duma garça.

Tens no Campo Grande d’uma Vitória a Graça.
- Um caboclo esculpido sobre um pilar –
Brilhas com a pira reluzente de Pirajá;
Tens Tritão a beijar teus pés.

A multidão borbulhando nas Galés -
Se derramando pela rua Chile.
 -Em meio ao povo negras Nefertites
Vão adorar-te na praça da Sé.

Sobem, descem ladeiras de enegrecidas pedras –
Diamantes brutos a cobrir o Pelourinho
 - Oásis plácido onde Zumbi fez seu ninho –
Terreiro sacro d’onde se ergue a Irmandade.

Seu povo heróico traz no peito a Liberdade
- São valentes guerreiros, não covardes! -
Trazem na garganta o grito Largo dos Aflitos
Que ao batuque dos tambores lindos
Reverdecem mais os bravos palmares.

Que saudade da quietude de Stela Maris!
Dos coqueiros do Jardim de Alá!
De sentar-me sobre a relva na praia de Piatã –
Ouvir entre as árvores os bandos a chilrear;
Ver das acácias as flores vermelhas, enrubescendo a verde folhagem.

Quero passear na Boa Viagem
No dia primeiro de janeiro;
Dançar na Avenida em fevereiro;
Contemplar o horizonte na praça Castro Alves.

Ah! Salvador, minha Salvador!
Nem Homero, nem Byron, nem Camões,
Nem os poetas do mundo inteiro,
Saberiam expressar as emoções
De vadiar pelos Dendezeiros -
Nem poderiam traduzir o que é te pertencer!

Quem ainda não vislumbrou a Pituba no alvorecer
Deixando-se arrebatar pelo bramido das ondas?
Quem não se sentou ao Mont Serrat
Vendo a cidade num fulvo entardecer –
Adorando-te como o Vate à Negra Dama?

Quem viu não pode esquecer-se de beleza tal!
Coberta de jóias és formosa vestal –
Para quem tocam as liras os anjos;
Por quem Caetano se derrama em cantos.

Ai! Salvador, minha Salvador querida!
Se soubesses o quanto sinto tua falta...
 - Sou como um nauta ao espaço singrando –
Pedirias a Deus que a ti me desse de volta;
Pedirias aos Céus que me enxugassem o pranto.
















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Soterpolis - English version

Ah! How I miss my land!
How I miss my dear Salvador!
The days when I sat at the pier of Humaitá
Adrift seeing the sunset –
The king star, an splendor o’er the Atlantic,
Blazing the horizon with hues of dusk.

What a crave to kiss thy nude faces,
beautiful virgin of Homeric tales
And what a desire to feed the pigeons
When night came o’er Piedade square
While I was set, contemplating life, pensive.

How I miss feeling the breeze
At the feet of the granite Christ;
Seeing the waves kissing the shores of Barra,
And the sensual walking of thy girls.
I hanker to feel the strong smell of the acarajé
At the beautiful baianas stands.
To contemplate São Marcelo fort and the fishermen tents
From the Square, at the entrance of the Elevator
- the amazing hill of the two cities -
And be astonished by thy people and their dance
bathed by Dinamenes.
Thou art Aphrodite – the love of Praxiteles.

Yes! I want to see the landscape as I walk down Contorno Avenue,
See the Solar, Comércio, the Marina, all the town
And at the background, far flung, Itapagipe shining –
Like the captivating grin of a boy
Filling the air with grace – covering with blissful light the seas and terraces –
Itaparica comes to worship thee!
My so lo'ed city, land of my sweet infancy!
It’s no surprise that thou art the tisane
The proud sacrarium of Latin beauty.

In the verses of Caymmi thou art sweet Circes
For whom the lonely voyageur falls –
Thou art Thebes of sidereal light –
Thou art of Venus the beloved Anquices
Sleeping at the music of the flute at night.

I recall the perfume at the stairs of the church of Bonfim
The throng in a reverie
Washing the streets nearby Conceição cathedral –
Lighting the houses, making in Ribeira a great carnival.

Ah! My Brazilian Taj Mahal
Thou hast eternally flowering gardens
Where the butterflies fly – where ethereal lilies grow.
They are the Indias – of Cabral.
They are the laurels – of the creation of Tupã.

How I miss Itapuã!
I want to cartwheel on the dunes of Abaeté,
Dance the allegretto at the sound of the oboe;
Have my hands caressed in the plumes of a heron.

Thou hast in Campo Grande the Grace and the Victory
- an indian sculpted o’er a pillar -
Thou shinest with the shining fire of Pirajá
Thou hast Triton kissing thy feet.

The multitude going down the Galés –
Crowding Rua Chile.
- Among the people black Nefertitis
Will worship thee at the Sé Square.

They go up and down the seared stones –
Unwrought diamonds covering Pelourinho paths
- Idyllic oasis where Zumbi made his dwelling - Sacred site where the fraternity raises.

Thine heroic people bring on the chest Liberty girded
- They’re brave warriors, not feeble!
They bring the loud shout of the Aflitos from innermost parts
Who at the sound of the beautiful drums
Make thy green pastures e'en greener.

How do I miss the calmness of Stela Maris!
The coconuts in Jardim de Allah!
I miss sitting on the meadow at Piatã beach
Listening to the birds in the trees cheering
Seeing the red flowers of the acacia, making the foliage crimson.

I want in Boa Viagem to promenade
At the dawn of January the first;
Dance on the Avenida in February;
From Castro Alves Square contemplate the horizon, the statuary .

Ah! Salvador, my Salvador!
Neither Homer, or Camões, or Byron, or
Even all the poets in the world,
Would know to word how nice
‘Tis walking freely through Dendezeiros.
They wouldn’t even translate what it is to be thine.

Who hath not seen Pituba at dawn
Being enrapted by the roaring of the waves?
Who hath not sat at Mont Serrat
To watch the sea at sunset shades –
Loving thee as the Bard the Black Lady?

Who’s seen such a beauty shall it never forsake!
Co'ered in jewels thou art the mistress of fires –
For whom the angel play lyres;
For whom Caetano maketh songs.

Ah! Salvador, Salvador my dearest!
If thou knowest I miss thee so much …
- I’m like the sailor o'er the sea -
Thou wouldest ask God to give me back unto thee;
Wouldest pray Heaven to wipe my tears from me.

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sexta-feira, fevereiro 03, 2012

02 de fevereiro: dia de festa no mar e pânico na terra


Enquanto a praia do Rio Vermelho acolhia os devotos do candomblé com suas oferendas e seus atabaques na festa de Iemanjá, o Centro de Salvador parecia querer alargar suas ruas estreitas para dar vazão à corrida desesperada de pessoas procurando, nas lojas e prédios da região, abrigo contra os arrastões que, segundo se ouvia, estavam acontecendo nos shoppings, pontos de ônibus e em diversos bairros da cidade.

Esses saques e roubos, ao que parece, começaram no bairro da Liberdade por volta das 10 da manhã e se alastraram rapidamente pelo Centro, continuando por toda a cidade até chegarem ao shopping Salvador Norte, já no município de Lauro de Freitas.

A razão para o terror que se instaurou na capital baiana e em outros municípios do estado foi a greve da PM iniciada no dia 31/01/2012 numa assembléia que se decidiu pela paralisação por tempo indeterminado da Polícia Militar, paralisação à qual apenas parte do efetivo aderiu. No entanto, essa adesão em parte à suspensão das atividades policiais foi motivo de sobra para permitir que viessem à tona todo o medo e stress que, já faz muito tempo, se instalaram na alma da população - por causa da insegurança e aumento assustador da violência na cidade - e gerar a ansiedade cheia de pavor que víamos no andar corrido dos transeuntes, nos pontos de ônibus lotados, nas casas trancadas a sete chaves por todos os lugares onde passamos ontem.

O temor que se abateu sobre nós, no entanto, parece ter sido “injustificado”. Pois, os crimes veiculados em sites da Internet e programas de rádio das notícias durante todo o dia, tais como os arrastões que fizeram a população entrar em polvorosa, os assaltos que fizeram os comerciantes da Avenida Sete de Setembro, dos bairros populares e até mesmo de grandes Shopping Centers como o Itaigara e o Barra fecharem as portas mais cedo, não passaram de episódios comuns da rotina da cidade.

O que a bandidagem fez foi simplesmente agir com mais liberdade. Daí está claro que pudemos ver marginais desfilando pelas ruas como se fossem os senhores do mundo! E, é claro também, que os arrombamentos, arrastões e todo o resto – em Salvador e em outros municípios – aconteceram de forma mais concentrada. Mas será que ontem o diabo foi mesmo tão feio quanto o estão pintando por aí?

Não estou querendo minorar os episódios de ontem, foram tenebrosos! Apenas creio que, a maneira como a população respondeu a eles, foi simplesmente a explosão do acúmulo de medo e ansiedade pelos quais somos acometidos todos os dias. Para comprovar isso, basta respondermos a essas perguntas: Quem de nós anda nas ruas de Salvador e não tem medo de ser assaltado? Quem tem coragem de caminhar na Orla distraidamente? Quem pega ônibus sem estar em estado de suspensão por acreditar que a qualquer minuto ladrões se levantarão e roubarão cobrador e passageiros? Quem pára em semáforos em determinados pontos da cidade e deixa as janelas do carro abertas ou, ainda, quem respeita o sinal após as 21:00 horas?  Quem não conhece alguém que foi assaltado, seqüestrado ou morto por bandidos?

Talvez,  o nosso  secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa, desconheça esses fatos, pois foi ele quem disse à imprensa: "A situação é sensível e não podemos desconsiderar isso. Mas vamos restabelecer essa sensação de segurança o mais rápido possível". Eu, soteropolitano, residente em Salvador por quase toda a minha vida, há vários anos não sei o que significa “essa sensação de segurança”. Na verdade, a única sensação que tenho é a mesma que me ocorreu quando li o Pequeno Príncipe, mais especificamente o momento em que ele está sobre uma duna e lança um grito ao ar que lhe retorna em forma de eco. Ao ouvir sua própria voz ele diz: “você quer ser meu amigo? Eu estou só” e o eco lhe responde: “estou só, estou só, estou só”.

Em Salvador, estamos sobre as dunas gritando aos poderes públicos com pulmões cheios e a única coisa que ouvimos é o eco de nossas próprias vozes ao vento repetindo incansavelmente “eu estou só, eu estou só, eu estou só”, numa solidão tenebrosa.

Tudo bem, o governo federal liberou 2600 homens da Força de Segurança Nacional para restaurar a ordem e “essa sensação de segurança” na Bahia. Esses homens poderão ficar aqui até o carnaval – para proteger os quase um milhão de turistas que virão derramar seu dinheiro em nossos cofres - caso a PM não volte ao trabalho imediatamente conforme ordenou o juiz Ruy Eduardo Almeida Brito. Mas e depois ou, quem sabe até mesmo, “e durante”?

2600 homens com fuzis, metralhadoras e todo o arsenal que lhes cabe irão proteger pontos específicos da cidade, darão segurança, especialmente, ao turista e, a reboque, à população em geral. Mas será que esses homens patrulharão os bairros populares? Será que estarão presentes nos ônibus municipais? Será que terão a capacidade de apagar das mentes das pessoas o terror, o stress que elas viveram, lhes tirar do coração o sentimento de impotência apavorada como a que eu vi nos olhos do meu aluno pré-adolescente quando ele, entrando em sala, me perguntou: “professor, e se eles (os criminosos) vierem aqui matar a gente”? Me preocupa pensar na resposta.

Me preocupa também saber que “essa sensação de segurança” só pode nos ser dada através das Armas e de seu arsenal bélico. Da transformação da vida cotidiana urbana em cenário de guerra, da exposição de nossas crianças às mesmas imagens a que a população de países como Iraque, Afeganistão, Israel, estão se acostumando. O problema não está na greve da polícia militar! O problema não está na chegada dos combatentes de guerra! O problema está no descaso diário, no abandono – por parte da sociedade e dos poderes públicos que ela elege – e na marginalização do povo, nas Gotham Cities que se formam todos os dias ao redor dos condomínios de luxo de pequeníssima parcela da população. O problema, senhoras e senhores, está na falta do cuidado para com o nosso povo!

E é por pensar assim que não tiro a razão daqueles que estavam no Rio Vermelho ontem, alheios ao caos que pouco a pouco se apoderava de nossa cidade inteira. Afinal, talvez a única coisa que lhes resta seja mesmo apelar aos seus deuses, às forças míticas, aos elementos da natureza transformados em poderes sobrenaturais para que dessa forma consigam se alienar da terrível realidade que nos cerca.

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segunda-feira, janeiro 02, 2012

COMO PERDER PESO

Antes de você ler o texto abaixo, é necessário ter em mente algumas dicas:
  1. DECIDA QUE VAI EMAGRECER
  2. CONSULTE O MÉDICO E FAÇA EXAMES DE ROTINA
  3. PROCURE UMA BOA ACADEMIA COM PROFISSIONAIS HABILITADOS
  4. FAÇA SEMANALMENTE UM CARDÁPIO COM TODAS AS REFEIÇÕES DIÁRIAS
  5. LEMBRE-SE DE QUE VOCÊ QUER EMAGRACER
  6. NÃO FALTE AOS EXERCÍCIOS DA ACADEMIA
  7. QUANDO A FOME APERTAR COMA FRUTAS OU SALADAS
  8. PESE SUAS ESCOLHAS! O QUE É MELHOR PARA SUA SAÚDE: 3 BISCOITOS RECHEADOS OU 3 BANANAS DA PRATA? SE A RESPOSTA FOI O BISCOITO, RELEIA AS DICAS 1 E 5
  9. DEIXE À SUA VISTA AQUELA FOTO QUE O/A FAZ LEMBRAR DO MOTIVO DA DIETA OU AQUELA ROUPA QUE NÃO CABE MAIS - SÃO BONS REFORÇADORES
  10. LEMBRE-SE QUE A DIETA É PARA VOCÊ E SUA SAÚDE, VOCÊ NÃO PRECISA ENGANAR A NINGUÉM COMENDO ESCONDIDO
  11. VOCÊ PODE COMER DE TUDO, SÓ TENHA EM MENTE QUE TUDO TEM CALORIAS E QUE AS CALORIAS NÃO CONSUMIDAS SE TORNAM BANHA EM SEU CORPO
  12. VOCÊ NÃO PRECISA DE REMÉDIO - A NÃO SER EM CASOS GRAVES - SÓ PRECISA DE DISCIPLINA
  13. SE NÃO CONSEGUE RESISTIR ÀS TENTAÇÕES, PEÇA AJUDA EM CASA, NO TRABALHO, ONDE QUER QUE VOCÊ VÁ COMER
  14. LEMBRE-SE QUE NO FINAL DAS CONTAS VOCÊ FICARÁ MUITO FELIZ EM SE SENTIR LEVE, EM CABER NAS ROUPAS, EM SUBIR ESCADAS SEM BOTAR OS BOFES PRA FORA, EM COMER UM POUCO MAIS DE TUDO, EM CHAMAR A ATENÇÃO DE FUTUROS/AS PRETENDENTES, E QUE VOCÊ DIMINUIRÁ OS RISCOS DE DIABETES, DOENÇAS CARDÍACAS, AVCs E AFINS
  15. NÃO PERCA DE VISTA O PORQUÊ DE SUA DECISÃO INICIAL  
  16. NÃO DESANIME! NA PRIMEIRA SEMANA VOCÊ VAI SENTIR MUITA FOME - É NORMAL! SEU CORPO ESTAVA ACOSTUMADO A CONSUMIR MUITO. RESISTA! A SENSAÇÃO DE FOME DESCONTROLADA VAI PASSAR. ENQUANTO NÃO PASSA, OPTE POR SALADA VERDE - ALFACE, PEPINO E TOMATE - OU UMA FRUTA DE BAIXA CALORIA - 1 BANANA DA PRATA, 1 MAÇÃ, 1 PERA, 1 FATIA MÉDIA DE MELÃO -, POIS TÊM POUCAS CALORIAS. COMO SEU CORPO VAI COMEÇAR A PERDER MUITO PESO, DURANTE O PROCESSO VOCÊ IRÁ ESTAGNAR. NÃO ENTRE EM NEURA! ESSA PARADA NO EMAGRECIMENTO É UM MECANISMO DO SEU CÉREBRO PARA PRESERVAR SUA VIDA - EU FIQUEI UMA SEMANA E MEIA SEM PERDER UM ÚNICO GRAMA, TEM GENTE QUE FICA DUAS OU TRÊS; DEPOIS VOCÊ VOLTA A EMAGRECER. PERSEVERE!
  17. ALIMENTE-SE A CADA 2 OU 3 HORAS - ISSO VAI AJUDAR SEU METABOLISMO A FICAR MAIS RÁPIDO E NÃO DEIXARÁ QUE VOCÊ SAIA DEVORANDO TUDO QUE ENCONTRAR PELA FRENTE.

COMO PERDER PESO

27/05/2011
Bem, eu demorei bastante para começar a escrever alguma coisa sobre meu emagrecimento - que as pessoas estão chamando de “a jato” – e quase desisti de falar qualquer coisa aqui agora. Mas, como tem um monte de gente perguntando e me cobrando a receita, depois de muito relutar – porque não quero ser um novo guru do “medida certa” nem levantar bandeiras para neuróticos anoréxicos, mas ajudar aqueles que querem emagrecer por uma simples questão de saúde - resolvi fazer um textinho.

01/01/2012
Quero, porém, lembrar que, antes de qualquer dieta, é necessário fazer exames de rotina e consultar seu médico clínico, cardiologista e profissionais competentes de educação física sem os quais seu regime e sua atividade física, em vez de te ajudarem, podem te mandar pro beleléu sem passagem de volta. Vou avisando logo pra ninguém querer vir puxar meus pés depois.

Ocorreu que depois de mais de um ano e meio sem praticar nenhuma atividade física - antes de parar praticava capoeira e musculação – e cair numa vida sedentária regada a Big Mac combo (todo sábado e domingo), pão de queijo (a cada dois dias) e MacFlurry (de sobremesa a semana inteira), além de comer muito no café da manhã, almoço, jantar e merendas, aconteceu o óbvio: ganhei muita gordura corporal.

A minha estrutura, que “sempre” comportou um peso oscilante entre 60 e 61 kg, passou a carregar 76 kg de peso gordo. Tá bom, algumas pessoas vão dizer que isso não é muito, que eu me tornei o neurótico anoréxico que eu critiquei lá em cima, já sei. Mas, preste atenção, para um cara de 1.70 cm, acreditem, 76 kg fazem muita diferença! No entanto, a ficha só caiu de verdade por acaso. É claro que eu já havia percebido que minhas roupas estavam apertadas, algumas delas eu não conseguia mais usar; que já tinha ouvido meus alunos me chamarem de “fofo”, “barriguinha sexy”, e outras pessoas me dizerem que eu estava “forte” – esse adjetivo na Bahia pode ser um eufemismo para “quase obeso” -. Só que você vai deixando o barco ir à deriva, vai se empanturrando, vai se deixando levar pelas papilas gustativas e pelo sódio dos alimentos industrializados e acaba saindo da silhueta de Zé Bonitinho para a do porquinho Rabicó como se fosse o processo natural da vida até que um evento desses extra-ordinários descem como uma centelha de luz divino sobre nosso cérebro entorpecido.

Para mim ela veio no dia 27 de maio de 2011, quando fizemos o lançamento do meu livro DE DOR E DE SONHOS na livraria Saraiva do shopping Salvador. Lá, como em toda noite de autógrafos, houve fotos, poses, caras e bocas o tempo todo. Quando cheguei em casa e comecei a fazer o upload das fotografias e a ver as que já estavam nos álbuns do FACEBOOK dos amigos, tomei o primeiro choque. Nas fotos comigo tudo o que se via eram minha bochecha e papada. Aí eu fiquei deprê, achando todas as fotos feias, procurando ver no programa da máquina se um pouco mais ou menos de iluminação poderia ajudar a minorar o problema. Não adiantou muito, então aproveitei apenas uma dúzia dos inúmeros retratos tirados.

SALADAS AJUDAM!!!
No dia seguinte - outra centelha de luz! -, tivemos um almoço em família após o qual fomos dar um passeio. Neste, entramos em uma farmácia e minha sobrinha resolveu se pesar e todos nós seguimos seu gesto. Lá caiu a bomba: 76 quilos e 57 gramas. Eu pensei: Meu Deus, mais quatro quilos e eu estarei obeso! Ô drama dos dramas, eu sei, mas não estava longe de ser verdade. O churrasco do almoço começou a pesar lá dentro da consciência, assim como a salada de maionese, o feijão tropeiro, as várias colheradas de arroz branco e as três latas de Coca Cola. Decidi então chegar em casa e a partir daquela tarde cortar todo o açúcar de uma só vez, eliminar o arroz e o pão e expurgar a manteiga e o óleo da minha vida para todo o sempre.

O que aconteceu? Já na primeira manhã bateu o mau humor, a dor de cabeça, a fraqueza. Passei um dia inteiro praticamente sem falar nada, prostrado e com uma cara que faria o diabo correr de medo. No dia seguinte eu não agüentei mais e voltei a comer tudo, com ganas de quem havia passado dois anos num campo de concentração nazista. Alívio dos alívios! A dor de cabeça sumiu levando consigo o mau humor e a prostração para a alegria de quem convive comigo.

Daí eu me propus a voltar ao exercício como solução para não ter de abandonar a comida. Fui andar na praça perto daqui de casa, dei duas voltas e cansei. No dia seguinte fiz a mesma coisa e na segunda volta resolvi correr. Com dois minutos estava botando o coração pela boca e sentindo a perna endurecer. Resultado: parei. Cheguei então a uma outra solução: diminuir a quantidade de comida à noite e o número de pães durante o dia. E fui assim, sem mudanças dramáticas de maio ao final de julho quando em fim encontrei uma academia perto de casa e resolvi me inscrever.

Já na academia e com os resultados dos exames médicos - clínicos e cardiológicos – em mãos, e o conhecimento de que o colesterol e o GGT estavam altos, marquei, pelo plano de saúde, o endocrinologista – o qual, se fosse o caso, me indicaria a um nutricionista cujos custos o plano cobriria. Mas adivinhem! A data mais próxima para a consulta era 17 de outubro! Pasmem! E viva o PLANSERV!

Bem, meu consolo então foi que, como toda a academia que se preze, a minha tem uma avaliação física - aqueles pequenos testes que professores habilitados fazem para irem acompanhando seu progresso durante seu tempo de treino e poderem te guiar, no que se refere ao exercício físico, em como perder peso. O professor me pesou, mediu abdômen e cintura, etc. Resultado, risco coronariano: moderado; IMC: excesso de peso (nível 1 - tão vendo que a obesidade não estava longe?!); ICQ: moderado; gordura corporal: 25%; peso gordo: 18%.

Baseados nisso, começamos os exercícios, moderadamente para ir re-acostumando o corpo, fortalecendo a musculatura, os tendões. Todavia, ainda me restava a questão alimentar que eu mantinha da mesma forma. Então, outra centelha de luz divina veio para mim em forma de controle remoto!

Almoçando sozinho em casa, resolvi sentar no sofá para ver TV. Como não tinha nada interessante passando, fui trocando o canal até parar no GNT onde estavam exibindo um programa chamado “Perdas e Ganhos”, com Cynthia Howlett - http://gnt.globo.com/perdaseganhos/. O programa é uma espécie de Reality Show – um que realmente vale a pena acompanhar - em que pessoas se inscrevem a fim de terem ajuda de especialistas para emagrecer. O episódio em questão foi este: http://gnt.globo.com/perdaseganhos/videos/_1542299.shtml. Em que o Dr. Guilherme de Azevedo apresenta sua “dieta das notas” – uma simplificação da “dieta dos pontos - para um dos participantes.

Seguindo a proposta do “PERDAS E GANHOS”, que é perder 10 kg em 10 semanas, e conhecendo os outros tipos de dietas propostas pelos endocrinologistas e nutricionistas do programa, resolvi ficar com a DIETA DOS PONTOS e incorporar a ela dicas de outros regimes – cortei açúcar e farinha branca, por exemplo. Procurei tabelas com valores calóricos dos alimentos em vários sites diferentes para poder compará-las e montei meu cardápio semanal.
O resultado foram não 10, mas 17 quilos em 10 semanas após as quais eu precisei de aumentar o consumo calórico porque continuava a emagrecer.

Agora - depois de ver o tamanho desse post!! - a recompensa para os bravos que conseguiram lê-lo até aqui. O cardápio dos dois primeiros dias:

Sugestão:
Café da manhã = 80 notas
Lanche 1 = 50 notas
Lanche 2 = 50 notas
Almoço = 120 notas
Lanche 1 = 50 notas
Lanche 2 = 50 notas
Jantar = 120 notas

Total = 520 notas = 1.040 Kcal

OBS: as notas correspondem às calorias divididas por dois. Assim, um alimento de 80 kcal = 40 notas.

JULHO 2011
DOMINGO

Café da manhã:
1 fatia de pão integral = 35 notas
1 copo de leite c/ choco = 40 notas
Total = 75 notas

Lanche:
1 fatia de mamão = 25 notas
1 banana da prata média = 25 notas
Total = 50 notas

Almoço:
Salada verde = 0 nota
2 col. de sopa de macarrão = 35 notas
½ peito médio de frango = 108.5 notas
2 col. de salada de bacalhau = 64.8
1 colher de sopa de gelatina = 20.3
Total = 225.8 notas

Lanche:
1 banana média = 25 notas
Total = 25 notas

Jantar:
Salada verde = 0 nota
Total = 0 nota

Lanche:
1 banana média = 25 notas
2 colheres de Aveia = 52 notas
Total: 77 notas

OUTUBRO 2011
SEGUNDA-FEIRA

Café da manhã:
1 iogurte corpus light= 30 notas
6 bolachas Vitarella light = 62.5
Total = 92.5 notas

Lanche:
1 banana da prata média = 25 notas
Total = 25 notas

Almoço:
Salada verde = 0 nota
2 col. de sopa de arroz = 35 notas
1 ovo cozido = 40 notas
2 col de sopa de feijão = 35 notas
4 col. de sopa de beterraba = 15 notas
Total = 125 notas

Lanche 1:
1 banana média = 25 notas
Total = 25 notas

Lanche 2:
1 maçã = 25 notas
1 iogurt light = 30 notas
Total = 55 notas

Jantar:
Salada verde = 0 nota
4 col de beterraba = 15 notas
1 fruta = 25 notas
Total = 40 notas


É bom lembrar que devemos nos alimentar a cada três horas, quando demoramos muito de uma refeição a outra, nosso metabolismo fica mais lento e isso dificulta a queima calórica. Também, é importante ter em mente que não devemos comer muito de uma só vez, isso aumenta o trabalho das hemácias e pode acarretar doenças como cânceres. O ideal é comer pouco várias vezes ao dia.Lembrem-se que a gente engorda por consumir mais calorias do que consegue gastar e emagrece por consumir menos calorias e conseguir gastá-las. 

Se alguém quiser meu cardápio das 10 semanas, é só deixar o email.

VISITE: www.marciowaltermachado.com.br


domingo, dezembro 25, 2011

Cristo versus Noel ou o Amor versus o Cosumismo


Eu me lembro, em criança, de no segundo final de semana de dezembro, quando chegávamos para visitá-la, minha avó nos chamando para ajudar na montagem e arrumação da árvore de Natal. Depois de tudo pronto, era a hora de escolher onde pôr o presépio - geralmente optávamos em colocá-lo no hall de entrada da casa, para que todos vissem na chegada - e na saída - a Sagrada Família reverenciada pelos três reis-magos e os animais na manjedoura a fim de que não esquecessem do significado da festa que se aproximava.

Lembro também de como esperávamos por esse dia tão especial para nós: dia de uma solenidade divertida, entusiástica, aguardada o ano inteiro! De como ríamos com a colocação desajeitada dos enfeites na árvore e pela casa e, depois, dos rostos solenes quando a arrumação terminava. Ficávamos olhando a árvore e o presépio por um longo minuto que em nossas mentes de crianças durava uma eternidade da qual éramos retirados apenas pela voz de minha avó perguntando por que a estrela estava sobre a árvore, ou o menino Jesus, o Filho de Deus, ter nascido numa manjedoura, ou quem eram os reis-magos e o que cada um de seus três presentes - ouro, incenso e mirra - significavam. Já sabíamos, àquela altura, da história de cor e salteado, por isso, todos respondíamos quase que em uníssono, atropelando-nos uns aos outros no falar: “o ouro representa que Jesus é o Rei; o incenso que ele é divino; e a mirra é o perfume do seu futuro embalsamamento (confesso que demoramos muito a dizer esta última palavra corretamente)”.

Então, ela nos mandava pegar as caixas, vazias, mas embrulhadas em papéis de presente, e pô-las em redor da árvore. E quando perguntávamos: “nosso presente está aqui voinha?” Ela respondia: “só vai aparecer na noite de Natal” e nos dava um sorriso enigmático. Para nós, então, o presente viria de forma mágica, apenas não sabíamos como. Nunca nos disseram nem nos desdisseram que Papai Noel os traria ou que eles apareceriam ali por um pirlimpimpim recitado. Sabíamos apenas que estariam lá e que a magia do Natal estava bem além do ganhar presentes.

Nesta noite de Natal, tantos anos após o fim de minha infância, vendo o nosso presépio observado pelos olhos curiosos dos pequenos familiares, me pergunto como as outras famílias estão comunicando a data para as novas gerações; me pergunto o que essas novas gerações entenderão do Natal.

Embora a palavra por si só já diga tudo – Natal (do latim “natalis”, derivado de “natus”, passado particípio de “nasci”, nascer) significa nascimento -, parece que fica no ar a pergunta: nascimento de quê ou de quem? Para mim, a quem a história era contada todos os anos na arrumação da árvore e do presépio, é óbvio de que se trata do nascimento do Salvador, que pregou o amor ao próximo e a fraternidade como condições sine qua non para se entrar no reino dos Céus, para que deixássemos de ser simplesmente humanos e nos alçássemos às alturas da divindade. Mas hoje, assistindo a filmes e especiais de Natal na TV, caminhando pela cidade, passeando pelos shopping centers, lendo cartões natalinos e aceitando convites para ceias, a certeza da minha infância me aparece sob uma densa nuvem de névoas escuras sob a qual eu fico procurando uma resposta, mas tudo que vejo me confunde.

A troca de presentes despretensiosa que me foi transmitida como forma de demonstrar carinho pelo outro, se tornou uma imposição mercadológica cada vez mais cara; o “Noite Feliz” que nos dava a idéia de amor e fraternidade, deu lugar ao “Botei meu sapatinho na janela” apenas para lembrar de que é preciso ganhar presentes; os presépios nos shoppings já não se vêem mais, em seu lugar se tem fábricas de Papai Noel cada vez mais sofisticadas, o que numa leitura mais aprofundada significa dizer: para trás todo sentimento que não evoque o consumo! – a este propósito pode-se ler um texto que fiz há mais de um ano: http://marciowaltermachado.blogspot.com/2010/12/nem-uma-fita-nem-um-cartao-nem-uma-vela.html; as ceias em família e entre amigos, antes utilizadas para, pelo menos uma vez ao ano, nessa vida corrida que temos, reunir a todos numa alegria comum, se tornou apenas um motivo de embriaguês onde pais e filhos mal parecem se conhecer; nos especiais de TV e nos filmes o que nos dizem é que sem o Papai Noel, vestido com as roupas criadas pelos capitalistas e assumidas pela THE COCA COLA COMPANY, não existiria Natal ou este não teria sentido. Trocaram-se os anjos anunciadores da paz universal e da boa vontade entre os homens, pelos duendes da cultura nórdica, histericamente dedicados ao modo de produção fordista, ávidos por entregarem presentes às crianças em todo mundo na hora certa – ato desprovido de quaisquer significados espirituais, apenas mergulhado na idéia de produção e consumo. Nenhuma ou pouquíssima referência aos nobres sentimentos inspirados pela Natividade se fazem fora das igrejas e mesmo assim - talvez o que ainda seja mais chocante é saber que - há igrejas que, imbuídas do sentimento de anticristo (I João 4:2-3), fazem de tudo para demonizar a data natalina sob a alegação de que a Bíblia não diz quando nasceu o Salvador.

Por certo Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro, historicamente sabemos que esse era o dia dedicado ao Solis Invictus Natalis – Nacimento do Sol Invicto -; sabemos também que os ortodoxos comemoram o Natal em 06 de janeiro, assim como que as pesquisas históricas e da arqueologia bíblica põem o nascimento de Cristo no dia 04 de outubro. Mas nada disso importa! Jesus poderia ter nascido no dia 30 de fevereiro, desde que se comemorasse a idéia que está por trás do seu nascimento, desde que se trouxesse à humanidade a mensagem que a data transmite. Há mais de 1500 anos comemoramos o Natal como a data que celebra a vitória do divino sobre o animalesco, do amor sobre a indiferença, da espiritualidade sobre o materialismo; comemoramos a fraternidade e o amor entre os povos de todas as nações e pessoas de todas as idades representados pela imagem dos reis-magos adorando ao menino Jesus. De maneira que o Natal se transformou no símbolo da reflexão, da observação interior, da transformação de atitudes, da renovação da vida que nos é transmitido apenas pela observação do nascimento de Jesus, o Rei dos reis, o Filho de Deus, numa manjedoura simples em Belém, coisa que um velho engordado pelo ideal consumista, montado num trenó voador e louco por jogar presentes pelas chaminés cobertas de neve de maneira alguma pode nos inspirar.

Deveríamos era mesmo aproveitar o 25 de Dezembro, o 06 de Janeiro, o 04 de outubro, ou qualquer data que celebre esse nascimento divinamente humano para permitir que mais uma vez a transformação resultante de nossa reflexão nos falasse das coisas inefáveis do amor antes que essa idéia se perca nos sacos de presentes e na neve artificial dos shopping centers.

Feliz Natal! Feliz Navidad! Felice Natale! Joyeux Noel! Happy Christmas! Hyvää Joulua! Veselé Vanoce!

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quarta-feira, outubro 12, 2011

Frango cozido ao molho de cenoura e beterraba

Ainda na dieta, resolvi mudar um pouquinho a cara do frango e fiz a receita a seguir, espero que vocês gostem ;).




Igredientes:

4 coxas e/ou sobrecoxas de frango
1 beterraba média
1 cenoura grande
6 colheres de extrato de tomate
2 sachês de Sazón
1/2 colher de chá de cominho
1 colher de chá de orégano
4 limões
1/2 copo de água


Modo de preparo:

Deixe o frango imerso no suco de 4 limões por pelo menos 2 horas  (adicione um pouco de água se preciso). Rale a cenoura e a beterraba e bata no liquidificador com um pouco de água até obter uma mistura homogênea.
Numa panela, ponha o extrato de tomate, o Sazón, o cominho e o orégano e misture (se preciso, coloque a água aos poucos para que o molho não fique muito grosso). Adicione a beterraba com a cenoura batidas, misture bem. Após isso, faça pequenos furos na carne e a cubra com o molho. Deixe descansar por alguns minutos (não precisa ser mais que 10 minutos).
Leve ao fogo e espere levantar fervura, então, cozinhe em fogo brando por aproximademente 40 minutos.
Sirva o frango com as folhas de rúcula e o coentro - as folhas dão um sabor extremamente bom quando mastigadas junto com a carne e o molho - e arroz branco. Não se esqueça que para começar o almoço uma salada  é sempre bem-vinda!
Bom apetite!

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domingo, setembro 18, 2011

Filé de merluza assado - receita diet

3 Postas de merluza (cada posta tem + ou - 90 Kcal)
2 colheres de sopa de cream cheese light Philadelphia (62 Kcal)
1 cebola
1 punhado de cebolinha
1 pimentão
6 limões grandes
4 tomates
1 punhado de salsa
1 punhado de hortelã
1 colher de extrato de tomate (6 Kcal)
Sal à gosto
1 colher de sopa de uvas passas (30 Kcal)
1 colher de sopa de sazón (aprx 3,5 Kcal)


(total aprx. = 190 Kcal)

Modo de preparo:
Deixe o peixe em suco de 4 limões por 2 horas. Após isso, ponha um pouco de sal sobre as postas, em ambos os lados. Corte algumas rodelas de cebola, tomate e pimentão e coloque-as na assadeira. Depois, cubra-as com as postas de peixe e acrescente mais cebola, pimentão e tomate em rodelas sobre o peixe (assim você evita que o peixe queime ou, dependendo da assadeira, que ele se grude nela). Cubra as postas com um fio leve de azeite de oliva, cubra a assadeira com papel laminado e leve ao forno por aproximadamente 20 minutos.


Molho:
Bata no liquidificador cebola,cebolinha, pimentão, tomate, salsa, hortelã, extrato de tomate, sal à gosto, cream cheese light Philadelphia e o sazón. Após ter obtido uma mistura uniforme, acrescente um pouco de água e leve ao fogo até esquentar o suficiente para ser servido com o peixe. antes de servir, acrescente as uvas passas ao molho.

O peixe pode ser servido com salada verde e arroz branco. Para beber, o suco de limão é uma boa opção.



Obs: Eu não coloco o molho verde diretamente sobre o peixe, prefiro pô-lo no prato e ir molhando o peixe nele.
Se você quiser, em vez do azeite de oliva, pode também pincelar o peixe com manteiga. 


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Londres ao pôr do sol

Devo confessar que nesta altura do campeonato não vi sequer um jogo da Copa do Mundo na Rússia. Eu sei, o Brasil está em polvorosa, ca...