domingo, maio 10, 2009

Perdido

De tanto amar-te, meu coração virou um rio
E entre afluentes, corredeiras e precipícios
Ele perdeu-se no caminho - eu me perdi!
Pedi a Deus que me fizesse anjo, ave voando -
Que me desse um ninho!
Mas ai!, malgrado meu, Deus ainda não me ouviu.

Há dias em que as estrelas não brilham
Nem a lua nasce no horizonte escuro;
Em que eu não tenho norte, nem sul, nem rumo
E minha estrada é calçada de inúmeras perguntas sem respostas.

Queria me jogar no mar e esperar suas águas profundas
Me envolverem naquele silêncio de mar,
E quando estivesse descendo a me afogar, tu viesses do nada
E me levasses de volta à tona pela mão.
Queria descer no vazio silencioso do mar
Só para ver se tu virias correndo salvar minha ilusão.

Mas temo que ficaria só na imensidão de oceano que é a vida.
Porque os amores todos nascem mesmo é na solidão,
E lá eles se criam e se desfazem e se refazem
Nessas invenções que geramos dentro de nós na busca de sermos completos,
Nessa desvontade de abrirmos mão do que um dia quisemos ter
- É justamente quando o coração se perde e nos sentimos como rios
Que se afogam no meio do mar.

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domingo, maio 03, 2009

A ver navios

Meu amor se perdeu além do cais
Foi embora entre navios e balsas largas.
Fiquei a dar adeus c'os olhos cheios de lágrimas amargas
E nem sei dizer se ele voltará.

Hoje fiquei contando estrelas ao anoitecer.
Se alguma delas brilhou pra mim, não sei dizer
Mas penso que elas são todas lindas
E que estão no lugar onde eu queria estar
- De lá de cima, poderia ver o mar
E saber em que porto atracou quem partiu sem mim.

A vida a ninguém machuca,
Mas os homens, esses sim, são maus.
Não foi à vida que dei toda a minha ternura,
Não foi ela quem me retornou pedras e paus.
A vida a ninguém machuca.

Deixei pela manhã os passarinhos cantando na janela,
Eram cardeais e canários de pena amarela,
E saí correndo a ver o mar.
Mas do cais não avistei navios, só vi as ondas marolando devagar.

Saí correndo pela manhã procurando preencher o meu vazio.
É tão ruim ficar lembrando de quem partiu!
Queria mesmo era mandar todo mundo pra puta-que-pariu!
Mas eu sou tão besta, meu Deus, que fico aqui à beira-mar
Solitário, triste, perdido, com os olhos fixos a ver navios.





terça-feira, abril 21, 2009

Castelos de areia - Para V.B.M

Eu sei fazer castelos - de cartas, de ventos, de areia e canções,
Faço-os como quem brinca na beira da praia ao amanhecer,
Como quem experimenta a vida e vive, acanhado, as emoções
Que vêm de longe, de perto, de dentro da gente -
Emoções do brilho das estrelas, da maciez das rosas e do cheiro do alfinete quando floresce.

Uma noite dessas, pus meus castelos sobre um barco sob a lua
E fiquei vendo de longe o que os ventos e a chuva fariam.
Uma noite dessas, vi meus castelos ruindo aos poucos no vento
Enquanto eu observava de longe, do outro lado da rua.
Meu amor é como um castelo de areia em meio à ventania.

Eu falo de sonhos naufragados e de ilusões perdidas,
Mas não lhe conto dos olhos mareados nem do peito intumescido:
A chuvarada da noite encobre tudo – pranto e riso.
Blem bem blem bem blem bem blem bem blem bem bem
É o sino na noite escura, pedindo ao meu bem que volte;
É meu coração triste desejando de seu amor a quentura.

Canto notas em tom menor porque elas sabem falar da dor no peito.
Deixei de lado os colibris e o rouxinol porque são sempre encantadores.
Sei que na vida tudo passa, e que nada, verdadeiramente nada,
Dura para sempre.
Mas enquanto a vida vai se fazendo de alegrias e dores
Com meus olhos molhados da chuva e meu peito ardente,
Eu fico parado do outro lado da rua
Vendo meus castelos e meus amores serem levados pelo vento.

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domingo, abril 05, 2009

Minha vida / My life

Alegrias contidas e lágrimas abafadas no peito -
A solidão tem dessas coisas.
Às vezes a gente fala sozinho para fingir que tem companhia,
Às vezes a gente ri baixinho para trazer à mente um resquício de alegria.

Tem vezes que pareço o atleta na tela de Zamuel Hube:
Correndo sozinho no meio do campo ermo,
De braços abertos como se vencesse o mundo inteiro
Enquanto a cidade, ao fundo, o olha amontoada e à distância.

Queria tirar essa tristeza do meu coração -
Dêem-me uma varinha daquelas de contos de fadas
E uma fada madrinha que transforme minha abóbora em avião.
Um dia eu achei o amor da minha vida, mas o amor da minha vida não me viu;
Foi-se embora, partiu! e os meus dias todos foram maçadas.

De caminhar pela vida de coração partido e de de sorrisos no rosto,
Sentei-me à beira do rio de águas cristalinas que roçavam os seixos
E refletiam o esboço do que eu sou.
De lá, vi o céu azul ficando cinza ficando azul;
De lá, vi meus sonhos correndos de capas verdes, de vestido nu.

Minha vida é feita de vapores e de água corrente,
É uma pena caindo da árvore ao chão lentamente
E sendo soprada pelo vento antes que a terra a acolha.

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Restrained happiness and tears choked back in the chest -
Solitude is like this sometimes.
At times we speak to ourselves pretending we have company,
Sometimes we laugh in hushed tones to bring to mind some faded contentment.

There are days when I feel like the athlete on a canvas by Zamuel Hube:
Running alone in the middle of a deserted field,
With arms wide open as if he had conquered the whole world
While the city, on the back ground, cramped and aloof looks at him.

I wish I could take this sadness away from my heart -
Give me one of those fairy-tales wands
And a fairy godmother to transform my pumpkin into an airplane.
One day I found the love of my life, but the love of my life didn't see me;
It went away, disappeared! and my days were all hardships.

Of walking through life, with a broken heart and a smile on the face,
I sat by the river of pure waters that gently washed the pebbles
And reflected the faint image of what I am.
From there, I saw the blue sky become gray become blue,
From there, I saw my dreams in a green cape, in a naked dress running through.

My life is made of vapor and running water
It's a feather slowly falling from the tree
And being blowed by the wind before the earth cuddles it. 

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domingo, março 08, 2009

últimos versos

Estes são os últimos versos que terás de mim.
Já não tenho vontade de falar de ti,
De procurar teus olhos em outros rostos;
De tua voz não recordo mais o timbre
Ou o tom das músicas que cantavas para mim.

Meu coração esvaziou-se todo daquele amor que o enchia
- Minha alma está vazia como uma concha lançada à praia pela maré,
Não tenho sequer vontade de dizer-te adeus.
Secou-se me mim o choro, desapareceu para sempre a melancolia,
A agonia da paixão cessou e o meu coração se tornou um abismo colossal
Onde todas as tuas lembranças foram perdidas.

Estou sobre um penhasco de pedras finas e é dele que vejo
Tua última palavra calar-se, teu último sorriso desvanecer.
Penso em dizer-te "adeus", mas esta palavra fria que roça os lábios
Morre à flor da boca para que tu não escutes ao menos um sussurro meu.

Adeus amores falsos!
Adeus ilusões perdidas!
Adeus cadafalso! patíbulos terríveis onde estive!
Adeus às amarguras que me invadiram a mente!
Só a ti não digo adeus para que entre tu e eu
Haja apenas o silêncio.

Não foi para sempre o amor que tive por ti,
Como não será para sempre nenhuma amargura ou dor que me tenhas causado.
Bastou-me hoje, ao despertar do dia, para entender que não tens mais lugar em mim.
Esqueci quem eu era em prol de ti, mas essa insânia durou apenas um segundo.
Basta! adeus ao mundo vão e às ilusões infantis que nele gerei.
Só a ti não digo adeus para que não escutes a minha voz
E haja apenas o silêncio, sem ecos, vazio, entre nós.




domingo, fevereiro 22, 2009

Sem você/ Without you

Caía a chuva forte quando acordei de manhã.
O dia cinza, nevoento, era meu coração tremendo
Do susto de não te ver ao lado - ainda tremo ao amanhecer.
Meu Deus! quantas saudades eu trago em mim, quanta vontade
De te abraçar de novo, de recostar ao teu peito.

Quando tiver um tempo, pense em mim, lembre da lua surgindo,
De você me roubando beijos e dos meus olhos apaixonados.
Eles não têm mais o mesmo brilho, meu rosto não tem a mesma feição,
Mas aqui dentro, no coração, eu ainda tremo ao pensar seu nome.

Meubem, que nome suave é esse que pronuncio!
É como uma prece envolta em incenso doce;
Como miríades de serafins cantando louvores
Diante do Eterno - esse nome que pronuncio.

A chuva ainda cai agora, de leve, dançando no vento
E a lembrança de você corre viva em meu pensamento
Me enchendo daquela vontade de nós dois à luz de vela
Naquela noite primeira, som de violão depois do amor.

Ah! meu coração é só suspiro, nem sei mais se vivo
Porque todo meu viver está perdido nesse desejo de você.
A chuva cai lá fora, tão triste ela cai, e eu no peito suspiro um "ai!"
Pedindo, rezando, querendo te ver de novo.

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There was a heavy rain falling when I woke up this morning.
The gray, hazy day, was my heart trembling
At the fright of not having you near me - I still shake in the morning.
My God! how much I miss you! How big is the desire
To hug you again, to lay my head on your chest.

When you have the time, think about me, remember the moon arising,
The moments you stole my kisses and my loving eyes staring at you.
They don't shine the same any longer, my face doesn't have the same mien,
But here, in my heart, I still shake at the memory of your name.

Meubem, what a sweet name I utter!
It's like a prayer wrapped in aromatic incense;
Like a thousand seraphim singing praises
Before the Eternal - This name I utter.

The rain is still falling, sofltly dancing in the wind
And the memories of you vividly run through my thoughts
Filling me up with that longing to be with you at candle lights
Like in that first night, guitar songs after love.

Oh! my heart is a thousand sighs, I don't even know if I'm alive
Because all my existence is lost in the desire of having you.
The rain falls outside, so sadly it falls, while in my heart I cry
Longing, praying, asking to have you again.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Amar e não ter / Loving and not having

Amar é ter um vulcão incandescido explodindo louco
Sobre o monte, e ter o peito arfante de emoção;
É querer sentir o outro sobre, sob, perto, dentro,
E o coração batendo violento, convulso e o lábio sedento de paixão.

Mas amar e não ter é sentir toda a dor do mundo pesando n'alma.
É andar solitário entre a multidão e chorar de tristeza em convulsão.
É ser pastor pastoreando pedras no deserto e afogar-se em vales secos.

Amar é querer cantar e não ter voz suficiente para rasgar o peito.
É sentir-se um deus capaz de criar mundos e encher tudo de coisas celestias.
É ser anjo velando sonos inocentes e só de bons sentimentos ser cheio.

Mas amar e não ter é perder a voz num mutismo voluntário,
Na desvontade de falar ou de fazer-se ouvir.
É gritar e rasgar a alma e o coração - mas apenas por dentro,
Sem quem ninguém veja ou saiba.
É sentar-se à Ponta do Humaitá e não ver beleza no pôr-do-sol,
É não perder-se todo nas cores desvanescentes do arrebol.

Amar é transformar a escura noite em luzes de festa e em astros rutilantes.
É viver somente em dia, em harmonia, criando sóis e amanheceres de cristais.
É querer dançar quando não há som e despertar o dom mais belo
Que Deus nos concedeu jamais.

Mas amar e não ter é rezar amuado como quem perdeu a fé e a esperança.
É ficar solitário e não se emocionar com a inocência terna duma criança.
É andar arrastando correntes como a alma amaldiçoada penando sobre a terra;
É ter uma guerra sem fim destruindo todas e quaisquer ilusões.

Amar é sentir-se belo e ter toda a eternidade na palma da mão.
É estar inundado de universo, da voz do Eterno e de cânticos espirituais.
É contemplar com olhos de compaixão a feiúra da existência
E tirar lições de paz de cenas de violência.
É viver em êxtases, arrebatamentos contínuos,
Com o pensamento sempre voltando e indo até a quem amamos.

Mas amar e não ter é viver em desespero
Com cada pensamento pelo ser amado voltando vazio, tremendo no peito.
É contemplar o Paraíso sem poder tocá-lo como na antiga parábola.
Amar sem ter é enlouquecer todos os dias
E a cada hora ter no rosto um semblante soturno, sem vestígios de risos.

Amar é transformar palavras simples em poesia.
É correr em campos de rosas carmins e perder-se em alegrias
Que não se podem conter.
Amar é sentir o que sinto por você a cada segundo que passa.
Mas amar e não ter-lhe o riso ou os olhos lindos, é murchar na flor dos dias,
É ver desfigurar-se na face da morte toda beleza e toda a graça
Que uma vez foram minhas.

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Loving is having an incandescent volcano exploding unstoppably on the mount,
And having the breast heaving with emotion;
Is wanting to have the other on, under, near, inside, and the heart violently pound
And the lips thirsty of passion.

But loving and not having is to feel all the pain of the world weighing in the soul;
Is walking lonesomely amidst the throng and convulsively cry with sadness;
Is being a shepherd herding stones in the desert and drowning in valleys perched.

Loving is wanting to sing and having not the voice strong enough to tear the chest;
Is feeling like a god capable of creating worlds and fill everything with celestial things;
Is being an angel watching innocent dreams and being filled only with good feelings.

But loving and not having is losing the voice in a voluntary muteness,
In the unwillingness to speak or to make ourselves heard;
Is shouting and tearing the soul and the heart – but only in the inside,
Unbeknownst to everybody else;
Is seating on the rocks at Humaitá lighthouse and being unable to see beauty in the sunset;
Is not getting completely lost in the beautiful colors of the dusk.

Loving is turning the darkness of the night into party lights and shinning stars;
Is living in eternal days, in harmony, making suns and crystal mornings;
Is wanting to dance when there’s no music and awaken the most beautiful gift God has never bestowed men.

But loving and not having is to pray gloomily as the one who’s lost his faith and hope;
Is becoming solitary and not getting touched by the innocent tenderness of a child;
Is walking dragging chains as the cursed soul haunting the earth;
Is having an endless war destroying every single illusion.

Loving is feeling magnificent and having eternity on the palms of our hands;
Is being inundated with the universe, the voice of the Eternal and spiritual songs;
Is contemplating with passionate eyes the ugliness of existence
And being able to give lessons of peace from violence scenes;
Is living in bliss, in constant rapture, with thoughts coming and going towards the one we love.

But loving and not having is to live in despair
With every thought for the loved one coming back void, trembling in the bosom;
Is contemplating the Paradise and not being able to reach it as in the ancient parable.
Loving and not having is going mad every day
And having, at every minute, a somber face with no traces of laughter.

Loving is turning simple, ordinary words into poetry;
Is running through fields of carmine roses and being lost in unrestrained happiness.
Loving is feeling what I feel for you at every passing moment;
But loving and not having your beautiful eyes or your angelic smile, is withering in our primes;
Is seeing all the grace and all the best features that one day belonged to me fading into the face of Death.

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domingo, fevereiro 08, 2009

Barco a vela / Sailing boat

A minha vida é um barquinho de vela vermelha
Velejando sobre o mar azul.
Às vezes encontra um porto e às vezes só o vento
Frio lhe faz companhia.
De dia, o sol lhe ilumina o caminho;
De noite, vêm a lua e o cruzeiro do sul.
Mas antes que se acostume, nasce o dia
E novamente as estrelas o deixam sozinho.
Minha vida é um barquinho de vela vermelha sobre o mar azul.

Eu pensei haver chegado a uma enseada de águas claras e cristalinas.
Baixei as velas e fiquei a ver a paisagem e o verde das colinas.
Foi lá que encontrei à tarde um rosto terno e um querer-bem eterno
Que me invadiu o peito e me fez livre como as gaivotas cortando o céu,
Brilhante como o rosto da noiva ao tirar do véu, como a primavera após o inverno.
Mas a minha vida é um barquinho de vela vermelha velejando o mar azul.

Qual foi o vento, qual foi, que te trouxe e te levou tão de repente?
E aqueles olhos teus felizes e o meu riso contente 
Parece para sempre ter extinguido?
Às vezes eu me lembro daquele porto e do último beijo, corrido,
Que nos demos. Se eu soubesse, meu Deus, se eu soubesse!
A minha vida é um barquinho solitário sobre o mar azul.

Dentro de mim há tempestades e furacões terríveis
Que só o teu abraço, o teu cuidado, o teu querer-me podiam conter.
Agora, velejando sobre o mar solitário, o meu barco é um esquife
Onde quero adormecer e sonhar por auroras e pelo anoitecer
Até que a vida passe e essa vontade de tocar-te os lábios acabe.
A minha vida é um barquinho de velas desbotadas sobre o cinza do mar.
E eu não sei, indo assim à deriva, quando ele vai retornar.

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My life is a little red sails sailing boat crossing the blue sea.
Sometimes she finds a port, sometimes the cold wind is her only company.
In the day, the sun lights her way;
At night she sees the moon and the South Cross come.
But, before she gets used to their presence, the day breaks, and again,
The stars leave her alone.
My life is a little red sails sailing boat crossing the blue sea.

I thought I had reached a bay of pure and clear waters.
So, I brought down the sails and sat to watch the landscape and the green hills.
There, at dusk, I met a tender face and an eternal love
That stormed into my heart and made me free as seagulls in the sky;
Bright as the bride’s face unveiling her countenance, like spring after the winter.
But my life is a red sails sailing boat crossing the blue sea.

Which wind was it, which one, that brought you and so suddenly took you away?
And those happy eyes of yours and my contented smile
Seems forever to have waned?
Sometimes I remember that port and that last hasty kiss.
If I had known, God, had I known better!
My life is a lonely sailing boat crossing the blue sea.

Within me there are terrible tempests and hurricanes
That only your embraces, your care, your desire for me could tame.
Now, sailing the solitary sea, my boat is a coffin
Where I want to fall asleep and dream throughout dawns and dusks
Until life passes by and this longing to kiss your lips be finished.
My life is a little bleached sails sailing boat on the gray sea.
And I don’t know, drifting as she is, if one day she’ll return.

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sábado, fevereiro 07, 2009

Um poema de amor / A love poem

Eu queria escrever um poema de amor
Que não falasse de tristezas nem de corações partidos
E, em vez da saudade imensa que sinto,
Falasse dos abraços que você me deu e dos beijos roubados
De que você gosta tanto.

Dentro de mim há um querer tão grande
E uma vontade imensa de gritar:
Vai, voz, alcança a alma de quem me fez rir
Tantas vezes  e me alegrou tanto
E traz de volta para mim aquela voz de anjo
E aqueles olhos de mar.

Eu pus os meus desejos nas asas da andorinha
E pedi a ela que voasse o mundo para te encontrar;
Lhe disse que ao ver você, batesse as asas
Deixando meu amor cair sobre seu coração
E te mandasse de volta pra casa.

Por onde voa, por onde vai a andorinha?
Quais ventos encontrou, qual provação?
Passou pelo inverno, primavera, outono, verão?
Ou está a descansar suas pobres asinhas?

Eu pus os meus desejos nas asas da andorinha
E pedi ao vento que sobre você ela fizesse pouso
E lhe lembrasse que o meu coração não é de carne
É brasa viva e tem a forma do seu rosto.

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I wanted to write a poem of love
That wouldn't talk about sadness or broken hearts,
And, instead of the immense yearnig I feel,
Talked about the times you embraced me and the stolen kisses
That you like so much.

There is such an enourmous longing within me
And a mostruous desire to shout:
Go, voice, reach the soul of the one who made me laugh
So many times, and so many times made me happy
And bring back to me that voice of angel
And those eyes of deep seas.

I put my desires onto the wings of the swallow
And prayed her to fly the world to meet you;
I told her to flap her wings when she saw you
Pouring my love into your heart to send you back home.

Where does the swallow fly, where is it going?
What winds has she found? what hardships?
Has she flown through winter, spring, fall and summer?
Or is she resting her tired wings?

I put my desires onto the wings of a swallow
And asked the wind to help her find home in you
And remind you that my heart is not made of flesh,
But of living coal and that it has the shape of your face.

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quinta-feira, fevereiro 05, 2009

O amor / Love

Dizem que o amor é uma ilusão,
Mas o que eu sinto por você é tão real
Que dói com uma dor profunda, latejante, incessante,
Ardendo na cabeça e no coração.

Às vezes me pego olhando pro nada,
Desenhando rabiscos no papel:
Bocas, barcos, luas, corações e um nome:
Seu nome, que eu sussurro bem baixinho
Pra ninguém ouvir, pra ninguém roubar de mim.

Pronunciá-lo é ter de volta sua boca sobre a minha
E os beijos que você me tomou.
Suspirar ao vento esse nome doce: Meubem, assim juntinho,
É pedir sua presença de volta e dizer ao vento que sopre
Devagarinho minha voz em seus ouvidos.

Naquela tarde sobre o mar, depois que o sol se pôs,
Eu quis ser todo seu, beijar, carinhar, e dizer dois versos.
Eu quis que você soubesse que o amor é uma ilusão, como dizem,
E que por isso eu não te amo. Porque eu, na verdade, te respiro, te sonho,
Te bebo, te sorvo, te durmo e te acordo em mim.
Amar você não é ter ilusão; amar você é estar vivo.

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They say love is a delusion,
But what I feel for you is so much real
That hurts with a deep, throbbing, endless pain
Burning in my head and my heart.

Sometimes I get myself staring the voidness,
Scribbling on a paper:
Boats, mouths, moons, hearts and a name,
Your name, which I whisper in hushed tones
So that nobody will hear, nobody will take away from me.

Pronouncing it is having your lips back on mine
And the kisses you've stolen from me.
Whispering to the wind this sweet name: Meubem, uniting the words like that,
Is asking your presence to be back, and pray that the wind tenderly
Blow my voice into your ears.

That evening on the sea, after the sun had set,
I longed to be all yours, to kiss you, to caress you, and to say two verses.
I wanted you to know that love is an illusion, as they say,
And that being so, I don't love you. Because, actually, I breathe you, I dream you,
I drink you, I absorb you, I sleep you and I wake you up in me.
Loving you is not to have an illusion; Loving you is to be alive.

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segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Vagalumes / Fireflies


Eu sigo pelo mundo fazendo o meu caminho
Que às vezes é triste, à vezes é feliz.
Muitas vezes eu choro por causa de pessoas
Que chegaram sorrindo e foram embora sem motivo.

Meu coração, tem vez, é todo riso e todo festa;
Mas em outras épocas, como hoje, ele silencia
E dele só escuto suspiros abafados e,
De quando em quando, nem isso.

Saí à noite procurando vagalumes
E me perdi na escuridão dos bosques.
Mas eu queria mesmo era alcançar
Aquela estrela brilhando sozinha lá no céu
E tilintando sobre o mar ao correr atrás das ondas.
Assim, nem ela nem eu correríamos atrás de lumes ou de vagas.

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I wander around the world making my way,
Which sometimes is sad and sometimes happy.
Many times I cry because of people
Who came smiling but left with no reason.

My heart, at times, is all laughter and party;
But some other times, like now, it keeps silent
And from it all I hear are stiffled whispers and tears,
And at times not even these.

I went out at night searching for fireflies
And got lost in the darkness of the woods.
But what I really wanted was to reach
That star shining alone up there in the sky
And flickering on the sea as it runs after the waves.
Thus, neither she nor I would run after breakers or lights.

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Criança sequestrada em 1988 procura família biológica

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