sábado, fevereiro 07, 2009

Um poema de amor / A love poem

Eu queria escrever um poema de amor
Que não falasse de tristezas nem de corações partidos
E, em vez da saudade imensa que sinto,
Falasse dos abraços que você me deu e dos beijos roubados
De que você gosta tanto.

Dentro de mim há um querer tão grande
E uma vontade imensa de gritar:
Vai, voz, alcança a alma de quem me fez rir
Tantas vezes  e me alegrou tanto
E traz de volta para mim aquela voz de anjo
E aqueles olhos de mar.

Eu pus os meus desejos nas asas da andorinha
E pedi a ela que voasse o mundo para te encontrar;
Lhe disse que ao ver você, batesse as asas
Deixando meu amor cair sobre seu coração
E te mandasse de volta pra casa.

Por onde voa, por onde vai a andorinha?
Quais ventos encontrou, qual provação?
Passou pelo inverno, primavera, outono, verão?
Ou está a descansar suas pobres asinhas?

Eu pus os meus desejos nas asas da andorinha
E pedi ao vento que sobre você ela fizesse pouso
E lhe lembrasse que o meu coração não é de carne
É brasa viva e tem a forma do seu rosto.

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I wanted to write a poem of love
That wouldn't talk about sadness or broken hearts,
And, instead of the immense yearnig I feel,
Talked about the times you embraced me and the stolen kisses
That you like so much.

There is such an enourmous longing within me
And a mostruous desire to shout:
Go, voice, reach the soul of the one who made me laugh
So many times, and so many times made me happy
And bring back to me that voice of angel
And those eyes of deep seas.

I put my desires onto the wings of the swallow
And prayed her to fly the world to meet you;
I told her to flap her wings when she saw you
Pouring my love into your heart to send you back home.

Where does the swallow fly, where is it going?
What winds has she found? what hardships?
Has she flown through winter, spring, fall and summer?
Or is she resting her tired wings?

I put my desires onto the wings of a swallow
And asked the wind to help her find home in you
And remind you that my heart is not made of flesh,
But of living coal and that it has the shape of your face.

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quinta-feira, fevereiro 05, 2009

O amor / Love

Dizem que o amor é uma ilusão,
Mas o que eu sinto por você é tão real
Que dói com uma dor profunda, latejante, incessante,
Ardendo na cabeça e no coração.

Às vezes me pego olhando pro nada,
Desenhando rabiscos no papel:
Bocas, barcos, luas, corações e um nome:
Seu nome, que eu sussurro bem baixinho
Pra ninguém ouvir, pra ninguém roubar de mim.

Pronunciá-lo é ter de volta sua boca sobre a minha
E os beijos que você me tomou.
Suspirar ao vento esse nome doce: Meubem, assim juntinho,
É pedir sua presença de volta e dizer ao vento que sopre
Devagarinho minha voz em seus ouvidos.

Naquela tarde sobre o mar, depois que o sol se pôs,
Eu quis ser todo seu, beijar, carinhar, e dizer dois versos.
Eu quis que você soubesse que o amor é uma ilusão, como dizem,
E que por isso eu não te amo. Porque eu, na verdade, te respiro, te sonho,
Te bebo, te sorvo, te durmo e te acordo em mim.
Amar você não é ter ilusão; amar você é estar vivo.

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They say love is a delusion,
But what I feel for you is so much real
That hurts with a deep, throbbing, endless pain
Burning in my head and my heart.

Sometimes I get myself staring the voidness,
Scribbling on a paper:
Boats, mouths, moons, hearts and a name,
Your name, which I whisper in hushed tones
So that nobody will hear, nobody will take away from me.

Pronouncing it is having your lips back on mine
And the kisses you've stolen from me.
Whispering to the wind this sweet name: Meubem, uniting the words like that,
Is asking your presence to be back, and pray that the wind tenderly
Blow my voice into your ears.

That evening on the sea, after the sun had set,
I longed to be all yours, to kiss you, to caress you, and to say two verses.
I wanted you to know that love is an illusion, as they say,
And that being so, I don't love you. Because, actually, I breathe you, I dream you,
I drink you, I absorb you, I sleep you and I wake you up in me.
Loving you is not to have an illusion; Loving you is to be alive.

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segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Vagalumes / Fireflies


Eu sigo pelo mundo fazendo o meu caminho
Que às vezes é triste, à vezes é feliz.
Muitas vezes eu choro por causa de pessoas
Que chegaram sorrindo e foram embora sem motivo.

Meu coração, tem vez, é todo riso e todo festa;
Mas em outras épocas, como hoje, ele silencia
E dele só escuto suspiros abafados e,
De quando em quando, nem isso.

Saí à noite procurando vagalumes
E me perdi na escuridão dos bosques.
Mas eu queria mesmo era alcançar
Aquela estrela brilhando sozinha lá no céu
E tilintando sobre o mar ao correr atrás das ondas.
Assim, nem ela nem eu correríamos atrás de lumes ou de vagas.

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I wander around the world making my way,
Which sometimes is sad and sometimes happy.
Many times I cry because of people
Who came smiling but left with no reason.

My heart, at times, is all laughter and party;
But some other times, like now, it keeps silent
And from it all I hear are stiffled whispers and tears,
And at times not even these.

I went out at night searching for fireflies
And got lost in the darkness of the woods.
But what I really wanted was to reach
That star shining alone up there in the sky
And flickering on the sea as it runs after the waves.
Thus, neither she nor I would run after breakers or lights.

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domingo, fevereiro 01, 2009

Adeus / Farwell

Minha alma é um mar de recordações
E as ondas que quebram  no cais são sempre memórias suas
Que me trazem seu sorriso, você dançando naquela festa,
Seus olhos brilhando e o seu desejo.

Eu quis me afogar neste mar e dele beber eternamente.
Quis respirar, sorver, fruí-lo todo, estar inundando de você:
Eu quis tanto tudo de você!
Agora estou sentado no cais onde as ondas continuam quebrando,
molhando meus pés, mexendo comigo - mas eu quero viver!

Vejo além do cais, um barco à vela
Ao qual, o vento passando, sopra devagarinho pro horizonte
Levando suas velas para longe de mim.
Eu vou vendo o mar, o vai e vem das ondas e o barco partindo
Enquanto eu, com olhos serenos, lhe sussurro adeus.

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My soul is a sea of memories
And the waves breaking at the pier are always thoughts of you,
Which bring me your smile, you dancing at that party,
Your eyes shining and your desire.

I wanted to drown in this sea and drink from it eternally.
I longed to breathe, to absorb it, to swallow it all, to be flooded of you:
I wanted so much to have all of you!
Now I'm sat at the pier where the waves continue to break,
wetting my feet, touching me deeply - but I want to live!

Beyond the pier I see a sail boat
That the passing wind gently blows towards the horizon
Taking its sails way far from me.
I stare at the sea, the waves that come and go and the departing boat
While me, with tender eyes, whisper a goodbye.

domingo, janeiro 25, 2009

Sem título / Untitled


Eu canto quando estou triste,
Porque a música me alegra o espírito;
E choro quando estou feliz,
Porque a felicidade é sempre breve.

Minha alma não tem peso, é leve
E tem asas abertas como uma ave no céu.
Vem de cruzar rios, mares, universos
E em algum desses lugares ela abarcou a solidão.

Minha alma não tem peso porque a solidão é um vazio,
Uma visão de planícies ocres em centenário estio.
E apesar de sentir tudo, de sofrer tudo, de sorver tudo
Às vezes acho que sou como o topo dum monte íngrime e deserto no verão.

Eu queria correr o mundo a encontrar pessoas em lugares
Incomuns, talvez assim, voando livre e sem rumo
Em vez da solidão, minha alma agora abarcasse um amor sincero,
Um sorriso verdadeiro e as ilusões que perdi em antigos cursos.

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I sing when I am sad
Because music makes my spirit happy;
And I cry when I'm glad
Because happiness is always brief.

My soul has no weight, it's light
And has wings spread open like a bird in the sky.
It comes from crossing rivers, seas, universes
And in one of these places bode solitude to embark.

My soul has no weight because solitude is emptiness,
A vision of beige terrains where for years there has been no rain.
And despite feeling all, suffering all, imbibing all
Sometimes I think I'm like the summit of a mountain in the summer.

I would I could run across the world to meet people of offbeat places,
Thus, maybe, flying free and boundlessly,
Instead of solitude, my soul would embark a sincere love,
A true smile and the illusions I'd lost in my past wanderings.

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quinta-feira, janeiro 22, 2009

Vazio na casa / Empty home


Paredes brancas e teto gelo, portas, janelas, capachos
abajur, cômoda, livros, computador, ventilador, sofá, estante, tapetes
louças, talheres, fogão, geladeira, cadeiras, balcão, bancos, plantas, portas, janelas
filtro, jarras, garrafas, café, leite, sal, açúcar, toalhas de mesa, de prato
comida, água, suco, frutas, cuia de chimarrão
cortinas, porta, ventana, espelho, capacho, pia, vasos, torneiras, choveiro
guarda-roupa, lençóis, TV, estéreo, DVD Player, criado-mudo, Bíblia
filmes, fitas cassete, dvds, violão, caixas de papelão
bibelôs, headphone, ventilador, mp4, pincel, papéis
sandálias, sapatos, calças, cuecas limpas e sujas, camisas
pijamas, amor, saudade, carinho, confidências, beijos
vontade de estar junto, desejo de abraçar, mordidas ternas
mais beijos, mãos pelo corpo, línguas pela pele, olhos de desejo
mais beijos, coração batendo forte, mão no peito
voz dizendo que o coração acelerou
risos, rindo, amando, mais beijos
lençóis sujos, lavanderia, balde, escova de roupa, sabão em pó, amaciante
xampu, condicionador, sabonete
água quente, toalhas de banho, toalhas de cabeça, roupão
monange, escova de dente, colgate, plax, nívea, dimitri
roupa de baixo, calça jeans, meia, sapato, camisa, colar
sorriso, beijo, abraço, lágrima, adeus, beijo, porta batendo
adeus, lágrimas, vontade de beijar, vontade de abraçar
cama, lençóis, travesseiros, lágrimas, soluço, saudade no peito
abandono, saudades, vontade de beijar, vontade de abraçar
paredes brancas, solidão, teto cor de gelo, silêncio, lágrimas, vazio.

ENGLISH VERSION

White walls and ice-like ceiling, doors, windows, doormats
Lamps, bookcases, books, computer, fan, couch, bookshelves, carpets
Dishes, silverware, stove, fridge, chairs, counter, stools, plants, doors, windows
Water fountain, jars, bottles, milk, coffee, sugar, table cloth, dish towel
Food, water, juice, fruit, cuia de chimarrão
Curtains, door, window, mirror, doormat, sink, vases, taps, shower
Wardrobe, blankets, TV, stereo, DVD Player, bed-side table, Bible
Movies, cassettes, dvds, guitar, cardboard boxes
Knick-knacks, headphone, fan, mp4, paintbrush, paper,
Flip-flops, shoes, pants, clean and dirty briefs, shirts
Pajamas, Love, yearning, care, confidences, kisses
Longing to be together, desire to hold tightly, tender bites
More kisses, hands sliding through the body, tongues on skin, leering
More kisses, heart rattling, hands on the torso
Voice saying that the heart is speeding fast
Peals of laughter, laughing, more kisses
Dirtied sheets, service area, bucket, clothes brush, powder soap, rinse
Shampoo, rinse, soap
Hot water, bath towels, head towels, bathrobe
Monange, toothbrush, colgate, plax, nívea, dimitri
Underwear, jeans, socks, shoes, t-shirt, necklace
Smile, Kiss, hug, tear, good-bye, Kiss, door slamming
Good-bye, sigh, tear, longing to Kiss, longing to hold tight
Bed, blankets, pillows, tears, sobs, heart-break
Abandoning, yearning, desire to Kiss, desire to hug
White walls, loneliness, ice-like ceiling, silence, tears, emptiness.

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terça-feira, janeiro 20, 2009

O caminhante / The passer-by

Olho a estrada adiante sinuosa e torturante
como todas as estradas desconhecidas.
Estou na linha do trem, num caminho entre pedras e cascalhos
onde gente sempre gente passou e trilhou
e partiu e sumiu no mundo sem que ninguém soubesse delas.

Quem és tu, ó caminhante, que passas e não deixas marcas?
Quem és tu com estes olhos escuros de lágrimas secas
Que há tanto pararam de correr para fora e ficaram a jorrar rios
Por dentro?
Uma voz me pergunta no meio da noite escura.
Mas eu não tenho resposta. Ah, que amargura!
Não sei responder quem sou!
Mas digo que sou alguém que se perdeu pelo caminho,
Uma alma triste de coração partido por alguém que não soube
O que é amar e se deixar amar.

Um mocho cruza o ar, seu pio rascante é um choro por mim
- Até a natureza chora por mim, mas meu amor, onde estará?
Eu sou alguém que esqueceu os dias e as noites;
Que passou as horas torpes na meditação de um amor ingrato.
Alguém que perdeu a vida, que perdeu a aurora da existência,
Que se embrenhou na mata escura e quem não conseguiu sair de lá.

Quem és tu, caminhante, que cruzas deserto esta estrada erma?
Que passas e falas com esta voz lânguida, cortada, de coisas que acabaram?
Eu não sei responder à voz que me pergunta, eu não sei dizer
Quem sou: quem sou?
Eu sou um par de pernas que andam trôpegas,
Pés desnudos e feridos cambaleando pelo trilho
Nessa estrada que não acaba, essa estrada triste, fria, sinuosa.

E essa voz que fala a mim quem é? de onde vem?
Essa voz tão rascante, tão terrível, tão cheia de uma dor que esmaga?
Essa voz sou eu gritando em mim na solidão da estrada escura
Na solidão dos trilhos do trem que não passa;
Essa voz é o eco da sozinhez, o espectro de quem não tem um outro;
As palavaras que servem de consolo àquele que existe e ninguém vê.

ENGLISH VERSION:

I stare at the road ahead steep and torturing
Like every road unknown.
I am on the railroad, on a way of pebles and stones
Where people always people have passed and trod
And were gone and vanished unbeknownst to the world.

Who art thou that passest without leaving marks?
Who art thou with the sulky eyes and drenched tears,
Which so long ago have stopped pouring out and started to pour within
Like rivers on the inside?
A voice asks me in the middle of the dark night.
But I don't have an answer. Oh, how anguishing!
I don't know to answer who I am!
Nonetheless, I say I'm somebody who's got lost on his way,
A downcast soul with a heart broken by someone who didn't know
What to love and to be loved means.

An owl crosses the sky, its gloomy squeal is a cry for me
- Even nature weeps for me, but where should my lover be?
I am someone who has forgotten the days and the nights;
Who has passed the forlorn hours brooding over an ungrateful love.
Somebody who has lost his life, who has lost his primes,
Someone who has plunged into the woods and couldn't find his way back.

Who art thou, passer-by, who desertly crossest this solitary road?
Who passest and speakest with this drawling, grieving voice of things over?
I don't know to answer the voice that asks me,
I don't know to say who I am: who am I?
I am a pair of legs which walks unsteadily,
Bare and hurt feet wheeling through the rails
Of this endless road, this forsaken, cold and steep road.

And this voice talking to me, who must it be? where does it come from?
This so terrible, somber voice, so full of a squashing pain?
This voice is me screaming within in the loliness of this dark road,
In the solitude of the rails of a train that never passes by;
This voice is the echo of the aloneness, the ghost of he who has no one else;
And these words serve as a solace to him who exists and nobody cares.


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domingo, janeiro 18, 2009

Hoje, mais que qualquer outro dia, não quero pensar em você.
Não quero, em pensamento, sentir seu toque em meu rosto
Nem o deslizar de suas mãos sobre meu peito;
Não quero olhar nesses olhos verdes de mar
Nem ouvir, no íntimo, sua voz doce cantando pra mim.

Mas aqui dentro da minha cabeça essas coisas não vão embora,
E ao meu redor tudo são lembranças:
Livros, músicas, poemas, risadas, gestos, olhares, cheiros!
Beijo outras bocas, mas por mais que as beije, só quero seus lábios.
Busco seus lábios em outras pessoas, procuro seus olhos em outros rostos.
Eu não quero pensar em você - mas o meu querer não importa.

As recordações de nós dois não são muitas, passamos pouco tempo juntos,
E ainda assim é como se tivéssemos nos amado sempre.
Cada um desses momentos que vou revivendo em mim
Se alongam de eternidade em eternidade e na medida que se estendem
Mais real e presente e sempre você se torna.

Hoje, mas que qualquer outro dia, eu não quero pensar em você.
Porque, pensar em você, significa desejar que esteja onde não está:
Em meus braços, ao meu lado, me olhando doce nos olhos.
Eu não quero pensar em você - quero que esteja aqui!

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sábado, janeiro 17, 2009

areia e vento

O que dói não é você falar que não pode me querer;
O que dói é não ver seus olhos me observando com interesse,
Com você atrás de mim me vendo andar e sorrindo enquanto sigo;
Dói mesmo é ver que parece tão fácil me dizer adeus,
Não querer minha boca na sua, nem meu corpo junto ao seu.

Sabe aquelas horas em que estávamos juntos,
Só você e eu e os lençóis e as palavras e sussurros de carinho?
É fácil esquecer isso? para mim não é - ainda sinto tudo, vejo tudo,
Ouço tudo, bem aqui, bem na minha pele.
Minha vontade é perguntar "por quê?",
Mas tem coisas que não se explicam, não é?

Não se explica, por exemplo, eu me apaixonar,
Eu querer estar ao seu lado,
Eu desejar seus lábios,
Eu pensar em você o dia inteiro à revelia da minha vontade.
Não se explica essa sensação cortante de perda,
Nem essa angústia imensa,
Esse sentimento de que arrancaram meu coração
E essa estranha impotência de sequer poder pedir a Deus que me ajude.

Eu tinha tanto a lhe dizer - mas só ao pé do ouvido!
Eu sonhei tantos sonhos e criei tantas ilusões sobre nós.
Mas as minhas ilusões são assim:
Um punhado de areia branca no topo de uma montanha
A que o vento vem e vai soprando, soprando, soprando
E leva embora tudo o que eu quis - foi sempre assim -
Por que seria diferente com você, não é?

O vento soprou você, foi criando um outro punhado de areia
No topo do monte de outra pessoa.
Tomara que um dia, sem querer, ele mude de direção
E mande você de volta pra mim.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

...

Se há tristeza em meus olhos, eu não sei, eu não vejo.
O que vejo são não sei definir:
Por isso ando sem rumo pelas calçadas quebradas;
Por isso paro a ver o pôr-do-sol
e as estrelas tremelicando no céu que se desfaz em tons de luz sumida.

Às vezes dá um desespero tão grande me mastigando o peito,
Dilacerando minha alma que eu só penso em correr,
Gritar, bem alto, porque chorar não adianta mais:
Já chorei e ninguém ouviu.
De onde vem a dor e a insônia?
Será que sofrer é mesmo evitável?
Não sei Drummond, só sei que dói e é tão pungente!
Olhando ao redor só há o desamparo.

Sinto como se caísse num precipício cujo fundo não alcanço;
É um fosso onde prantos, sussurros, pedidos de socorro
se perderam para sempre e ninguém jamais ouviu.

Você diz que em meus olhos há tristeza,
Mas você não quer mesmo saber de onde ela vem;
Se quisesse, cuidaria de mim, me poria no colo, me embalaria nos braços,
Tocaria meu rosto com os dedos suaves e meus cabelos sentiriam
Suas mãos macias fazendo remoinhos ternos.

Então não me pergunte o por quê,
Apenas me deixe continuar correndo, sem rumo,
Por essa estrada tão suja e rota e quebrada
Que é o caminho de minhas emoções arrebatadas.


sábado, dezembro 27, 2008

O que queria

Não me perguntes o que quero,
Não saberei responder com certeza
Nem sem ambigüidades;
Me perguntes o que queria e te responderei:
Queria que não fosses embora quando me envolves em teus abraços;
Queria que ficasses mais tempo comigo porque as horas voam;
Queria olhar-te nos olhos, calado,
E deixar-te penetrar nos meus em silêncio;
Queria ouvir tua voz cantando para mim
Promessas de amor, letras de amor que não são minhas,
Mas que me fazem feliz e me dão a esperança-
Essa esperança tola de poetas e sonhadores.

Se me perguntasses o que eu queria,
Saberia te dizer, rapidamente, recostando tua cabeça ao meu peito
Enquanto meus dedos te fazem carinho:
Queria que não amasses outro;
Queria que me incluisses nos teus planos;
Queria não ser "futurista", mas manter-me todo no presente, aqui com você,
Nesses momentos lindos em que tu e eu nos amamos;
Queria que me buscasses quando não me visses,
E que teu coração acelerasse ao me encontrares;
Queria que te inquietasses ao pensar que eu não estaria por perto,
E que saltasses de alegria ao ouvires minha voz;
Ah! como eu queria!

Queria que lembrasses de mim ao veres a lua,
E que quisesses vir correndo me beijar;
Queria que o sol, o vento, o mar e as árvores que daçam à brisa
Te fizessem recordar de mim e te dessem o desejo de nunca me deixar partir.

Se me perguntasses o que eu queria,
Saberia te dizer de imediato essas coisas que sinto
Mas que deixo aqui dentro de mim, guardadas,
Escondidas nesse infinito contínuo
De desejos e sonhos que eu sou
Até a hora em que desejes saber o que eu queria.


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Criança sequestrada em 1988 procura família biológica

OLHA ATENTAMENTE PARA ESSAS FOTOS Se essa criança te parece familiar, talvez ela seja . Se seus traços te lembram algum parent...