Hoje um aluno me perguntou o que eu entendia por literatura. Não se pergunta a um professor de Literatura o que é sua matéria - ele sabe de cor. Aqueles vários conceitos estudados na universidade, nos tóricos... passaram por minha cabeça, idéias que circulavam desde o Pachatantra até o tratado de algum catedrático das revistas literárias da semana passada. Versões e versões indo e vindo pelos corredores da minha mente, informações de anos de sociedade escritora que me fizeram pasmar diante daquela simples pergunta. O menino, vendo que eu fazia uma viagem que talvez ele não pudesse alcançar, bateu no meu ombro e disse: "e aê, prof, o que é mesmo?". Eu sorri e lhe perguntei questões banais que iam desde o horário em que ele acordou ao que havia feito até aquele momento. Ele me respondeu a tudo, com uma expressão de que não tinha entendido aonde eu quis chegar, tipo: "colé, rapaz, cê falô, falô, me fez falr e não disse nada". antes que ele me indagasse mais uma vez, eu lhe disse: Literatura é isso: vida, escrita de formas diferentes em lugares diferentes - no seu corpo, na sua alma, no livro que vc está na mão".
e pra você, o que é a literatura?
segunda-feira, abril 09, 2007
quinta-feira, novembro 23, 2006
hoje
Hoje não é um dia como os outros
não vejo o sol nem vejo nuvens
não há chuva nem há trovões
o vento não passa e as aves não cantam.
Meu coração não está triste nem alegre
eu não canto nem me calo
não vejo, mas não estou cego
neste dia estranho que é hoje.
Talvez seja a vida que vai passando
talvez os anos caminhando
e a sensação de que tudo é nada
que a vida é só um "por quê?"
Hoje é um dia estranho
sem crianças, sem velhos, sem namorados
um dia cinza e transparente
um dia como nunca vira antes.
não vejo o sol nem vejo nuvens
não há chuva nem há trovões
o vento não passa e as aves não cantam.
Meu coração não está triste nem alegre
eu não canto nem me calo
não vejo, mas não estou cego
neste dia estranho que é hoje.
Talvez seja a vida que vai passando
talvez os anos caminhando
e a sensação de que tudo é nada
que a vida é só um "por quê?"
Hoje é um dia estranho
sem crianças, sem velhos, sem namorados
um dia cinza e transparente
um dia como nunca vira antes.
sexta-feira, agosto 04, 2006
outonos
outonos, primaveras, teu amor deveras
me enche de paz e me mata
me escraviza, me fascina - é tudo
são folhas que caem avermelhadas
e ocasos queimando o céu;
o que sinto é simples, o que sei é fel,
o que sonho são devaneios
e você... ah, você!
o frio - não é no corpo, nem na alma
é uma chama gelada de época passada
é frio que queima e mata
o frio - o frio não é nada!
mas os outonos são tudo
são você, sou eu, assim, à lareira
com os pés no rio, sentados na colina ao amanhecer
meus outonos de folhas vermelhas são você.
me enche de paz e me mata
me escraviza, me fascina - é tudo
são folhas que caem avermelhadas
e ocasos queimando o céu;
o que sinto é simples, o que sei é fel,
o que sonho são devaneios
e você... ah, você!
o frio - não é no corpo, nem na alma
é uma chama gelada de época passada
é frio que queima e mata
o frio - o frio não é nada!
mas os outonos são tudo
são você, sou eu, assim, à lareira
com os pés no rio, sentados na colina ao amanhecer
meus outonos de folhas vermelhas são você.
terça-feira, abril 11, 2006
Suspiros
Eu sou a folha nua, despida
À qual o vento tortura;
Sou as ervas do campo
- indesejadas
Às quais ninguém procura.
Vês as aves no céu?
- em breve perderão as asas!
Ouves os pássaros nos ninhos?
- abandonarão seu canto!
Eu sou a tristeza, sou a dor
De quem veio ao mundo
Pra te ver, e não teve seu amor;
Sou o proscrito, o imundo;
Sou o pranto, o rejeitado, o dissabor.
Sou as horas sombrias, geladas,
As noites de frio e os desertos;
Sou as cidades abatidas, saqueadas,
E a desesperança de quem perdeu a fé.
Eu sou o luto e a dor da perda
De alguém que nunca tive.
Eu sou a folha nua, despida
À qual o vento tortura;
Sou as ervas do campo
- indesejadas
Às quais ninguém procura.
Vês as aves no céu?
- em breve perderão as asas!
Ouves os pássaros nos ninhos?
- abandonarão seu canto!
Eu sou a tristeza, sou a dor
De quem veio ao mundo
Pra te ver, e não teve seu amor;
Sou o proscrito, o imundo;
Sou o pranto, o rejeitado, o dissabor.
Sou as horas sombrias, geladas,
As noites de frio e os desertos;
Sou as cidades abatidas, saqueadas,
E a desesperança de quem perdeu a fé.
Eu sou o luto e a dor da perda
De alguém que nunca tive.
domingo, abril 09, 2006
D..... N....
A ti
Cujo rosto não vejo
Cujos olhos não olho
Cujos lábios não beijo
Cujas mãos não toco
De quem não sinto o perfume.
A ti
Cujo lindo semblante
Preciso de ver;
De quem sou amante
Sem ter um porquê
E nem mesmo um instante
Que me faça rever
Os doces momentos na memória.
A ti
A quem tanto desejo
Por quem tanto suspiro
Por cuja causa me perco
Por quem desatino
De quem sou um brinquedo
Jogado ao canto.
A ti
Cujo nome ouve o anoitecer
Nos meus sussurros ao ventos
Por quem sonho, de quem espero mercê
Mas só recebo momentos
De solidão.
A ti
Que me esqueces, t’escondes, desapareces
E me entregas ao vale da escuridão;
Por quem faço minhas preces
Meus votos, e cada ardente oração;
A ti – somente a ti - dedico esses versos.
A ti
Cujo rosto não vejo
Cujos olhos não olho
Cujos lábios não beijo
Cujas mãos não toco
De quem não sinto o perfume.
A ti
Cujo lindo semblante
Preciso de ver;
De quem sou amante
Sem ter um porquê
E nem mesmo um instante
Que me faça rever
Os doces momentos na memória.
A ti
A quem tanto desejo
Por quem tanto suspiro
Por cuja causa me perco
Por quem desatino
De quem sou um brinquedo
Jogado ao canto.
A ti
Cujo nome ouve o anoitecer
Nos meus sussurros ao ventos
Por quem sonho, de quem espero mercê
Mas só recebo momentos
De solidão.
A ti
Que me esqueces, t’escondes, desapareces
E me entregas ao vale da escuridão;
Por quem faço minhas preces
Meus votos, e cada ardente oração;
A ti – somente a ti - dedico esses versos.
sexta-feira, abril 07, 2006
Impossível
Ah! Eu queria ser como o vento
Que passa, corre pelo espaço imenso
E ninguém consegue deter!
Queria ser como a tempestade
E enegrecer o céu todas as tardes
Pra que você sentisse falta do sol.
E quando negro se tornasse seu arrebol,
Queria ser a enfeitar seu céu a luz escarlate,
Depois as estrelas pra não lhe deixar só
E do espaço distante poder lhe observar
sempre, velar por você a cada instante
Cobrir seu universo com um lençol rutilante
E ter seus olhos a me contemplar.
Mas ai de mim que não sou vento,
Não sou estrela, não sou luz!
Só tenho o malvado tempo que reduz
Minha vida, minhas lágrimas e alegrias
A um monte de escombros e pó.
Ah! Se eu fosse o vento
Correria ao seu encontro agora
Abraçaria seu corpo e carinhosa
Seria cada palavra em seus ouvidos,
Suave seria cada toque em seu rosto,
Assim acabaria a tristeza e o desgosto
Que me enchem o ser.
Ah! Se eu fosse o vento!
Ah! Eu queria ser como o vento
Que passa, corre pelo espaço imenso
E ninguém consegue deter!
Queria ser como a tempestade
E enegrecer o céu todas as tardes
Pra que você sentisse falta do sol.
E quando negro se tornasse seu arrebol,
Queria ser a enfeitar seu céu a luz escarlate,
Depois as estrelas pra não lhe deixar só
E do espaço distante poder lhe observar
sempre, velar por você a cada instante
Cobrir seu universo com um lençol rutilante
E ter seus olhos a me contemplar.
Mas ai de mim que não sou vento,
Não sou estrela, não sou luz!
Só tenho o malvado tempo que reduz
Minha vida, minhas lágrimas e alegrias
A um monte de escombros e pó.
Ah! Se eu fosse o vento
Correria ao seu encontro agora
Abraçaria seu corpo e carinhosa
Seria cada palavra em seus ouvidos,
Suave seria cada toque em seu rosto,
Assim acabaria a tristeza e o desgosto
Que me enchem o ser.
Ah! Se eu fosse o vento!
terça-feira, abril 04, 2006
Ave Errante
Vivo de vento
- com a cabeça no ar
Vivo de vento
- Não tenho pousar.
Sou dente-de-leão,
Sou ave errante,
Procuro um coração
Que está sempre distante.
Se acho copas - se desfolham;
Se encontro ninhos - se desfazem;
As chuvas que me molham
São labaredas que me ardem.
Sou ave errante - não tenho paragens
Vivo de vento – forte ou suave
Errante, sempre errante,
Na solidão dos ares.
- com a cabeça no ar
Vivo de vento
- Não tenho pousar.
Sou dente-de-leão,
Sou ave errante,
Procuro um coração
Que está sempre distante.
Se acho copas - se desfolham;
Se encontro ninhos - se desfazem;
As chuvas que me molham
São labaredas que me ardem.
Sou ave errante - não tenho paragens
Vivo de vento – forte ou suave
Errante, sempre errante,
Na solidão dos ares.
domingo, abril 02, 2006
Um nome
Há um nome em meu coração
Um nome, meu Deus,
Queimando a minha alma –
Um nome que me angustia e acalma,
Que me sobe ao peito como uma oração.
Nos dias em que me entristeço,
Nas noites em que me foge o sono,
Nas horas que levam os ventos
E os meus dedos repassam o terço
Nesses sacros momentos
De sagrada meditação,
Quando eu, envolto em devota ilusão,
Me perco nas letras que o formam,
Vem-me ao peito esse nome
Que de tão puro
Meus lábios temem profanar.
Então tremente apenas sussurro
Como quem clama das trevas pela luz,
Como o beato desfeito perante o altar
Dos seus santos, seus anjos, seus êxtases, seus suspiros por Jesus.
Flamejantes, brilhantes como mil velas
Sonoros, sublimes, devotos como quem vela
O sono tranqüilo dum infante
Esses suspiros acalmam minh’alma errante
Pois sussurram um nome,
Um nome, meu Deus, qu’eu não posso revelar.
Há um nome em meu coração
Um nome, meu Deus,
Queimando a minha alma –
Um nome que me angustia e acalma,
Que me sobe ao peito como uma oração.
Nos dias em que me entristeço,
Nas noites em que me foge o sono,
Nas horas que levam os ventos
E os meus dedos repassam o terço
Nesses sacros momentos
De sagrada meditação,
Quando eu, envolto em devota ilusão,
Me perco nas letras que o formam,
Vem-me ao peito esse nome
Que de tão puro
Meus lábios temem profanar.
Então tremente apenas sussurro
Como quem clama das trevas pela luz,
Como o beato desfeito perante o altar
Dos seus santos, seus anjos, seus êxtases, seus suspiros por Jesus.
Flamejantes, brilhantes como mil velas
Sonoros, sublimes, devotos como quem vela
O sono tranqüilo dum infante
Esses suspiros acalmam minh’alma errante
Pois sussurram um nome,
Um nome, meu Deus, qu’eu não posso revelar.
sexta-feira, março 24, 2006
para D.....
Eu dormia e os meus sonhos eram só seus,
a presença ao meu lado
o toque em meus lábios
o calor em meu coração
- eu dormia e sonhava que era você.
Mas não, oh não!
era só o orvalho da manhã se dispersando pelo ar,
molhando as plantas, verdejando os pastos,
mas eu pensei que poderia ser você
- eu desejei que fosse você.
Era a chuva caindo que beijava meus lábios
e envolvia meu corpo trêmulo
- era só a chuva,
mas meu coração imaginava receber seu toque.
Queria que fosse você a me acordar ao raiar do dia
que fosse sua voz a despertar-me entre as folhas das árvores,
que fosse seu olhar a iluminar minhas tardes
e seu calor que aquecesse meu corpo frio da solidão noturna.
Mas foi apenas um sonho bom
que me trouxe de volta o som de sua risada
e a emoção de seu coração batendo contra o meu
foi um sonho, meu Deus, do qual eu não queria acordar
- pois eu dormia para que meus sonhos fossem só seus.
a presença ao meu lado
o toque em meus lábios
o calor em meu coração
- eu dormia e sonhava que era você.
Mas não, oh não!
era só o orvalho da manhã se dispersando pelo ar,
molhando as plantas, verdejando os pastos,
mas eu pensei que poderia ser você
- eu desejei que fosse você.
Era a chuva caindo que beijava meus lábios
e envolvia meu corpo trêmulo
- era só a chuva,
mas meu coração imaginava receber seu toque.
Queria que fosse você a me acordar ao raiar do dia
que fosse sua voz a despertar-me entre as folhas das árvores,
que fosse seu olhar a iluminar minhas tardes
e seu calor que aquecesse meu corpo frio da solidão noturna.
Mas foi apenas um sonho bom
que me trouxe de volta o som de sua risada
e a emoção de seu coração batendo contra o meu
foi um sonho, meu Deus, do qual eu não queria acordar
- pois eu dormia para que meus sonhos fossem só seus.
terça-feira, fevereiro 28, 2006
Adeus, vou partir.
Adeus, doce Charlotte,
Adeus, que já vou partir.
Serei embalado nos braços da morte,
Não verei mais teu santo sorrir.
Adeus, que a nau me chama
Balança teu branco lenço e derrama
As lágrimas que teus olhos vertem
Por não tocares mais a quem te ama.
Mas se lágrimas em teu rosto descem,
Não sejam para sempre!
Se murmúrios teus lábios tecem
Não sejam assaz descontentes!
Sim, porque parto para a outra banda
do mar - parto e não volto mais.
Mas tu estás aqui, tão linda – um anjo celeste.
Tão linda, tão risonha, tão cândida.
Vou partir, mas ficam das tardes
as lembranças de nossos beijos
ao crepúsculo, o soprar do vento,
e as palavras de amor, fica tudo, tudo.
Então não chores, meu bem
porque parto carregando a dor
que ninguém, ninguém mais temporque nunca souberam o que é te amar
Adeus, que já vou partir.
Serei embalado nos braços da morte,
Não verei mais teu santo sorrir.
Adeus, que a nau me chama
Balança teu branco lenço e derrama
As lágrimas que teus olhos vertem
Por não tocares mais a quem te ama.
Mas se lágrimas em teu rosto descem,
Não sejam para sempre!
Se murmúrios teus lábios tecem
Não sejam assaz descontentes!
Sim, porque parto para a outra banda
do mar - parto e não volto mais.
Mas tu estás aqui, tão linda – um anjo celeste.
Tão linda, tão risonha, tão cândida.
Vou partir, mas ficam das tardes
as lembranças de nossos beijos
ao crepúsculo, o soprar do vento,
e as palavras de amor, fica tudo, tudo.
Então não chores, meu bem
porque parto carregando a dor
que ninguém, ninguém mais temporque nunca souberam o que é te amar
quinta-feira, janeiro 12, 2006
A SACADA
Na sacada escura de um casebre
A alva moça se quedava triste
Trazendo ao colo murchas flores
De um amor que à brisa leve
Sem dizer adeus partiu.
Foi-se ele a flutuar no rio
Sobre uma canoa a tremer de frio
Como um animalzinho sem seu rebanho
A vagar ao léu e assustado
Sem da lua alheia ter a luz
Nem da lamparina o fogo tênue
A consolar-lhe o coração
Com’um ardente bálsamo
Na negrura torpe de tão torpe pântano
Entre árvores lúgubres e ervas mortas
Sumiu-se o noivo a olhar a sacada triste
Onde vira seu último amor.
À partir de então, naquele casebre
De sofreguidão e lágrimas
A triste moça, de ebúrnea pele
Sentou-se silenciosa e pálida
E lá ficou trazendo ao coloAs murchas flores de seu grande amor.
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