sexta-feira, março 24, 2006

para D.....

Eu dormia e os meus sonhos eram só seus,
a presença ao meu lado
o toque em meus lábios
o calor em meu coração
- eu dormia e sonhava que era você.

Mas não, oh não!
era só o orvalho da manhã se dispersando pelo ar,
molhando as plantas, verdejando os pastos,
mas eu pensei que poderia ser você
- eu desejei que fosse você.

Era a chuva caindo que beijava meus lábios
e envolvia meu corpo trêmulo
- era só a chuva,
mas meu coração imaginava receber seu toque.

Queria que fosse você a me acordar ao raiar do dia
que fosse sua voz a despertar-me entre as folhas das árvores,
que fosse seu olhar a iluminar minhas tardes
e seu calor que aquecesse meu corpo frio da solidão noturna.

Mas foi apenas um sonho bom
que me trouxe de volta o som de sua risada
e a emoção de seu coração batendo contra o meu
foi um sonho, meu Deus, do qual eu não queria acordar
- pois eu dormia para que meus sonhos fossem só seus.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Adeus, vou partir.

Adeus, doce Charlotte,
Adeus, que já vou partir.
Serei embalado nos braços da morte,
Não verei mais teu santo sorrir.

Adeus, que a nau me chama
Balança teu branco lenço e derrama
As lágrimas que teus olhos vertem
Por não tocares mais a quem te ama.

Mas se lágrimas em teu rosto descem,
Não sejam para sempre!
Se murmúrios teus lábios tecem
Não sejam assaz descontentes!

Sim, porque parto para a outra banda
do mar - parto e não volto mais.
Mas tu estás aqui, tão linda – um anjo celeste.
Tão linda, tão risonha, tão cândida.

Vou partir, mas ficam das tardes
as lembranças de nossos beijos
ao crepúsculo, o soprar do vento,
e as palavras de amor, fica tudo, tudo.

Então não chores, meu bem
porque parto carregando a dor
que ninguém, ninguém mais temporque nunca souberam o que é te amar

quinta-feira, janeiro 12, 2006

A SACADA


Na sacada escura de um casebre
A alva moça se quedava triste
Trazendo ao colo murchas flores
De um amor que à brisa leve
Sem dizer adeus partiu.

Foi-se ele a flutuar no rio
Sobre uma canoa a tremer de frio
Como um animalzinho sem seu rebanho
A vagar ao léu e assustado

Sem da lua alheia ter a luz
Nem da lamparina o fogo tênue
A consolar-lhe o coração
Com’um ardente bálsamo

Na negrura torpe de tão torpe pântano
Entre árvores lúgubres e ervas mortas
Sumiu-se o noivo a olhar a sacada triste
Onde vira seu último amor.

À partir de então, naquele casebre
De sofreguidão e lágrimas
A triste moça, de ebúrnea pele
Sentou-se silenciosa e pálida
E lá ficou trazendo ao coloAs murchas flores de seu grande amor.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

(e)tern(a)idade

Ah, morrer! Mas logo agora quando a vida se descortina ante os olhos extasiados da juventude? Quando a seiva da força, da beleza, do amor se derrama por sobre os negros cabelos e a alva face? Não! Se das plagas antigas pudessem os heróis retornar, se do Penedo Prometeu fosse arrancado, libertado das correntes, era a vida que dariam aos homens.
A caixa de Pandora foi a tempo selada para que dela não fugisse a esperança; Na hora fatal, um vento vindo do Altíssimo abriu o mar em duas paredes distintas fazendo sucumbir sob suas águas impiedosas as bigas e os cavalos do faraó; para escapar ao malévolo rei, asas apareceram nas costas do filho de Dédalos para que ele voasse e às estrelas s’erguesse.
Morrer! NÃO! agora que as músicas e as danças percorrem os dias, em que a terna idade e a eternidade se confundem; quando as criptonitas são dissolvidas e nos tornamos os super-homens além da vida e dos gestos e das coisas que nos cercam. NÃO poeta! Agora é a hora de viver, de descobrir no céu a imensidão infinita que nos não pode conter; é hora de tremer de amor e sorrir de alegria insana; de ver na noite que cai e não as sombras e a escuridão, mas as estrelas que rutilantes acendem os céus, a lua que se derrama sobre os mares em luz de Jaci.
É hora de parar e escutar o som dos pássaros e a calma das ondas quebrando contra as pedras. Quando a noite cai, é a hora não de morrer, de dar o último suspiro, mas de escutar o doce som das batidas leve do coração, que pulsa em vida, que chama a vida, que arde de amor.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

a um poeta

Um brinde, um brinde aos que sonham!
mas não o tenhamos em taça de crânio humano, dele não restará nem o pó! um brinde, seja um brinde feito de coração, de veias, de artérias e de sangue escorrente!

Cujo sabor nos vicie, nos delicie nos poetize, nos embriague.
Desse vinho bebamos, nos encharquemos, andemos como ébrios a gritar nas ruas!

Andem, venham, brindemos!
deixai escorrer pela boca a vermelhidão luxuriante do amor.
Cantemos!
Tragais em cordas as suaves melodias da ternura, inundemos o ar de salmos.
Dancemos!
façamos da vida um grande palco onde os atores não sejamos nós apenas, mas nós mesmos e todos envolvidos, vestidos, cobertos de sentimentos.

Venhamos, façamos um brinde à vida!

sábado, dezembro 31, 2005

o ano passou, as poesias ficaram

Hoje é o último dia de 2005, um ano que passou como todos os outros, deixando algumas saudades, muitas lembranças e sonhos. Talvez seja então hora de meditar e pôr na balança tudo aquilo que pensamos poderia ser refeito, desfeito ou feito no ano que se inicia, talvez não. Talvez devêssemos simplesmente viver o momento e esperar que as surpresas façam a vida ou que a vida traga surpresas as quais possamos segurar com força e transformar para o nosso proveito; talvez devêssemos fazer como Clarice Lispector e nos rendermos à vida, parar de pensar no que pode vir, porque simplesmente viver ultrapassa todo o entendimento.
No entanto, há dentro de nós um borbulhar, uma chama que arde e não cessa, um desejo de que tudo o que nos venha às mãos seja conhecido e antecipado e assim possamos nos preparar para enfrentrar a tempestade e gozarmos da bonança tendo tudo sob o nosso controle.
Sendo como for, eu desejo a todos um 2006 cheio de realizações, alegrias e tristezas. Realizações para que possamos prosseguir sempre mais motivados; alegrias para que o nosso riso sempre ilumine o mundo; e tristezas para que possamos ser mais fortes a cada dia e vencermos qualquer impecilho que se ponha em nosso caminho. Essas três coisas nos farão mais sábios e o nosso caminho mais útil na vida.
São tudo isso

São borboletas cirandando entre jasmins perfumados.
São girassóis iluminando jardins.
São gotas de orvalho banhando pétalas de rosas.
São o sereno tocando minhas faces.
São crianças correndo livres pelo campo.
São cavalos brancos cavalgando pelos pastos.
São estrelas a brilhar no céu.
São a prata da lua sobre a maré cheia.
São pérolas de valor inestimável.
São mares de azul-turquesa.
São ondas quebrando no cais.
São ocasos de fins de tarde.
São faróis iluminando caminhos.
São beijos tão doces quanto o mel.
São risos de jovens enamorados.
São aroma do perfume mais suave.
São melodias do violino mais afinado.
São o sabor do mais puro vinho.
São as cardinales da aurora que nasce.
São pequenos grandes gestos.
São tudo e mais;
São cantigas, choro, rimas, prosas;
São poesias – palavras que jorram do coração.
São pedidos, orações, súplicas, às vezes melancolia.
São apenas eu, minha essência...Esses poemas que escrevi para ti.

Criança sequestrada em 1988 procura família biológica

OLHA ATENTAMENTE PARA ESSAS FOTOS Se essa criança te parece familiar, talvez ela seja . Se seus traços te lembram algum parent...