Adeus, doce Charlotte,
Adeus, que já vou partir.
Serei embalado nos braços da morte,
Não verei mais teu santo sorrir.
Adeus, que a nau me chama
Balança teu branco lenço e derrama
As lágrimas que teus olhos vertem
Por não tocares mais a quem te ama.
Mas se lágrimas em teu rosto descem,
Não sejam para sempre!
Se murmúrios teus lábios tecem
Não sejam assaz descontentes!
Sim, porque parto para a outra banda
do mar - parto e não volto mais.
Mas tu estás aqui, tão linda – um anjo celeste.
Tão linda, tão risonha, tão cândida.
Vou partir, mas ficam das tardes
as lembranças de nossos beijos
ao crepúsculo, o soprar do vento,
e as palavras de amor, fica tudo, tudo.
Então não chores, meu bem
porque parto carregando a dor
que ninguém, ninguém mais temporque nunca souberam o que é te amar
terça-feira, fevereiro 28, 2006
quinta-feira, janeiro 12, 2006
A SACADA
Na sacada escura de um casebre
A alva moça se quedava triste
Trazendo ao colo murchas flores
De um amor que à brisa leve
Sem dizer adeus partiu.
Foi-se ele a flutuar no rio
Sobre uma canoa a tremer de frio
Como um animalzinho sem seu rebanho
A vagar ao léu e assustado
Sem da lua alheia ter a luz
Nem da lamparina o fogo tênue
A consolar-lhe o coração
Com’um ardente bálsamo
Na negrura torpe de tão torpe pântano
Entre árvores lúgubres e ervas mortas
Sumiu-se o noivo a olhar a sacada triste
Onde vira seu último amor.
À partir de então, naquele casebre
De sofreguidão e lágrimas
A triste moça, de ebúrnea pele
Sentou-se silenciosa e pálida
E lá ficou trazendo ao coloAs murchas flores de seu grande amor.
quinta-feira, janeiro 05, 2006
(e)tern(a)idade
Ah, morrer! Mas logo agora quando a vida se descortina ante os olhos extasiados da juventude? Quando a seiva da força, da beleza, do amor se derrama por sobre os negros cabelos e a alva face? Não! Se das plagas antigas pudessem os heróis retornar, se do Penedo Prometeu fosse arrancado, libertado das correntes, era a vida que dariam aos homens.
A caixa de Pandora foi a tempo selada para que dela não fugisse a esperança; Na hora fatal, um vento vindo do Altíssimo abriu o mar em duas paredes distintas fazendo sucumbir sob suas águas impiedosas as bigas e os cavalos do faraó; para escapar ao malévolo rei, asas apareceram nas costas do filho de Dédalos para que ele voasse e às estrelas s’erguesse.
Morrer! NÃO! agora que as músicas e as danças percorrem os dias, em que a terna idade e a eternidade se confundem; quando as criptonitas são dissolvidas e nos tornamos os super-homens além da vida e dos gestos e das coisas que nos cercam. NÃO poeta! Agora é a hora de viver, de descobrir no céu a imensidão infinita que nos não pode conter; é hora de tremer de amor e sorrir de alegria insana; de ver na noite que cai e não as sombras e a escuridão, mas as estrelas que rutilantes acendem os céus, a lua que se derrama sobre os mares em luz de Jaci.
É hora de parar e escutar o som dos pássaros e a calma das ondas quebrando contra as pedras. Quando a noite cai, é a hora não de morrer, de dar o último suspiro, mas de escutar o doce som das batidas leve do coração, que pulsa em vida, que chama a vida, que arde de amor.
quarta-feira, janeiro 04, 2006
a um poeta
Um brinde, um brinde aos que sonham!
mas não o tenhamos em taça de crânio humano, dele não restará nem o pó! um brinde, seja um brinde feito de coração, de veias, de artérias e de sangue escorrente!
Cujo sabor nos vicie, nos delicie nos poetize, nos embriague.
Desse vinho bebamos, nos encharquemos, andemos como ébrios a gritar nas ruas!
Andem, venham, brindemos!
deixai escorrer pela boca a vermelhidão luxuriante do amor.
Cantemos!
Tragais em cordas as suaves melodias da ternura, inundemos o ar de salmos.
Dancemos!
façamos da vida um grande palco onde os atores não sejamos nós apenas, mas nós mesmos e todos envolvidos, vestidos, cobertos de sentimentos.
Venhamos, façamos um brinde à vida!
mas não o tenhamos em taça de crânio humano, dele não restará nem o pó! um brinde, seja um brinde feito de coração, de veias, de artérias e de sangue escorrente!
Cujo sabor nos vicie, nos delicie nos poetize, nos embriague.
Desse vinho bebamos, nos encharquemos, andemos como ébrios a gritar nas ruas!
Andem, venham, brindemos!
deixai escorrer pela boca a vermelhidão luxuriante do amor.
Cantemos!
Tragais em cordas as suaves melodias da ternura, inundemos o ar de salmos.
Dancemos!
façamos da vida um grande palco onde os atores não sejamos nós apenas, mas nós mesmos e todos envolvidos, vestidos, cobertos de sentimentos.
Venhamos, façamos um brinde à vida!
sábado, dezembro 31, 2005
o ano passou, as poesias ficaram
Hoje é o último dia de 2005, um ano que passou como todos os outros, deixando algumas saudades, muitas lembranças e sonhos. Talvez seja então hora de meditar e pôr na balança tudo aquilo que pensamos poderia ser refeito, desfeito ou feito no ano que se inicia, talvez não. Talvez devêssemos simplesmente viver o momento e esperar que as surpresas façam a vida ou que a vida traga surpresas as quais possamos segurar com força e transformar para o nosso proveito; talvez devêssemos fazer como Clarice Lispector e nos rendermos à vida, parar de pensar no que pode vir, porque simplesmente viver ultrapassa todo o entendimento.
No entanto, há dentro de nós um borbulhar, uma chama que arde e não cessa, um desejo de que tudo o que nos venha às mãos seja conhecido e antecipado e assim possamos nos preparar para enfrentrar a tempestade e gozarmos da bonança tendo tudo sob o nosso controle.
Sendo como for, eu desejo a todos um 2006 cheio de realizações, alegrias e tristezas. Realizações para que possamos prosseguir sempre mais motivados; alegrias para que o nosso riso sempre ilumine o mundo; e tristezas para que possamos ser mais fortes a cada dia e vencermos qualquer impecilho que se ponha em nosso caminho. Essas três coisas nos farão mais sábios e o nosso caminho mais útil na vida.
São tudo isso
São borboletas cirandando entre jasmins perfumados.
São girassóis iluminando jardins.
São gotas de orvalho banhando pétalas de rosas.
São o sereno tocando minhas faces.
São crianças correndo livres pelo campo.
São cavalos brancos cavalgando pelos pastos.
São estrelas a brilhar no céu.
São a prata da lua sobre a maré cheia.
São pérolas de valor inestimável.
São mares de azul-turquesa.
São ondas quebrando no cais.
São ocasos de fins de tarde.
São faróis iluminando caminhos.
São beijos tão doces quanto o mel.
São risos de jovens enamorados.
São aroma do perfume mais suave.
São melodias do violino mais afinado.
São o sabor do mais puro vinho.
São as cardinales da aurora que nasce.
São pequenos grandes gestos.
São tudo e mais;
São cantigas, choro, rimas, prosas;
São poesias – palavras que jorram do coração.
São pedidos, orações, súplicas, às vezes melancolia.
São apenas eu, minha essência...Esses poemas que escrevi para ti.
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